ÁFRICA & ALEMANHA
 

ÁFRICA: Prioridade nas relações bilaterais
PRÊMIO EM BAYREUTH: Sonyinka prestigiado
FESTIVAL: Würzburg celebra cultura africana
INCOMUM: Mostra desconstrói o hábito
ANGOLA: Lufthansa liga Frankfurt à Luanda
“AÇÃO ÁFRICA“: Novas prioridades
PARCERIA ÁFRICA-EU: Países estabelecem plano de ação
CABO VERDE: Parceria beneficia a todos
AFRICANÍSSIMO: Continente é foco de feira de Fairtrade

CONTINENTE EM FOCO: A África cada vez mais na mira da política
exterior alemã

MOÇAMBIQUE: A união faz a força
PRESENÇA ALEMÃ EM ANGOLA: Em busca de paz e democracia
FÓRUM DE ENERGIA ÁFRICA-EUROPA: Parceria gera benefícios
ANGOLANOS EM BERLIM: Comunidade encontra alegria no canto
IMIGRAÇÃO: Africanos na Alemanha



09.09.08 – ÁFRICA:
Prioridade nas relações bilaterais  ACIMA
Steinmeier e embaixadores - Fonte: dpa/pa Diplomacia

Os chefes de missões diplomáticas no estrangeiro, reunidos em Berlim desde segunda-feira (08.09), elegeram o continente africano como um ponto cada vez mais importante nas relações diplomáticas da Alemanha. O ministro das Relações Exteriores Frank-Walter Steinmeier abriu a conferência afirmando: “Para nós, trata-se de colocar em prática uma parceria política de igual para igual”.

Steinmeier lembrou que os grandes desafios de nosso tempo devem ser abordados através do diálogo e parceria. “Vivemos num mundo em busca de ordem”, disse o ministro. Além da China, ele evocou a Índia, o Brasil, o México, a Indonésia, o Vietnam e os países do Golfo como exemplos de novos pólos políticos, econômicos e culturais. “ África também deve obter seu lugar de parceiro em pé de igualdade” declarou o ministro, acrescentando que o continente africano ainda é bastante associado a um local de crises, conflitos e corrupção. “ África está em plena ascensão”.

Josiane Cotrim


19.06.08 - PRÊMIO EM BAYREUTH:
Sonyinka prestigiado  ACIMA

Vencedor do Prêmio Nobel, o escritor nigeriano Wole Soyinka será agraciado com o recém-instituido prêmio "Markgräfin-Wilhelmine", oferecido pela cidade de Bayreuth. A terra de Richard Wagner pretende entregar a homenagem anualmente, sob o mote "Tolerância e humanidade em diversidade cultural". O agraciado receberá 10 mil euros. Este ano ele será entregue durante o forum sobre o futuro das ciências, cultura, sociedade e dialogo entre si.

Soyinka foi o primeiro africano a recebeu o Nobel de Literatura, em 1986. O autor foi escolhido por atender aos objetivos do prêmio ao trazer em sua obra uma reflexão crítica sobre as noções de valores e no entendimento intercultural. Markgräfin-Wilhelmine fundou a cidade no século 18. Este ano Bayreuth comemora um duplo jubileu: os 300 anos de fundação da cidade e os 250 anos da morte da irmã preferida de Frederico, o Grande.

Mariana Antoun


22.05.08 – FESTIVAL:
Würzburg celebra cultura africana   ACIMA
Máscara africana e mulher em trajes típicos - Fonte: pa/dpa Conhecimento para tolerância

No próximo dia 25 de maio é comemorado em todo o mundo o Dia da África. Na cidade alemã de Würzburg começou hoje (22.05) a 20ª edição do África Festival, que contou, em sua solenidade de abertura, com a presença do Ministro das Relações Exteriores Frank-Walter Steinmeier. O festival tem como objetivo mostrar, para o público alemão, a cultura e a música vindos da África.

"Um barco não avança, se cada um rema da sua maneira", diz o ditado africano, citado pelo Ministro Steinmeier: "E hoje nós podemos ver quão longe pode-se ir quando se rema junto", afirmou Steinmeier em seu discurso, lembrando que o Festival começou como uma iniciativa privada e que reuniu hoje, entre seus visitantes, ministros, embaixadores, artistas africanos e representantes da sociedade civil de toda a Alemanha.

A mesma premissa do ditado é válida para a política externa alemã para o Continente, que este ano lançou a "Ação África", um projeto que pretende intensificar a cooperação cultural, com fundos de 20 milhões de euros. Nele estão previstos, entre outros, maior financiamento da Deutsche Welle tanto para programação em rádio e TV, quanto para formação de profissionais, abertura de novas sedes do Instituto Goethe, e programas de intercâmbio para estudantes alemães e africanos. "A cooperação necessita de espaços de entendimento, da criatividade comum e do conhecimento", ressaltou Steinmeier.

Estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1972, o Dia da África relembra a reunião de 32 Chefes de Estado africanos, em 25 de maio de 1962, que protestaram contra a colonização e formaram a Organização da União Africana (OUA), precessora da hoje União Africana (UA).

Mariana Antoun


23.04.08 – INCOMUM:
Mostra desconstrói o hábito  ACIMA

Luanda recebe grande exposição sobre design, que inaugura uma nova fase na cooperação entre Alemanha e países da África Subsaariana...
Algumas das obras - Fonte: ifa/Divulgação Ver para crer!

Uma pequena mostra sobre os 50 anos da “documenta” no ano passado foi o pontapé inicial para a organização da exposição “algo diferente - O Design Contemporâneo e o Poder das Convenções”, que ficará exposta em Luanda, Angola, de 6 a 11 de junho, no Museu Nacional de História Natural.

A experiência fez com que a Fundação Sindika Dokolo desejasse uma parceria ainda maior com o ifa, Instituto de Relações Internacionais, de Stuttgart, que levou para o país africano uma parte da exposição “arquivo in motion. 50 anos da documenta”. Agora, sob curadoria de Volker Albus, o fenômeno de desconstrução do hábito no design chega à Luanda em 148 objetos, de 47 artistas alemães e outros 20 de diferentes partes da Europa. Nas obras, conceitos como função, materialidade, construção e relação dos significados são discutidos.

Nas peças e na criatividade dos artistas, um aspirador pode virar cadeira, a grade que faz fronteira serve também como um banco, a mesa ganha utilidade de estante, o pretzel – Brezel em alemão, um quitute que normalmente é curvo – tem formato retangular.

A exposição é o primeiro passo no fortalecimento das atividades do ifa na África Subsaariana – novo foco de atuação do Ministério das Relações Exteriores, que pretende intensificar sua política cultural para a Região. Além da presença do ifa, também o Instituto Goethe já anunciou a abertura de novos centros culturais em Luanda, Cartum (Sudão) e Dar es Salaam (Tanzânia).

Mariana Antoun

LINK:
ifa
www.documenta.de
www.alemanja.org/cultura


18.04.08 – ANGOLA:
Lufthansa liga Frankfurt à Luanda  ACIMA
A340-300 Fonte: Gerd Ribenich/ Divulgação Nos ares

A capital angolana tem agora vôos diretos para a Alemanha. Desde o dia 1° de abril a Lufthansa opera semanalmente a rota Frankfurt-Luanda. Angola é o 11° país africano a contar com vôo direto para Alemanha. A expansão da companhia tem como objetivo estabelecer ligações entre os mercados produtores de petróleo no continente e a Alemanha, alcançando especialmente o mercado corporativo.

“Angola abre-nos excelentes oportunidades de negócio. A nossa ligação direta estimula e reforça o comércio entre os dois países”, mencionou o Vice-presidente para Vendas e Serviços da Lufthansa no Sudeste da Europa, África & Médio Oriente/Paquistão, Joachim Steinbach, reforçando o clima econômico positivo de Angola, o segundo maior exportador de petróleo no continente.

Os voos serão operados num A340-300, uma das mais modernas aeronaves da frota alemã, oferecendo serviço em três classes (Primeira, Business e Econômica). As partidas de Luanda para Frankfurt acontecem às quartas-feiras, às 20h35, e de Frankfurt às terças-feiras, às 20h30.

Redação

LINK:
www.lufthansa.com


08.02.08 – “AÇÃO ÁFRICA“:
Novas prioridades  ACIMA

A Alemanha amplia sua cooperação cultural com a África com investimentos de 20 milhões de euros

“Ação África” é um programa com o qual a Alemanha pretende continuar desenvolvendo sua parceria com a África a partir deste ano. Para a cooperação futuramente mais estreita com os países africanos, a Alemanha investirá em 2008 um total de 20 milhões de euros em projetos e programas do intercâmbio cultural. Com esta iniciativa, a Alemanha fortalece seu engajamento político-cultural no continente vizinho e mostra: a África desempenha um importante papel para a Alemanha.

Já em 2007, durante a sua presidência do Conselho da UE e do G8, a Alemanha tinha deixado bem claro quão importante são boas relações para com a África. Frank-Walter Steinmeier, ministro alemão do Exterior, vê a Alemanha e a África como importantes parceiros. Em agosto de 2007, Steinmeier viajou pela primeira vez como ministro do Exterior para a África, visitando Nigéria e Gana. O encontro com alunos de ambos os países convenceu o ministro da importância do intercâmbio educacional. Sua segunda visita à África, em fevereiro, marcou o começo da realização da “Ação África”. Assim, a Alemanha sublinha seu interesse em uma cooperação cultural séria e de longo prazo.

O programa “Ação África” dá prioridade à política cultural e educacional e à construção da infra-estrutura educacional. A Alemanha pretende aprofundar sua cooperação sobretudo nos setores universitários e científicos. Para tanto, a Alemanha apóia, por exemplo, a construção de centros universitários africanos para a formação de pessoal jovem e intensifica a oferta de programas de bolsa de estudo para jovens cientistas africanos. Além disso, a “Ação África” intensificará o intercâmbio no setor escolar e no esporte.

 Ao lado de uma promoção mais intensa das escolas alemãs internacionais – que também são um lugar de encontros e de diálogos interculturais -, o ensino de alemão em escolas nacionais e a aquisição do diploma de língua da Conferência dos Ministros da Cultura deverão ser incentivados com um maior número de professores. Desta maneira deverá ser possibilitado o acesso de um número maior de jovens africanos às universidades alemãs. Além disso, está planejada uma intensificação do programa de intercâmbio de alunos do Serviço Alemão de Intercâmbio Pedagógico (PAD). Futuramente, mais alunos africanos do que até agora deverão receber a chance de uma estadia de várias semanas na Alemanha, com visita a escolas.

Dado que também o esporte faz união entre as pessoas, a “Ação África” pretende construir no local e a longo prazo estruturas de esporte para clubes e organizações, enviando para lá peritos alemães em esporte e formando técnicos africanos. Esse amplo programa será completado com uma cooperação aprofundada no trabalho da mídia, como, por exemplo, na rádio, na tevê e na internet. Em dezembro de 2007, o ministro do Exterior apresentou aos embaixadores africanos, em Berlim, o inovador programa de rádio da Deutsche Welle “Learning by Ear”, que será produzido para jovens africanos, nas maiores línguas regionais africanas.

Redação


10.12.07 – PARCERIA ÁFRICA-EU:
Países estabelecem plano de ação  ACIMA
Conferência União Européia/África - Fonte:dpaEncontro histórico

A Chanceler Angela Merkel e o Ministro das Relações Exteriores Frank-Walter Steinmeier participaram da Conferência União Européia-África que terminou em Lisboa no dia 9 com um acordo estratégico conjunto. Foi o primeiro encontro entre a União Européia e países africanos em sete anos e reuniu os 27 representantes dos países da UE e 53 países africanos. Os países africanos firmaram compromissos relativos ao respeito aos direitos humanos e boa governança.

Segundo o Primeiro-Ministro português José Sócrates, anfitrião do evento, a cúpula vai entrar para a história. O encontro “é uma histórica transformação nas nossas relações” completou o Presidente de Gana e da União Africana, John Kufuor. Além dos direitos humanos, outros temas constaram da agenda como comércio, infra-estrutura, energia, proteção climática e migração.

Josiane Cotrim


07.12.07 - CABO VERDE:
Parceria beneficia a todos   ACIMA
Pesca é uma das principais atividades do país - Fonte: Wikimedia Commons/ Fanny Schertzer A pesca é a principal atividade econômica

Cabo Verde e Alemanha estão em tratativas para firmar parceria que vai mexer com a vida dos dois países. O acordo é, para o país africano, parte de uma negociação maior, que envolve toda a comunidade européia. Em novembro, os 27 Estados-membros da UE - União Européia, reunidos em Bruxelas, chegaram a um consenso sobre uma futura parceria especial com Cabo Verde. Esta parceria deverá reforçar o diálogo entre as duas partes, indo além da tradicional relação doador/beneficiário e estabelecendo um quadro de interesses mútuos.

Antes da decisão dos Estados-membros, a Ministra da Presidência do Conselho de Ministros de Cabo Verde, Cristina Fontes Lima, havia declarado que, apesar de a concretização do acordo depender de outras formalidades, o fato de a negociação estar bastante adiantada "constitui já uma grande vitória de todos os cabo-verdianos". A parceria terá como pilares o combate à pobreza, a sociedade da informação, as questões ambientais comuns e o desenvolvimento do país. Neste sentido, a Alemanha tem tido destaque na negociação, mostrando-se receptiva às pretensões do país africano.

Desde o começo do ano, as duas nações têm se encontrado para discutir as bases do acordo. A aproximação é vista de forma positiva pelo povo cabo-verdiano, mesmo aqueles que não moram no país - o próprio governo admite que atualmente há mais cabo-verdianos no exterior do que nos seus limites geográficos, um conjunto de ilhas no Oceano Atlântico. "É importante multiplicar as relações, quebrar a dependência com Portugal", diz o sociólogo José Carlos dos Anjos, que há 20 anos mora no Brasil e leciona na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Para ele, a transferência de tecnologia da Alemanha para Cabo Verde é uma das maiores expectativas do acordo. "Cabo Verde é um país pobre, sem recursos naturais, carente economicamente. O que se vislumbra é a possibilidade de desenvolvimento tecnológico e científico."

A população jovem, em média com 23 anos de idade, que sofre com a falta de trabalho e precisa sair em busca de oportunidades, será a maior beneficiada. Mas quem firma acordo com Cabo Verde também ganha sob vários aspectos, garante o doutor arquiteto Benamy Turkienicz, que coordena o Mestrado de Ordenamento e Desenho do Território, o equivalente a Planejamento Urbano, que será implantado pela universidade gaúcha em Cabo Verde. Para ele, o país africano funciona como uma espécie de laboratório, onde os países que firmam parcerias podem aprender, desenvolvendo projetos em condições adversas que resultarão em melhorias nos seus países de origem.

Fabíola Brites


18.09.07 – AFRICANÍSSIMO:
Continente é foco de feira de Fairtrade  ACIMA
Heidemarie Wieczorek-Zeul - Fonte: dpa Comércio justo

Cheira a café etíope torrado quando a Ministra Federal do Desenvolvimento, Heidemarie Wieczorek-Zeul, abre a semana do Comércio Justo em Berlim. A ministra atentou para a importância desta forma de comércio. A feira, que vai até 30 de setembro, tem por tema o continente africano: “Africaníssimo – descubra a diversidade” é o lema deste ano. Para os produtores de países pobres o comércio justo é uma questão de sobrevivência e a África possui um grande potencial para desenvolvê-lo com produtos provenientes de diversos países: café da Etiópia e Uganda, cacau da Costa do Marfim, chá e vinho da África do Sul, artesanato da Tanzânia, rosas do Quênia, etc.

Esta é a sexta vez que o evento acontece. A programação é variada e inclui atividades diversas como festas africanas, cursos de cozinha, exposições e música. Os produtos com o selo do comércio justo vêm conquistando cada vez mais espaço nas prateleiras dos supermercados alemães.

Josiane Cotrim


15.08.07 – CONTINENTE EM FOCO:
A África cada vez mais na mira da política exterior alemã  ACIMA
Indústria na África - Fonte: Revista Deutschland Novas chances para a África

No encontro de cúpula do G8 sob presidência alemã, em Heiligendamm em junho deste ano, a África foi um dos grandes temas. Somente para o combate a doenças infecciosas como aids/HIV, malária e tuberculose, os sete países mais industrializados e a Rússia pretendem disponibilizar 60 bilhões de dólares (44,5 bilhões de euros), nos próximos anos. Observadores estrangeiros perceberam, sobretudo, uma priorização do continente na política externa alemã ao se colocar a África de forma tão central na ordem do dia do G8.

De fato, a África desempenha papel cada vez maior na política externa alemã. Até o fim da década de 1990, prevalecia a visão de que o país não tinha interesses econômicos e estratégicos na África e engajava-se no continente mais por motivos morais e altruístas. A política para a África era tratada como parte da política de ajuda ao desenvolvimento. Foram basicamente cinco razões que levaram a uma reavaliação nos últimos anos. Duas delas possuem, contudo, relação apenas indireta com o continente. Primeiro, a ampliação pela União Européia da Política Exterior e de Segurança Comum (PESC) e da Política Européia de Segurança e Defesa (PESD), bem como, em segundo lugar, a mudança de definição do papel da Alemanha na política internacional. A Alemanha defendeu, desde o início, o fortalecimento da PESC e da PESD. Além disso, a França, o Reino Unido, Portugal e uma série de outros países da UE consideram a África como região prioritária para a política comum exterior e de segurança, não só por seus elos históricos com o continente, mas também pela facilidade com que os países da UE podem chegar a um consenso na sua política para a África. Quanto à política externa alemã, aumentou a compreensão sobre seu novo papel, tendo a organização da ordem e dos processos globais como parte de suas tarefas primordiais.

Concorrência econômica
Em paralelo a estas duas motivações indiretas, existem outras três diretas que fizeram o continente entrar crescentemente no foco da política alemã. Em primeiro lugar, aumentou a pressão migratória vinda da região, despertando claramente o interesse da política interior pela política externa em relação à África. Além disso, o engajamento mais forte da China na África também colocou em questão a política econômica externa da Alemanha. Finalmente, os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 tornaram os políticos mais conscientes de que a segurança da Alemanha também pode ser ameaçada por acontecimentos em regiões bem longínquas.

Estas mudanças na percepção da África e também do papel da Alemanha e da UE na política internacional deixaram suas marcas na política africana alemã. O debate sobre a África ocorre hoje de forma mais ampla; seu círculo de participantes alargou-se a olhos vistos. Até poucos anos atrás, eram sobretudo especialistas em ajuda ao desenvolvimento e em África que se ocupavam do continente no Ministério das Relações Exteriores e no Parlamento alemão (Bundestag). Hoje, além deles, também participam das discussões sobre a região os responsáveis por decisões nas áreas de política exterior, de segurança, do interior, européia e de negócios exteriores. Assim, deu-se início a um debate sobre a definição de prioridades e a escolha dos instrumentos mais apropriados.

Esta mudança evidencia-se de forma exemplar nos temas da paz e da segurança. Especialistas em África ocupam-se, há algum tempo, com a questão, se desenvolvimento é um pré-requisito para a paz e segurança ou se, sem paz e segurança, não é possível promover o desenvolvimento. Existe um meio-termo entre ambas as posições, assumido pela maioria dos políticos alemães dedicados à África: paz duradoura e estável requer desenvolvimento social e econômico, mas sem o fim dos conflitos violentos não tem sentido qualquer investimento em projetos de ajuda ao desenvolvimento. Por este raciocínio, é grande o número de políticos da área de ajuda para o desenvolvimento a favor da participação das Forças Armadas alemãs (Bundeswehr) em missões de paz na África. O quão bem-sucedida esta participação pode ser, mostra a liderança alemã da missão européia “EUFOR RD Congo” na República Democrática do Congo. Quase 800 soldados alemães garantiram, em 2006, as primeiras eleições parlamentares e presidenciais no país em mais de 40 anos. Na verdade, o emprego de elementos militares não deverá tornar-se um instrumento padrão da política alemã para a África, mas este recurso também não será descartado.

Projeto convincente para a África
A política africana alemã está agora diante da tarefa de transformar as mudanças na percepção da África e no debate sobre a política alemã para a região num projeto convincente da política da Alemanha para o continente. Os pontos fundamentais para ela já foram determinados pela estratégia africana da União Européia, aprovada no fim de 2005. Ainda à frente do desenvolvimento social e econômico, ela enfatiza a contribuição da União Européia para o estabelecimento de paz e segurança, para o incentivo da boa governança (good governance) e para a ampliação do comércio, dos investimentos e da integração regional na África. Esta definição de prioridades refletiu-se já na agenda africana do encontro de cúpula do G8 em Heiligendamm. Agora, é importante para a política externa alemã encontrar mais parceiros para o estabelecimento de uma política conjunta, entre os países africanos. Com mais de 50 países, a África possui, como continente, um peso relativamente grande na maioria dos organismos e grêmios internacionais, aproveitado até agora de forma pouco construtiva. Uma política externa alemã que se engaje mais fortemente na organização da ordem global pode contribuir para o aproveitamento do potencial internacional da África.

Mesmo que a África ganhe cada vez maior significado na política alemã, é essencial que se estabeleçam pontos centrais na cooperação. O Ministério Federal para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (BMZ) já identificou três campos em que deverá concentrar-se seu engajamento na cooperação com os países africanos ao sul do Saara: boa governança, desenvolvimento econômico sustentável e abastecimento de água. Além disso, o BMZ defende prioridades específicas para cada país na sua cooperação para o desenvolvimento. Futuramente, a prevenção de crises civis e o fomento à democratização irão representar um papel sempre mais importante na política africana alemã.

Integrar grandes países
A questão das prioridades regionais no engajamento político não é nada simples. Nenhum país pode manter relações bilaterais com todos os países da África na mesma medida. Importante para uma política africana bem-sucedida é não apenas a cooperação com os pequenos países, mas também e sobretudo com os grandes países africanos. Se há no momento uma guerra civil, um governo autoritário ou democrático, os instrumentos para o estabelecimento das relações com estes países irão variar conforme o caso. O governo federal alemão aproveitou o encontro de cúpula do G8 deste ano para direcionar as atenções políticas e públicas para a África – uma nova chance será oferecida pelo encontro de cúpula UE-África, a realizar-se no fim deste ano na capital portuguesa Lisboa. Ambos os lados lucrarão com a iniciativa: a política alemã para a África e os países do continente.

Dr. Stefan Mair é diretor de pesquisa da fundação Stiftung Wissenschaft und Politik (SWP) em Berlim.

Relações diplomáticas
A Alemanha mantém 148 embaixadas em todo o mundo; 39 delas cuidam da diplomacia no continente africano. A elas somam-se consulados e consulados gerais, bem como os cônsules honorários. Por outro lado, 24 países da África se fazem representar na Alemanha com embaixadas próprias.

Relações econômicas
Há muitos anos, as relações econômicas teuto-africanas crescem continuamente. Somente em 2006, o volume de comércio entre parceiros alemães e africanos aumentou quase 18%, chegando a 33 bilhões de euros. Os investimentos diretos alemães na África foram da ordem de seis bilhões de euros.

SAFRI
Desde 1996, a Iniciativa da Economia Alemã no Sul da África (SAFRI) engaja-se pelo comércio teuto-africano. Seu principal objetivo: ampliar a parceria com os 14 países membros da Comunidade para o Desenvolvimento do Sul da África (SADC). Entre outras coisas, a SAFRI organiza encontros econômicos bilaterais e viagens de negócios.

Juntos pela África
Sob o patrocínio do presidente federal alemão Horst Köhler, 32 organizações de ajuda ao desenvolvimento cooperam com a iniciativa Juntos pela África. Com seu apoio, já foram iniciados até hoje 5 mil projetos, de escolas a hospitais. Um dos mais proeminentes colaboradores é o cantor Herbert Grönemeyer.

Apoio através de ONGs
Cerca de 175 mil alemães atuam como voluntários em organizações não-governamentais (ONGs) de política para o desenvolvimento. Elas arrecadam doações, organizam eventos informativos e ajudam diretamente nos países, sobretudo na África. Na Alemanha, além disso, as ONGs dão emprego a cerca de 6 mil pessoas.

Cooperação para o desenvolvimento
Ao lado da Ásia, a África é uma das regiões principais da cooperação alemã para o desenvolvimento. A Alemanha põe cerca de três bilhões de euros à disposição para os países do continente. Além disso, o Ministério das Relações Exteriores apoiou, em 2006, projetos de ajuda humanitária na África com 30 milhões de euros.

Pólo econômico
Cada vez mais empresas, como a BMW e a Volkswagen, investem em unidades africanas de produção.

Pesquisa
Os países do G8 estão disponibilizando 60 bilhões de dólares para o combate a doenças infecciosas.

Crescimento
No ano de 2006, a taxa de crescimento econômico foi de 5,5%.

Stefan Mair (Revista "Deutschland")


07.05.07 - MOÇAMBIQUE:
A união faz a força  ACIMA

A Alemanha apóia o desenvolvimento social e econômico de Moçambique por meio do DED – Deutscher Entwicklungsdienst – o Serviço Alemão de Cooperação Técnica e Social. Há 12 anos, os governos de Moçambique e da Alemanha trabalham juntos para o desenvolvimento do país situado na costa oriental africana.

O DED foi fundado em 1963 e está presente em 45 países em desenvolvimento no mundo. São cerca de mil técnicos que atualmente trabalham lado a lado com governos e organizações não-governamentais. É um exemplo prático de um lema bem comum, mas bastante eficaz: “a união faz a força”.

Por meio de sua sede na capital do país, Maputo, os 20 técnicos do DED que atuam em Moçambique elaboram e desenvolvem programas específicos em três províncias: Inhambane, Manica e Sofala. No país que sofreu durante um longo período com a guerra, o DED se foca principalmente no incremento do desenvolvimento econômico, na estabilização democrática e na melhoria da qualidade de vida do povo moçambicano, com atenção também na área de saúde, especialmente no combate à AIDS.

Christiane Dias


07.05.07 – PRESENÇA ALEMÃ EM ANGOLA:
Em busca de paz e democracia  ACIMA

Angola é um país que sofre até hoje as consequências de uma sangrenta guerra civil. Em seu território ainda se encontram espalhadas minas terrestres que continuam trazendo dor aos seus cidadãos. Para se recuperar econômica, política e socialmente, o país participa de programas de cooperação internacional. E a Alemanha está presente no país situado na costa ocidental da África por meio de pelo menos três instituições alemãs.

Em parceria com o governo angolano e outros organismos, as entidades alemãs desempenham um importante papel na reconstrução do país. A Cooperação Técnica Alemã (GTZ) fabrica órteses e próteses para auxílio às vítimas das minas terrestres e incentiva o uso de tecnologia nacional para esse fim. A Fundação Friedrich Ebert fomenta o desenvolvimento da justiça social e da democracia. E a ONG Ação Agrária Alemã (Deutsche Welthungerhilfe) atua na segurança alimentar dos angolanos.

Christiane Dias


15.03.07  -  FÓRUM DE ENERGIA ÁFRICA-EUROPA:
Parceria gera benefícios   ACIMA
Ministros reunidos - Fonte: dpa Parceria para reduzir dependência

O governo federal alemão financia projetos de energia no valor de quase 400 milhões de euros na África. A fim de vencer a luta contra a pobreza é preciso que a energia elimine a miséria, disse o Ministro do Desenvolvimento Heidemarie Wieczorek-Zeul durante o Fórum de Energia África-Europa em Berlim. Tornar a energia acessível a todas as pessoas dos países em desenvolvimento, africanos em particular, é condição importante para se alcançar os objetivos estabelecidos pelas Nações Unidas para o desenvolvimento do mundo até 2015. Segundo Wieczorek-Zeul, “nenhum desenvolvimento durável é possível sem energia” e o Fórum de Energia para a África e Europa representa um importante passo na construção de uma parceria que pode promover a segurança energética assim como a luta contra a pobreza e a mudança climática.

Cerca de metade da população africana vive em estado de pobreza absoluta e 70% depende unicamente da tradicional biomassa como forma de energia. É importante apoiar os países africanos a fim de fomentar o crescimento econômico na região e cooperar no sentido de ajudar esses países a reduzir a dependência do petróleo, que é caro. Segundo o ministro Wieczorek-Zeul “uma parceria de longo prazo no setor enérgico é interessante tanto para a África como para a Europa”.

dpa


01.03.07 – ANGOLANOS EM BERLIM:
Comunidade encontra alegria no canto   ACIMA

O coro da Igreja Nova Apostólica "bota pra quebrar" aos domingos. O Pastor Moises Mvuama marca o compasso.

A congregação alemã fica literalmente paralisada quando um bando de crianças negras sobe as escadas fazendo barulho. O pastor Moises Mvuama, de 38 anos, ainda não tinha terminado as preces e as crianças tiveram que esperar.Um garotinho, todo arrumado com seu melhor casaco preto de domingo, passa o tempo andando sobre as mãos, no vestíbulo. Uma senhora alemã chama sua atenção, mas o menino não liga. Finalmente,a porta se abre. O serviço religioso vai começar.

A congregação, composta principalmente de angolanos, procura se juntar. Logo, toma a forma de um coro: uma jovem na frente do altar levanta as mãos, canta uma nota e, então, todo mundo começa a cantar, sem que houvesse uma música ou uma ordem sobre o que cantar. Eles cantam no idioma africano Lingala e em português, a língua dos seus antigos colonizadores. Os hinos têm melodias africanas. Enquanto isso, as crianças juntaram-se aos adultos,os menores procurando ficar bem perto dos pais. As mulheres sentam-se na frente, os homens atrás. Todos conhecem os hinos de cor.

Um pequeno grupo de imigrantes africanos costuma se reunir aos domingos no distrito de Wilmersdorf, em Berlim para participar do serviço religioso no segundo andar da paróquia da Nova Igreja Apostólica. Cerca de 30 deles estavam presentes naquela manhã.

O coro, originalmente composto só por homens, foi fundado em 1987, na antiga Alemanha Oriental. Muitos dos membros eram estudantes ou trabalhadores angolanos, como Mvuama, que vieram num intercâmbio entre "estados socialistas irmãos". A capa de um CD gravado em 1990 os mostra em ternos escuros e camisas brancas. Segundo Mvuama, eles resolveram chamar o grupo de "Coro Central", porque tinham vindo de muitos lugares diferentes. Depois da reunificação alemã de 1990, uns retornaram a Angola e outros foram para o sul da Alemanha, em busca de trabalho. Em meados da década de 90, só restavam alguns homens, razão pela qual as mulheres puderam passar a integrar o coro.

Os cantores levantam-se de seus assentos. A voz alta e clara do mestre do coro começa um novo hino e vozes poderosas de barítonos respondem.Começa uma antifonia de vozes altas e baixas.Um de cada vez, os cantores assumem o papel de mestre. É possível que eles cantem com todo esse entusiasmo e vigor para esquecer um cotidiano muito duro. Entre eles, está João Ndombasi, um pai de família de 40 anos com um elegante terno marrom. Ele fugiu de décadas de guerra civil em sua terra natal para buscar asilo na Alemanha. Ndombasi vive em Berlim há muito tempo mas tem problemas para falar alemão e achar trabalho.

Enquanto Mvuama dá o tom com um apito de madeira, o canto se torna cada vez mais animado. Todo mundo agora está se movendo de acordo com o ritmo e há risadas sempre que alguém com uma voz retumbante faz um solo. O pastor Mvuama comenta que os membros do coro são muito mais sérios nas noites de sábado, quando ensaiam para apresentações em Berlim e em outras localidades alemãs. Aos domingos,porém, eles cantam pelo prazer de cantar.Cantam para exprimir suas crenças religiosas e, quem sabe, para esquecer, por um momento seus afazeres diários, enquanto desfrutam da companhia de seus compatriotas.

“Land der Ideen”


14.02.07 – IMIGRAÇÃO:
Africanos na Alemanha   ACIMA

Estádio lotado em Colônia, no dia 6 de junho de 2006, dois times fazem sua estréia na Copa do Mundo da Alemanha deixando para trás as suas diferenças e conflitos: Angola e Portugal se enfrentaram naquele que se tornou conhecido como o jogo mais lusófono da Copa de 2006. Independente do resultado (Portugal venceu por 1x0) quem mais ganhou com o jogo foi a torcida, que reunia pacificamente angolanos e moçambicanos, portugueses e alemães, em nome do futebol.

Muitos dos angolanos e moçambicanos presentes no estádio vivem na Alemanha desde o final dos anos 70. A aproximação entre os países se deu ainda durante o processo de independência dos dois países africanos. Os novos governos, ao assumirem o poder, tinham aspirações socialistas e foram apoiados pela República Democrática Alemã, que aceitou a imigração de membros dessas nacionalidades e estimulou intercâmbios culturais com esses países, no intuito de estabelecer laços de cooperação e amizade e formar profissionais que pudessem contribuir para a reconstrução de seus países.

O jogo remonta ainda uma história dolorosa para os três países que se envolveram de formas diferenciadas no intrincado jogo entre potências e colônias. Portugal inaugurou o período colonial europeu, ainda no século XV, estabelecendo Angola, Moçambique, Cabo Verde e outras colônias na África. A Alemanha, até a Primeira Guerra Mundial, manteve como colônias a África Oriental Alemã (hoje Tanzânia, Ruanda, Burundi), o Cameroun, a África Sul-Oriental (hoje Namíbia) e o Togo.

O colonialismo deixou profundas cicatrizes no continente, marcado por problemas sociais e guerras civis. Em 2001, durante a conferência da ONU contra o racismo, o então ministro alemão das Relações Exteriores, Joschka Fischer (Partido Verde), pediu desculpas aos países africanos pela escravidão e exploração na época da colonização. O ex-ministro chegou a afirmar que os países desenvolvidos deveriam agir com "solidariedade especial" em relação aos países africanos, ajudando-os a avançar econômica e socialmente.

Enquanto tais avanços acontecem lentamente, muitos africanos têm preferido buscar melhores condições de vida e trabalho na Alemanha. A adaptação desses imigrantes nem sempre é fácil. Segundo dados da pesquisa "Raízes em dois mundos, os migrantes da África Ocidental em Hamburgo", publicada em 2004, muitos alemães desconhecem a história africana recente ou temem que os africanos ocupem suas vagas de emprego, o que se reflete muitas vezes em dificuldade de aceitação desses novos cidadãos no país.

A imigração ilegal é outra questão que preocupa os alemães. Após a interceptação de um navio de imigrantes africanos ilegais nas Canárias em março de 2006, a União Européia discutiu com representantes dos países africanos e da Anistia Internacional a questão da imigração em novembro do mesmo ano. Contudo, a reunião não chegou a nenhuma solução efetiva além do já praticado controle das fronteiras da UE.

Na contramão desses problemas o futebol, mais uma vez mostra que a integração entre alemães e africanos é possível e bem-vinda. O que teria sido da campanha alemã na copa do mundo de 2007 sem a participação do atacante Gerald Asamoah? Nascido em Gana o jogador mudou-se para a Alemanha ainda criança e conseguiu através do seu talento e simpatia tornar-se ídolo de milhares de alemães. Asamoah e o belíssimo espetáculo de torcidas no jogo Angola x Portugal - e em tantos outros da copa - mostram que Africanos e Alemães não só podem conviver harmonicamente como são capazes de, através da troca de experiências, fazerem coisas maravilhosas juntos.

Carolina Figueiredo


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