PATRIMÔNIO: Mais um para a lista!
CEM ANOS DE UM ARQUITETO: Altberg em documentário
CENÁRIO ATUAL: Vitalidade, criatividade e técnica
FOGO NA FILARMÔNICA: Bombeiros tentam salvar construção
MUSEU VITRA: A evolução do design de móveis
READY FOR TAKE-OFF: Prontos para pousar no Brasil
MEGACONSTRUÇÕES: Arquitetura sem fronteiras
ASTROS EMERGENTES: Quando a arte encontra a arquitetura
ENGENHARIA CIVIL: Materiais de obra inovadores
CONSTRUÇÃO URBANA: Arquitetura alemã na Bienal de SP
7ª BIENAL DE SÃO PAULO: Arquitetura alemã presente
ARQUITETOS: Um curso superior, muitas possibilidades
EMBAIXADA EM BRASÍLIA: Única obra de Scharoun fora da Alemanha
JUBILEU EM BERLIM: Projeto de Niemeyer faz 50 anos
BAUHAUS: Estilo presente no Brasil
ENXAIMEL: O charme das construções com madeira
ESTILOS: Viagem arquitetônica pelo tempo
ARQUITETURA: A nova cara das cidades alemães
17.07.08 – PATRIMÔNIO:
Mais um para a lista! 
Arquitetura moderna preservada
Um complexo habitacional em Berlim acaba de ser incluído na lista do Patrimônio Mundial da Unesco. As seis unidades fazem parte do movimento conhecido como “conjunto habitacional de reforma” e marcam o surgimento do conceito de construção de moradias populares. Com isso, a Alemanha passa a possuir 33 sítios considerados Patrimônio Cultural da Humanidade na prestigiosa lista da Unesco, dos quais três ficam na capital Berlim. Os outros dois são a Ilha dos Museus e os Palácios e Parques de Potsdam e Berlim.
As estruturas arquitetônicas são reconhecidas como terem influenciado consideravelmente a arquitetura e o planejamento urbano. Construídas entre 1913 e 1934 tornaram-se bastante conhecidas por usarem o layout de uma ferradura por causa do formato do projeto associado a arquitetos como Bruno Taut, Walter Gropius e Hans Scharoun, este último, que projetou o prédio da Embaixada da Alemanha em Brasília, sua única obra fora da Alemanha.
Neste período surgiram a cidade-jardim de Falkenberg, os conjuntos habitacionais Schillerpark, Britz, Carl Legien, a Weiße Stadt (Cidade Branca) e ainda a Siemensstadt (Cidade Siemens). Os projetos distinguiam-se, de forma benfazeja, com as suas casas inundadas de luz, generosos jardins e modernas instalações sanitárias. As formas claras do Modernismo clássico marcaram o modo de construção do século XX.
A inclusão do grupo de conjuntos habitacionais, feita pela Unesco no dia 07 de julho, durante a 32ª reunião do Comitê para a Proteção do Patrimônio Cultural, em Quebeque (Canadá). confirma a tendência do organismo de reconhecer obras modernas como bens culturais.
A Unesco inscreveu, também, oficialmente a correspondência do sábio Gottfried Wilhelm Leibnizno Registro da Memória do Mundo. O volume de cerca de 15 mil cartas endereçadas a 1100 destinatários de todo o mundo é considerado um extraordinário testemunho da “República dos Sábios” durante a transição do período barroco ao início do Iluminismo na Europa. “Mas Leibniz tem muito a nos transmitir hoje ainda” disse Georg Ruppelt, diretor da Biblioteca Gottfried Wilhelm Leibniz, em Hannover, onde ficam os arquivos do grande sábio, doutor em Direito e que viveu de 1646 a 1716.
Convenção da UNESCO sobre a Protecção do Património Mundial
Desde 1976, a Convenção da UNESCO sobre a Proteção do Patrimônio Mundial protege o patrimônio cultural e natural do mundo. A Convenção é o instrumento internacional mais importante com vista à preservação de sítios culturais e naturais, possuidores de um “extraordinário valor universal”.
Os monumentos só são incluídos na lista do patrimônio mundial se preencherem os critérios estabelecidos na Convenção, de “singularidade” e “autenticidade” (no caso dos sítios culturais) e de “integridade” (no caso dos sítios naturais), e se existir um “plano de preservação” convincente. Da lista constam, atualmente, cerca de 850 sítios naturais e culturais, sendo que o Comitê do Patrimônio Mundial decidiu, na reunião anual, sobre mais 47 pedidos.
A Alemanha é Estado contratante da Convenção sobre a Proteção do Patrimônio Mundial desde 1976. Com a assinatura, cada Estado compromete-se a proteger e preservar, para as gerações futuras, os locais classificados como patrimônio mundial, situados dentro das suas fronteiras.
Redação
10.07.08 – CEM ANOS DE UM ARQUITETO:
Altberg em documentário 
Arquiteto berlinense radicado no Brasil, Alexander Altberg, conhecido como Alexandre, completou cem anos no dia 29 de junho. Responsável por projetos da arquitetura carioca, ele apoiou a criação da Pro-Arte, é autor do catálogo e do convite do 1° Salão de Arquitetura Tropical, em 1933, e editor da revista de artes “Base”. A vida de Altberg virou documentário com direção da alemã Inken Sarah Mischke e roteiro em parceria com o arquiteto paulista Pedro Moreira, verdadeiro presente de aniversário.
Pedro Moreira redescobriu Altberg quando preparava sua tese de doutorado na Alemanha sobre o período formativo do modernismo brasileiro. Ao procurar seus descendentes, descobriu que o berlinense ainda estava vivo.
O filme conta a história de Alexander Altberg, que chegou ao Brasil em 1931. De origem judaica, pressentindo os acontecimentos políticos na Alemanha, sua família resolveu migrar para o Rio de Janeiro, no ainda pouco habitado bairro de Ipanema.
Aluno da Bauhaus (link) e formado em engenharia, foi no Rio que Altberg deixou seus traços, como o Hotel Ambassador e casas em Ipanema, hoje apagadas pela urbanização carioca. De testemunho, retratos e uma casa na Rua Paul Redfern, deformada pelo uso comercial.
No anonimato, Altberg, na década de 30, recusou o convite do arquiteto Gregori Warchavchik, que havia encerrado sua parceria com Lúcio Costa para criar escritório em São Paulo. Para Altberg, este talvez tenha sido o grande erro de sua carreira, pois optou por ficar no Rio e investir em Ipanema, onde seu pai continuara a comprar terrenos.
Sem arrependimentos, o centenário Altberg mora em Marília, interior de São Paulo, e apesar de uma vida inteira no Brasil, sonha, antes de morrer, voltar à Berlim.
Luciana Rangel
23.05.08 – CENÁRIO ATUAL:
Vitalidade, criatividade e técnica 
Espetáculo arquitetônico
O cenário da arquitetura alemã se distingue por uma vitalidade de alto nível criativo e técnico. Ao lado de grandes nomes da arquitetura nacional e internacional, ele é marcado por novos escritórios, cujos projetos inovadores estão atraindo cada vez mais a atenção do exterior.
Assim como muitos outros ramos criativos, o cenário da arquitetura alemã tem, desde a reunificação, o seu ponto central sobretudo em Berlim. A capital é um lugar para vivenciar arquitetura mundial. “Leva-se 500 anos para construir uma cidade, mas Berlim nos dá apenas cinco. É como se a gente desse à luz uma criança dois meses depois de ser gerada”, diz Renzo Piano, que participou, como arquiteto, de um dos projetos de prestígio da Alemanha reunificada, a Praça de Potsdam.
O ano de 1989 constitui não apenas politica, mas também arquitetonicamente, uma cisão, pois de repente surge a pergunta: Que rosto a nova Alemanha está querendo se dar? A cidade que está respondendo da maneira mais contraditória, mas também mais criativa, é Berlim. Em nenhuma outra parte da Alemanha, mais eminentes arquitetos de renome nacional e internacional estão construindo tanto quanto na capital. A cidade inventou-se de novo no Spreebogen, Unter den Linden, no bairro governamental, mas especialmente na Praça de Potsdam. Ao mesmo tempo, está preservando a lembrança da antiga grandeza, que pode ser admirada na Ilha dos Museus, e não quer recalcar o pecado original, como mostra o Memorial do Holocausto de maneira exemplar.
Particularmente, na área da ecologia o cenário da arquitetura alemã, cujo interesse é a promoção da qualidade do ambiente construído, vem estabelecendo critérios. No ano de 2007 foi criada, por exemplo, a Fundação Federal Cultura da Engenharia Civil, com o objetivo de, entre outras coisas, melhorar o desempenho dos serviços de planejamento e construção da Alemanha dentro do país e no exterior. O assim chamado “construir ecológico” faz parte dos desenvolvimentos determinantes do cenário da arquitetura alemã. A Alemanha é considerada, por causa do elevado padrão técnico da construção civil, pioneira em assuntos de arquitetura “ecológica”. Por exemplo, a Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Darmstadt foi a vencedora de um concurso realizado em escala internacional pelo Ministério americano competente com o nome “Solar Declathlon”. Um destacado representante da arquitetura sustentável é Stefan Behrisch, que faz muito sucesso com seus projetos de construção ecológica, principalmente nos EUA.
A arquitetura contemporânea alemã não está mais confinada na Alemanha e só pode ser compreendida no contexto do desenvolvimento da arquitetura internacional. Nele há atualmente várias correntes: devido à maior utilização de computadores na fase dos projetos, desenvolveu-se uma espécie de neo-expressionismo. Assim, vem surgindo corpos de construção esculturais com formas muito individuais, dando expressão artística aos seus conteúdos. Exemplos disso são a ampliação do Museu Judeu de Berlim, de Daniel Liebeskind, a cúpula do Parlamento Federal, de Norman Foster, e os edifícios de Frank O. Gehry, no assim chamado Medienhafen em Düsseldorf.
Como corrente paralela desse mundo de formas multifacetadas existe o minimalismo. Com suas obras criadas conscientemente em linguagem de formas reduzidas, o ponto de partida dele é a tradição do Bauhaus, como pode ser visto também na Nova Galeria Nacional de Mies van der Rohe. Um exemplo desse funcionalismo orientado para a técnica é a nova Estação Ferroviária Central de Berlim (Meinhard von Gerkan); um exemplo da linguagem minimalista de formas é o edifício novo do Ministério das Relações Exteriores Am Werderschen Markt (Müller e Reimann).Também os “tradicionalistas”, como Hans Kollhoff ou Paul Kahlfeldt, que tentam criar uma espécie de tradição artística e de continuidade, são uma forte presença em Berlim.
O Museu de Arquitetura Alemã em Frankfurt oferece aos interessados uma diversificada exposição permanente, que apresenta também pontos de vista inusitados sobre a arquitetura atual, a história da arquitetura e o planejamento urbano. De 07 de junho a 09 de novembro de 2008 também pode ser vista nesse museu a contribuição alemã para a VII Bienal de Arquitetura de 2007 em São Paulo, Brasil. A mostra „Ready for Take-off“ apresenta uma nova geração de arquitetos e engenheiros alemães que querem fazer sucesso com projetos e concepções inovadoras no cenário internacional de arquitetura.
Redação
20.05.08 – FOGO NA FILARMÔNICA:
Bombeiros tentam salvar construção 
Luta contra o tempo
Projetada pelo arquiteto Hans Scharoun, a sede da Filarmônica de Berlim é uma construção histórica na cidade. Por volta das 14h desta terça-feira (20.05), no horário local, o alarme de incêndio tocou. A partir de então bombeiros lutaram contra o tempo e as chamas para salvar vidas, preciosos instrumentos e o prédio. O fogo só foi controlado às 20h (horário local), mas a fumaça ainda ocultava os prejuízos.
Por causa do concerto matinal, cerca de 300 pessoas estavam no prédio no momento em que soou o alarme. No entanto, a evacuação foi feita a tempo de impedir que alguém ficasse ferido e a maioria dos preciosos instrumentos foi salva. O fogo ficou concentrado no telhado, que pode ter sido completamente destruído. O combate ao fogo envolveu cerca de 170 bombeiros na operação que parou a Praça de Potsdam, no coração da capital alemã.
O arquiteto Scharoun é conhecido por sua arquitetura orgânica, que prima pela funcionalidade das construções. Seu único projeto fora da Alemanha é o prédio da Embaixada da Alemanha em Brasília, no Brasil. A Filarmônica foi inaugurada em 1963 por Herbert von Karajan e sua grande sala é considerada como uma das mais belas salas de concerto do mundo. Recentemente foi premiada por possuir a melhor acústica do mundo.
Mariana Antoun
14.04.08 – MUSEU VITRA:
A evolução do design de móveis 
A pequena cidade de Weil am Rhein, bem ao sul da Alemanha, abriga um dos mais importantes museus de design do mundo, o Vitra Design Museum. Com ênfase em móveis e decoração, ele foi criado em 1989 pelo dono da Vitra, uma empresa que desde 1950 produz peças de designers famosos e hoje atua em 14 países. O proprietário, Rolf Fehlbaum, já há anos colecionava móveis de importantes criadores e decidiu, nos anos 80, colocá-los em exposição para o grande público.
O acervo inclui peças desde o século 19, passando pelo mobiliário de aço dos anos 20 e 30, exemplos do design escandinavo de 1930 a 1960, e obras de projetistas como Charles e Ray Eames, George Nelson, Alvar Aalto e Jean Prouvé. Também há itens que compõem um panorama completo da evolução do desenho de mobiliário nos EUA.
Para construir o edifício que abrigaria coleção, Fehlbaum contratou ninguém menos que o arquiteto americano Frank O. Gehry (o mesmo que desenhou o Museu Guggenheim de Bilbao, na Espanha). Assim, o museu, que é uma instituição privada, não só tem um acervo único, como o prédio em que ele está exposto constitui um espetáculo à parte. O Vitra Design Museum é o primeiro projeto de Gehry a ser construído em solo europeu.
Dennis Barbosa
LINK:
www.design-museum.de – Vitra Design Museum
23.11.07 – READY FOR TAKE-OFF:
Prontos para pousar no Brasil 
Hangar Alemão na Bienal
Subindo a rampa de acesso, o 1º piso do Pavilhão do Ibirapuera traz trabalhos recentes de paisagismo na América Latina, além de concepções urbanísticas do centro paulista. Mas nosso destino é o 2º andar, onde México, Argentina, Portugal, Noruega e África do Sul, entre outros, tomam de assalto o pavimento. No final do andar, estampada na parede, uma imensa bandeira preta, vermelha e dourada chama a atenção. Se as cores permitem dúvidas, palavras grifadas na bandeira, como “pontualidade”, “confiança”, “meticulosidade” e “honestidade”, encerram as suspeitas e indicam ali, território alemão.
O embandeiramento percorre até o chão, servindo de tapete para 16 containeres de alumínio espalhados pelo local. Em cada um deles, escritórios alemães exibem dois projetos atuais: um na Alemanha, outro no exterior. Desta forma, a exibição alemã Ready for Take-Off (Prontos para decolagem) construiu seu hangar na VII Bienal de Arquitetura de São Paulo, no Brasil. “Os arquitetos alemães modificaram sua atitude em relação à exportação, a suspensão de encomendas pós-unificação alemã foi sendo minada e os escritórios alemães reconhecem as oportunidades no exterior e estão se posicionando”, diz Peter Cachola Schmal, curador da exposição e diretor do DAM – Museu Alemão de Arquitetura em Frankfurt.
Dos mais variados segmentos, os projetos contemplam desde museus e bibliotecas nacionais, centros universitários, praças públicas, sedes empresariais e torres comerciais, como a torre Breent Street de Sidney. O arranha-céu de 139 metros totalmente envidraçados é um projeto totalmente ecológico no continente australiano. A nova arquitetura alemã para exportação também fez escala na China, Arábia Saudita, Coréia do Sul, Itália, Estados Unidos e em outros países, com projetos exibidos em maquetes, fotos externas, imagens de canteiro de obras, plantas, projeções 3D e até mostras de materiais utilizados nas fachadas. Com sua segunda participação na Bienal de São Paulo, é possível que a próxima escala da arquitetura alemã seja mais perto do que se imagina. Peter Cachola não descarta a possibilidade: “É sabido que o mercado brasileiro é especialmente restritivo sob o ponto de vista da importação de arquitetura, mas um dia isto pode se modificar, e faríamos com prazer uma proposta nesta direção”.
João Koeler Hackbarth
LINK:
Site oficial: http://www.ready-for-take-off.net/
15.11.07 - MEGACONSTRUÇÕES:
Arquitetura sem fronteiras 
Arquitetos alemães realizam obras de prestígio no exterior, astros internacionais do setor de arquitetura constroem na Alemanha. Uma visão dos superprojetos de hoje e de amanhã
Nova estação ferroviária de Stuttgart
Pequim - Central da televisão estatal chinesa e Centro Cultural da TV
Ole Scheeren, Office for Metropolitan Architecture, Países Baixos
É uma obra que atinge os limites da arqui- tetura e ignora aparentemente a lei natural da gravidade: o novo prédio da televisão estatal chinesa CCTV. No centro comercial de Pequim, as duas torres inclinadas em forma de L estendem-se às alturas – uma estática inacreditável. As torres parecem cair e, no final, terão mais de 200 metros de altura. Responsável por esse impressionante projeto de construção, um dos maiores em todo o mundo, é o arquiteto alemão Ole Scheeren, de 36 anos, sócio no Office for Metropolitan Architecture (OMA) do renomado arquiteto holandês Rem Koolhaas. Ole Scheeren cuida dos negócios asiáticos do escritório de arquitetura e chefia em Pequim, há cinco anos, uma equipe de 60 arquitetos e 120 engenheiros. No novo prédio da CCTV, de vidro e aço, trabalharão posteriormente 10000 pessoas, sua gigantesca área útil é 540000 metros quadrados. A nova central de televisão deverá estar pronta em 2009. No vizinho Centro Cultural da TV (TVCC), as televisões de todo o mundo estarão hospedadas já durante os Jogos Olímpicos de Pequim em 2008. Para Ole Scheeren, não há no momento nenhum projeto de construção comparável: “O sistema estático da CCTV provavelmente não poderia ser realizado há cinco ou dez anos, pois o software dos computadores ainda não estava suficientemente desenvolvido”.
Hamburgo - Elbphilharmonie
Jacques Herzog, Pierre de Meuron, Herzog & de Meuron, Suíça
A Tate Modern em Londres, o estádio olímpico em Pequim, a Allianz Arena em Munique – arquitetura extravagante de forte caráter e talento para obras marcantes são especialidades de Herzog & de Meuron. A dupla criativa da Basiléia, com sucursal em Munique, está entre os arquitetos mais requisitados internacionalmente. Em Hamburgo, o prédio da nova Elbphilharmonie (Filarmônica do Elba) terá a assinatura de Jacques Herzog e Pierre de Meuron: num armazém histórico do porto, de tijolos vermelhos e com vários andares, eles projetaram uma arrojada parede ondulada de vidro, por trás da qual surgem duas grandes salas de concerto, um hotel e apartamentos. A pedra fundamental foi lançada em abril de 2007. Agora, as paredes internas do armazém estão sendo demolidas, andar por andar. O primeiro concerto deverá ser em 2010. Espera-se que a nova Elbphilharmonie no porto de Hamburgo tenha tanto poder de atração e força simbólica como a Ópera de Sydney.
Dubai - Centro de esportes de Dubai
Meinhard von Gerkan, gmp, Alemanha
Um espetacular centro esportivo com estádio de críquete, arena multiuso, estádio de futebol e atletismo e um shopping center está sendo construído em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos: o escritório de arquitetura hamburguês gmp (Gerkan, Marg & Partner) está construindo as “instalações de funções múltiplas”, de caráter singular. É um dos projetos do gmp, fundado em 1965 por Meinhard von Gerkan e Volkwin Marg, estando hoje, com mais de 300 funcionários, entre os de maior prestígio na Alemanha. A competência do gmp está sobretudo na construção de feiras, de instalações de trânsito e de esportes, como a nova estação central de Berlim, a modernização do Estádio Olímpico de Berlim e a nova Feira de Leipzig.
Changchun - Plano piloto de ampliação da cidade
Albert Speer, AS & P, Alemanha
Em volta da indústria automobilística surge um novo bairro em Changchun, na China. O megaprojeto está sendo planejado por AS & P (Albert Speer & Partner), de Frankfurt do Meno. Speer é arquiteto e, principalmente, um urbanista apaixonado e inovador. Ele dá importância especial a concepções sustentáveis. Ele lança mão de sua experiência de décadas, com mais de 100 projetos de urbanismo, na ampliação de Changchun: seu escritório desenvolveu um plano piloto, segundo o qual serão construídos prédios de produção, de administração e de moradia, com instalações de lazer, numa área de 120 quilômetros quadrados. Em 15 anos, deverão viver e trabalhar ali 300 mil pessoas. Nos últimos dez anos, AS & P ganhou cerca de 100 concorrências de arquitetura na China. Em 2007, o escritório de Frankfurt abriu uma filial própria em Xangai.
Munique - BMW Welt
Wolf D. Prix, Coop Himmelb(l)au, Áustria
Seus prédios são inclinados, incomuns, diferentes, simplesmente inacreditáveis. A equipe vienense de arquitetos da Coop Himmelb(l)au, liderada por Wolf D. Prix, é sinônimo de arquitetura marcante, jovial e cheia de fantasia, que só pode ser realizada graças aos progressos do Computer Aided Design. Eles projetaram o BMW Welt (Mundo BMW) em Munique, inauguração em meados de outubro de 2007, como uma imponente paisagem de nuvens de 10 000 m² de vidro. A empresa automobilística entende o BMW Welt, na vizinhança imediata da sede do conglomerado, como uma mescla de centro de entregas e local de eventos. Um “centro de encontros” para 850 000 visitantes por ano, fazendo da marca BMW uma sensação. E isto já começa com a arquitetura de Coop Himmelb(l)au. Os projetistas vienenses gostam de todos os tipos possíveis de desconstrutivismo na arquitetura – nada de mediocridade servil. E gostam de provocar debates. “Arquitetura tem de inflamar, aferroar, doer”, escreveram os fundadores da Himmelb(l)au numa espécie de manifesto no seu começo e logo desnortearam o gosto burguês com uma série de formas de construção jamais vistas. Dentro em breve, os vienenses realizarão um novo projeto espetacular em Frankfurt do Meno: a Coop Himmelb(l)au construirá na metrópole financeira a futura sede do Banco Central Europeu. Já houve desde o início muita discussão sobre o prédio, que englobará um grande pavilhão de mercado, protegido como patrimônio cultural.
Istambul - Shopping center EDIP
Cem Arat, asp Architekten, Alemanha
Uma “cidade na cidade” foi idealizada por Cem Arat e a equipe do asp, de Stuttgart, para um novo shopping center em Istambul. No interior de duas faixas largas deverá surgir um “espaço para sensações”, os tetos serão transformados em parques. A isto, somam-se duas torres de moradia com 50 andares. Não é a única obra de prestígio do escritório de Stuttgart na Turquia: o asp, um especialista de construções esportivas modernas, recebeu no início de 2007 a encomenda de construção do novo estádio do Galatasaray Istanbul. Cem Arat, nascido em 1965 e formado pela TU de Berlim, é filho de Mete Arat, de origem turca, e fundador do asp. Também ele estudou na Alemanha, na Universi- dade de Stuttgart – e ficou no país.
Stuttgart - Stuttgart 21
Christoph Ingenhoven, Ingenhoven Architekten, Alemanha
A nova estação ferroviária central vai transformar Stuttgart: onde hoje param os trens, surgirá uma praça com cafés e restaurantes. A velha estação terminal será trans- formada numa estação de travessia, rebaixada e virada num ângulo de 90 graus. Uma complicada tarefa técnica e logística. O arquiteto Christoph Ingenhoven, de Düsseldorf, é responsável pelo planejamento geral do projeto “Stuttgart 21”. Para configuração do claro teto da estação, que aparenta leveza com suas clarabóias, ele cooperou com Frei Otto. O decano da engenharia civil alemã, de 82 anos, projetou o famoso teto suspenso do Estádio Olímpico de Munique, para as Olimpíadas de 1972.
Revista "Deutschland"
01.11.07 - ASTROS EMERGENTES:
Quando a arte encontra-se com a arquitetura 
Kirsten Schemel
A vanguarda de hoje tem potencial para ser o clássico de amanhã: quatro novos escritórios alemães de arquitetura, que chamam a atenção. Seus projetos destacam-se da média, são marcantes, chegam às vezes até mesmo ao limiar da arte
Quem se torna conhecido, quem fica anônimo? O que dá o impulso decisivo à carreira? Por que alguém se torna de repente um criador de tendências, cortejado por todos? A verdadeira intuição para o espírito da época na arquitetura, uma linguagem arquitetônica inteiramente própria e inconfundível, a vitória contra a concorrência internacional num concurso, um acaso que proporciona a encomenda de um cliente de destaque? Não existe uma resposta-padrão. Só uma coisa parece clara na arquitetura: quem teve êxito uma vez e está presente na mídia, logo chama a atenção de outros clientes.
Graft
Seus trabalhos têm o talento para apresentações em grande estilo. De simples paredes, tetos e pisos, eles formam cenários curvos, que se fundem com dinamismo. E, de fato, um verdadeiro astro de Hollywood foi o catalisador da carreira de Lars Krückeberg, Wolfram Putz e Thomas Willemeit, do escritório de arquitetura Graft. Desde que o ator Brad Pitt faz parte da sua clientela, elaborando até mesmo com eles os projetos, os três arquitetos diplomados em Braunschweig ganharam renome. Eles estão em moda e são favoritos das revistas de arquitetura, no papel de “jovens rebeldes”. Seus cartões de visita levam agora endereços de Berlim, Los Angeles e Pequim. Para Berlim, os três acabam de projetar uma nuvem branca flutuante, que deverá servir de pavilhão de arte temporário na praça Schloss platz. Ainda não se decidiu se o projeto será realizado. A arrojada arquitetura já tem um adepto famoso: Brad Pitt, fã de Berlim, faz propaganda para a proposta.
Kirsten Schemel Architekten
Seu nome é famoso e apesar de só ter feito anteriormente prédios de moradias, ela logrou uma sensação: Kirsten Schemel, de 42 anos e chefe de um pequeno escritório em Berlim, derrotou a concorrência internacional, ganhando o primeiro prêmio no concurso para o projeto do Museu Nam June Paik, em Yong-In na Coréia do Sul. Foi convincente a sua idéia de dar aos trabalhos do pioneiro da vídeo-arte uma cobertura genial e condizente. Deveria ser uma construção de museu não-convencional: um prédio que, como um lago, se adaptasse à paisagem e que refletisse internamente as irregularidades do terreno, com um espaço enorme quase sem sustentáculos, com fachadas interna e externa, cujos contornos diluem-se à vista. A ligação entre paisagem e arquitetura é um tema que sempre ocupa a arquiteta. Mas o notável projeto para Yong-In teve de ser modificado várias vezes por razões orçamentárias. Quando o museu for inaugurado em 2008, ele não corresponderá inteiramente ao que deveria ter sido. Mesmo assim, o projeto é fantástico.
m2r architecture
Não é nenhuma fórmula matemática: a sigla m2r significa simplesmente May e duas vezes Rostock. Moritz May e os gêmeos Axel e Jörg Rostock, todos nascidos em 1970, são uma equipe desde a sua época estudantil em Dresden. Os saxões arriscaram conjuntamente a mudança para Londres e, a partir de lá, criaram renome na Europa. Agora, têm escritórios também em Berlim e Kiev. Sobretudo as construções esportivas do m2r são espetaculares, como a futurística Vogtland Arena, tecnicamente uma das mais inovadoras mega-rampas de salto de esqui. Para ela, o m2r recebeu diversos prêmios, entre eles o de Best Architects 2007, no âmbito do prêmio britânico UK Architect of the Year Award. Eles os recomendam para grandes tarefas: seu Thameswalk, a remodelação das margens do Tamisa, poderá ser a atração de Londres como sede das Olimpíadas de 2012.
J. Mayer H. Architekten
Ele adora os experimentos, a surpresa, às vezes também a confusão. Jürgen Mayer H. é tido como representante de uma nova vanguarda. Seus prédios de arquitetura inovadora em madeira são marcados por formas orgânicas, lúdicos e funcionais ao mesmo tempo, e exigem técnica de construção inteiramente específica. 2007 é o ano do arquiteto de 42 anos. Anteriormente, apenas uma das suas casas extra-vagantes foi realizada; em 2007, foram logo seis: em Karlsruhe, um restaurante estudantil que, segundo Mayer, lembra um pão com Nutella; na Dinamarca, um parque científico; um prédio de escritórios em Hamburgo; uma mansão perto de Stuttgart; uma cobertura e a reforma de uma galeria em Berlim. Em 2007, deverá ficar pronta também a Plaza de la Encarnación de Sevilha, remodelada segundo seus planos. E em 2008, mais um novo auge: exposição no Museum of Modern Art, em San Francisco.
Janet Schayan (Revista "Deutschland")
30.10.07 - ENGENHARIA CIVIL:
Materiais de obra inovadores 
Vidro pára-sol otimiza balanço energético
Que novos materiais permitem a arquitetos e engenheiros civis a realização de idéias fora do comum?
O titânio é o material dos sonhos. Desde sua primeira aplicação pelo arquiteto californiano Frank O. Gehry na construção do Museu Guggenheim em Bilbao, Espanha, arquitetos de todo o mundo deliram com ele. Extraído da natureza em cor cinza escura, o titânio reluz azulado ou avermelhado, conforme as condições do tempo. O nobre metal, utilizado até agora em jóias, em equipamentos espaciais e em implantes médicos, é mais resistente ao calor do que o alumínio, mais duro que o aço e, apesar disso, pesa a metade. Titânio não enferruja e conserva-se tanto quanto o concreto debaixo dele. O novo material tem sido empregado mundialmente, como no anexo do museu de arte em Denver e no prédio novo da ópera de Pequim. Em 2004, foi concluído em Kronberg, perto de Frankfurt do Meno, o primeiro edifício com fachada de titânio. Uma subsidiária do grupo alemão ThyssenKrupp, a Deutsche Titan, forneceu o material. A empresa opera uma das três únicas fábricas de titânio na Europa e aposta na expansão do mercado de construções.
Já o emprego do “fotovoltaico orgânico” em grandes superfícies ainda parece pertencer a um futuro promissor. As empresas alemãs BASF, Bosch, Merck e Schott trabalham juntas, em ritmo acelerado, na maturidade da produção em série de películas transparentes, capazes de transformar luz em energia. Ao contrário da atual tecnologia fotovoltaica, com materiais rígidos, as películas podem ser curvas, enroladas e dobradas. Desta forma, poderão ser fixadas quase imperceptívelmente em telhados, janelas e fachadas, sobretudo de edifícios altos, tornando-os verdadeiras usinas elétricas. O governo alemão apóia os parceiros industriais com 60 milhões de euros, no âmbito de sua estratégia high tech. O êxito deverá ser logrado até 2015.
Revista "Deutschland"
16.10.07 – CONSTRUÇÃO URBANA:
Arquitetura alemã na Bienal de SP 
Biblioteca Nacional - Pequim
Pista de decolagem livre para 16 escritórios alemães de arquitetura e engenharia, integrantes da segunda contribuição do país à Bienal de Arquitetura de São Paulo. Na bagagem, inovação tecnológica e detalhismo clínico típicos, recombinados com o potencial pragmático da arquitetura alemã contemporânea. Começará no dia 10 de novembro a exibição Ready for Take-Off, equipada pela geração alemã de arquitetos investidores do mercado não-europeu de construção urbana.
Nada mais urbano do que o local de destino. Para melhor noção da cidade mais populosa do hemisfério sul, basta olhar de dentro de um avião a expansão vertiginosa de skyscrapers. Uma recepção cimentada de grandes estruturas e concreto aparente a 16 representantes da arquitetura alemã, que demonstrarão, cada qual, um projeto na Alemanha e outro no exterior.
Os curadores Peter Cachola Schmal e Anna Hesse reservaram a cada projetista dois containers de alumínio, que ficarão abertos um em cima do outro, abrigando as plantas fotográficas ou tri-dimensionais das suas construções. De dentro dos containers, as peças deverão demonstrar soluções técnicas nos altos padrões do contexto urbano e meio ambiente. Embaixo das caixas de alumínio, um gigantesco tapete preto, vermelho e dourado, grifado com palavras como “honestidade”, “confiança” e “pontualidade” complementará com conceitos clássicos alemães.
Sob o lema “Arquitetura: o Público e o Privado”, a VII edição da Bienal de Arquitetura de São Paulo acontece do dia 10 de novembro a 16 de dezembro de 2007. O evento é considerado o segundo maior em arquitetura, depois da Bienal de Veneza, e será realizado no Parque do Ibirapuera, projetado por Oscar Niemeyer. No pavilhão da Bienal, a nova arquitetura alemã de exportação fará escala em São Paulo, e tem o resto do mundo como destino final.
João Koeler Hackbarth
05.10.07 – 7ª BIENAL DE SÃO PAULO:
Arquitetura alemã presente 
“Construir ambientalmente consciente poderia ser a nova marca alemã”
“Fachada comunicativa” em Bolzano
Prontos para decolar – as malas já estão feitas: a contribuição alemã para a 7ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, Brasil, mostra a atual arquitetura alemã de exportação. 16 escritórios alemães de arquitetura – grupos jovens e grandes escritórios experientes – expõem seus primeiros trabalhos no exterior. Todas as obras têm algo em comum: ou estão em fase de realização ou acabaram de ser concluídas. Juntas, constituem uma interessante sinopse da arte alemã contemporânea de construção. Uma viagem bem especial pela atual arquitetura alemã. Favor atar o cinto de segurança! All doors in flight. Ready for Take-off
Tudo o que cabe numa mala! Por exemplo, a Biblioteca Nacional da China. Ou um novo campus da Harvard. Ou um parque de wellness em Moscou. Só é preciso arrumar a mala com jeito. Uma tarefa que 16 escritórios alemães de arquitetura assumiram com prazer: eles representam a Alemanha na Bienal de Arquitetura de São Paulo, de novembro a dezembro. Após a mostra de Veneza, esta é a mais importante exposição da arte arquitetônica. Além disso, ela registra o maior público, com 200000 visitantes. Encarregado pelo Ministério de Obras Públicas da Alemanha, o Deutsches Architekturmuseum (DAM), de Frankfurt do Meno, é o curador da contribuição alemã, tendo convidado arquitetos e seus parceiros de engenharia a apresentar seu primeiro importante projeto no exterior e uma outra construção atual na Alemanha.
Arquitetura em expansão
Ready for Take-off é o título da mostra. Isto significa: uma nova geração de arquitetos e engenheiros alemães encontra-se em transformação e orienta-se para o planejamento e a construção no exterior. Os curadores Peter Cachola Schmal, diretor do DAM, e Anna Hesse colocaram à disposição dos arquitetos duas grandes malas de alumínio – aliás, estas também um produto alemão. Sobrepostas verticalmente e abertas, elas mostram os conceitos, os cortes horizontal e frontal, esboços em computador ou fotografias e modelos tridimensionais de cada edifício. No pavilhão da Bienal no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, as malas serão colocadas sobre um enorme tapete preto-vermelho-dourado, onde foram bordados conceitos como assiduidade, disciplina, franqueza. Pois, ao lado do trabalho arquitetônico, são precisamente essas “virtudes secundárias” que fazem os arquitetos alemães tão bem-sucedidos no exterior, diz Peter Cachola Schmal, ele próprio arquiteto, filho de um engenheiro civil alemão e de uma mãe filipina.
Em vão procura-se hoje um astro alemão de arquitetura com o gabarito de Frank O. Gehry, Zaha Hadid ou Norman Foster. Por outro lado, há entre os 170000 arquitetos alemães um grande número muito bem representado no exterior, já há anos, e que sempre recebem enco-mendas, sobretudo para construções com requinte tecnológico e para projetos abrangentes, nos quais estão incluídas também as questões energéticas. Isto porque os escritórios alemães possuem grande experiência em construção ecológica e arquitetura sustentável. Entre eles estão os arquitetos de Hamburgo, Von Gerkan, Marg und Partner – também responsáveis pela construção da nova estação ferroviária central de Berlim – ou o escritório Albert Speer und Partner, de Frankfurt do Meno, que projetou o plano piloto para todo um bairro de Xangai. Todavia, estes são procurados em vão na mostra da Bienal, pois o projeto alemão de exposição prevê que só podem participar os grupos de arquitetos que realizam seu primeiro grande projeto no exterior.
Assim, conseguiu-se a interessante participação do “Architekturbüro Deutschland”, pouco conhecido na Alemanha. Oito renomados grupos de arquitetos alemães reuniram-se sob esse nome já em 2002. Na Alemanha, eles são concorrentes; no exterior, assumem tarefas con-juntas como “Architekturbüro Deutschland” e compreendem-se como “embaixadores da arquitetura alemã” e think-tank para o discurso arquitetônico. O projeto da exposição oferece, ao todo, a vantagem de que muitos jovens talentos, como BeL, Kirsten Schemel, KSV Krüger Schuberth Vandreike ou Pysall Ruge, estejam presentes, mostrando a nova face do setor arquitetônico alemão.
Kirsten Schemel, de Berlim, nascida em 1965, realizou um projeto espetacular de vanguarda com seu planejamento do Museu Nam June Paik em Yong-In, na Coréia do Sul. Na construção de museus, também estão representados Pysall Ruge e KSV: Justus Pysall e Peter Ruge estão construindo até 2008 o Museu de Aeronáutica em Cracóvia, Polônia, um edifício que lembra, de alguma maneira, um aviãozinho de papel e que, com certeza, vai chamar muita atenção. Em Bolzano, na Itália, o escritório KSV está construindo um novo símbolo da cidade, o Museion, um museu de arte, em parte transparente. Aliás, parece que há prazer em incumbir os arquitetos alemães com construções culturais de perspectivas futuristas. Estas compreendem a grande maioria dos trabalhos no exterior apresentados na Bienal, seguidos pelos edifícios de escritórios, negócios e administração e de instalações industriais e de produção. Menos representada está, por sua vez, a construção de moradias.
Ponto para a arquitetura ecológica
Ao lado dos emergentes, há muitos nomes famosos. O que surpreende é que eles acabam de realizar seu primeiro projeto no exterior: por exemplo, o duo alemão-britânico de arquitetos, Matthias Sauerbruch e Louise Hutton, tornaram-se internacionalmente conhecidos construindo o edifício do Departamento Federal do Meio Ambiente em Dessau, em 2005. Eles têm até mesmo Zaha Hadid entre seus fãs. O prédio é um exemplo de construção ecológica: muitas tecnologias regenerativas pertencem ao complexo projeto energético, quase transformando o prédio numa casa passiva para 800 funcionários. Em São Paulo, Sauerbruch e Hutton mostram este projeto e seu novo prédio universitário em Sheffield, Grã-Bretanha. Também aqui, apostam totalmente na sustentabilidade.
É também surpreendente que o grande escritório KPS Engel und Zimmermann festeja sua estréia internacional com a Biblioteca Nacional da China. Ele ganhou o concurso em 2003 e esta construção extraordinária, com um teto “suspenso”, deverá ser inaugurada ainda em 2007. A incumbência de construir uma outra biblioteca foi recebida por Eckhard Gerber: ele ganhou em 2002 o concurso para a construção da Biblioteca Nacional Rei Fahad em Riad, Arábia Saudita. Desde então, Gerber projetou mais um centro científico para o reino saudita, atraindo agora para si o interesse com um projeto que só existe até agora no computador: uma torre de vidro e aço, de 300 metros de altura, com turbina eólica no teto. Este prédio aproveita o princípio das tradicionais torres eólicas árabes, devendo ser energeticamente autárquico.
A arquitetura sustentável também é o campo de Stefan Behnisch, nascido em 1957. Ele trabalha em estreita cooperação com a Transsolar Klima Engineering de Stuttgart. Ambos estão tendo grande sucesso com seus prédios ecológicos nos EUA: todos os truques da mais moderna técnica de construção ecológica fazem parte dos seus requisitados projetos. Muitos deles já são padrão na Alemanha, os EUA começam agora a descobrir tais possibilidades. “Behnisch é o único arquiteto alemão que realmente tem grande sucesso nos EUA”, diz o curador da exposição Peter Cachola Schmal. E já que isto “é tão singular”, o arquiteto de Stuttgart também está presente em São Paulo, se bem que o seu “Harvard’s Allston Science Complex” para a famosa universidade em Cambridge não seja seu primeiro projeto no exterior. Benisch não está Ready for Take-off. Ele mostra como se aterrissa com segurança.
Senhor Cachola Schmal, o senhor é o curador da contribuição alemã para São Paulo. Será que existe, na era da globalização, uma arquitetura especificamente “alemã”?
Sim, existe. Não é que eu olhe para um prédio e diga: claro, o estilo é tipicamente alemão. Mas as condições, sob as quais surge a arquitetura na Alemanha são diferentes das de outros países. Por exemplo, a cultura alemã de planejamento é algo especial, apesar da globalização e da padronização européia. Além disso, temos a mais densa rede arquitetônica. E os arquitetos alemães acompanham tudo: desde o começo até à realização no processo de construção. Na maioria dos países, o arquiteto recebe apenas o encargo do planejamento, enquanto a realização é feita por uma empresa construtora.
Isto é também um dos motivos, pelos quais tantos arquitetos internacionais famosos gostam de construir na Alemanha?
É verdade. Muitos gostam também apenas por que têm muito mais influência sobre o resultado do que no seu próprio país. E a qualidade do parceiro de construção é muito boa na Alemanha – o resultado corresponde exatamente à idéia dos arquitetos e não àquilo que uma firma construtora faz. A garantia dos salários também é importante.
Berlim é um centro da arquitetura atual. Em quais outras cidades alemãs acontece também algo interessante?
Hamburgo é muito dinâmica, mas também nos novos Estados surgiram prédios muito interessantes. Na arquitetura, a Saxônia e a Turíngia também estão, sem dúvida, entre as ganhadoras.
Idéias arquitetônicas da Alemanha sempre foram marcos internacionais. Exemplo: a Bauhaus. O tema “construir ambientalmente consciente” poderia também se tornar uma nova marca da arquitetura alemã? De fato, isto poderia ser nosso sucesso de exportação e nossa marca. Infelizmente não somos os que vendem esse tema da melhor maneira possível. Outros países estão ocupando esse setor, se bem que tenham menos a oferecer. Por exemplo, eles determinam padrões para construções ecológicas. Perdemos a oportunidade de ser os primeiros – pena!
Janet Schayan (Revista “Deutschland”)
11.10.07 - ARQUITETOS:
Um curso superior, muitas possibilidades 
Interesse técnico e artístico, e talento
Arquitetos alemães constroem em muitos países, o estudo na Alemanha é considerado uma formação sólida para a profissão e atrai estudantes estrangeiros. Berlim, Biberach, Aachen ou Cottbus: quem deseja estudar Arquitetura na Alemanha, pode escolher entre 19 universidades e escolas superiores de artes, bem como 43 universidades de ciências aplicadas. Cerca de 40 mil estudantes estão inscritos hoje nos cursos de Arquitetura. Existem cursos de Bachelor e de Master em muitas universidades que, em parte, selecionam seus próprios estudantes para tais cursos.
A arte de projetar e construir faz parte das competências centrais dos arquitetos. Portanto, é ensinada desde o início do curso. Não basta talento artístico. Necessita-se conhecimentos técnicos e matemáticos. A arquitetura também tem um pé nas ciências da engenharia e faz parte dela, por exemplo, o ensino de vigamento, no qual aprende-se como lidar, nas construções, com toneladas de concreto, aço, pedra e vidro. Ao todo, o estudo abrange um conteúdo muito diversificado: da história da construção à sociologia da arquitetura, passando por estática, urba-nismo, materiais de construção, física, direito e economia.
Além do clássico estudo de arquitetura, a maioria das universidades alemãs oferece cursos especializados em decoração de interiores, paisagismo e planejamento urbano. Os enfoques em conservação de monumentos na Universidade das Artes de Berlim, em planejar e construir em regiões fora da Europa na Universidade Técnica (TU) de Darmstadt e em eficiência energética das construções na Universidade de Karlsruhe mostram o amplo espectro das opções. Na formação, as universidades não ficam apenas na teoria de aulas e seminários, mas também oferecem prática. Trabalhos de projetos são integrados nos cursos e para os estudantes testarem suas habilidades práticas. Na Alemanha, a formação em arquitetura não se restringe a ensinar aos estudantes a elaborar projetos. Eles devem ser capacitados também para assumir mais tarde o comando das obras de seus projetos. Isto abre perspectivas adicionais no mercado de trabalho, que recebe anualmente 6 mil recém-formados. Muitos trabalham depois como autônomos ou são empregados em escritórios de arquitetura. Depois da escassez de encomendas a arquitetos nos últimos anos, a conjuntura recente favorece novamente o mercado de trabalho.
Revista "Deutschland"
26.09.07 – EMBAIXADA EM BRASÍLIA:
Única obra de Scharoun fora da Alemanha 
Racionalismo e formas geométricas
Além da Catedral, da Praça dos Três Poderes, do Palácio da Alvorada, outro monumento faz parte da lista de obras interessantes em Brasília: a embaixada da Alemanha. Concluído em 1971, o prédio leva a assinatura de um grande nome da arquitetura moderna alemã, Hans Scharoun. Apesar de pouco conhecido em terras brasileiras, Scharoun marcou época com a valorização do ambiente interno, a simplicidade das formas externas e características expressionistas. A embaixada ganhou notoriedade por ser a única obra do arquiteto fora de seu país de origem.
O estilo deste alemão nascido em Bremen ficou bem marcado no prédio erguido em Brasília a pedido das autoridades alemãs. Especialmente no salão de recepção. As características resumidas pela máxima "o exterior deve resultar do interior" podem ser observadas nos diferentes níveis no piso, nas janelas abertas como uma moldura para a imagem de fora, fuga das formas retangulares. A parte exterior mostra apenas pedras rosadas, que lembram tijolos.
O arquiteto José Carlos Coutinho, diretor do Patrimônio Histórico do Governo do Distrito Federal, conta que assim que inaugurada a nova embaixada não foi bem compreendida. "Alguns acharam o prédio feio, simplesmente porque era outro conceito estético", explica Coutinho. O professor da Universidade de Brasília ressalta ainda que as obras de Scharoun são um reflexo da Europa pós-guerra, influenciadas pela simplicidade dos materiais e despojamento externo. Na mesma época, no Brasil, a arquitetura moderna era representada pelo racionalismo e suas formas geométricas, lisas e brancas. Seus ícones eram Le Corbusier e Oscar Niemeyer.
Localizado no Setor de Embaixadas Sul, a representação da Alemanha no Brasil conta com um complexo de edificações. No espaço também se encontram um jardim produzido pelo paisagista Roberto Burle-Marx e obras do artista Günter Ferdinand Ris. Scharoun entregou o prédio principal um ano antes de sua morte, em 1972.
Hans Scharoun desenhou conjuntos de apartamentos, escolas, e ajudou na reconstrução da Alemanha após a Segunda Guerra Mundial. Seu trabalho mais famoso é a Filarmônica de Berlim, inaugurada em 1963. Sua concepção traz divisões arquitetônicas na platéia, com todas convergindo para o palco central.
Mariana Santos
28.08.07 – JUBILEU EM BERLIM:
Projeto de Niemeyer faz 50 anos 
Arquiteto brasileiro participou da Exposição Internacional de Arquitetura em 1957 e projetou complexo habitacional na cidade destruída pela guerra
Pilares em forma de “V”
Conhecido por ter projetado obras de arte em concreto armado que levavam ao limite o cálculo estrutural, o brasileiro Oscar Niemeyer figura entre os mais importantes arquitetos do século 20. Através de seus projetos espalhou genialidade pelos quatro cantos do mundo. A capital federal, Brasília, nasceu de suas mãos. Outros trabalhos foram executados em Paris, Milão, Nova Iorque, Turim e Londres. Em Berlim, projetou o complexo habitacional inovador: - um prédio com 78 apartamentos distribuídos em sete andares, com pilares em forma de “v”.
Para o coordenador do Departamento de Teoria e História da Arquitetura da PUC do Rio Grande do Sul, professor Paulo Bicca, “Niemeyer marcou sua trajetória por uma arquitetura visual, quase escultural.” Segundo Bicca, o arquiteto foi inovador em outro aspecto. “O vanguardismo se deu, também, pela sensibilidade que ele teve de explorar a plasticidade do concreto armado”, explica. Para o professor, Niemeyer tinha consciente a exigência que fazia do cálculo e da matemática. “Ele propôs novas morfologias estruturais”, conclui.
Seu talento foi reconhecido na Alemanha quando, em 1957, Niemeyer participou da Exposição Internacional de Arquitetura (Interbau ou IBA 1957) com a execução de um projeto no bairro Hansaviertel, em Berlim. Os idealizadores do evento buscavam mostrar como seria “uma cidade do amanhã”. Para isso, a área destruída pela Segunda Guerra Mundial foi reprojetada por mestres da arquitetura. Na lista, o brasileiro Niemeyer.
No vanguardista complexo habitacional, cercado por áreas verdes, Niemeyer esbanjou modernidade para a época. O endereço? Altonaer Straße. As dimensões? 72 metros de comprimento, 15 de largura e 27 de altura - um prédio com 78 apartamentos distribuídos em sete andares. A inovação? O apoio do bloco feito por pilares em forma de “V”. No projeto original, o arquiteto deu um toque de brasilidade, ao sugerir a construção, no quinto andar, de um salão de festas, comum nos edifícios brasileiros, e que serviria para reuniões e eventos entre os vizinhos. Pela falta de demanda, o local perdeu sua função original.
Sete metros atrás do prédio, uma torre de três andares, com dois elevadores, permite aos moradores alcançar o quinto e o último andar. Todo o conjunto de prédios construídos entre 1957 e 1961 no Hansaviertel foram tombados pelo Patrimônio Histórico em 1995. Em 2005, Oscar Niemeyer planejou um área de lazer na capital do estado de Brandemburgo, Potsdam. O que seria sua segunda obra em solo alemão, acabou ficando no papel.
Rodrigo Rodembusch
LINKS:
Prédios Importantes de Berlim
Oscar Niemeyer
15.08.07 – BAUHAUS:
Estilo presente no Brasil 
Em 1919, o arquiteto Walter Gropius (1883-1969) fundou a escola Bauhaus em Weimar, na Turíngia, região central da Alemanha. Gropius integrou duas escolas existentes, a Escola de Artes e Ofícios e a de Belas Artes, e formou a “Staatliches Bauhaus” (Casa Estatal de Construção). Depois do fim da I Guerra Mundial surgiu a primeira democracia da Alemanha, a República de Weimar. De acordo com o pensamento de Gropius, a mudança política da monarquia para a democracia, que trouxe um novo modo de vida social, deveria se refletir também no estilo arquitetônico e artístico. Neste contexto, a classe operária ganhou força política e o novo estilo deveria fazer jus à sociedade industrial e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores. Desde o início, o movimento Bauhaus teve forte inclinação esquerdista. O governo do jovem país democrático subsidiava a escola e seus mestres.
A Bauhaus é a primeira escola de desenho industrial focada na funcionalidade, custo reduzido e produção em massa, ou seja, exatamente o oposto dos prédios pomposos da antiga monarquia alemã. Além do mais, a escola objetivava ligar a arquitetura à arte, à tecnologia e ao artesanato. A escola não se limitava apenas à construção de prédios e instalações. Ela abrangia também produtos de uso diário, como, por exemplo, cadeiras, luminárias, talheres, mesas e muito mais. O novo estilo de arquitetura era representado pelas linhas retas dos prédios, ambientes claros, espaços bem aproveitados e pela ausência de adornos. A cara moderna e inovadora da escola Bauhaus a tornou um importante movimento da vanguarda cujas diretrizes iriam prevalecer no mundo inteiro durante o século XX.
Walter Gropius foi diretor da escola de 1919 a 1928, sucedido por Hannes Meyer e depois pelo renomado arquiteto Ludwig Mies von der Rohe. Em 1925, a escola foi transferida para a cidade de Dessau por motivos políticos e, em 1932, para Berlim. Com a chegada dos nazistas de Hitler ao poder, a escola foi fechada por ordem política, já que o partido nazista discriminava brutalmente a esquerda.
O célebre estilo arquitetônico Bauhaus também chegou à América Latina onde foi tropicalizado. Max Bill, primeiro diretor da escola de Ulm, chega ao Brasil sob forte influência funcionalista e se tornou pioneiro no design brasileiro. O ex-aluno da Bauhaus, Alexandre Altberg, lança a revista Base em 1930. Com o advento da industrialização do Brasil, chegaram grandes empresas ao País as quais começaram a empreender grandes obras seguindo o novo movimento arquitetônico.
O presidente Juscelino Kubitschek, responsável pela construção de Brasília, foi um dos maiores modernistas e inovadores neste sentido. O Instituto de Arte Contemporânea (IAC), do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) é construído em 1951, segundo as diretrizes da Bauhaus. A construção da Escola Superior de Desenho Industrial (Esdi), no Rio de Janeiro, é fortemente inspirada nas projeções de Gropius. Outros exemplos são o Museu de Arte Moderna (MAM) em São Paulo, projetado por Paulo Mendes da Rocha; a Casa das Canoas de Oscar Niemeyer, no Rio de Janeiro; a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), projeto de Vila Nova Artigas, em São Paulo. Inclui-se nesse conjunto de edifícios o Congresso Nacional brasileiro, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, com seus espaços enormes e grandes janelas contínuas bem como a famosa Catedral da capital. Também se destacam o Ministério de Educação e da Saúde no Rio de Janeiro e o prédio do banco Itaú, em São Paulo.
No entanto, o exemplo clássico da influência Bauhaus no Brasil é visto na construção de Brasília. O urbanista Lúcio Costa e o arquiteto Oscar Niemeyer, ambos socialistas engajados, projetaram Brasília com o modelo funcional e artístico da escola alemã na cabeça. Os ministérios da Esplanada, os prédios do Setor Bancário Sul como, por exemplo, o Banco do Brasil assim como os primeiros blocos residenciais completamente sem adornos visando à funcionalidade em prol dos residentes. Os edifícios residenciais da Asa Sul e Asa Norte foram desenhados com pilotis, ou seja, construções suspensas, modernas, bem ao estilo Bauhaus.
O próprio projeto de Brasília, dividido em setores residenciais, governamentais e industriais, separados por largas avenidas e faixas verdes, fez com que a jovem capital se tornasse símbolo de modernidade. O mesmo se repete em outras partes do mundo, sobretudo nos Estados Unidos, já que boa parte dos integrantes da escola alemã emigrou para este país quando os nazistas fecharam a Bauhaus.
Resta saber por que o estilo chegou a ser tão especial no Brasil. O surgimento desse estilo arquitetônico no Brasil coincide com a fase da industrialização do País. Esta nova etapa - parecida com a nova etapa política alemã democrática nos anos 20 - precisava ser exibida através da sua comunicação visual, indicar a mudança, demonstrar que o Brasil iria deixar o atraso econômico para trás e finalmente formaria um país moderno, industrial - o país do futuro! Este objetivo foi atingido, pois hoje, Brasília se destaca entre as mais modernas capitais do mundo e o MASP em São Paulo é sinônimo de progresso e vanguarda para brasileiros e visitantes. A escola Bauhaus sobreviveu por apenas 14 anos, no entanto, criou um novo marco de design e arquitetura.
Arnd Alexander Rose
23.05.07 - ENXAIMEL:
O charme das construções com madeira 
Centro histórico de Rothenburg
O nome pode soar estranho à primeira vista mas é muito comum no jargão dos arquitetos e bastante familiar no sul do Brasil, sobretudo nas regiões de colonização alemã. Presente no cartão postal de Blumenau, o estilo alemão, como costuma-se dizer é facilmente reconhecido. O enxaimel, do alemão Fachwerk, origina-se de Fach ou seja, o espaço preenchido com material entrelaçado de uma parede feita de peças de madeira (caibros). Trata-se de uma técnica de construção que consiste em montar as paredes com vigas de madeira que se encaixam entre si em posições horizontais, verticais ou inclinadas. Os espaços são preenchidos com pedras ou, no caso do norte da Alemanha e no sul do Brasil, com tijolos.
O resultado é um charme só, como se pode constatar nas cidades em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, para onde os alemães trouxeram esse estilo no século XIX. O casario em enxaimel mais famoso no Brasil fica em Ivoti, no Rio Grande do Sul. O conjunto arquitetônico da cidade é classificado como patrimônio histórico, tombado pelo IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Na Alemanha o estilo está presente em diversas cidades medievais, cuidadosamente preservadas como, por exemplo, Rothemburg, considerada uma das cidades medievais mais bem conservadas da Alemanha.
Josiane Cotrim
02.04.07 - ESTILOS:
Viagem arquitetônica pelo tempo 
A arquitetura é uma disciplina-chave da história cultural, talvez até mesmo o seu ponto de partida. Uma viagem através dos séculos, percorrendo patrimônios mundiais da Unesco na Alemanha
Colônia
Hildesheim, Goslar, Quedlinburg – nunca ouviu falar? É natural, pois as três cidades estão no centro da Alemanha, mas fora das rotas turísticas usuais, principalmente para os turistas estrangeiros. As três têm algo em comum: escreveram história arquitetônica com seus prédios da Idade Média e estão entre 32 patrimônios mundiais da Unesco na Alemanha. Quedlinburg, por exemplo, um antigo palatinado imperial e hoje uma importante estação na Rota Românica, é um dos mais significativos monumentos extensos da Alemanha, pois a maior atração é a própria cidade: com 1300 casas de enxaimel de oito séculos e o traçado urbano histórico, ela é tida como exemplo extraordinário de uma cidade medieval bem preservada. Também a cidadezinha de Goslar, na região do Harz, tem mais de mil anos de história e foi um centro de poder na Idade Média. E em Hildesheim está a igreja Sankt Michael, uma das mais bonitas igrejas românicas na Alemanha e uma obra central da arte arquitetônica medieval.
A arquitetura é uma disciplina-chave da história cultural da humanidade, talvez até mesmo o seu ponto de partida. O espaço construído pode falar muito sobre a mentalidade de uma época e suas pessoas. É muito distinta a sensação que se tem numa igreja românica, baixa e escura, e no meio de uma catedral gótica, alta e cheia de luz. Alegre e requintada é a impressão que causa a igreja Wieskirche, na Alta Baviera, ricamente decorada no mais puro estilo rococó.
Objetivos, claros e austeros é como se apresentam as sedes da Bauhaus em Dessau e em Weimar, onde se refletem as idéias revolucionárias de design e de arquitetura do início do século XX. Uma viagem arquitetônica pela Alemanha é, ao mesmo tempo, uma viagem pela história e pela história da arte e nos leva de volta pelos séculos até à época dos romanos, por exemplo, em Trier ou em Xanten. Quem busca pontos de referência nessa imensidão, deve fazer de preferência uma excursão pelos patrimônios mundiais da Alemanha, pois, afinal, a maioria deles é constituída por monumentos arquitetônicos.
Pode-se começar a viagem pelos patrimônios mundiais na ordem alfabética, com A de Aachen – a catedral de Aachen, antiga capela palaciana do imperador Carlos Magno, foi em 1978 o primeiro monumento cultural alemão a ser incluído na lista dos patrimônios da humanidade pela Unesco. A nossa viagem nos levaria então, em ziguezague, por D de Dresden, M de Maulbronn e R de Regensburg, para terminar em W de Würzburg – na Residenz, moradia dos príncipes-bispos, um dos palácios barrocos mais cerrados e extraordinários. Somente a fenomenal pintura do teto da ampla escadaria já vale uma visita: ela é do veneziano Giovanni Battista Tiepolo e seus filhos, num trabalho minucioso que durou anos.
Mas quem é que planeja uma viagem seguindo o alfabeto? A Associação dos Patrimônios Mundiais da Unesco na Alemanha (www.unesco-welterbe.de) sugere na internet oito rotas distintas:por exemplo, uma pelo Norte da Alemanha, que vai de Bremen, passando por Lübeck e Wismar, até Stralsund. Uma viagem que combina a herança cultural das cidades hanseáticas com o romantismo dos balneários clássicos da virada do século, passado no mar Báltico. Bem no Oeste, a viagem poderia começar em Trier, com a Porta Nigra, as termas e o anfiteatro da época romana. Daí, o caminho nos leva ao Sul, ao Sarre, para a “Catedral de Ferro”, a antiga siderúrgica Völklinger Hütte, um monumento industrial que representa um século de história do trabalho e do aço.
A rota proposta para o Leste da Alemanha inclui, naturalmente, Berlim, a capital e metrópole cultural. Lá, a Ilha dos Museus está entre os patrimônios culturais da humanidade. Mas também a praça Gendarmenmarkt é uma visita obrigatória para todo fã de arquitetura: uma das praças mais bonitas da Europa, com a Konzerthaus, construída por Karl Friedrich Schinkel. Classicismo puro. Seguindo poucos quilômetros adiante, para Potsdam, a antiga cidade residencial dos reis prussianos, há que se visitar, naturalmente, o conjunto de castelos e parques. E, ao lado da atração principal – o castelo de Sanssouci, não se pode deixar de visitar o castelo Charlotten-hof, um pouco afastado no amplo parque. É uma jóia classicista (também do arquiteto Schinkel), que parece quase de uma modéstia burguesa, do lado das pomposas construções dos autocratas. Aqui se vê uma mudança de época da arquitetura, como se leria num livro de história. A viagem pode prosseguir sob alamedas pitorescas até Wittenberg e Eisleben, para os memoriais de Lutero. De entremeio, vale a pena parar em Dessau, onde se pode descobrir o prédio da Bauhaus, projetado por Walter Gropius, e não longe dali os jardins idílico-românticos de Dessau-Wörlitz, uma paisagem cultivada com jardins ingleses, lagos, castelos e templos em estilo clássico.
Por mais bela e variada que tivesse sido a nossa viagem pelos patrimônios da humanidade, teríamos deixado de lado muitas coisas que, naturalmente, fazem parte de um roteiro arquitetônico, como as joviais mansões em estilo art nouveau no Mathildenhöhe em Darmstadt. Ou todos os pontos altos atuais da arquitetura: a praça de Potsdam em Berlim, com manifestações dos renomados arquitetos Renzo Piano e Meinhard von Gerkan. Não teríamos visto o Zollhof em Düsseldorf, com a sinuosa linguagem formal inconfundível de Frank O. Gehry. E tampouco o futurístico Phaeno-Museum em Wolfsburg, projetado pela arquiteta Zaha Hadid, que parece romper os limites da estática. Mas, para tudo isso, uma viagem não nos é suficiente.
Janet Schayan (Revista "Deutschland")
01.03.07 - ARQUITETURA:
A nova cara das cidades alemães 
 
O cenário da arquitetura na Alemanha tem diversos centros regionais, mas desde a reunificação Berlim ocupa um lugar especial. Na capital é possível apreciar a arquitetura internacional concentrada num espaço delimitado. Seja Lord Norman Foster, que fez a adaptação do antigo Reichstag, para abrigar o novo parlamento, Renzo Piano, Daniel Libeskind, I. M. Pei ou Rem Koolhaas, a lista de arquitetos internacionais que cunharam a nova feição de Berlim é longa. Também a elite dos arquitetos alemães, como Helmut Jahn, von Gerkan Marg und Partner, Hans Kollhoff ou Josef Paul Kleihues, deu seu contributo à nova capital.
Em Hamburgo e Düsseldorf, no saneamento das antigas zonas portuárias estão sendo feitas experiências com uma nova linguagem. A arquitetura marcante dos novos museus está se sobressaindo em muitas cidades, como a da Pinacoteca Moderna de Stephan Braunfels, em Munique, do Museu MARTa de Frank Gehry, em Herford, do Langen Foundation de Tadao Ando, em Neuss, ou do Museu de Belas Artes em Leipzig, obra do escritório de arquitetura berlinense Hufnagel Pütz Rafaelian.
“Perfil da Alemanha”
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