BRASIL & ALEMANHA
 


JÜRGEN RÜTTGERS: Governador no Brasil
HARALD ZUR HAUSEN: Nobel no Brasil
JUIZ DE FORA: Em busca de uma cidade irmã
BEATRIX KLEIN: Juventude ao piano
OS TRÓPICOS: Exposição chega a Berlim
KULTURFEST ITINERANTE: Sucesso pode gerar projeto permanente
ENCONTRO: Alemanha de olho no crescimento brasileiro
KULTURFEST: Festival itinerante chega a Brasília
ETANOL: Produção e uso em discussão
BRASILIANISTAS: O Brasil dos alemães
CHUCRUTE COM PÃO DE QUEIJO: Mercedes-Benz em Juiz de Fora
KULTURFEST: “Os Trópicos” chega ao Rio de Janeiro
DOCE RECORDAÇÃO: Como Kurt Deichmann conquistou o coração
dos cariocas

SOCIEDADE GERMÂNIA: Um clube com muitas histórias para contar
ZÉ DO ROCK: Cineasta faz filme sobre Brasil e Alemanha
OS GUERREIROS DE ROLÂNDIA: Idas e vindas de um povo
IMIGRAÇÃO: Mitos e Fatos

BLUMENAU: Relações culturais e econômicas
BLUMENAU EM FOCO: Lula e Glos abrem encontro econômico
VISITA MINISTERIAL: Michael Glos participa de Encontro Econômico
COLÔNIA DE UVÁ: História de uma dura experiência
FESTA NO CERRADO: Goiânia comemora sua Oktoberfest
FESTA EM BLUMENAU: Cidade comemora sua Oktoberfest
AVIAÇÃO: TAM vai operar vôos diários para Alemanha
KULTURFEST: Vai começar a maior inserção cultural alemã no Brasil
OKTOBERFEST: Comemorações por todo o sul do Brasil
CENTRO GERMÂNICO MISSIONEIRO: Preservação da cultura alemã no
Brasil

PROTECIONISMO: Mercado agrícola europeu em disputa internacional
T-SYSTEMS INVESTE EM BLUMENAU: A vantagem de falar alemão
DA AMAZÔNIA PARA A ALEMANHA: Exportações crescentes e variadas
COOPERAÇÃO NA AMAZÔNIA: Preservação e qualidade de vida
DESENVOLVIMENTO: Instituições alemãs ajudam no Nordeste
CENTRO CULTURAL NASCEDOURO: Presidente alemão visita
centro juvenil em Olinda

IMIGRAÇAO: Alemanha já é um dos destinos favoritos dos
emigrantes brasileiros

RELAÇÕES BILATERAIS: Uma parceria estratégica



28.10.08 - JÜRGEN RÜTTGERS:
Governador da Renânia do Norte-Vestfália no Brasil    ACIMA
Governador e padre franciscano - Fonte: dpa/pa Rüttgers em São Paulo

O Governador da Renânia do Norte-Vestfália, Jürgen Rüttgers, está no Brasil em viagem de trabalho que segue até o dia 31 de outubro e passará por São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro. O objetivo é estreitar relações ecômicas, políticas e culturais com o Brasil. Nesta segunda ele conheceu um projeto de reciclagem de lixo de missionários franciscanos em São Paulo e hoje (28.10) participa como palestrante do XV Fórum Brasil-Europa da FIESP, além de se encontrar com especialistas brasileiros em desenvolvimento de metrópoles e com representantes de empresas alemãs presentes no Brasil.

Ainda hoje o governador Rüttgers segue para Brasília. Na Capital, ele cumpre extensa agenda durante toda a quarta-feira. Estão marcados encontros com os Ministros brasileiros Reinhold Stephanes, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e Miguel Jorge, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Também estão programadas reuniões com parlamentares e ONG's brasileiros. A Renânia do Norte Vestfália é o estado mais povoado e o maior pólo de indústria e serviços da Alemanha. Dentro de suas fronteiras estão importantes cidades como Colônia, Düsseldorf e todo o Vale do Ruhr. Suas exportações movimentam cerca de 160 bilhões de euros, e seu PIB corresponde a 4,5% de toda a União Européia. Além de governar o Estado, Jürgen Rüttgers é vice-presidente do CDU, partido da Chanceler Angela Merkel.

Redação


13.10.08 – HARALD ZUR HAUSEN:
Nobel no Brasil   ACIMA

Prêmio Nobel de Medicina 2008 foi ao Brasil como bolsista do DAAD

O pesquisador alemão Harald zur Hausen, nomeado Prêmio Nobel de Medicina de 2008 na última segunda-feira, esteve no Brasil em 1975 com apoio do DAAD (Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico), a maior organização do gênero do mundo. A convite da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), zur Hausen deu um curso de duas semanas sobre microbiologia molecular de vírus cancerígenos para um grupo de 35 pós-graduandos de universidades brasileiras. O curso consistiu de aulas teóricas em inglês e treinamento prático em técnicas de hibridização molecular.

Zur Hausen ficou impressionado com a boa organização do curso e o entusiasmo dos participantes, embora tenha encontrado dificuldades para realizar o treinamento. Segundo ele, naquela época somente 20% dos participantes sabiam inglês o suficiente para discutir o assunto, não havia instrumentos para todos e o material químico para os exercícios apresentava problemas.

"A partir desta experiência, apesar das carências e dificuldades já mencionadas, considero viagens assim como extraordinariamente importantes. Elas dão à Alemanha uma chance especial para participar da evolução científica de países que, como o Brasil, avançam tão rapidamente, e com eles estabelecer relações, que só podem trazer vantagens para ambos os países", escreveu o pesquisador em seu relatório de 1975 ao DAAD.

Na época, Zur Hausen já concentrava suas pesquisas na Universidade de Erlangen-Nuremberg no papilomavírus humano (HPV), conhecido causador de verrugas. No ano seguinte à estada no Brasil, o pesquisador publicou sua hipótese de que o vírus HPV estaria relacionado ao surgimento de tumores no cólo do útero. Em 1977, Zur Hausen mudou-se para a Universidade de Freiburg e, no início da década de 1980, conseguiu isolar, a partir de material retirado de um tumor, os vírus HPV 16 e HPV 18, até então desconhecidos. Até hoje, ambos são considerados os principais causadores do câncer de cólo de útero, o segundo mais frequente entre as mulheres. Em 1983, assumiu a direção do Centro Helmholtz de Pesquisas de Câncer em Heidelberg, cargo em que permaneceu por 20 anos. Neste período, o instituto recebeu muitos doutorandos e pesquisadores brasileiros. Mesmo aposentado, Zur Hausen ainda possui um escritório no instituto.

Por sua contribuição à ciência, zur Hausen vai receber em dezembro o Prêmio Nobel de Medicina, o qual dividirá com os pesquisadores franceses Françoise Barre-Sinoussi e Luc Montagnier, que, em 1983, anunciaram a descoberta do vírus HIV (BrasilAlemanha/Neues).

Fonte: DAAD


01.10.08 - JUIZ DE FORA:
Em busca de uma cidade irmã   ACIMA
Crianças em observam desfile na cidade - Fonte: http://www.culturalemajf.com.br/ reprodução Tradições vivas

Os descendentes dos alemães que chegaram em Juiz de Fora, na Zona da Mata Mineira, em 1858, somam hoje 50 mil. Para comemorar os 150 anos da imigração alemã na cidade, foi realizado ali, em setembro, o 6° Encontro das Comunidades Alemãs da América Latina. „Nosso esforço é no sentido de resgatar a identidade e a rica história dessa imigração“ explica o presidente do Instituto Teuto-Brasileiro de Juiz de Fora, Roberto Dilly, que sonha irmanar Juiz de Fora com uma cidade alemã. Como a única sede da Mercedes fora da Alemanha fica ali, por que não Stuttgart, sede da montadora? sugere.

Nos anos 1970 Dilly iniciou um exaustivo trabalho de pesquisa no sentido de recuperar a história dos imigrantes e, ao mesmo tempo a auto-estima dessa comunidade abalada com as.perseguições ocorridas por ocasião da Segunda Guerra Mundial. „Comecei minhas pesquisas na década de 70. Mais de vinte anos depois da guerra os descendentes de alemães ainda resistiam para falar da história dos antepassados“ lembra Dilly. Foi com esforço que o historiador reuniu fotos, documentos e relatos que formam hoje, após mais de 35 anos de trabalho, o maior banco de dados sobre a imigração germânica em Juiz de Fora. O cadastramento das famílias gerou o Centro de documentação e pesquisa genealógica onde os descendentes podem pesquisar os sobrenomes dos familiares.

Além disso, existe ali o grupo folclórico Edelweiss que apresenta danças tradicionais e que já até publicou o livro „Em busca de nossos avós“. Totalmente envolvido com o trabalho do Instituto, o maior desafio para Dilly no momento é aproximar as atuais gerações, seja através da integração de empresários, intercâmbio cultural, educação. Nesse sentido o encontro de setembro serviu para abrir divesas possibilidades.

Josiane Cotrim


19.09.08 – BEATRIX KLEIN:
Juventude ao piano   ACIMA
Beatrix Klein - Fonte: Divulgação Artista premiada

Ela tem apenas 25 anos, mas seu talento ao piano já foi reconhecido em competições na Alemanha e prêmios internacionais. Esta é Beatrix Klein, que até o dia 27 de setembro estará no Brasil e fará apresentações em Brasília, Ribeirão Preto, São Carlos, Belém, Recife, João Pessoa e Teresina, a convite do Kulturfest - Estação Alemã 2007-08 (www.kulturfest.com.br).

Nascida em Bonn, antiga capital da Alemanha Ocidental, em 1983, suas primeiras aulas de piano aconteceram quando tinha apenas cinco anos. Desde então dedicou sua formação à música. Através de competições nacionais e internacionais ela ganhou destaque e por seu mérito foi convidada pela Embaixada da Alemanha no Brasil para fazer parte da programação do Kulturfest.

A viagem não é a primeira a convite do Governo Alemão. "Nos últimos anos eu fui chamada várias vezes e toquei em quase todos os continentes. É uma grande honra poder me apresentar neste contexto e tenho muita consciência de meu dever como embaixadora cultural", explica Beatrix.

Ela acredita que a reincidência nos convites resida no fato de nem todos os artistas aceitarem tocar em lugares desconhecidos, com instrumentos que não os seus (especialmente no caso de uma pianista). "Eu não tenho receio de viajar para regiões pobres ou perigosas como Líbano, Síria, Paquistão ou Lesoto. Justamente nestes lugares a fome por eventos culturais é especialmente grande e as pessoas ficam felizes em receber visitantes que não se deixam espantar pela imagem negativa transmitida pela mídia", justifica.

Para sua turnê pelo Brasil ela preparou um repertório especial, que passa por Mozart, Chopin, Beethoven, Villa-Lobos e Milhaud. "O meu programa sempre oferece ao ouvinte uma mistura saudável entre compositores alemães, trabalhos desconhecidos de todos os tempos e sons nativos. O estilo musical brasileiro é dominado fortemente por diferentes danças e reflete alegria de viver, explosão de cores e ritmos", destaca a artista.

A entrevista completa com a artista e a programação da turnê pelo Brasil estão em www.kulturfest.com.br

Mariana Antoun


09.09.08 – OS TRÓPICOS:
Exposição chega a Berlim   ACIMA
Interatividade

Após o grande sucesso de público em Brasília e Rio de Janeiro, a exposição Os Trópicos – Visões a partir do centro do globo, poderá ser vista em Berlim a partir do próximo dia 12 de setembro. Até o dia 05 de janeiro de 2009 o museu Martin-Groupius-Bau exibe 85 trabalhos de arte contemporânea, junto a duzentas peças de arte da África, Ásia, Oceania e América Latina, pertencentes ao acervo do Museu Etnológico de Berlim.

Os trópicos oferecem os mais diversos espaços vitais e são uma fonte muito citada de inspiração estética, além de um território de grandes tensões e contradições políticas e sociais. Paralelamente à exposição haverá um programa de eventos interdisciplinares focalizando a região sob uma perspectiva científica e artística, que examina também a mudança da noção européia sobre o tropical no decorrer do século 20.

O programa de eventos é um trabalho conjunto realizado com o Instituto Ibero-Americano Preußischer Kulturbesitz, o teatro Hebbel am Ufer e os cinemas Freunde der Deutschen Kinemathek e. V. / Kino Arsenal. A exposição tem curadoria de Afons Hug, diretor do Instituto Goethe no Rio de Janeiro, Peter Junge e Viola König, curador e diretora do Museu Etnológico de Berlim.

Toda a programação em Berlim pode ser acessada em português no link:
http://www.goethe.de/kue/bku/prj/tro/ptindex.htm

Mariana Antoun


28.08.08 – KULTURFEST ITINERANTE:
Sucesso pode gerar projeto permanente    ACIMA
Recrutas do Super Night Shot em ação, chegando ao Teatro da Caixa - Foto: Mariana Antoun/ Embaixada da Alemanha em Brasília Teatro: Super Night Shot em ação

O Kulturfest Itinerante alcançou nesta terça-feira (26.08) sua penúltima parada: Brasília e Goiânia. Até domingo, as duas cidades poderão perceber as formas modernas da Alemanha nos campos do teatro, cinema, artes visuais e música eletrônica. Mas o sucesso do caminhão cultural, que já percorreu 11 cidades brasileiras, parece estar longe do fim. O interesse que despertou em localidades fora da rota tradicional destes tipos de eventos faz o Instituto Goethe, um dos idealizadores do projeto, pensar em uma forma de tornar o projeto permanente.

“A idéia de chegarmos a cidades fora dos grandes centros já é antiga. O Kulturfest Itinerante realizou isto e acabou por nos servir como uma espécie de projeto piloto, que permitiu conhecer a reação do público destes lugares e abrir caminho para futuras possíveis parcerias”, explica Jana Binder, do Departamento Cultural do Instituto Goethe de São Paulo.

Ela conta que os clichês sobre a Alemanha estão muito mais impregnados em cidades fora dos grandes centros urbanos do Brasil, em certa parte por conta da forte presença de imigrantes no país, o que fez com que a chegada do caminhão do Kulturfest fosse mais impactante. “Essa coisa louca do teatro com vídeo, da improvisação, da presença de elementos do cotidiano, que eles encontram na rua, tudo sendo apresentado como arte, surpreendeu o público. Quebrou a idéia de que arte alemã é só Goethe e Schiller, mostrando que também pode ser uma cultura que reage ao tradicional, que também pode ser entretenimento”, explica Jana. “Muita gente saiu das apresentações querendo produzir também!”.

A idéia é, após a turnê do Kulturfest Itinerante e o fim do Kulturfest – Estação Alemã 2007-08, começar a desenvolver um formato para que o projeto continue e possa chegar a outras cidades. E para isso o Goethe conta com os novos parceiros feitos durante todo o ano do Kulturfest, espalhados por todo o Brasil, e que já se mostraram dispostos a organizar novas atrações.

Para saber mais sobre o Kulturfest visite: www.kulturfest.com.br
A programação completa do Kulturfest Itinerante está disponível em: www.kulturfest-itinerante.org

Mariana Antoun


27.08.08 – ENCONTRO ECONÔMICO:
Alemanha de olho no crescimento brasileiro    ACIMA
Colônia vista do alto - Fonte: dpa/pa Colônia, sede do evento deste ano

Mobilidade, segurança energética e proteção climática estiveram entre os principais temas discutidos no 26º Encontro Econômico Brasil-Alemanha, encerrado ontem (26.08) em Colônia. A tradicional reunião contou com mais de 500 participantes e serviu para aproximar empresários, fazer novos contatos e fomentar acordos de cooperação.

O momento de expansão da economia brasileira foi a tônica do evento. Os dados sobre o crescimento, que no ano passado foi de 5,4%, a evolução tecnológica, diminuição da pobreza e importância no cenário internacional foram constantemente citados, e para os alemães representam chances de bons negócios.

As duas economias são as maiores de seus respectivos blocos, o Mercosul e a União Européia, e o comércio entre os dois países movimentou 11,5 bilhões de dólares em 2007. Os alemães já têm 1.200 empresas atuando no Brasil, representando um capital de cerca de 19 bilhões de dólares, mas os dois lados querem mais.

Empresários alemães consideram que o país está definitivamente voltando o olhar para o Brasil, após um período de muita atenção à Ásia, especialmente à China. Esta semana, por exemplo, a Volkswagen anunciou em Wolfsburg que já vende mais automóveis no Brasil do que na Alemanha.

Um dos incentivos são os biocombustíveis brasileiros, tema de um acordo de cooperação energética assinado pela chanceler Angela Merkel e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em maio deste ano, quando da visita da premiê ao Brasil. “Agora vamos dar vida econômica a este acordo”, disse Jürgen Thumann, presidente da Confederacão Nacional da Indústrias da Alemanha (BDI, na sigla em alemão). A Alemanha investe 130 milhões de euros por ano em energias renováveis, e há um grande campo para troca de tecnologias.

A Copa de 2014 também chama a atenção, sobretudo na área de infra-estrutura. O Brasil vai precisar de hotéis, estádios, rodovias, trens, metrôs, aeroportos e logística, e grandes empresas como Siemens e Fraport já demonstram seu interesse. “Estamos prontos para investir no Brasil”, disse Gudrun Teloeken, da Fraport, empresa que construiu e opera o aeroporto de Frankfurt, e tem participações em aeroportos ao redor do mundo.
 
Há um potencial imenso para indústrias alemãs, já que as obras de infra-estrutura no Brasil devem movimentar cerca de USD 200 bi nos próximos anos, e tudo deve ser feito rapidamente. “Não se constrói um aeroporto ou uma rodovia em um ano. Nosso conselho é começar agora”, disse Fedor Radmann, do comitê organizador da Copa de 2006, na Alemanha.

Mesmo com tanto otimismo e oportunidades oferecidos pela economia brasileira, a corrupção, excesso de burocracia e um sistema fiscal complexo ainda deixam muitos alemães em dúvida. Um dos desafios deste encontro foi exatamente este, provar que mesmo com inúmeros problemas, o país é um ambiente econômico seguro.

Duas grandes empresas alemãs parecem já ter encontrado a resposta. A ThyssenKrupp, que já tem 17 empresas no Brasil, no momento está investindo 4 bilhões de euros na contrução de uma nova unidade, em Sepetiba, com capacidade para produção de cinco milhões de toneladas de aço bruto. Já a Hamburg Süd, uma das maiores transportadoras marítimas do mundo, que detém 20% do mercado brasileiro, reconhece problemas de infra-estrutura e atrasos nos portos do país, mas mostra-se confiante. “Investimos no Brasil e nossa intenção é de continuar investindo”, disse Julian Thomas, da Hamburg Süd Brasil.

Vitória sediará a 27ª edição do encontro, de 13 a 15 de setembro do próximo ano. Entre as novidades deverão constar visitas a empresas como a Vale do Rio Doce e plataformas de petróleo da Petrobrás.

Jefferson Puff


26.08.08 – KULTURFEST:
Festival itinerante chega a Brasília   ACIMA
Erobique - Fonte: Divulgação/ Tom Produkt Erobique é uma das atrações

O projeto Kulturfest Itinerante chega nesta terça a Brasília e Goiânia. O festival leva a quinze cidades brasileiras uma semana de atrações da Alemanha nas áreas de música eletrônica, teatro, artes visuais e cinema. O coração do Cerrado brasileiro é a penúltima parada do caminhão cultural, que terá sua última apresentação em Belo Horizonte e Cordisburgo. O Kulturfest Itinerante, uma iniciativa do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha e do Goethe-Institut, em colaboração com parceiros locais, já se apresentou em Ribeirão Preto, Blumenau e Florianópolis, Salvador, Fortaleza, Sobral, São Luís, Belém, João Pessoa, Recife e Campina Grande.

Ocupando espaços diversos nas duas cidades, o projeto pretende mostrar como pulsa a cultura jovem alemã. O festival de cinema, que vai de quarta (27.08) a domingo (31.08) no Cine Brasília, apresenta dez curtas e longas metragens em 35mm com legendas em português. Todos são atualíssimos e alcançaram sucesso de público na Alemanha, como “Um amigo meu”, de Sebastian Schipper, com Daniel Brühl e Jürgen Vogel, e “Hotel Very Welcome”, de Sonja Heiss.

Já os Recutras do Gob Squad apresentam o espetáculo teatral performático (ou seria um filme teatral?) “Super Night Shot”. Com quatro câmeras, o premiado grupo sai pelas cidades transformando tudo, bitucas de cigarro, pichações, carros, fachadas, em adereço e cenário de seu filme-performance. As exibiçõe serão feitas no Teatro da Caixa, em Brasília, dias 27 e 28, e no sábado no Centro Cultural Goiânia de Ouro, em Goiânia.

Para fechar a programação em ambas as cidades, uma dobradinha entre artes visuais e música eletrônica. O grupo Slope apresenta uma performance-instalação, que mescla intervenções arquitetônicas, apropriações de espaço e instalações multimídia num único trabalho. Em Brasília, a sequência fica por conta dos músicos Erobique e DJ Oblongui, que farão o público dançar ao som de ritmos experimentais e eletrônicos na Praça do Complexo Cultural da República, sexta-feira (29.08). Em Goiânia, no Centro Cultural Goiânia de Ouro, Erobique terá a companhia do DJ Fredy XTC.

Para conferir a programação completa do Kulturfest Itinerante, locais, preços e conhecer melhor os artistas visite a página www.kulturfest-itinerante.org

Kulturfest
Promovido pela Embaixada da Alemanha em Brasília, pelo Consulado Geral de São Paulo e pelo Goethe Institut, e contando com a cooperação de um grande número de parceiros na Alemanha e no Brasil, o Kulturfest apresentar a Alemanha moderna e sua cultura jovem. De 15 de outubro de 2007 a 3 de outubro de 2008, haverá em todo o país exposições, palestras, eventos musicais, peças de teatro, competições estudantis, participação em bienais e exposições, entre outros. Para informações, programação atualizada, press-releases e muito mais, visite o site do festival: www.kulturfest.com.br

Mariana Antoun


30.05.08 – ETANOL:
Produção e uso em discussão    ACIMA
Sigmar Gabriel e Marina Silva - Fonte: Mariana Antoun/ Deutschland Zentrum Gabriel e Marina Silva

Em visita oficial ao Brasil, o ministro alemão do Meio Ambiente, Sigmar Gabriel, afirmou que, se o país mostrar no cenário internacional que tem condições de fazer uma produção sustentável da cana-de-açúcar, poderá ampliar a exportação de etanol para a Alemanha e toda a Europa. Segundo Gabriel, a expansão da cultura da cana não pode pressionar a devastação da floresta amazônica, nem reduzir a produção de alimentos.

As declarações do ministro foram dadas a jornalistas brasileiros logo após sua primeira reunião com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, nesta segunda-feira (28.04) em Brasília. Até sexta-feira (02.05), quando retorna para a Alemanha, Gabriel visita usinas de etanol e conhece a floresta amazônica. Em maio, a chanceler alemã, Angela Merkel, chegará ao Brasil e assinará um acordo com o governo brasileiro estabelecendo parâmetros para o uso de biomassa na produção de energia. "Então o Brasil terá a chance de provar que pratica uma agricultura sustentável", afirmou o ministro, destacando que a União Européia prepara uma legislação que regulamente a importação de biocombustíveis, estabelecendo critérios aos países produtores. A meta é fazer com que, até 2020, toda a frota européia circule com uma mistura que leva 10% de biocombustível.

Durante encontro com o ministro alemão, Marina Silva detalhou os resultados de uma política de combate à exploração da Amazônia. Segundo ela, nos últimos três anos o Brasil conseguiu reduzir o desmatamento na região em 59% e também a emissão de C02 em 500 milhões de toneladas. Ainda de acordo com a ministra, o país usa apenas 1% de toda a terra passível de agricultura – aproximadamente 300 milhões de hectares – na produção da cana-de-açúcar. Reforçando os números, nesta terça-feira (29.04) a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou que o biocompustível produzido na Europa e nos Estados Unidos têm mais responsabilidade na alta dos preços dos alimentos no mundo, do que o álcool produzido no Brasil.

Além de discutir a questão dos biocombustíveis, a visita do ministro alemão ao Brasil é uma preparação para a 9ª Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP-9) que acontecerá na Alemanha, na cidade de Bonn, entre os dias 19 e 30 de maio. Gabriel afirma que um dos objetivos do encontro é estabelecer mecanismos para garantir a preservação e o compartilhamento do acesso aos recursos genéticos da Amazônia. O ministro reconheceu ainda as dificuldades do governo brasileiro em frear a ação predatória na floresta, dado o apelo econômico de outras culturas e a falta de um acordo multilateral que defina o compartilhamento dos benefícios dos recursos genéticos explorados.

Mariana Santos


26.03.08 – BRASILIANISTAS:
O Brasil dos alemães  ACIMA
Hans Staden - Pintura de H. J. Winkelmann/ Public Domain Hans Staden, o pioneiro

Hans Staden foi um dos primeiros alemães a visitar o Brasil, ainda no século XVI. Seu livro, editado em 1557, em Marburg, descrevia um Novo Mundo exótico, habitado por índios canibais e paisagens diferentes. Desde então muita coisa mudou, mas o interesse dos alemães pelo país tropical permanece em alta. Assim como em outros lugares da Europa, na Alemanha existem os Brasilianistas, acadêmicos que se ocupam de estudar o Brasil. O Prof. Dr. Christian Haußer, doutor em história da América Latina e Brasilianista pela Universidade de Hamburgo, explica mais sobre este campo de trabalho e a imagem do Brasil na Alemanha.

Quando e como se deu o interesse de acadêmicos alemães por estudar o Brasil?
O interesse pelo Brasil se intensificou depois da deliberada abertura do país a estrangeiros no início do século XIX. Os motivos do interesse são variados, mas resumem-se à fascinação por uma região com uma população e uma natureza desconhecida em grandes partes, continuando a última principalmente a sê-lo ainda hoje. Essa fascinação assumiu uma forma científica com o intuito de descrever, medir e conceber finalmente o outro.

Como você vê a interação Brasil-Alemanha? Qual é a imagem do Brasil na Alemanha atualmente?
A interação entre o Brasil e a Alemanha se realiza há muito tempo em muitas formas e em vários planos. No plano político, tenho a impressão de que na América Latina Brasil e o México, devido à importância econômica dos dois, são os únicos países que chamam maior atenção. No plano científico, o Brasil é reconhecido aos poucos mais como parceiro e menos como mero destinatário do conhecimento alemão. A imagem popular do Brasil na Alemanha tende a continuar sendo marcada por duas perspectivas opostas: uma positiva, quase de inveja, e a outra muito negativa. Num lado se perpetua o exotismo da leveza tropical, com sol e verão o ano inteiro, samba, carnaval, mulatas, futebol e alegria dia e noite. No outro, o Brasil é visto meio catastrófico, sendo sinônimos deste desastre a favela, a violência, a grande desigualdade social e a pobreza, a desorganização e a corrupção, e também o desmatamento da floresta amazônica.

O que se pode concluir através desta distinção?
Como todas as imagens, também esta diz mais sobre os que a têm do que sobre aquilo a que se refere. Atrás dessa visão bipolar está um fato que se deve levar em conta: para um alemão, e eu também sou um, é difícil conceber a existência simultânea de fenômenos naturais, culturais e sociais tão variados e muitas vezes até supostamente opostos. Ainda existem tribos indígenas “meio perdidas” na floresta que vivem como viviam há milhares de anos e, ao mesmo tempo, megalópoles muito modernas como São Paulo - tudo num só país, imagine! A mídia alemã reflete em parte a imagem popular, embora seja próprio da mídia se concentrar no lado espectacular e catastrófico; além disso, há poucos jornalistas com conhecimento profundo sobre o país.

Você vai publicar um livro sobre a história do desenvolvimento do Brasil. O que poderia destacar como mais importante em suas pesquisas acerca do tema?
O livro trata do pensamento desenvolvimentista no Brasil entre 1808 e 1871 através do conceito de civilização. O meu estudo revela que idéias européias tidas como “fora do lugar” no Brasil, não o eram, sentiam-se bem em casa. Segundo, o Brasil não era tão atrasado em comparação com a América do Norte ou a Europa. Pelo contrário: logo no início do século XIX iniciou-se um surto modernizador nacional continuando no fundo até hoje.

O Brasil experimenta um momento de atenção no exterior, sobretudo na Europa. Houve o ano brasileiro na França e eventos também no Reino Unido. Na Alemanha, o drink do momento é a Caipirinha. Qual é a importância disso para o país?
O Brasil atrai por ser um país com uma cultura rica e principalmente por ser a economia mais importante da América Latina para os europeus. Assim me parece que os europeus também tentam aproveitar para promover laços com o Brasil num momento favorável em que a reputação de um outro concorrente está um pouco em declínio no país: os Estados Unidos. Mas trata-se de esperar para ver em que medida são mais do que impressões instantâneas. Isso não é o caso da Caipirinha, que há muitos anos virou um drink que muitos alemães gostam – inclusive eu.

Jefferson Puff


11.03.08 – CHUCRUTE COM PÃO DE QUEIJO:
A Mercedes-Benz em Juiz de Fora  ACIMA
Estrela da Mercedes-Benz - Fonte: Photothek

Em apenas nove anos, a unidade da Mercedes-Benz em Juiz de Fora, no estado brasileiro de Minas Gerais, atingiu um dos mais altos padrões de qualidade entre todas as outras filiais, sendo considerada uma das mais modernas da indústria automobilística na América Latina.

Com cerca de 1.100 colaboradores, a unidade se destaca pelo pioneirismo. A fábrica de Juiz de Fora foi a primeira da América do Sul a adotar a pintura a base de água, reafirmando o respeito da Mercedes-Benz pela preservação do meio ambiente.

Com uma área total de 2,8 milhões m², sendo 167 mil m² de área construída, a fábrica produz automóveis das Classes C, em especial o C230 Avantgard. A maior parte da produção é destinada aos mercados norte-americano e europeu.

Bruno Blankenburg


03.03.08 – KULTURFEST:
“Os Trópicos” chega ao Rio de Janeiro ACIMA
Máscara - Ceilão (Sri Lanka) - Fonte: Divulgação Máscaras do Sri Lanka

Arte contemporânea inspirada e aliada a peças antigas de regiões tropicais de todo o globo. Esta é a essência da exposição “Os Trópicos – Visões a Partir do Centro do Globo”, que chega nesta segunda-feira ao Rio de Janeiro – a mais tropical das cidades. A mostra, que tem curadoria de Alfons Hug, diretor do Instituto Goethe Rio de Janeiro, Viola König, diretora do Museu Etnológico de Berlim, e Peter Junge, curador do Museu Etnológico de Berlim, estará aberta ao público no piso térreo do Centro Cultural Banco do Brasil de 04 de março a 05 de maio.

O inovador projeto teuto-brasileiro traz 130 obras de arte antiga de países na faixa tropical do planeta (África, Ásia, Américas e Oceania), vindas do acervo do Museu Etnológico de Berlim, considerado um dos mais importantes do mundo, e 87 trabalhos de 23 artistas contemporâneos de vários países, dentre pinturas, desenhos, fotografias, esculturas, vídeos e instalações. É um rico e inédito diálogo entre a produção de arte antiga e a atual através de pinturas, desenhos, fotografias, esculturas, vídeos e instalações.

A exposição já passou pelo Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília, com um enorme sucesso de público. Do Rio de Janeiro ela deixa os trópicos e estabelece um diálogo com público da Alemanha, instalada no Museu Etnológico de Berlim. Para saber mais sobre artistas, obras e sobre o conceito de exposição, visite a página TROPEN.

Kulturfest
Promovido pela Embaixada da Alemanha em Brasília, pelo Consulado Geral de São Paulo e pelo Goethe Institut, e contando com a cooperação de um grande número de parceiros na Alemanha e no Brasil, o Kulturfest vai apresentar a mais fiel imagem jovem e moderna da Alemanha e de sua cultura. De 15 de outubro de 2007 a 3 de outubro de 2008, haverá em todo o país exposições, palestras, eventos musicais, peças de teatro, competições estudantis, participação em bienais e exposições, entre outros. Para informações, programação atualizada, press-releases e muito mais, visite o site do festival: www.kulturfest.com.br

Gastronomia no Kulturfest
Dando continuidade à sua turnê gastronômica pelo Kulturfest, o jovem chef de cousine alemão Simon Tress chega amanhã à Belo Horizonte, onde apresenta suas criações em dois jantares, nos restaurantes Cantina Bella Vista (terça, 04.03) e Haus München (quarta, 04.03). Para mais informações veja clique em Gastronomia ou acesse a página do Kulturfest.

Mariana Antoun


27.02.08 – DOCE RECORDAÇÃO:
Como Kurt Deichmann conquistou o coração dos cariocas ACIMA
stollen - Fonte: ColourBox O Stollen é uma das especialidades

Gerações de pessoas descobriram os prazeres de uma torta com o alemão Kurt Deichmann. Há 60 anos ele revelou para o Rio de Janeiro sabores encantadores, produzidos a partir de antigas receitas da Alemanha, da Áustria e da Suíça. Todos os doces preparados conforme a tradição manda, com pouco açúcar e nada de leite condensado.

Nascido no ano de 1907 na Alsácia (região da França que então pertencia à Alemanha), Kurt herdou da mãe o talento culinário. O alemão aprimorou suas habilidades trabalhando em confeitarias em Luxemburgo, Milão (Itália), Lyon (França), e Zurique (Suíça). Com 31 anos, fugido do nazismo, veio para o Brasil atrás da família em Resende. Pouco depois, se mudou para o Rio de Janeiro, onde abriu uma delicatéssen que vendia vários doces, já bastante apreciados pela nova adquirida clientela.

Os doces são petiscos como a Praliné (torta de nozes recheada com amêndoas caramelizadas), o Stollen (espécie de panetone), Streusel (torta recheada com frutas frescas), Spekulatius (biscoitos com tempero europeu) e picada de abelha  (massa com recheio de baunilha e cobertura de nozes e mel). A tradicional floresta negra feita de chocolate, creme chantilly e cereja continua entre as campeãs de venda. E mesmo ainda faltando um tempo para o Natal, vale experimentar a torta Noel feita de nozes e recheada com damasco e babada de moça.

Após sua morte aos 93 anos, a família de Kurt deu continuidade a confeitaria que fica no Leblon, Rio de Janeiro, uns dos bairros mais chiques da cidade. Kurt cativou seus inúmeros clientes com a excelência de seus doces e o carinho do atendimento e será recordado como o alemão mais doce, em todos os sentidos

Martha Ayres Denk


19.02.08 – SOCIEDADE GERMÂNIA:
Um clube com muitas histórias para contar  ACIMA
Sede atual da Sociedade Germânia - Foto: João Koeler Hackbarth Atual sede

Há mais de duzentos anos, multiplicavam-se os pontos boêmios nas ruelas do centro do Rio de Janeiro. Para os imigrantes, um restaurante da Rua dos Ourives – atual Miguel Couto – era marcante. Nele, reuniam-se os recém-chegados principalmente de terras alemãs, ao redor da Stammtisch, uma mesa reservada. Entre rodadas de cerveja importada, a mesa foi juntando-se a outra, que se juntou a outra, e em poucos anos, tomava o estabelecimento. Era fundada em agosto de 1821 a Sociedade Germânia, onde austríacos, finlandeses, suíços e alemães voltavam a sentir-se em casa, mesmo que estivessem literalmente a quilômetros dela.

Desde lá, a independência, dois impérios, repúblicas, revoluções e subseqüentes marcos foram vividos pelas gerações de associados. Depois de confiscada a segunda grande sede da Praia do Flamengo, considerada centro dos “súditos do eixo” (e posteriormente tomada pela União Nacional dos Estudantes, UNE), a Germânia muda-se em 1953 para a Rua Real Grandeza, com o nome de Clube Beira Mar. Em 1970 é comprado um casarão na Gávea, antiga residência de Epitácio Pessoa Filho. Somadas as obras de adesão, nascia ali a sede atual, referência carioca de cultura germânica, com festividades típicas, aulas de alemão para associados, jogos e esportes tradicionais, entre outras atividades.

Aos finais de semana, Bratwurst, Eisbein e chucrute instauram a germanicidade no buffet de confraternização. Mas a sensação de solo alemão não é mérito exclusivo dos pratos típicos – apesar da deliciosa torta Apfelstrudel ajudar um pouco... Entre recordações e bate-papos, o espírito de identidade que fizera a Germânia nascer na antiga Rua dos Ourives é resgatado. Méritos do presidente Francisco Xavier Esperanza, que há 14 anos faz prevalecer a “harmonia no quadro social, a sólida união dos associados em procurar tornar a Germânia um clube sempre melhor”. Palavras de presidente, comprovadas por abordagens de carinho e amizade dos associados no salão principal do restaurante. Em uma destas, ninguém menos do que o centenário Oswald Müller. Segundo Dr. Esperanza, o mais antigo associado dissera em sua festa de 100 anos, celebrada em 2006 na Germânia, que voltaria àquele mesmo salão para celebrar seu aniversário de 200 anos. No que depender do zelo administrativo do presidente e da saúde impressionante aparentada pelo centenário, assim será!

João Koeler Hackbarth

LINK:
Site oficial


14.01.08 - ZÉ DO ROCK:
Cineasta faz filme sobre Brasil e Alemanha ACIMA

O brasileiro Zé do Rock, que se tornou conhecido pelo filme satírico que fez sobre a mistura da cultura alemã e brasileira, prepara um novo documentário. Desta vez, sobre fumantes e não-fumantes
Veja o vídeo!

O escritor e cineasta brasileiro Zé do Rock mora em Munique “há anos” - como ele diz. Conhecido pelos livros e filmes documentários, como “Brasilien fica na Alemanha”, que mostra como os alemães vêem os brasileiros e vice-versa, Zé trabalha atualmente num projeto que pretende confrontar fumantes e não-fumantes. O tema do novo vídeo se deve à lei que vigora na Europa desde 2007 e proíbe o cigarro em lugares públicos como bares, cafés, restaurantes, estações de ônibus, trem etc.

O filme “Brasilien fica na Alemanha” ainda não está disponível ao público. Foram apresentadas apenas sessões de teste, em janeiro do ano passado, mas, segundo Zé, falta patrocínio para pagar alguns direitos autorais do filme, antes que ele seja lançado oficialmente. O documentário foi gravado no Brasil e na Alemanha. Em alemão, o filme é intitulado “Schröder liegt in Brasilien”.

“Cinco meses após o início das filmagens a gente rodou 90% do que eu queria rodar. Achamos pérolas que eu não esperava”, conta. Entre as imagens do filme, estão cenas que mostram como no país tupiniquim existem cidades que cultuam o povo alemão e acreditam viver numa “mini Alemanha” e como os alemães tentam se parecer com os brasileiros, principalmente quando o assunto é festa, praia, biquinis e carnaval. “O tema do filme é que os alemães são pobres mas bem-humorados, enquanto os brasileiros têm muito dinheiro mas vivem reclamando. Tanto os alemães como os brasileiros e estrangeiros riem ou sorriem quando ouvem sobre o filme. Faz parte da sabedoria do mundo saber que na realidade é o contrário.”, resume Zé.

Famoso ainda pelo assassinato da língua portuguesa e alemã, o homem maduro – que faz questão de não revelar a idade - escreve na sua página na internet textos em linguajem di internéti, ou seja, redige exatamente como se pronunciam as palavras. Tal criatividade veio, por exemplo, da publicação do livro “fom winde ferfeelt”, de 1995 - uma autobiografia, com explicação de palavras e expressões da língua alemã. Zé chama esta linguagem de “ultra-alemão” e ele explica ao “pé da letra” o que os vocábulos querem dizer.

O gaúcho fumante - que se recusa a consumir Marlboro pelo fato dele não gostar da combinação da cor vermelha e do branco que aparecem na embalagem original do cigarro – escreveu ainda, em português, os livros “Zé do Rock” (a biografia), “Disco Voador na Cozinha” e “Piadas im Brazileis”. Este último, trata de formas coloquiais que conforme Zé, ainda vão se tornar tão oficiais quanto as da gramática da língua portuguesa.

Zé é o tipo de pessoa que tem muita história para contar. Criado em Porto Alegre, viojou o mundo durante treze anos e conheceu mais de cem países. Pelas andanças, enfrentou a repressão militar no Brasil e, aos poucos, percebeu que tivera adquirido um medo incontrolável de voar. Hoje, antes de embarcar num avião, Zé toma um comprimido indicado para o controle da esquizofrenia.

Bettina Riffel


12.11.2007 – OS GUERREIROS DE ROLÂNDIA:
Idas e vindas de um povo ACIMA
Oktoberfest em Rolândia - Fonte: Divulgação Oktoberfest e roupas tradicionais

Rolândia, no norte do Paraná, no Sul do Brasil, vive uma história de idas e vindas com a Alemanha. Se por um lado, orgulha-se de suas origens, que começaram nos anos 1930, com a chegada dos primeiros colonos, egressos de uma Alemanha devastada pela guerra, por outro, luta para preservar a cultura desses antepassados, uma vez que muitos descendentes já fizeram o caminho de volta. Os que ficaram, acompanham com atenção a saga de seu povo, cuja cidade criada no Brasil carrega o nome de um guerreiro medieval, Roland, conhecido por defender os princípios de liberdade e justiça.

E é essa mesma liberdade, defendida pelo herói que inspirou o nome da cidade, que fez com que muitos filhos de alemães nascidos na região fossem embora, quebrando a continuidade do desenvolvimento local, atesta Adrian von Treuenfels, Cônsul Honorário da Alemanha em Rolândia. “Hoje, quem visita a cidade, quase não percebe vestígios da colonização alemã”, reforça Nikolaus Schauff, um dos pioneiros da localidade.

Aos 70 anos, o agricultor, que chegou à região em 1939, também viu seu pai, perseguido político por Hitler, voltar à Europa em 1950. Testemunha e protagonista do processo de colonização, Schauff elenca o que chama de “o que sobrou da influência alemã” na cidade: grupos folclóricos que têm seus pontos altos durante a Oktoberfest; sessões de filme em alemão no Centro Cultural Brasil-Alemanha e mesas-redondas no Clube Concórdia, locais em que os mais velhos se reúnem para preservar a cultura. Há ainda prédios históricos que datam do período de pujança que iniciou com o café, beneficiado pela terra roxa da região, que a fez ser conhecida como a “Canaã Brasileira”.

Responsável pelo atendimento de descendentes de alemães de todo o norte do Paraná, Treuenfels relata que durante as três primeiras décadas de fundação da cidade, o fluxo de imigrantes foi intenso. Rolândia, que no início se desenvolveu rapidamente, viu surgirem clubes, escolas, igrejas e fazendas com lindas sedes, construídas em uma gleba de terras originalmente de propriedade de ingleses, donos da “Paraná Plantation Ltda”, que se uniram a políticos alemães em busca de uma saída para filhos de lavradores com falta de opções em seu país. Alemães que vieram em busca de liberdade e justiça.

Fabíola Brites


04.12.2007 – IMIGRAÇÃO:
Mitos e Fatos  ACIMA
Colonos - Fonte: Divulgação Alemães camponeses

“É duro para nós, gaúchos, termos de reconhecer, mas a imigração alemã no Brasil não começou no Rio Grande do Sul”. Com esta frase, a historiadora Nina Tubino resume o conteúdo do livro A Germanidade no Brasil, que acaba de lançar. Fazendo uma didática distinção entre “presença alemã” e “colonização alemã”, ela lança luz sobre aspectos passados por gerações como incontestáveis e que agora estão sendo devidamente elucidados, garante. A obra, encomendada pela Sociedade Germânia em Porto Alegre, coloca por terra mitos perpetuados acerca da presença alemã no maior país da América do Sul. Entre eles, o de que vieram para cá só colonos mal preparados.

“É presunçoso pensar que a influência alemã só se fez sentir no Sul do país e que os alemães vindos para o Brasil eram voltados tão somente para a agricultura e para a formação de um exército mercenário a trabalho do Imperador na defesa de nossas fronteiras”, diz a autora logo no início da obra. Muito antes de 1824, data propagada como a da chegada da primeira leva de colonos em São Leopoldo, no interior gaúcho, a influência alemã já se fazia sentir no Nordeste do país. Quando Pedro Álvares Cabral chegou, em 1500, na Bahia, vieram com ele 35 artilheiros alemães, integrantes de uma Unidade Militar dotada de privilégios, que participava de todas as grandes viagens de exploração dos portugueses. A primeira carta ao Rei de Portugal também não foi enviada por Pero Vaz de Caminha, como consta na história oficial, ela teria sido escrita por Mestre João, conhecido como Johannes Varnhagen de Emenelaus, cuja origem, não comprovada, seria alemã.

Muito antes de empunhar enxadas, foices e martelos, os alemães no Brasil valiam-se das letras e de um conhecimento técnico e crítico para marcar sua presença por aqui. Nina recorre ao escritor Gilberto Freyre, em Nós e a Europa Germânica – Documentário Teuto-Brasileiro, para falar da influência cultural germânica em Pernambuco, que data do século 17 e que se estendeu por mais de 200 anos. A ponto de, já em 1820, aparecer anúncios de profissionais alemães a oferecer seus préstimos. Eram alfaiates, marceneiros, fabricantes de instrumentos musicais, retratistas e muitos outros. Freyre vai mais longe, quando afirma que a Faculdade de Direito de Recife, por volta de 1850, “estava revestida do pensamento germânico”.

Werner Adelmann, presidente da Sociedade Germânia em Porto Alegre, que solicitou o estudo a Nina, cita como um dos exemplos da presença alemã no país bem antes do trabalho colono no Rio Grande do Sul, a criação, em 1821, da Sociedade Germânia no Rio de Janeiro. Ele destaca também que o espírito de germanidade que tem se mantido até hoje se deve muito mais ao mérito dos imigrantes do que de seu país de origem, que pouco propala os feitos de seus descendentes além-mar. “É por isso que fizemos o livro bilíngüe, para que a Alemanha reconheça o trabalho que nosso povo fez por aqui.”

Fabíola Brites


27.11.07 – BLUMENAU:
Relações culturais e econômicas  ACIMA
Prefeitura de Blumenau - Fonte: Mariana Santos Prefeitura da cidade

Bastam alguns minutos de caminhada pelas ruas floridas de Blumenau, no Estado de Santa Catarina, para se encantar com o charme da cidade mais alemã do Brasil. Seus 300 mil habitantes fazem questão de manter tradições herdadas de seus fundadores. É lá que acontece a famosa Oktoberfest brasileira, a maior festa da cerveja das Américas. Neste ano, Blumenau também sediou o 25º Encontro Brasil-Alemanha, que reuniu mais de 1800 empresários e autoridades dos dois países.

Há quem acredite que os blumenauenses são mais tradicionalistas e interessados na preservação das origens do que os próprios alemães. “No último encontro Brasil-Alemanha [em Berlim], falaram para o público que em Blumenau estaria a Alemanha ‘dos avôs’ dos participantes”, conta o secretário de Turismo de Blumenau, Norberto Mette. Uma cultura que sobreviveu mesmo após a 2ª Guerra Mundial, como avalia o secretário.

Fundada em 1850 pelo filósofo alemão Hermann Bruno Otto Blumenau, o município é um dos mais promissores do chamado Vale do Itajaí. Além dos colonos alemães – os primeiros a chegar ao vale, com a missão de desenvolver atividades agrícolas – a região também recebeu italianos e poloneses. Mas foi a cultura germânica que mais se impregnou no dia-a-dia dos blumenauenses. De nomes de ruas e restaurantes, passando pelo sobrenome de seus moradores, a influência alemã é marcante em toda a cidade.

Além do turismo, pautado exatamente pelos laços germânicos, Blumenau também estrutura sua economia na produção têxtil e é berço de grandes empresas, como a Hering. “É o maior pólo têxtil da América Latina, com produção de malhas, toalhas, produtos de cama, mesa e banho”, afirma José Carlos Oechsler, diretor-presidente do Parque Vila Germânica, o mais importante espaço para eventos da cidade.

Além das relações culturais, Blumenau também construiu firmes relações econômicas com a Alemanha. Grandes redes de lojas alemãs, como a Kaufhof e a Karstadt, são abastecidas com peças produzidas em Blumenau. A cidade brasileira, por sua vez, importa tecnologia na área têxtil.

Para Oechsler, a identidade cultural e a capacitação profissional são grandes atrativos também para o estabelecimento de empresas germânicas na região. “Grandes multinacionais já estão no Brasil, e a identidade cultural é importante. Se a comunicação é complicada, gera desconfiança”, avalia o empresário. O primeiro centro de produção de software da empresa de tecnologia T-Systems a operar fora do território alemão, e que atende clientes exclusivamente germânicos, funciona em Blumenau. Em algumas semanas, a cidade catarinense receberá uma filial da Altendorf, indústria da área de serralheria.

Mariana Santos


21.11.07 - BLUMENAU EM FOCO:
Lula e Glos abrem encontro econômico  ACIMA
Blumenau - Fonte: Wikimedia Commons Alemanha? Não! Blumenau...

O Presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva, e o Ministro da Economia e Tecnologia da Alemanha, Michael Glos, abriram na manhã de segunda-feira (20.11) o 25º Encontro Econômico Brasil-Alemanha, na cidade de Blumenau, no estado brasileiro de Santa Catarina. A cerimônia teve tom amigável, enfatizando o cárater principal da reunião, que é a “Cooperaçao Tecnológica e Inovação: Reforçando a Competitividade Internacional”.

Lula fez questão de destacar a preocupação dos alemães com a questão ecológica, defendendo que a produção de cana-de-açúcar dentro da área da Amazônia Legal não chega a 1%, e que estas seriam terras agriculturáveis. Além disso, o presidente brasileiro ressaltou que, apesar da descoberta recente de uma grande reserva de petrópleo, o país não irá abdicar da política de renovação da matriz energética. Ele afirmou ainda que não só as empresas alemãs devem ser atraídas ao Brasil, mas também as firmas nacionais devem buscar seu espaço no mercado alemão.

Uma idéia defendida veementemente pelo Ministro Michael Glos, que acredita que investimentos brasileiros podem ser feitos na Alemanha até mesmo na área de tecnologia, produção de energia solar e eólica, e especialmente aeroespacial – citando nominalmente a empresa de aeronáutica Embraer. Embora algumas dessas áreas sejam também de forte atuação de empresas alemãs, ele defendeu que o livre comércio é benéfico para todos os lados, posição que ele acredita que precisa ser adotada também nas negociações internacionais. Para ambos os políticos a rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) pode ser um sucesso, desde que EUA, Europa e Brasil abram mão de algumas de suas posições: “Creio que podemos realmente obter sucesso, pois tanto a Alemanha quanto o Brasil podem ajudar muito nas negociações”, disse Glos.

Contudo, o Ministro alemão trouxe um outro tema para a cooperação entre os dois países: o esporte. O campeão mundial de boxe Wladimir Klitschko fez parte da delegação alemã como portador da mensagem de que o esporte pode ser um instrumento importante para o desenvolvimento e combate à miséria. Klitschko veio da Ucrânia, mas vive há muitos anos na Alemanha, onde foi naturalizado. “O esporte inspira jovens em situação de risco e ajuda a combater à criminalidade”, defendeu Glos, que fez questão da presença do atleta durante a coletiva de imprensa cedida no domingo (18.11). Wladimir Klitschko reforçou as palavras de Glos e foi aplaudido ao citar Nelson Mandela: “O esporte tem o poder de mudar o mundo”.

Durante o encontro, empresários e políticos também destacaram que a Alemanha pode cooperar com o Brasil na realização da Copa do Mundo de Futebol em 1014, aproveitando toda a experiência adquirida no mundial de 2006. Glos ainda declarou que espera que em 2014 a grande final Brasil x Alemanha realmente aconteça. “Na última Copa, após a saída do Brasil, a Alemanha também decidiu que também não valeria à pena chegar à final”, brincou Glos.

Como o próximo encontro, em 2008, será realizado na quarta maior cidade alemã, Colônia (Köln), a Vice-Prefeita de lá, Angela Spizig, esteve também em Blumenau e surpreendeu os jornalistas brasileiros ao falar em português. Ela apresentou a cidade e defendeu que “Colônia é o lugar mais verde-e-amarelo da Alemanha”, conseguindo fazer com que 6 mil brasileiros ficassem hospedados lá durante toda a Copa de 2006.

Mariana Antoun


16.11.07 – VISITA MINISTERIAL:
Michael Glos participa de Encontro Econômico  ACIMA

Agenda de Glos no Brasil inclui inauguração de fábrica, da nova Casa Alemã em Blumenau e abertura do Encontro Econômico Brasil-Alemanha, junto com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva
Michael Glos - Fonte: Divulgação Ministro tem agenda cheia

Nos dias 19 e 20 de novembro a cidade de Blumenau, no estado brasileiro de Santa Catarina, receberá a 25ª edição do Encontro Econômico Brasil-Alemanha. E entre os cerca de 1400 participantes que são esperados na cidade está a ilustre presença do Ministro da Economia e Tecnologia da Alemanha, Michael Glos. Glos abrirá o evento juntamente com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.

A visita ministerial inclui ainda a inauguração da nova fábrica da empresa alemã KRAH-ICE, na pequena cidade de Timbó, também em Santa Catarina, e a inauguração da nova Casa Alemã, em Blumenau. A KRAH-ICE fornece equipamentos para a indústria automotiva e escolheu a cidade para se instalar por conta da mão-de-obra qualificada com conhecimentos da língua alemã. Uma situação já recorrente nos estados do Sul do Brasil.

Já a nova Casa Alemã (Deutsches Haus) ficará em um casarão de 1930 (na rua Hermann Hering, 1), reformado para abrigar o Consulado da Alemanha e a Câmara do Comércio Brasil-Alemanha, que atua há 90 anos no país e tem 1,2 mil empresas associadas. Segundo o cônsul honorário, Hans Dieter Didjurgeit, o espaço atenderá cidadãos e empresas brasileiras e alemãs em vistos, intercâmbio e parcerias bilaterais.

Na véspera do encontro (dia 18.11) será entregue o prêmio Personalidade Brasil-Alemanha, que terá como contemplados Hans Prayon, presidente do Conselho de Administração da Hering e ex- Cônsul Honorário alemão em Blumenau; e Klaus Meves, Presidente da Diretoria Executiva da empresa de logística marítima Hamburg Süd. O Ministro também participa do evento.

25º Encontro Econômico Brasil-Alemanha
O encontro demonstra a importância das relações entre os dois países, que se intensificaram muito nos últimos anos. O Brasil é considerado pela Alemanha um importante parceiro político, econômico e cultura. O evento visa fortalecer o relacionamento bilateral do comércio, atração de investimentos, formação de parcerias e transferência de tecnologia. O tema deste ano será “Cooperação Tecnológica e Inovação: Reforçando a Competitividade Internacional”, e terá representantes de diversas áreas, como indústria automobilística, logística, responsabilidade social, energia, tecnologia da informação, saúde e bem-estar, agronegócio, entre outros. Esta é a primeira vez que Blumenau sedia o encontro. Paralelamente acontece o 34º encontro da Comissão de Cooperação Econômica Brasil-Alemanha.

Michael Glos
Michael Glos é um importante ator da cena política alemã atual e antes de assumir o cargo de ministro de governo da Chanceler Angela Merkel (CDU) liderou durante 12 anos a bancada de seu partido, o CSU (União Social Cristã), no Parlamento Alemão (Bundestag). Nascido na Baviera, estado conhecido por sua combinação de antigas tradições e novas tecnologias no sul da República Federal Alemã, ele vem acompanhado de uma delegação de cerca de 70 pessoas, que inclui o Vice-Ministro da Economia Bernd Pfaffenbach, o Vice-Ministro da Educação e Pesquisa Frieder Meyer-Krahmer, o Embaixador Gerhard Enver Schrömbgens, encarregado do Governo alemão para assuntos políticos da América Latina, e quatro Delegados do Bundestag, o Parlamento Alemão. No entanto a maioria da delegação é composta por representantes de empresas alemãs e da Confederação Nacional da Indústria alemã, a BDI.

Relações Comerciais Brasil-Alemanha
O Brasil é o principal parceiro comercial da Alemanha na América Latina. O comércio entre os dois países movimentou no último ano mais de 12 bilhões de dólares, sendo o Brasil o segundo principal parceiro nas Américas. Em 2007, considerando apenas os resultados do primeiro semestre, o total do comércio bilateral (isto é, considerando importações e exportações) cresceu entre 26 e 27%. 

No Brasil existem cerca de 1200 empresas com capital alemão, representando investimentos diretos de mais de 20 bilhões de dólares. Algumas delas se instalaram na região de Blumenau, que tem o diferencial de contar com mão-obra-qualificada dotada de conhecimento não só da língua alemã, como também da cultura, o que permite uma fácil assimilação e mistura da mentalidade dos dois países.

Para o Embaixador da Alemanha em Brasília, Prot von Kunow, que acompanhará o Ministro Michael Glos na visita ao Brasil, o encontro em Blumenau irá favorecer ainda mais as parcerias Brasil-Alemanha na região: “Empresas alemãs, especialmente de pequeno e médio porte, terão a oportunidade de descobrir as boas condições de investimento em uma região do Brasil não tão conhecida como as grandes metrópoles. Tenho certeza que deste encontro resultarão bons contratos para ambos os lados”. Algumas empresas já descobriram estas potencialidades do Brasil, como a Bosch Rexroth, T-Systems e Netzsch , presentes na região de Blumenau e Pomerode.

Mariana Antoun


07.11.07 – COLÔNIA DE UVÁ:
História de uma dura experiência   ACIMA
Martha Engel - Fonte: Mariana Santos Martha Engel mostra fotos da infância

No interior de Goiás (Estado no Centro-Oeste brasileiro), em um povoado que nem se acha no mapa, existe uma geração de descendentes de alemães. Pessoas simples, que se dedicam a atividades ligadas à terra, como agricultura e pecuária, e que pouco conhecem sobre seu passado germânico. A história da Colônia de Uvá, a 180 quilômetros de Goiânia, capital do Estado, no entanto, nasceu com a vinda de refugiados da 1ª Guerra Mundial para o Brasil. Famílias inteiras que deixaram uma Alemanha destruída em busca de uma vida melhor.

Em 1924, instalaram-se aproximadamente 100 famílias em uma área a apenas 20 quilômetros da Cidade de Goiás, capital do estado à época. Vieram sob a promessa de que ganhariam terras e teriam boas condições de vida. No entanto, logo no início da viagem o sonho já começou a se mostrar uma dura aventura.

Filho de alemães e nascido no Brasil, o aposentado Walter Knut Engel, 68 anos, conhece a história da família de tanto ouvir o pai contá-la. Ex-gerente de um banco na Lituânia, Walter Engel, o pai, perdeu o emprego e a esperança de viver em um país arrasado pela guerra. Decidiu atravessar o Atlântico, com a mulher grávida e duas filhas, rumo ao desconhecido. “Eles levaram um mês para chegar ao Brasil de navio, mais um mês do Rio de Janeiro para Goiás. O resto da viagem foi a cavalo. Chegaram aqui no interior não tinha nada, só mato”, conta.

Além das dificuldades da viagem, os colonos tiveram pouco ou nenhum apoio do governo. A família Engel foi uma das poucas que criou vínculo com a colônia e acabou ficando em Goiás. Trabalharam com plantação de arroz, feijão, milho. A enfermeira aposentada Martha Margaretta Karin Engel, 73 anos, irmã de Walter, acredita que das 100 famílias, apenas 15 acabaram permanecendo em Goiás. Alguns alemães voltaram para sua terra natal. Outros, migraram para o sul do Brasil, onde as condições oferecidas eram melhores. Alguns tiveram um fim trágico: morreram de malária. Dois dos seis irmãos de Martha faleceram vítimas da doença. A colonização alemã no interior do país acabou sendo uma experiência mal sucedida.

De fato, até hoje a Colônia de Uvá é um povoado pequeno, onde vivem pouco mais de mil habitantes que exercem principalmente atividades agrícolas. Da cultura alemã, restou pouca coisa. Apenas o estilo de algumas casas e algumas pessoas que ainda se lembram como é a língua. Até a chegada de brasileiros na região, porém, já na década de 30, a língua oficial era o alemão. “Aprendi português já com oito anos de idade. Até hoje sou insegura para falar e escrever em português”, conta Martha. Na escola fundada por seu pai – até hoje, a única existente na colônia – até os brasileiros aprendiam a língua germânica.

Para não apagar da memória das novas gerações sua origem, Walter Knut resolveu oferecer na escola Walter Engel (o nome é uma homenagem ao pai, já falecido) aulas de alemão. Apesar do entusiasmo inicial dos moradores, apenas oito estão matriculados. Nada, porém, que desanime o professor. “Temos que preservar a história, não se encontra praticamente nada de referência à presença alemã por aqui”. Ele ainda vive na colônia, mas a irmã Martha vive em Brasília há quase 50 anos.

Em julho deste ano, o aposentado goiano pisou, pela primeira vez, na Alemanha. Além da cidade dos pais – Zschopau, no leste do país – Walter também esteve em Berlim, onde ouviu uma série de brincadeiras com seu sobrenome “Knut”, que dá nome ao famoso urso polar do zoológico berlinense. Com a viagem, ele apagou a má impressão da infância, quando o pai reclamava dos conterrâneos e da burocracia para conseguir entrar novamente em sua terra natal. Conheceu o país e aperfeiçoou-se na língua de seus ascendentes. “A garçonete do hotel me perguntou onde eu havia aprendido a falar alemão tão bem. Eu respondi ‘no sertão de Goiás’”, conta, orgulhoso.

Mariana Santos


08.10.07 – FESTA NO CERRADO:
Goiânia comemora sua Oktoberfest  ACIMA
Público participa de degustação de vinhos - Fonte: Alexander Rose Degustação de vinhos alemães

A cidade de Goiânia, capital do estado brasileiro de Goiás, enfeitou-se de laranja, vermelho e preto para festejar a cultura germânica por quatro dias durante o Festival Gastrônomico e Cultural Alemão – Oktoberfest do Cerrado. Entre 04 e 07 de outubro foi possível conferir danças típicas da Bavária – região alemã onde surgiu a tradição da Oktoberfest -, guloseimas para todos os gostos – de joelho de porco (Eisbein) até uma cerveja preparada exclusivamente para o evento – e mesmo uma degustação de vinhos alemães para convidados.

Diferentemente do que acontece em Blumenau, onde é realizada a segunda maior Oktoberfest do mundo e conhecida realmente como uma festa da cerveja, em Goiânia foi possível se sentir em uma festa realmente alemã, em um clima bastante familiar.

Nas mesas era possível encontrar pessoas da comunidade germânica como membros da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha e da Embaixada da Alemanha em Brasília – organizadores da Oktoberfest do Cerrado, junto com o Governo de Goiás e Bistrô Alemão – assim como alemães residentes no Centro-Oeste brasileiro. A comida foi além do “salsichão” e da cerveja, proporcionando uma degustação dos pratos que ajudam a formar a imagem tipisch Deutsch.

O grande destaque vai para a programação de danças e bandas típicas, especialmente a participação do grupo Die Lumpen, vindo diretamente da Oktoberfest de Munique para o Cerrado. Para quem está em sintonia com o que acontece do outro lado do Atlântico foi um alívio ouvir músicas que estiveram na moda nas últimas edições da festa na Alemanha, ao invés de ter que escutar pela enésima vez somente os clássicos.

Mas como um festival gastronômico e cultural não pode contar somente com cerveja, uma demonstração de vinhos alemães para cerca de 50 convidados provou que a Alemanha também é um forte produtor e exportador do néctar de Baco. Apesar da produção se concentrar em 13 pequenas regiões vinícolas, a maioria ao longo dos rios Reno, Mosel e Main, no Sudoeste, é país o quarto maior exportador da Europa.

Quem apresentou foi a sommelière da Embaixada da Alemanha em Brasília Silke Tischendorf-Lewin, que possui o certificado Wines and Spirits do Wine and Education Trust WSET de Londres e considerável experiência no marketing internacional de vinhos. Ela mostrou desde a forma correta de se interpretar o rótulo das garrafas, até mesmo a forma como são feitas as colheitas de cada uva. A platéia diversa, que inclusive contou com a presença de muitos jovens, aprovou o sabor. A sensação da noite foi o vinho Anselmann Riesling Eiswein 2005, feito com uvas ainda congeladas e de sabor bem doce, ideal para ser servido com sobremesas. A degustação contou ainda com um Riesling seco da vinícola Müller-Catoir, safra 2004, um Riesling branco da Domdechant Werner de 2004, ideal para frutos do mar e culinária oriental, e o tinto Anselmann da uva Dornfelder envelhecido em barris de carvalho, safra 2004.

Para o empresário Bernhard Knorr, dono do bistrô Alemão e que trocou as viagens de negócios ao redor do mundo pela calmaria de Goiânia, o evento foi um sucesso – mesmo com contratempos como a queda do sistema de venda de comidas e bebidas no primeiro dia. “Começamos a planejar tudo em janeiro, mas um evento destas proporções não é fácil, ainda mais organizado por brasileiros e alemães. O brasileiro tem a facilidade de improvisar e o alemão está sempre planejando tudo. Mas acho que as duas culturas podem aprender muito, cada uma tem aspectos positivos e negativos”, avalia Knorr.

Mariana Antoun


22.10.07 – FESTA EM BLUMENAU:
Cidade comemora sua Oktoberfest  ACIMA

Uma celebração à cultura alemã regada a alegria e muito chope
Desfile em Blumenau - Fonte: Mariana Santos Cultura em desfile

Ruas lotadas, muito chope e música alemã animando os festeiros. Alegria é o requisito básico para participar da 24ª edição da Oktoberfest, que terminou no último fim de semana, na cidade brasileira de Blumenau, Santa Catarina. A maior festa germânica das Américas começou no dia 4 deste mês, superou o público do ano passado com a presença de 690 mil pessoas (contra 600 mil em 2006), que consumiram ao longo de 18 dias de festa cerca de 365 mil litros de chope e 20 mil garrafas de cerveja importada - que pela primeira vez foram vendidas na Oktober de Blumenau.

A Oktoberfest 2007 já é considerada um sucesso pelos organizadores. Só no fim de semana do feriado (12 de outubro), 260 mil pessoas passaram por Blumenau, superando as expectativas em pelo menos 40 mil foliões. O público numeroso, no entanto, não é o único motivo de comemoração. "Nossa grata surpresa é que, apesar de o público ter aumentado, diminuíram os problemas comuns de festas muito cheias. Esta é uma festa muito familiar, muito pacífica. As pessoas vieram realmente para se divertir", diz José Carlos Oechsler, diretor-presidente do Parque Vila Germânica, pavilhão onde acontecem os eventos.

O principal objetivo da Oktoberfest brasileira é divulgar a cultura e os costumes alemães, principais colonizadores da região. Nesta época do ano, os moradores de Blumenau tiram dos armários as roupas típicas e os restaurantes oferecem pratos da gastronomia germânica. Para os turistas, a sensação é de ter encontrado um pedacinho da Alemanha no Brasil. "É tudo muito divertido aqui", diz a alemã Eva Felter, 26 anos, que visitou a Oktoberfest de Blumenau pela primeira vez. Ela mora em São Paulo há seis meses e surpreendeu-se com a alegria dos brasileiros.

A festa é contagiante. Durante todo o dia, centenas de pessoas vão para as ruas com bumbos, cornetas, chapéus, calças curtas de couro, tiaras de flores e, claro, uma caneca a tira-colo. Além das grandes fábricas nacionais, seis cervejarias artesanais vendem todo tipo de cerveja e chope. Na Vila Germânica, onde a festa esquenta à noite, são oferecidos oito tipos de cervejas alemãs e belgas.

Para garantir uma celebração sem acidentes, a organização colocou à disposição um serviço chamado Oktobersegura. Quem achar que exagerou nas doses de álcool, pode fazer teste do bafômetro e, se for o caso, ir de carona no próprio carro para casa – de graça.

"Até hoje, só perdi duas edições da festa. Uma, porque havia feito uma cirurgia. E outra, porque tinha acabado de ter bebê", conta a dona-de-casa Maria Joana Bilau, 53 anos. Ela e o marido, o aposentado Arnoldo Bilau, 58 anos, dançavam e se divertiam ao som de canções tradicionais. Seu Arnoldo nasceu em Blumenau, mas conta que em casa só falavam alemão, língua de origem de sua mãe, com quem aprendeu as tradições de seu país natal. "Isso é recordar, é preservar toda uma cultura", explica o aposentado.

Neste ano, 50 bandas e fanfarras animam a festa com canções tradicionais populares (Volksmusik) até sons mais moderninhos. Três vieram diretamente da Alemanha para a Oktoberfest brasileira – Blaskapelle, Winzerkapelle e Pauli Kärntners. Para garantir uma festa autêntica, além das bebidas e comidas típicas, os grupos que se apresentam no pavilhão e nos desfiles devem ter pelo menos 90% de seu repertório composto por canções germânicas.

Mariana Santos


17.10.07 – AVIAÇÃO:
TAM vai operar vôos diários para Alemanha  ACIMA
Vista aérea - Fonte: ColourBox Vôos mais altos!

A TAM foi autorizada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) a operar quatro freqüências semanais adicionais entre o Brasil e Frankfurt, na Alemanha. A empresa já opera três vôos por semana. Com as novas freqüências autorizadas a empresa deve começar a oferecer vôos diários para a Alemanha a partir de dezembro deste ano.

No entanto, a conexão ainda não tem um aeroporto de desembarque definido pela empresa. A intenção da TAM é de partir de Guarulhos, São Paulo, porém, o conselho Nacional de Aviação (Conac) procura reduzir o tráfego aéreo nesta região. As alternativas cogitadas pela companhia são: Galeão (Rio de Janeiro), Confins (Minas Gerais) e Viracopos (Campinas, São Paulo).

O aeroporto de Frankfurt, por sua vez, já é um dos mais movimentados no mundo com capacidade de 56 milhões de passageiros e dois terminais.

A TAM já assinou parcerias estratégicas na Alemanha a fim de facilitar a operação como, por exemplo, o sistema de codeshare (parceria operacional de compartilhamento de vôos) com a Lufthansa, líder no mercado alemã.

Depois da falência da linha aérea Varig, que mantinha o maior número de rotas internacionais, a TAM se torna a maior empresa brasileira em passagens internacionais. No segmento de aviação brasileira é líder desde 2003 com participação de mercado de 49.3%, seguido pela companhia GOL.

A estratégia da gerência da companhia aérea é, entre outras, aumentar sua receita em moeda estrangeira, pois 50% das despesas e custos da TAM são hoje denominados em dólar, comparado com a receita de 34% nessa mesma moeda. A empresa visa proteger-se contra variações cambiais e reduzir as despesas.

Além disso, está crescendo o interesse entre brasileiros de conhecer a Alemanha, seja por motivos de turismo, de estudos ou de negócios. Com a valorização do Real (unidade monetária brasileira) um número cada vez maior de pessoas atinge capacidade econômica para pagar viagens internacionais. De outro lado, os alemães vêem com bons olhos uma alternativa a mais de viajar ao Brasil, país que lhes desperta cada vez mais atenção. Nesse sentido, resta saber se o aumento na concorrência e na quantidade de passagens internacionais entre os dois países também provocará uma redução de tarifa.

Arnd Alexander Rose


12.10.07 – KULTURFEST:
Vai começar a maior inserção cultural alemã no Brasil  ACIMA
Kulturfest - Estação Alemã - Fonte: divulgação A vez da Alemanha no Brasil

Uma nova temporada se aproxima. Na próxima segunda-feira, dia 15 de outubro, terá início o Kulturfest- Estação Alemã 2007-08. Até o dia 03 de outubro de 2008 a cultura Alemã estará presente em diversas cidades do Brasil através de exposições, teatro, música, gastronomia, literatura, cinema, entre outros.

Com o objetivo de mostrar a Alemanha de hoje, reunificada, moderna e jovem, o Kulturfest dá prosseguimento à intensificação do intercâmbio entre Brasil e Alemanha, iniciado com a Copa da Cultura, quando o Brasil se apresentou no país-sede da Copa do Mundo de Futebol de 2006. A Estação Alemã 2007-08 faz o jogo de volta.

O início do Kulturfest será marcado pela abertura da exposição “Os Trópicos – Visões a Partir do Centro do Globo”, no Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília. O inovador projeto teuto-brasileiro combina arte contemporânea com a arte antiga de países tropicais e tem intensa colaboração do Museu Etnológico de Berlim. Será a primeira exibição da mostra, que depois passará pelo Rio de Janeiro antes de seguir para Berlim.

Em São Paulo, a abertura do Kulturfest acontece na Pinacoteca do Estado com a exposição Kurt Schwitters (veja mais sobre o artista em www.alemanja.org/cultura), onde serão apresentadas 120 obras de um dos mais influentes artistas de vanguarda, destaques das coleções do Museu Sprengel de Hannover e da Fundação Kurt e Ernst Schwitters.

Desta forma, eventos espalhados por todo o Brasil, que tenham o objetivo de mostrar a cultura alemã, levarão o selo do Kulturfest. Em várias cidades brasileiras acontecerá ainda uma semana alemã, que contará com grandes atrações, como shows de música eletrônica, mostras de filmes e curtas-metragens alemães, exposições fotográficas e apresentações de dança.

Para o encerramento, os organizadores do Kulturfest estão programando um grande evento multimídia, que acontecerá simultaneamente em cidades brasileiras e na Alemanha, na véspera do 03 de outubro, feriado nacional alemão. O planejamento e execução do Kulturfest estão a cargo da Embaixada da Alemanha em Brasília e do Consulado Geral de São Paulo, do Goethe-Institut, e várias outras institucoes alemãs presentes no Brasil.

Para mais informações, programação atualizada, press-releases e muito mais, visite o site do festival: www.kulturfest.com.br

Mariana Antoun


21.08.07 – OKTOBERFEST:
Comemorações por todo o sul do Brasil  ACIMA
Oktoberfest no sul do Brasil - Fonte: Rodrigo Rodembusch Festa para todos os gostos

Os alemães que colonizaram os estados da região Sul do Brasil deixaram uma rica herança cultural e gastronômica, que ganha mais visibilidade, principalmente no mês de outubro, durante as Oktoberfest. Basta ter origem alemã, para a população se orgulhar do maior evento festivo do ano. A regra vale também para cidades com menos de 7 mil habitantes, como o município gaúcho de Doutor Maurício Cardoso ou Santa Cruz do Sul, que ostenta o título de maior e mais antiga Oktoberfest do Rio Grande do Sul.

Mas do que é feita uma festa dessas? Chucrute, salsicha e cerveja? Engana-se quem resume uma Oktober (forma abreviada usada entre os gaúchos) ao trio tipicamente alemão. O evento na cidade de Doutor Maurício Cardoso, por exemplo, é mais antigo do que a própria emancipação do município. O presidente da Comunidade Evangélica local destacou que “os moradores preservam suas tradições por meio da Oktoberfest, este ano entre os dias 25 e 28 de outubro.” Para Luis Alberto Zingler, o maior atrativo é um jogo de futebol, onde um barril de chopp é colocado no meio do campo e a cada gol, o time tem o direito a um caneco. “O grupo adversário ganha torresmo, para aumentar a sede”, explica.

Em Alpestre, no norte gaúcho, a população deverá dobrar de tamanho entre 11 e 14 de outubro. O motivo é um só: celebrar quem desbravou trilhas e se fixou em uma terra inóspita, transformando a geografia local através do trabalho e perseverança. O coordenador-geral da 9a Oktoberfest da cidade, Anderlei César Vanzella, diverte-se com o concurso tradicional entre a população – o de alemão mais feio. Dez dias é o tempo que leva a Oktober de Igrejinha. Atração? A Carreata do Chopp, que consiste no desfile dos caminhões-tanques de 25 mil litros (cheios, é claro) pelas principais ruas das cidades, convidando a população a se integrar no espírito alegre da grande festa.

O nome da festa também muda, sem perder o caráter cultural. Em São Vendelino do Sul, nos dias 20, 21 e de 26 a 28 de outubro, ocorre a Kerbfest; em Picada Café, na serra gaúcha. O Kerb será animado de 19 a 21 com mais de 15 bandas típicas alemãs, orgulho da festa. Indo mais para o sul do estado, os pomeranos têm sua festa na Südoktoberfest de São Lourenço do Sul, às margens da Lagoa dos Patos. O secretário de turismo, Zelmute Oliveira, lembrou do peito de ganso, prato típico oferecido na festa, que este ano acontece entre 11 e 14 de outubro. “Outro destaque é a possibilidade que temos de resgatar a cultura singular dos pomeranos, como as noivas de preto, os corais e a própria Oktoberfest”, acrescenta.

Com festas por todo o Rio Grande do Sul – e perdoem os inúmeros outros municípios deixados de fora, Santa Catarina – cuja festa de Blumenau é a segunda maior do mundo – e no Paraná, só não visita quem não quer. O gaúcho Leonardo Benemann, descendente de alemães, reserva o mês de outubro para as Oktoberfest. “Não é preciso ir a Munique para sentir a atmosfera e a alegria do alemão. Ela está aqui, bem ao nosso lado”, conclui.

Rodrigo Rodembusch


12.08.07 – CENTRO GERMÂNICO MISSIONEIRO:
Preservação da cultura alemã no Brasil   ACIMA
Estátua de São Pedro - Fonte: Fabíola Brites Estátua de São Pedro no centro em construção

Convidada para um café da manhã na casa de uma amiga com representantes do Consulado da Alemanha no Sul do Brasil, Rainilde Franck Heck, de 75 anos, não pensou duas vezes. Acordou cedo, vestiu o que de melhor tinha para a ocasião e preparou algo saboroso para oferecer aos visitantes. Não chegar de mãos abanando é um hábito que a dona de casa, que nasceu e mora em São Pedro do Butiá, faz questão de preservar. Os quitutes que levou, claro, eram receitas dos antepassados alemães, colonizadores do município, temperadas com o jeito brasileiro de agradar os vizinhos. “Sou mais alemã do que qualquer outra coisa”, diz, ciente das características que assimilou das culturas que formaram seu povo. Assim como ela, os outros cerca de 3 mil habitantes do município, na fronteira do Brasil com a Argentina, se orgulham de suas origens e aguardam com expectativa o término da construção do Centro Germânico Missioneiro, o Missions Deutschzentrum, que vai expor aos turistas e ao povo local, o legado das culturas alemã, indígena e jesuítica que povoaram o lugar.

“Temos muito o que mostrar”. A afirmação da professora Celina Reisdorfer, de 46 anos, dá idéia do entusiasmo que os moradores têm ao falar do Centro na pequena São Pedro do Butiá, localizada na região das Missões, distante apenas 35 quilômetros do país vizinho. A idéia da criação do Centro, uma espécie de vila germânica, com casas históricas, surgiu em 2001, durante a primeira administração do atual prefeito, Pedro Birck. Aos 40 anos, ele fala com satisfação de suas raízes, mas já percebe nas novas gerações um distanciamento dos valores dos antepassados. Distanciamento este, que pretende ver diminuído com a reforma e construção de quatro prédios que deverão formar o complexo cultural e turístico nas margens da BR-392 (Rio Grande – Porto Xavier), principal rodovia que passa pelo município.

O conjunto arquitetônico vai mostrar como eram a escola, a igreja, o artesanato, a produção agrícola e a comida daqueles que chegaram à região há cerca de 100 anos. Uma estátua de São Pedro, padroeiro da localidade e também do Estado do Rio Grande do Sul, é o ponto central da vila. Rainilde é uma das fortes candidatas a integrar a equipe de apoio do restaurante típico. A idéia é que a administração dos espaços seja entregue a instituições da comunidade. À terceira idade, grupo ao qual Rainilde faz parte, caberá o restaurante. Mãe de cinco filhos, todos morando longe de casa, ela agora divide suas tardes entre os bailes do grupo e a leitura de livros em alemão, à espera dos turistas que pretende ver passar pela porta de casa, rumo à Rota Missioneira.

Fabíola Brites


05.08.07 – PROTECIONISMO:
Mercado agrícola europeu em disputa internacional    ACIMA
Maçãs - Fonte: ColourBox Subsídios em discussão

A redução dos subsídios à agricultura e a derrubada das barreiras tributárias para produtos agrícolas importados nos países europeus, inclusive a Alemanha, é uma antiga reivindicação do Brasil. Desde 1961, a União Européia (UE) segue uma Política Agrícola Comum (PAC), que, por meio do protecionismo, estimula a produção local e impõe condições injustas de concorrência para os produtores de países externos ao bloco. A Europa sabe que a manutenção de preços artificialmente altos torna sua agricultura pouco competitiva internacionalmente, mas a pressão política dos produtores para preservá-los é ainda muito grande.

Como as negociações intermediadas pela Organização Mundial do Comércio (OMC) para resolver a disputa não avançam, houve a tentativa de se criar um acordo de comércio entre a UE e o Mercosul, que poderia beneficiar os exportadores de produtos agrícolas do Brasil e dos outros países do bloco sul-americano. O acordo também não foi firmado, mas foi mais uma componente que ajudou a pressionar por mudanças.

Elas vieram, por exemplo, no setor açucareiro, onde o Brasil é líder mundial de produção. O PAC permitiu que a Europa passasse da condição de importador de açúcar para o posto de segundo maior exportador do produto, mesmo sem uma produção competitiva. Segundo a OMC, os europeus colocam 1,2 milhão de toneladas de açúcar subsidiado por ano no mercado internacional. Por meio do auxílio governamental, os europeus pagam a seus agricultores três vezes mais que o preço internacional do produto, o que custa aos cofres da UE cerca de US$ 1,8 bilhão anual. O principal produtor de açúcar no continente europeu é a empresa alemã Südzucker, com uma fatia de mercado de aproximadamente 20%.

Em novembro de 2005, os ministros da Agricultura da UE chegaram a um consenso sobre a reforma em seu mercado açucareiro. Entre as principais alterações está a redução progressiva, ao longo de quatro anos, de 36% no preço garantido aos produtores. Antes mesmo da aprovação, o presidente da Federação Alemã dos Agricultores, Gerd Sonnleitner, disse à imprensa que a medida seria "ultrajante, insuportável e irresponsável". “Os produtores alemães não aceitam ter rendimentos menores para que o Brasil passe a deter o monopólio do mercado mundial”, completou. Protestos foram realizados pelos agricultores alemães, mas a decisão dos ministros não foi mudada.

Os produtos agrícolas representam mais de 50% das exportações do Mercosul para a UE, o que faz do bloco um dos principais fornecedores de produtos alimentares dos europeus, responsável por cerca de 20% das importações européias neste setor. Por outro lado, as exportações agrícolas da UE em direção ao bloco sul-americano representam menos de 3% de sua pauta de exportações.

Dennis Barbosa


26.06.07 – T-SYSTEMS INVESTE EM BLUMENAU:
A vantagem de falar alemão   ACIMA
Programadora - Fonte: ColourBox "Silicon Blumenau"?

A alemã T-Systems, provedora de tecnologia da informação e comunicação (ICT) do Grupo Deutsche Telekom, inaugurou o centro de desenvolvimento e suporte em Blumenau, no Estado de Santa Catarina. A T-Systems está presente em 20 países e emprega mais de 51 mil funcionários diretos e indiretos.  A empresa oferece soluções de gerenciamento de processos de negócios, desenvolvimento e integração de sistemas, infra-estrutura, além de serviços exclusivos de engenharia.

A nova sede é o primeiro Centro de Serviços de TI (Tecnologia de Informação) do Brasil voltado para atender inicialmente Daimler e Volkswagen. Contando com todo o know-how de uma das mais importantes provedoras de TI da Europa e o apoio de autoridades e entidades locais, a unidade da T-Systems, em Blumenau, fará a interface com a Alemanha, bem como a interação com os parceiros locais para o desenvolvimento de soluções de TI. Futuramente, a empresa visa o desenvolvimento de software para outras empresas alemãs e européias.

A inauguração da unidade da empresa alemã em Blumenau representa uma nova fase para o setor de informática na cidade. Esse novo empreendimento vai gerar conhecimentos que poderão ser assimilados e utilizados por empresas locais em seus próprios negócios e, provavelmente, levar à produção de outros softwares para a exportação. A vinda da T-Systems a Blumenau gera visibilidade internacional para atrair mais empresas com o mesmo perfil que abrirão novas fronteiras para a economia local.

Por que Blumenau? A cidade é localizada na região Sul do Brasil, no nordeste do Estado de Santa Catarina, a 130 km da capital do Estado, Florianópolis. A cidade foi fundada pelo médico farmacêutico e filósofo alemão Dr. Hermann Bruno Otto Blumenau em 1850. Até o século passado a região de Blumenau recebeu grande fluxo de imigrantes alemães. Assim, a cidade tornou-se rapidamente industrial. Atualmente, Blumenau conta com mais de três mil indústrias, a maioria do setor têxtil, e com 36 bancos, o que lhe rendeu a designação de “Capital Financeira” do Estado. O número de habitantes é de, aproximadamente, 300 mil e continua crescendo. Sua localização estratégica, em relação aos grandes centros do Mercosul, a torna relevante e tem criado excelente clima de negócios.

Por conta da colonização alemã, a cidade mantém, até os dias de hoje, fortes características européias. Entres essas, se destacam, o idioma alemão e os costumes germânicos como, por exemplo, a Oktoberfest. O fácil acesso a profissionais brasileiros que falam alemão e podem desenvolver sistemas nesse idioma foi fundamental pela escolha de Blumenau. No entanto, existem também outros fatores que influenciaram positivamente a decisão da empresa. A cidade conta com excelente infra-estrutura, com apoio pelos projetos do governo local de estímulo à capacitação de profissionais no segmento de tecnologia da informação, através da empresa Blusoft e das universidades locais. O custo da mão de obra é bem menor quando comparado com o da Europa, tendo em vista que se trata de profissionais altamente qualificados. Além disso, o município exibe os melhores índices sociais e de desenvolvimento do Brasil. A renda per capita está em 7 mil dólares, o que eleva Blumenau aos patamares mais altos do País.

Inicialmente, a T-Systems criará 50 empregos na sua nova filial, todos na área de TI com destaque para a linguagem Cobol. A empresa espera faturar em torno de R$ 260 milhões por ano. O presidente da T-Systems, Axel Knobe, veio ao Brasil e visitou São Paulo bem com a nova filial em Blumenau a fim de trabalhar a integração das unidades do grupo no mundo.

Arnd Alexander Rose


19.06.07 – DA AMAZÔNIA PARA A ALEMANHA:
Exportações crescentes e variadas
  ACIMA

Por muito tempo, as exportações da Amazônia limitavam-se, praticamente, à madeira tropical. O produto era, na maioria dos casos, extraído e transportado de forma irregular, ou seja, sem autorização oficial. Hoje, o cenário dos estados da floresta amazônica é outro. Devido ao desenvolvimento da região e incentivos fiscais para pólos produtivos, a gama de produtos feitos na Amazônia ampliou-se e os reflexos dessa ampliação podem ser verificados nas exportações para a Alemanha.

Os produtos exportados são oriundos da região denominada Amazônia Legal que engloba a totalidade dos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do estado do Maranhão, uma superfície que corresponde a cerca de 61% do território brasileiro.

No topo da lista de exportações da região para a Alemanha, em 2006, está o minério de ferro não aglomerado, correspondendo a quase metade do valor total das exportações. Em seguida, vem o minério de cobre e em terceiro lugar grãos de soja. A lista prossegue com os terminais portáteis de telefonia celular e outros silícios que se encontram em quinta posição. Esses produtos são seguidos de carnes desossadas de bovino, frescas ou refrigeradas, pimenta seca, alimentos e conservas de bovino além de motocicletas com motor pistão. O primeiro produto de madeira só aparece em décimo lugar na lista de produtos de exportação.

A lista das exportações é longa e abrange produtos mais diversos como, por exemplo, peixes, algodão, couro animal, bijuterias, chocolates, móveis de madeira, borracha vulcânica, frutas, vestuários, carregadores elétricos, alto-falantes, óleos e muito mais. O total de exportações da Amazônia Legal para a Alemanha em 2006 foi de aproximadamente 584 mil dólares, valor ligeiramente abaixo do ano anterior. Essa baixa se deve à valorização do Real (moeda oficial brasileira) em relação ao dólar durante o mesmo período. Com o Real valorizado, alguns produtos ficaram caros e perderam lugar no mercado internacional.

Quanto aos estados, o maior exportador em termos de volume é o Pará, com dois terços do total das exportações. Em segundo lugar no ranking aparece Mato Grosso, com mais ou menos um quarto do total, seguido pelo Amazonas.

É interessante observar as mudanças de produtos e sua variedade. Por exemplo, em 2006, aparece pela primeira vez ‘produtos far