Inicial Religião TRADIÇÃO: A Festa de São Martinho
TRADIÇÃO: A Festa de São Martinho Imprimir E-mail
Escrito por Denise Kotulla   
Qua, 12 de Novembro de 2008 21:00

Crianças com suas lanternas - Fonte: dpa/pa

"Lanterna, lanterna, lua, sol e estrela..." Ano após ano ouve-se, no dia 11 de novembro, este refrão nas ruas outonais da Alemanha onde crianças em procissão ostentam suas lanternas feitas à mão e cantam alegremente as canções que aprenderam de cor. A luz bruxuleante das velas dentro das lanternas faz reluzir os olhos infantis. Não há criança que não espere poder vislumbrar, cheia de excitação, uma nesga do homem que veste uniforme de soldado medieval e que, montado no seu imponente cavalo, vai na frente da procissão.

São muitas as lendas em torno deste homem que todas as crianças da Alemanha, da Áustria e da Suíça conhecem devido às suas boas ações e à sua generosidade. São Martinho nasceu no ano de 316 d.C. com o nome de Martin de Tours, em Sabaria, situada na atual Hungria, e, ainda jovem, ingressou na Guarda Imperial Romana. Depois do seu batismo e da sua nomeação como bispo, votou-se ao trabalho missionário e passou a ajudar os pobres e ostracizados.

Diz a lenda que Martinho encontrou, na porta da cidade de Amiens, um pobre mendigo em roupas esfarrapadas que lhe pediu que o salvasse do gélido frio que reinava. Martinho, porém, só trazia o seu capote militar e decidiu, assim, dividi-lo com o mendigo. Sem hesitar, com um golpe de espada, cortou o manto quente em duas partes e deu a metade ao mendigo que se mostrou profundamente grato. Depois deste gesto magnânimo, Martinho deixou de servir como soldado a Roma e recebeu o batismo cristão, ajudando os necessitados e praticando, em vez de lutar, o amor ao próximo.

Este ato de caridade, no entanto, não é a única história sobre São Martinho que ainda hoje se conta. Uma outra lenda fala da sua nomeação para bispo. Como ele era um homem modesto e não se sentia digno do cargo de bispo, escondeu-se num galinheiro cheio de gansos. O grasnar dos gansos, porém, foi tão ruidoso que os moradores da cidade o descobriram e o designaram como o novo bispo.

É muito provável que essa lenda tenha dado origem à tradição do ganso de São Martinho que costuma ser servido na festa de São Martinho, à noite, após a procissão das lanternas. Em muitos lugares, no entanto, hoje são servidos, em vez do ganso, o vinho quente com especiarias, o chocolate quente e os "Weckmänner" – bolos assados no forno que têm a forma de um homem, com cachimbo de barro na boca. Depois de uma longa procissão de lanternas ao ar livre e no frescor do outono, esta refeição aquece os corações e sacia muito estômago faminto.

A origem da procissão de lanternas que ganhou tanta popularidade ainda não foi desvendada até hoje. Mas para muitos ela substitui a fogueira de São Martinho, ainda acendida em várias cidades e aldeias da Europa nos tempos atuais. Antigamente ela simbolizava a luz da santidade que ilumina a escuridão – assim como São Martinho trouxe, com suas boas ações, um vislumbre de esperança à vida dos pobres. É verdade: a tradição da grande fogueira crepitante vai-se perdendo gradualmente mas a procissão das lanternas continua a fazer parte dos usos e costumes mais difundidos e apreciados. Grandes e pequenos se regozijam com as procissões infantis que alumiam as ruas escuras com suas lanternas e canções: "Pelas ruas abaixo e acima a lanterna de novo ilumina: amarela, verde, azul e cereja, bom Martinho, venha cá e veja!"