Inicial África & Alemanha TRANSFORMAÇÃO: África evoluiu e política alemã também
TRANSFORMAÇÃO: África evoluiu e política alemã também Imprimir E-mail
Escrito por Glaucimara Silva   
Qua, 05 de Agosto de 2009 21:00

O presidente federal Horst Kohler em Ruanda, na África - Fonte: dpa/pa Nos últimos anos, a África começou uma transformação sem precedentes e com isso a Alemanha mudou a sua visão e suas políticas em relação à África. O respeito aos direitos humanos, à democracia, ao Estado de Direito e à solução pacífica de controvérsias são os princípios e valores que direcionam esse novo momento.

Hoje, embora a pobreza seja inevitalmente associada à África, em muitos países do continente o PIB (Produto Interno Bruto) chega a ser superior ao de alguns países-membros do G-20. A democracia também tem se fortalecido. Pesquisas de opinião mostram que cerca de 70% dos entrevistados acreditam nela como regime de governo. Antes visto por outras nacões como um continente perigoso, é agora dominado por uma certa estabilidade: as regiões de conflito que ainda persistem concentram-se no Sudão, no Chade, no Congo e no cabo da África.

 

A África ainda possui problemas, fato. Mas muitos dos seus desafios não são especificamente africanos e sim questões globais como terrorismo, crime organizado, tráfico de pessoas e migração ilegal, corrupção, ameaças ao meio ambiente e a mudança climática. Com a criação da União Africana, do Tribunal Africano dos Direitos Humanos, com a Nova Parceiria para o Desenvolvimento da África (NEPAD) e a introdução do Mecanismo Africano de Revisão de Pares (MARP), políticos africanos perspicazes demonstraram a sua determinação de procurar soluções próprias para os problemas do seu continente e dos seus países, optando pela via de reformas políticas e econômicas.

Em via de mão dupla
A África se modernizou. A Alemanha viu essa mudança e a capacidade de os países africanos atuarem de maneira independente e responsável, e desenvolveu uma política crível e calculável para o continente, baseada em valores universais e interesses nacionais. Nela os parcerios conhecem e partilham os mesmo valores e respeitam as necessidades individuais. O trabalho entre as nações é feito em estreita cooperação, em proveito mútuo e em organizações multilaterais, sobretudo no âmbito das Nações Unidas.

No campo político, a presidência alemã da União Europeia no semestre de 2007 e o „Processo de Heiligendamm“ foram determinantes para a África. Além do continente ter sido incluído nos debates do G-8, uma „Estratégia Comum UE-África“ foi elaborada. A partir dela foram estabelecidos novos fundamentos para as relações entre a União Europeia e o continente africano. Também foram criadas parceiras nas mais diversas áreas, como paz e segurança, boa governança e direitos humanos, comércio e integração regional, objetivos de desenvolvimento para o novo milênio, energia, alteração climática, migração, mobilidade, emprego, ciência, sociedade de informação e espaço sideral.

No âmbito econômico, como grande nação exportadora que é, a Alemanha depende de um sistema de comércio mundial eficiente e seguro, no qual a paz, a segurança e a estabilidade são condições imprescindíveis. Por isso, a fim de contar com parceiros em pé de igualdade na África, o governo alemão tem incentivado a formação, a disponibilidade para o diálogo entre sociedades civis, a criação de condições básicas para a geração de prosperidade e a justa distribuição da mesma.

Em 2008 e 2009 recursos superiores a 110 milhões de euros foram disponilizados ao Ministério das Relacões Exteriores da Alemanha e aplicados na superação de crises, nos princípios do Estado de Direito, na democratização, na prevenção e cooperação policial e nas estruturas de segurança na África.

A cultura também não foi deixada de lado e o projeto „Ação África“ consolidou o empenho cultural alemão no continente. A cooperação acadêmica, a ampliação da presença dos Institutos Goethe e a assinatura de um maior número de acordos culturais foram intensificadas e as competências interculturais, tanto dos africanos quanto dos alemães, reforçadas de maneira equilibrada.