Para marcar os 25 anos da morte do celebrado cineasta alemão Rainer Werner Fassbinder, o público de Brasília, capital brasileira, conta a partir de amanhã (13.09) com a mostra 4x FASSBINDER. Realizada pelo Museu Nacional - Conjunto Cultural da República, em parceria com o Goethe-Zentrum Brasília e a Embaixada da Alemanha, será possível conhecer os principais filmes e cartazes da obra do cineasta. Poderão ser vistas declarações de importantes diretores e uma palestra com o jornalista, cineasta e professor de cinema Sérgio Moriconi, com tema: Fassbinder - Anarquista Romântico.
A mostra faz parte do programa “Cinema no Museu” que o Museu Nacional está implementando e tem como um dos principais colaboradores o Instituto Goethe. Dentre os filmes selecionados estão o inédito “O Machão” (1969) que apesar de ter provocado reações controversas na época de seu lançamento, foi contemplado com quatro prêmios nacionais de cinema. Além disso, o grande sucesso internacional “O Casamento de Maria Braun”, trajetória de uma mulher através da história da Alemanha. A mostra exibe também o documentário inédito “Não quero apenas que vocês me amem”, de Hans Günther Pflaum, crítico de cinema do Süddeutsche Zeitung e diretor sobre Fassbinder e sua obra. Completam a seleção de filmes: “O Medo devora a Alma”, “O Desespero de Verônica Voss”, “Lola”, “Martha”, “O Assado de Satã”, “Lili Marlene” e “Effie Briest”.
12.09. 08 – FASSBINDER: Genialidade e controvérsia no cinema novo alemão Fassbinder e Hanna Schygulla
Ele nasceu no ano de 1945, viveu 37, rodou 45 filmes, produziu 26, foi ator em 40, escreveu 14 peças de teatro, encenou 25, escreveu 37 roteiros e participou de outros 13. Rainer Werner Fassbinder alcançou o status de um dos principais diretores do cinema novo alemão e o mais bem sucedido desde o final da segunda guerra. Deixou como legado de apenas 14 anos de carreira uma obra extensa e variada, considerada por experts genial e controversa. Conquistou o feito da síntese da subjetividade radical e da proximidade do público. Devido ao seu interesse por cada e qualquer forma de existência humana e à sua maneira de retratar esses perfis, sua obra é enquadrada atualmente entre os documentos mais legítimos da sociedade alemã do final dos anos 60 e ínicio dos 80.
A carreira começou em Munique, como funcionário dos teatros Büchner e Action. Tendo o palco como meta, estreou como diretor com uma encenação de “Leonce e Lena”; e como autor com a peça “Katzelmacher”. O primeiro filme foi o curta “This Night”. Entre 1971 e 1974 Fassbinder ganhou maior atenção e reconhecimento da opinião pública com os lançamentos de “Die bitteren Tränen der Petra von Kant”, “Angst essen Seele auf” e “Faustrecht der Freiheit". Na mesma época dirigiu as peças “Bochum” e “Frankfurt am Main“. Sua capacidade de produção impressionava colegas e a mídia, tendo chegado a um marco de 7 filmes por ano, em 1970!
Ainda na década de 70 retratou as personalidades femininas Maria Braun, Lili Marleen, e também lançou “Lola”. Suas atrizes, assim como seus filmes, ganharam fama internacional. “Die Sehnsucht der Veronika Voss” conquistou o urso de ouro em 1982. Sua morte, no mesmo ano, marcou, aos olhos de muitos, o final de uma era do cinema alemão. Em reconhecimento à sua representativida de dentro dessa história,foi criado em 1997 o prêmio Fassbinder-Preis, para jovens cineastas do cenário europeu.
Aline Mara Afonso
13.08.08 – MAIS UM FILME NA ALEMANHA?: Tarantino dirige Brad Pitt
Poucos meses após o nascimento dos filhos gêmeos, o astro de Hollywood Brad Pitt iria à Alemanha. Conforme a imprensa americana, o ator teria assinado um contrato para realizar um longa metragem dirigido pelo “cult” Quentin Tarantino. As filmagens de “Inglorius Bastards” começaria no dia 31 de outubro na Alemanha. Informações dariam conta de que certas partes do filme seriam feitas nos estúdios Babelsberg, em Potsdam. Os estúdios, porém, não confirmaram nem desmentiram tal informação.
No filme, Brad Pitt interpretaria o chefe de uma tropa de soldados judeus americanos que quer vingar dos nazistas na França durante a ocupação alemã. O longa metragem teria estréia no Festival de Cinema de Cannes em 2009. No mundo do cinema comenta-se que Tarantino teria se encontrado recentemente com os atores Daniel Brühl e Til Schweiger em Berlim. Tudo indica que o diretor gostaria de dar vários papéis para atores alemães e que contaria com a colaboração do ator Ulrich Tukur.
Josiane Cotrim
04.07.08 – "METROPOLIS": A descoberta de um tesouro Clássico em versão sem cortes!
Uma cópia original do filme Metropolis do diretor alemão Fritz Lang foi descoberta em um museu argentino de cinema. O filme expressionista de ficção científica, rodado entre 1925 e 1926, é considerado um clássico do cinema. A película em celulóide teria ficado em poder de particulares por 80 anos.
Escrito por Lang e sua mulher, a atriz Thea von Harbou, Metropolis tinha originalmente duas horas e meia de duração, mas foi editado em uma versão mais curta, vista por milhões de pessoas no mundo inteiro. Apesar da má qualidade das imagens encontradas, será possível reconstituir de maneira satisfatória a película, segundo informou a Fundação Murnau, de Wiesbaden, próximo a cidade de Frankfurt, em Hessen. É esta instituição, que há 40 anos é responsável pelo patrimônio cinematográfico alemão e que mantém os direitos sobre o clássico de Fritz Lang.
Josiane Cotrim
28.04.08 – NOITE BADALADA: Quatro "Lolas" para Fatih Akin Premiado!
Com seu último filme, "Do outro lado", o diretor de cinema Fatih Akin, 34 anos, arrebanhou quatro troféus e é o grande vencedor da 58ª edição do Prêmio do Cinema Alemão. O prêmio atribuído anualmente pela Academia Alemã de Cinema é dotado de 3 milhões de euros, sendo o prêmio cultural alemão mais generoso. Akin recebeu seu segundo Lola de ouro por "Do outro lado". Além de melhor filme, o drama de Akin que se passa na Alemanha e na Turquia, foi o vencedor das categorias de melhor diretor, melhor roteiro original e melhor edição.
Em 2004, Akin recebeu seu primeiro prêmio com o filme "Contra a parede". Seu novo drama evoca o amor, a morte e o luto, e já lhe valeu o prêmio de melhor roteiro no Festival de Cannes.
Já o Lola de prata ficou com a diretora Doris Dörrie por seu filme "Flores de Cerejeira". A atriz Nina Hoss não surpreendeu ninguém ao receber o prêmio de melhor interpretação pelo filme "Yella", distinção que já havia recebido na Berlinale 2007. No entanto, a escolha de Christine Schorn como melhor atriz coadjuvante causou surpresa nos demais concurrentes, ou seja, Hanna Schygula e Hannelore Elsner.
Josiane Cotrim
23.04.08 – "ABRA OS OLHOS!": Cinema estudantil
A terceira edição do Festival Internacional de Cinema Estudantil, o "Sehsüchte" – um jogo de palavras com "ver" e "nostalgia" – começou nesta quarta-feira (23.04), em Potsdam, mais precisamente em Babelsberg, a pequena Hollywood alemã. O tema deste ano é "Abra os olhos!". De um total de mil, cerca de 140 filmes vindos de 30 países foram selecionados para serem projetados este ano. Além da Alemanha e países da Europa do Leste, os países mais representados são Israel e Estados Unidos.
Desta vez a África é a região homenageada no festival, sendo que a Nigéria é o país melhor representado. No programa especial "Fokus", dos nove filmes inscritos, seis são provenientes da chamada "Nollywood", a indústria cinematográfica nigeriana. O "Fokus" dispõe de júri e prêmio próprios, o "Fokus-Dialog-Preis", dotado de 1000 euros e financiado pelo Ministério das Relações Exteriores.
O Festival "Sehsüchte", que acontece até domingo (27.04), é organizado pelos estudantes da Escola Superior de Cinema e Televisão "Konrad Wolf", considerado o maior festival cinematográfico estudantil na Europa. Serão concedidos 15 prêmios, num total de 55.700 euros. As categorias representadas são longa-metragens, documentários, filmes de animação ou filme experimental. Cinco roteiros foram selecionados de um total de 55 inscrições alemãs e austríacas.
O filme “Corra, Lola, corra!”, lançado em 1998 e escrito e dirigido por Tom Tykwer, é um grande clássico alemão. Dois amantes atípicos têm poucos minutos para alterar seu destino. Do seu quarto, Lola (Franka Potente) recebe a ligação do namorado Manni (Moritz Bleibtreu), que acaba de perder uma pequena fortuna de 100 mil marcos durante um trabalho de confiança, de natureza claramente ilegal. O fim do casal será trágico, caso Manni não consiga entregar o dinheiro ao seu chefe em 20 minutos. “Como... e quem”, diz Lola ao desligar o telefone. Sem tempo para pensar, ela corre. E a partir daí, são aproximadamente 60 minutos de correria.
Como 60 minutos de correria, se o prazo é de apenas 20? Não se trata de um descuido matemático, mas da trama surreal do filme, que proporciona à mulher desesperada dos cabelos vermelhos três chances de desembolsar o dinheiro. A cada chance, pequenas decisões da protagonista ao longo do trajeto vão mudando o curso da história, tanto dela, quanto das pessoas nas quais ela esbarra desde a escadaria do seu prédio até a cabine telefônica do supermercado, onde o namorado a aguarda.
A música techno, os flashs revelando o destino de cada transeunte em que Lola esbarra, os cortes secos em desenho animado, e é claro, a cor do cabelo da protagonista, dão precisão rítmica à expectativa acelerada do que vai acontecer desta vez... Reflexões sobre como atitudes pequenas podem causar grandes alterações de destino são rapidamente permitidas pelo fôlego que resta em meio à correria. Entretanto, com o final do filme e tempo para pensar, fica a lição sobre fazer o que é certo, ou ainda sobre o que é certo fazer. Com a diferença de que na vida real, poucas vezes existem três oportunidades.
18.03.08 - CONSPIRAÇÃO FILMES: Produtora brasileira chega a Hamburgo
Hamburgo será sede do escritório da Conspiração Filmes, produtora cinematográfica do Rio de Janeiro, a partir do início deste ano. A expansão internacional da empresa decorre de seu sucesso no mercado brasileiro, tendo em 2005 conquistado a marca de 5,3 milhões de espectadores com o longa-metragem “Dois Filhos de Francisco”, de Breno Silveira. Indicado ao Oscar 2006 de melhor filme estrangeiro, a produção foi a maior bilheteria de filme nacional dos últimos 25 anos.
Para a cooperação Brasil-Alemanha significa um novo e importante passo. Em 2006 o acordo oficial foi alterado para incluir parcerias em vídeo, televisão e mídias digitais e em janeiro de 2007, Munique sediou um encontro entre profissionais brasileiros e alemães, discutindo sobretudo questões de financiamento.
Leonardo Monteiro de Barros, um dos sócios da Conspiração, que já foi diretor mundial de marketing da gravadora alemã Deutsche Grammophon, chefiará o novo escritório. Em recente entrevista à Deutsche Welle Brasil ele indicou que as produções podem incluir outros países europeus. "Vamos procurar projetos em que a gente possa mandar recursos do Brasil para produções em português, alemão ou inglês, sendo que em alguns casos a idéia é fazer acordos tríplices também com a Espanha, onde temos duas produtoras muito próximas da Conspiração", explicou.
O excelente momento deve beneficiar os dois países. "Vamos encontrar espaço em outras línguas para os talentos brasileiros e também levantar recursos para os talentos alemães que tenham projetos viáveis internacionalmente”, conclui Barros.
Jefferson Puff
20.02.08 - ELVIS VERMELHO: Levará Tom Hanks a vida de Dean Reed para o cinema?
Reed abraçou comunismo alemão
O começo das filmagens de "Comrad Rock Star" - "Camarada Estrela do Rock", em livre tradução, está envolto em mistério. Enquanto a imprensa alemã dá como certa a presença de Tom Hanks neste começo de ano em Babelsberg, em Berlim, para rodar a produção, o estúdio nega. O certo mesmo é que há anos Tom Hanks detém os direitos para filmar a vida do cantor e ator norte-americano que deixou seu país para viver sob o regime comunista da RDA (República Democrática Alemã).
"Infelizmente não há nenhuma produção com Tom Hanks em Babelsberg. Isso foi um rumor iniciado por alguns jornais da Alemanha", diz Miriam Rönn, do setor de comunicação do estúdio. Além de Berlim, Leipzig também é apontada como uma das cidades onde o filme deverá ser rodado. Hanks deve levar para as telas do cinema a trajetória do roqueiro que, em vez de fazer carreira em Hollywood, atuou como cowboy em filmes para a RDA e em propagandas do regime implantado na Alemanha Oriental.
Reed, conhecido como o "Elvis Vermelho", por sua atuação semelhante ao estilo de Elvis Presley nos palcos, nasceu no Colorado, nos Estados Unidos, em 1938. Durante sua carreira, abraçou o comunismo e tornou-se célebre na Alemanha como o herói que renegou os EUA. Morreu aos 48 anos. Seu corpo foi localizado em um lago em frente à sua casa, em Berlim, com evidências de suicídio. Nos últimos momentos, sofria de depressão, abandono e saudades do país que rejeitou.
Fabíola Brites
18.02.08 – BERLINALE: “Tropa de Elite” conquista Berlim
Em uma edição morna da Berlinale, filme brasileiro que dividiu a crítica leva o Urso de ouro. Wagner Moura é o Capitão Nascimento
Os ventos não pareciam soprar a favor do cinema brasileiro nesta 58ª edição da Berlinale – Festival Internacional de Cinema de Berlim -, especialmente após os diversos problemas que o filme "Tropa de Elite", de José Padilha, enfrentou durante sua exibição para a imprensa (não houve legendas em inglês). No entanto, em uma edição do festival criticada pelo excesso de superstars e falta de novidades, a história do Capitão Nascimento (Wagner Moura) e sua tropa surpreendeu os advinhos e conseguiu mexer com o júri, levando o prêmio principal, o Urso de Ouro, de melhor filme do festival. Há dez anos o cinema Brasileiro conquistara o mesmo prêmio com “Central do Brasil”, de Walter Salles Jr., e Fernanda Montenegro o Urso de Prata de melhor atriz.
Assim como no Brasil, onde foi assistido por 2,4 milhões de espectadores no cinema e, estima-se, por 11 milhões em cópias piratas de DVD, "Tropa de Elite" dividiu opiniões nas páginas de jornais e sites europeus. "Devemos nos alegrar mais com a correta decisão de honrar Sally Hawkins como melhor atriz, pela otimista Poppy de 'Happy-Go-Lucky'. E também com o fato de ter sido um Festival de Berlim tão diversificado", comenta o jornal "Berliner Zeitung", após questionar a indicação de "Tropa". Já o diário "Berliner Morgenpost" classificou a escolha da obra de Padilha pelo júri como "a mais sábia em muito tempo". Provavelmente o tipo de reação que provoca conquistou os jurados da Berlinale, liderados pelo grego Constantin Costa-Gravas, e fez com que o filme de Padilha desbancasse "Sangue Negro", de Paul Thomas Anderson, que ostenta 8 indicações ao Oscar. Diante de 1.600 convidados, o diretor e o produtor do filme, Marcos Prado, receberam a estatueta com o urso dourado das mãos de Costa-Gavras.
Em entrevista à Deutsche Welle, o protagonista Wagner Moura diz que se surpreendeu com polêmica na mídia estrangeira: “Eu estava curioso para saber o que iam pensar, como o olhar europeu, tão diferente do nosso, iria ver o filme. A imprensa alemã gostou do filme, a espanhola, a italiana. Houve duas críticas ruins, entre elas uma da revista Variety”. A revista citada por Moura classificou o filme de Padilha como "um filme de recrutamento para assassinos fascistas".
Nesta edição da Berlinale, que aconteceu de 7 a 17 de fevereiro, o cinema alemão passou em branco e não ganhou nenhum prêmio oficial. Mas o cinema brasileiro estava com tudo e outros dois filmes foram contemplados: “Tá”, pelo não-oficial Prêmio Teddy, e “Café com Leite”, de Daniel Ribeiro, que recebeu o Urso de Cristal como melhor curta da mostra Generation 14plus. “Mutum”, de Sandra Kogut, recebeu menção honrosa pelo júri da seção Generation Kplus. Ao todo, dez filmes de diretores brasileiros estiveram nas várias seções da Berlinale 2008. E a festa de entrega dos “Teddy” - o prêmio para os filmes com temática homossexual - foi animada por outro brasileiro, o cantor Edson Cordeiro.
O Urso de Prata de melhor atriz foi para a britânica Sally Hawkings, por seu trabalho no filme “Happy-go-Lucky”. O iraniano Reza Najie, levou a premiação de melhor ator pelo filme “The Song of Sparrows”. A chinesa Wang Xiaoshuai levou o Urso de Prata de melhor roteiro por “In Love We Trust” e Paul Thomas Anderson de melhor direção por “Sangue Negro”. Além disso o filme de Anderson recebeu também o prêmio de melhor contribuição artística pela trilha sonora, composta por Jonny Greenwood.
15.02.07 – BERLINALE: Festival da diversidade premia filme brasileiro
O curta-metragem “Tá” venceu o Teddy, premiação não-oficial do Festival Internacional de Cinema de Berlim com temática GLS Cena de "Tá"
Uma idéia na cabeça e uma câmera na mão? A frase pode estar batida e parece não combinar com esta edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim – a Berlinale. O evento vem sendo criticado pela mídia de todo mundo, especialmente por ter deixado de lado algumas das características que mais o destacavam, como a revelação de novos talentos e a inovação. Talvez por isso, a grande surpresa, especialmente para o cinema brasileiro, acabou saindo de uma premiação não-oficial: o prêmio Teddy.
O curta-metragem “Tá”, do estreante Felipe Sholl, filmado com a verba simbólica de R$ 1 mil – fruto da venda de um piano - conquistou uma das categorias do tradicional Prêmio Teddy, voltado para a temática da diversidade sexual. “Um filme penetrante e divertido sobre o breve encontro de dois jovens”, segundo o júri, “Tá” mostra em cinco minutos uma conversa entre dois rapazes de vinte e poucos anos em um banheiro público. A história, filmada em MiniDV, teve como locação o banheiro do Centro de Produção de Mídia da Escola de Comunicação Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro e só chegou às telas porque contou com a colaboração de amigos e com equipamentos emprestados.
O sucesso foi uma surpresa não só na Berlinale, mas também para toda a equipe, apesar de o curta ter sido premiado também no festival MixBrasil 2007. “Não esperávamos nem mesmo vir para Berlim. Ainda estou absorvendo”, disse o diretor Felipe Sholl, que revelou: “Foi meu primeiro filme. Nunca tinha produzido nada e está sendo super conceituado”. Felipe estudou jornalismo e fez o curso de direção da Escola Darcy Ribeiro, no Rio de Janeiro.
Mariana Antoun
13.02.08 – BERLINALE: A arma é a música Emmanuel Jal e Chrobog
O filme “War child” do diretor alemão Christian Karim Chrobog é uma obra sobre a vida do cantor sudanês Emmanuel Jal, de 28 anos, que foi criança-soldado antes de se tornar astro de hip hop. O documentário mostra a vida triste e sem perspectiva de crianças-soldado sudanesas: “As crianças remanescentes da guerra do sul do Sudão nunca foram reintegradas direito na sociedade, o que é um grande problema para um país pobre”, disse Chrobog em entrevista à imprensa em Berlim. Segundo ele, a falta de escolas, a apatia geral e o alcoolismo são os principais problemas enfrentados na vida dos ex–soldados traumatizados.
Jal, que desertou em 1991 junto com outras 400 crianças, teve a sorte de sobreviver aos horrores da guerra até ser adotado por uma organização humanitária. Ele tornou-se internacionalmente conhecido por ter participado com uma música do filme de Leonardo di Caprio “Blood Diamond”. Para Jal, participar das filmagens do diretor alemão significou voltar para sua família depois de 18 anos de ausência.
O documentário de Chrobog sobre a vida de Emmanuel Jal tem sua première mundial anunciada para domingo, 17.02, último dia da 58ª edição da Berninale, o Festival Internacional de Cinema de Berlim, cujo foco este ano é a música. O diretor Christian Karim Chrobog de 30 anos é filho do ex- Secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores Jürgen Chrobog.
Redação (Fontes: dpa e Deutsche Welle)
11.02.08 – BERLINALE: “Tropa de Elite” em busca do Urso de Ouro Moura e Junqueira em "Tropa de Elite"
Depois da estréia do longa-metragem “Mutum”, de Sandra Kogut, na seção Generation do Festival Internacional de Cinema de Berlim e do curta "Dreznica" de Anna Azevedo, no sábado passado, hoje (11.02) é a vez de “Tropa de Elite” de José Padilha. O filme será exibido na mostra competitiva da 58ª edição da Berninale. Dez anos depois de ter conquistado o Urso de Ouro para “Central do Brasil”, de Walter Salles Jr e o Urso de Prata de melhor atriz para Fernanda Montenegro, o longa de Padilha, que já foi visto por milhares de brasileiros, concorre ao Urso de Ouro, a premiação máxima da Berlinale.
Outros oito filmes brasileiros serão exibidos no festival nas diferentes mostras paralelas não competitivas. A seção Panorama apresenta também hoje (11.02) o musical "Maré, nossa história de amor", de Lucia Murat.
Redação
08.02.08 – MARATONA CINÉFILA: Berlinale começa em grande estilo Rolling Stones na Berlinale!
58° Festival Internacional de Cinema de Berlim, a Berlinale, o festival que mais privilegia o público em todo o mundo começou ontem (07.02) com a apresentação de um documentário: “Shine a Light” de Martin Scorcese e estrelado pelo grupo de rock inglês Rolling Stones. Diretor e roqueiros, todos presentes na cerimônia. Para realizar o filme, Scorcese não só acompanhou os Rolling Stones em dois concertos, mas recolheu material de arquivo, filmagens atuais e entrevistas realizadas atrás dos palcos. Segundo o diretor do festival, Dieter Kosslick, “Martin Scorcese levou a pura essência de uma banda kult para as telas do cinema”. Portanto, ”let’s rock”, sentenciou Kosslick com entusiasmo.
O festival deste ano foca a música e os astros da música. Além dos Rolling Stones na abertura, a pop star Madonna faz na Berlinale sua estréia como diretora de cinema com a comédia "Filth and Wisdom" que será apresentada no Panorama, uma das mostras paralelas do festival. O Brasil também se faz presente na 58ª edição da Berninale, dez anos depois de ter conquistado o Urso de Ouro para “Central do Brasil”, de Walter Salles Jr e o Urso de Prata de melhor atriz para Fernanda Montenegro. Desta vez, o longa “Tropa de Elite” do diretor José Padilha está entre os 21 selecionados para concorrer ao Urso de Ouro, prêmio máximo do festival. Até 17 de fevereiro serão apresentados quase 400 filmes para todos os gostos.
Josiane Cotrim
07.02.08 – O ROCK VAI ROLAR: Documentário abre a Berlinale
Em seguida, leia entrevista com Dieter Kosslick, diretor do Festival Internacional de Cinema de Berlim Luzes e câmeras em Berlim
A disputa por um espaço no tapete vermelho é grande. Começa hoje (07.02) o 58° Festival Internacional de Cinema de Berlim, a Berlinale, o festival que mais privilegia o público em todo o mundo. A edição deste ano traz uma inovação: pela primeira vez o festival será aberto com um filme documentário. “Shine a Light” tem direção de Martin Scorcese e é estrelado pelo grupo de rock inglês Rolling Stones. Para realizar o filme, Scorcese não só acompanhou os Rolling Stones em dois concertos, mas recolheu material de arquivo, filmagens atuais e entrevistas realizadas atrás dos palcos. O famoso diretor e os não menos famosos astros do filme são aguardados na cerimônia de abertura. Segundo o diretor do festival, Dieter Kosslick, “Martin Scorcese levou a pura essência de uma banda kult para as telas do cinema”. Portanto, ”let’s rock”, sentencia Kosslick com entusiasmo.
O festival deste ano foca a música e os astros da música. Além dos Rolling Stones na abertura, a pop star Madonna faz na Berlinale sua estréia como diretora de cinema com a comédia "Filth and Wisdom" que será apresentada no Panorama, uma das mostras paralelas do festival. O Brasil também se faz presente na 58ª edição da Berninale, dez anos depois de ter conquistado o Urso de Ouro para “Central do Brasil”, de Walter Salles Jr e o Urso de Prata de melhor atriz para Fernanda Montenegro. Desta vez, o longa “Tropa de Elite” do diretor José Padilha está entre os 21 selecionados para concorrer ao Urso de Ouro, prêmio máximo do festival.
Até 17 de fevereiro serão apresentados filmes para todos os gostos. Quase 400 trabalhos serão apresentados nas diversas modalidades, seja na disputa oficial dos ursos de ouro e de prata, ou nas mostras não competitivas como Panorama, Forum, Perspectiva do Filme Alemão, Generation e Retrospectiva. Nesta categoria, será homenageado o diretor espanhol Luiz Buñuel que morreu em 1983.
Josiane Cotrim
Entrevista com Dieter Kosslick, diretor do Festival Internacional de Cinema de Berlim, por Janet Schayan, da revista "Deutschland Magazine"
Sr. Kosslick, o que um filme precisa ter para participar da Berlinale?
Nós estamos elaborando um programa para o festival que apresente as atuais correntes do cinema mundial e mostre uma espécie de state of the art da arte cinematográfica. Outro aspecto é que eu também vejo o cinema como um meio do diálogo intercultural. Um bom filme é artisticamente ambicioso e me permite descobrir e sentir algo que vai além da mera emoção de sua história.
A Berlinale costuma ser equiparada a Cannes e Veneza. O que faz o ambiente em Berlim?
Cada festival tem um perfil próprio. Como um dos três mais importantes festivais classe A, a Berlinale encontrou de forma inconfundível seu próprio lugar. Enquanto o meio cinematográfico reúne-se principalmente em Cannes e Veneza, a Berlinale permanece um festival para o público e os especialistas. Com o European Film Market, que faz parte do festival, construímos uma ponte: do festival para o público, de um lado, para o festival do setor, do outro lado. Eu acho que este é o charme e o segredo da Berlinale.
A criação da Berlinale em 1951 deveria fazer reviver o significado de Berlim como metrópole cultural européia. Qual é hoje o papel do festival para Berlim?
O Festival de Cinema é o maior evento cultural de Berlim e ressalta a importância internacional de Berlim como cidade cinematográfica. Mas como anfitriã de estrelas internacionais e dos grandes do meio, a Berlinale é também uma espécie de cartão de visitas para Berlim. Além disso, o festival é igualmente um importante fator econômico para a cidade. Cerca de 20 mil especialistas, 4000 jornalistas, bem como numerosos fãs de cinema de todo o mundo visitam a cidade. Assim, até mesmo os berlinenses diriam: “Não se pode reclamar”.
Como o Sr. avalia o papel de Berlim como cidade cinematográfica, centro de produção e set para filmagens?
Muito tradicional, Babelsberg é o maior complexo de estúdios da Europa e um mito. Aqui foi filmado há quase 80 anos o “Anjo Azul”, com Marlene Dietrich. Babelsberg atrai hoje também numerosas produções internacionais para a região. Astros de Hollywood, como Nicole Kidman, Matt Damon, Tom Cruise e Susan Sarandon, atuam diante das câmeras em Berlim. Da mesma forma, os núcleos de produção em Adlershof são muito requisitados e, juntamente com Babelsberg, importantes para a região. Eles possuem excelente reputação no setor de cinema e televisão.
O Sr. também vê a Berlinale como uma espécie de parteira de uma nova geração de cineastas alemães?
O festival também funciona como uma vitrine para o cinema alemão. “Adeus, Lênin!”, “Contra a parede“, “Sophie Scholl”, “Entre casais”, “Yella” foram todos premiados com Ursos de Prata ou de Ouro ou outros prêmios. A Berlinale parece ser boa para o cinema alemão. Naturalmente que sempre houve muitos filmes alemães no festival, mas havia em parte um problema de percepção. Com a introdução da seção “Perspectiva do Cinema Alemão”, criamos uma plataforma especial para a nova geração alemã. Ficamos felizes em ver que os cineastas alemães se sentem muito bem no “seu” festival nacional. Isto se faz notar e todos pensam que há mais filmes alemães.
Qual filme, das safras internacionais, no qual Berlim contracene, o Sr. guardaria em seu coração?
“A vida dos outros”, de Florian Henckel von Donnersmarck.
17.01.08 – ATRAENTE CAPITAL: Cada vez mais produções locadas em Berlim
Astros de Hollywood entusiasmados com Berlim como local de filmagem
Ruas impedidas, guarda-costas de olhar severo e fãs extasiados. Quando os astros de Hollywood põem o pé no asfalto de Berlim, a cidade entra, durante um curto período de tempo, em estado de emergência. Os berlinenses, porém, já deveriam estar acostumados à presença das figuras mais proeminentes do cinema americano. Porque os grandes expoentes dos estúdios de Hollywood que prolongam a sua estada na cidade para além de uma noite ou uma estréia de filme são cada vez mais numerosos. Segundo as indicações do Senado de Berlim, foi rodado, no ano passado, em diversos lugares de da cidade e nos Estúdios Cinematográficos Babelsberg, um total de 11 grandes filmes de longa-metragem nacionais e internacionais – entre outros com Tom Cruise, Bruce Willis, Jodie Foster, Robert Redford e Renée Zellweger.
Quem mais chamou a atenção foi, sem dúvida, Tom Cruise, que esteve diante da câmara no papel de Claus Schenk Graf von Stauffenberg, durante as filmagens de "Valkyrie".
O primeiro ator de Hollywood presente em 2008, no dia 7 de janeiro, foi Will Smith, que veio para festejar a estréia alemã do filme de ficção científica e terror "I am Legend". Segundo uma notícia de jornal, deverá vir a Berlim, também durante o mês de janeiro, o ator de Hollywood Tom Hanks. Depois de ter comprado, há três, os direitos sobre a história da vida do cantor Dean Reed, consta que ele irá começar agora com os trabalhos de rodagem do filme com o título "Comrade Rockstar".
Para seu filme de suspense "The International", o diretor de cinema alemão Tom Tykwer trouxe a Babelsberg os atores Clive Owen ("Inside Man", "Children of Men") e Naomi Watts ("King Kong").
Não apenas os atraentes bastidores da capital alemã e o bom equipamento dos estúdios de Babelsberg seduzem os realizadores de cinema. Através do Fundo Alemão de Apoio ao Cinema também as co-produções internacionais podem ser contempladas com ajuda financeira da Federação. Uma presença maciça de atores famosos se fará notar ao longo do ano, especialmente em fevereiro, por ocasião de mais uma edição do Festival Internacional de Cinema Berlim. Os primeiros filmes da 58ª Berlinale (de 7 a 17 de fevereiro) já estão selecionados: trata-se, entre outras, de produções com Madonna, Daniel Day-Lewis, Ben Kingsley e John Malkovich.
Redação
10.01.2008 – LUZ; CÂMARA; AÇÃO: Berlinale terá presença de Madonna Contagem regressiva!
Aos poucos o programa da 58ª edição da Berlinale, o Festival Internacional de Cinema de Berlim, um dos maiores do mundo, fica pronto. O festival acontece de 7 a 17 de fevereiro e, além de muito mais filmes, tem a presença de Madonna confirmada. A cantora pop americana faz ali sua estréia como diretora de cinema com uma comédia que será apresentada no Panorama, uma das mostras paralelas do festival.
Um total de 25 filmes concorrem ao Urso de Ouro e de Prata na mostra competitiva. Mas, muitos outros filmes poderão ser vistos nas diversas mostras paralelas como Panorama e Perspectivas do Cinema Alemão, sem falar na retrospectiva cinematográfica que desta vez homenageia o diretor espanhol Luiz Buñuel que morreu em 1983.
Josiane Cotrim
25.10.07 – "LEÕES E CORDEIROS": Tom Cruise mais uma vez em Berlim Katie Holmes e Tom Cruise
As estrelas de Hollywood Tom Cruise e Robert Redford lançaram esta semana em Berlim seu mais novo filme. Em "Leões e Cordeiros" (Lions for Lambs – 2007) os dois ocupam os papéis principais da trama – ao lado da atriz Merlyl Streep – que fala de política, mídia e da ação militar dos Estados Unidos no Afeganistão. O filme traz, através da ligação entre pessoas aparentemente diferentes, um retrato dos bastidores da guerra dos EUA contra o terrorismo: um senador amigo de Bush (Tom Cruise) que pretende vender sua mais nova estratégia à jornalista de um noticiário de TV (Meryl Streep); o destino de dois estudantes na guerra do Afeganistão e de seu professor idealista (Robert Redford). O filme estará nos cinemas de toda a Alemanha a partir do dia 8 de novembro.
Tom Cruise é um habitué de Berlim. A cidade ecolhida para as filmagens de seu filme As Valquírias (Walkyrie) é considerada pelo ator como sua segunda casa. “ Berlim se tornou uma espécie de segundo lar para a minha família, eu não posso mais me separar daqui”, declarou Cruise na última quarta-feira (24.10).
Mariana Antoun
11.10.07 – JOVENS TALENTOS: Seleção para evento paralelo ao Festival de Berlim Inscrições abertas!
O Berlinale Talent Campus é um encontro de realizadores de filmes iniciantes e talentosos. Ocorre paralelamente ao Festival de Cinema de Berlim, que este ano celebra a sua 58ª edição, e oferece a 350 jovens de todo o mundo a oportunidade de aprender com os mais experientes profissionais a arte de fazer filmes.
O tema da Berlinale Talent Campus deste ano é “Selecionando emoções – o recurso mais apurado do cinema”. O encontro tem duração de 6 dias, (de 09 de fevereiro a 14 de fevereiro) e irá explorar pontos cruciais para a 7ª arte, como filosofia, pré-Produção, produção, pós-Produção e promoção. Os requisitos mínimos para participação são bons conhecimentos de inglês, e ser estudante ou atuar profissionalmente nas áreas de roteiro, produção, direção, cinematografia, atuação, edição, sonoplastia, montagem, direção de arte e produção de design.
O participante terá a oportunidade de entrar em contato com questões essenciais da realização de filmes: idéias, estilo, os últimos recursos tecnológicos e novos mercados. Há espaço para desenvolver talento e criatividade, assim como para entrar em contato com realizadores de todas as partes do mundo. Profissionais renomados, como Stephen Frears, Dennis Hopper, Frances Mc Dormand e Walter Salles, entre outros, já participaram das edições anteriores do evento.
A inscrição é feita on-line no site do Talent Campus e podem ser oferecidas acomodações e reembolso para parte das despesas de transporte para selecionados de fora da Alemanha. O prazo final para as inscrições é 15 de outubro de 2007.
20.09.07 – EM BUSCA DO OSCAR: Depois de Cannes, Hollywood Prêmio à vista
O cineasta Fatih Akin deverá repetir a façanha de seu colega Florian von Donnersmarck e conquistar o Oscar de melhor filme estrangeiro no próximo ano. Seu filme “À beira do paraíso” - Auf der anderen Seite, é o indicado da Alemanha ao Oscar, na categoria de melhor filme estrangeiro, anunciou a German Films em Munique esta semana.
O drama do diretor de origem turca conta uma história de amor vivida por um turco e uma alemã. O filme já rendeu ao diretor o prêmio de melhor roteiro, além do prêmio do júri ecumênico, em Cannes, no mês de maio. Há três anos Fatih Akin ganhou o Urso de Berlim com o filme "Contra a parede".
Josiane Cotrim
09.08.07 – BABELSBERGER STUDIOS: Garantida verba para filmagens Ministro visita os estúdios de Babelberg
Nos estúdios de Babelsberger, a pequena “Hollywood” alemã, situada em Potsdam, a poucos quilômetros de Berlim, a produção de filmes está a pleno vapor. Desde 2006 que os estúdios recebem cerca de 60 milhões de euros para a produção de filmes e essa ajuda deverá continuar, conforme prometeu o Ministro das Finanças, Peer Steinbrück, durante visita ao local. Até dois anos atrás, os estúdios possuíam um espaço de 4 mil metros quadrados. Hoje o espaço é cinco vezes maior e cerca de 1200 pessoas trabalham nos 20 mil metros quadrados dos estúdios onde são realizadas a maior parte dos filmes alemães para o cinema.
No próximo mês, o diretor Tom Tykwer, que ficou conhecido com o filme "O perfume" (Das Parfum) começa as filmagens de um thriller político "The Intenacional". No elenco, Clive Owen (Inside Man), Naomi Watts (King Kong) e Armin Müller-Stahl. É ali, também, que é rodado "Valkyirie", filme no qual o ator americano Tom Cruise encarna o personagem Claus Schenk von Stauffenberg, autor de um atentado frustrado contra Hitler.
Josiane Cotrim
01.08.07 – FESTIVAL DE LOCARNO: Em busca do Leopardo de Ouro
A Alemanha se faz representar em Locarno com um grande número de obras. Treze filmes, alemães ou com co-produções alemãs, serão exibidos na 60ª edição do Festival de Cinema de Locarno, às margens do Lago Maggiore, na Suiça, que começou esta semana. Concorrendo ao prêmio Leopardo de Ouro e aos 60 mil Euros oferecidos ao melhor filme estão “Früher oder später” de Ulrike von Ribbeck e “Las vidas posibles” de Sandra Gigliotta, uma co-produção argentino-alemã. Ao lado de Berlim, Cannes e Veneza, o festival de Locarno é um dos festivais de cinema mais importantes da Europa.
Josiane Cotrim
20.07.07 – HERÓI ALEMÃO: Filme com Tom Cruise gera controvérsia
A história do conde Claus Schenk von Stauffenberg, que em 1944 liderou um atentado contra Hitler usando uma bomba relógio, é mai uma vez tema de filme. Com o ator americano Tom Cruise no papel de Stauffenberg as cenas começaram a ser filmadas em Berlim em meio a muita controvérsia. Muitos, inclusive familiares de Stauffenberg, se opuseram à escolha do ator temendo uma associação com a Cientologia, grupo religioso de Cruise.
O título do filme é "Valkyrie", o mesmo nome da operação que visava eliminar Hitler e que fracassou resultando na execução de Stauffenberg, junto com outros conspiradores, quando ele tinha 36 anos. Considerado por algum tempo como um personagem controvertido, por ter apoiado os nazistas no início do regime, Stauffenberg é hoje um símbolo de resistência ao nazismo. O local onde foi executado, antigo comando do Exército no centro de Berlim, abriga, desde 1999, o ritual de juramento de jovens militares.
Josiane Cotrim
09.07.07 – FITZCARRALDO: Maluquice alemã na Amazônia Filme foi filmado no Brasil
Fitzcarraldo (1982), o famoso filme do diretor alemão Werner Herzog, é um bom exemplo de como a loucura e a genialidade podem ser sempre maiores na vida real do que na fantasia. O protagonista da narrativa é o amante de óperas inglês Brian Sweeney Fitzgerald (Fitzcarraldo é a corruptela desse sobrenome), interpretado por Klaus Kinski, que pretende a todo custo realizar seu sonho de construir em Iquitos, na Amazônia peruana, um teatro semelhante ao Teatro Amazonas, de Manaus.
Para financiar este delírio, ele compra uma área remota da floresta e um velho navio à vapor para transportar a borracha que espera extrair das terras. No entanto, para chegar à propriedade, o único caminho possível é passar com a embarcação por cima de um morro, pois pelo caminho natural há corredeiras que impedem a navegação. Aí vem a loucura do diretor: ele de fato fez o barco ser arrastado sobre uma montanha.
Mas as filmagens não foram rocambolescas só por isso. Mick Jagger, o líder dos Rolling Stones, participou de grande parte das gravações, mas teve de abandonar o projeto antes do final por causa de sua agenda de shows. Isto obrigou Herzog a refazer diversas cenas. Por um hábito do diretor de não deixar “restos” de seus filmes, tudo que foi filmado com Jagger foi destruído. Fitzcarraldo foi realizado no Brasil, com participação de Losé Lewgoy, Grande Otelo e Milton Nascimento.
Dennis Barbosa
02.07.07 – FESTIVAL EM BRASÍLIA: Dinamarqueses encantam o público Público aguarda filme
Os expectadores que freqüentaram o Cine Brasília, nos finais de semana dos últimos dois meses, consideraram o irlandês “O lutador” o melhor filme moderno da mostra. A película do diretor Jim Sheridan é uma co-produção americano-irlandesa de 1997, com a excepcional interpretação de Daniel Day-Lewis e Emily Watson. O segundo lugar na preferência do público ficou com “Strings”, uma animação dirigida por Anders Rønnow Klarlund e apresentada pela primeira vez em Brasília. Totalmente encenado por marionetes, “Strings” (2004) levou dois anos para ser realizado. O alemão “A vida dos outros” de Florian Henckel von Donnersmarck, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro deste ano, ficou em terceiro lugar. O filme fala do sistema de controle e vigilância sobre os cidadãos na ex-Alemanha Oriental ( veja o trailler).
A Dinamarca foi o país de maior sucesso da mostra, uma vez que “A festa de Babette” (1987) de Gabriel Axel foi considerado o melhor clássico do festival e o moderno “Strings” foi o segundo na preferência popular. “A festa de Babette” é grande conhecido do público e também mereceu em 1988 o Oscar de melhor filme estrangeiro.
O Festival de Cinema Europeu terminou no último fim de semana com sala cheia. A estimativa è de que 10 mil pessoas participaram da mostra. Durante dois meses, a cada fim de semana, foram exibidos filmes de diferentes países europeus. Na primeira fase foram exibidos 12 filmes considerados clássicos e que foram lançados nos últimos 50 anos - uma alusão aos 50 anos do Tratado de Roma, comemorados este ano. Na segunda fase outros doze filmes modernos, alguns inéditos para o público brasiliense, foram exibidos. Ao final, os expectadores puderam votar, dando nota de 1 a 10 a cada filme. Confira a seguir a preferência do público.
Qual o melhor filme europeu?
1 - O lutador (1997) – Irlanda
2 - Strings (2004) – Dinamarca
3 - A vida dos outros (2006) – Alemanha
4 - O rapaz da sepultura ao lado (2002) – Suécia
5 - Mentiras sinceras (2005) – Reino Unido
6 - Eu não tenho medo (2003) – Itália
7 - Quem sabe? (2001) – França
8 - Sud Express (2005) – Espanha
9 - Decadência (2006) – Áustria
10 - Milagre em Cracóvia (2004) – Hungria
11 - A torre inclinada (2006) – Finlândia
12 -
A costa dos murmúrios (2004) – Portugal
Qual o melhor clássico europeu?
1 - A festa de Babette (1987) – Dinamarca
2 – Fanfare (1958) – Países Baixos
3 - As noites de Cabíria (1957) – Itália
4 - Depois do vendaval (1952) – Irlanda
5 - Oliver Twist (1948) – Reino Unido
6 - O morto não sepultado (2004) – Hungria
7 - Bem-vindo Mr Marshall (1953) – Espanha
8 - A morte do trabalhador (2005) – Áustria
9 - Lili Marlene (1981) – Alemanha
10 - Os irmãos coração de leão (1977) – Suécia
11 -
O cerco (1970) – Portugal
12 - Os incompreendidos (1959) – França
Josiane Cotrim
01.07.07 – FESTIVAL DE FILMES EUROPEUS: “A vida dos outros” conquista Brasília Ulrich Mühe vive espião
A história do agente secreto HGW XX/7. do sistema de controle e vigilância da antiga Alemanha Oriental, conquistou o público que compareceu no último fim de semana do Festival de Filmes Europeus ao Cine Brasília, na capital federal. A sala de exibição lotada no último sábado foi uma prova do interesse do brasiliense pelo drama “A vida dos outros” (“Das Leben der Anderen”), dirigido pelo estreante Florian Henckel von Donnersmarck, que venceu o Oscar 2007 na categoria Melhor Filme Estrangeiro.
“A vida dos outros” é o terceiro filme alemão a receber a estatueta entregue aos filmes que não são falados em inglês. Na saída da sessão o público elogiava a atuação de Ulrich Mühe, que vive o agente encarregado de espionar a vida do escritor Georg Dreyman (Sebastian Koch) e de sua mulher, a atriz de teatro Christa-Maria Sieland (Martina Gedeck).
Embora na apuração final dos votos, dados a todos os filmes do Festival, o público brasiliense tenha deixado “A vida dos outros” em terceiro lugar, para muitas pessoas que estiveram presentes no Cine Brasília, ele foi o melhor. Esta é, por exemplo, a opinião do médico Luciano Nasser, de 62 anos, que sempre acompanhou o Festival e acredita que a película de von Donnersmarck mereceu o Oscar recebido.
“Esta edição do Festival foi maravilhosa e os filmes exibidos, muito bem escolhidos. Além do alemão, também gostei muito do italiano “Eu não tenho medo” e do espanhol “Sud Express”. Foram muito bons”, disse.
Já o professor de história Telmo Balieiro Alves, de 45 anos, acredita que o festival vem sendo lapidado através dos anos, mas concorda com o médico quanto ao critério de seleção das películas. Para o cinéfilo, que assistiu simplesmente todos os filmes exibidos nos dois meses em que aconteceram os festivais de filmes clássicos e modernos, a parte mais dura é o momento de dar a nota.
“A Europa tem uma complexidade étnica muito grande e cada filme expõe um pouco disso. Mas os filmes que mais me agradaram foram “A vida dos outros”, “Strings” (Dinamarca) e o “Sud Express”, opinou.
02.03.07 – “A VIDA DOS OUTROS”: E o Oscar vai para ... a Alemanha von Donnersmarck
O drama “Das Leben der Anderen” (A vida dos Outros), do diretor Florian Henckel von Donnersmarck, ganhou o cobiçado troféu do melhor filme não falado em inglês. É a terceira vez na história do Oscar que um filme alemão é agraciado com esse prêmio cobiçado.
Alegria pura no Kodak Theatre: Florian Henckel von Donnersmarck dá saltos, abraça sua esposa, seus atores e todos os astros ao seu redor. O diretor de 33 anos o conseguiu: ele ganhou o mais cobiçado troféu do cinema do mundo - com sua primeira obra.
Sua carreira como cineasta jovem, mas já famoso, é como um conto de fadas: em novembro de 1997, Florian Henckel von Donnersmarck era estudante na Escola de Cinema de Munique e procurava desesperadamente idéias de roteiro para as aulas. Muito nervoso, ele se deitou uma noite no chão do seu quarto de estudante, ouvindo Beethoven. Lênin, pensou ele, evitava ouvir a “Appassionata” de Beethoven, pois ela o emocionava tanto que tinha medo de tornar-se manso demais para a Revolução.
De repente, a cabeça do estudante foi bombardeada por imagens: um homem com grandes fones de ouvido – um delator – ouvindo sua vítima, que tocava piano maravilhosamente. Em poucos minutos, desenrolou-se na cabeça de von Donnersmarck uma história: “Das Leben der Anderen” (A Vida dos Outros), a idéia para um filme sobre um oficial da Stasi da RDA, que se tornaria humano através da música. Ainda durante seu estudo, ele começou a trabalhar na realização do seu projeto. O resultado foi fulminante: um filme empolgante, cheio de emoções e também cômico, narra a história de um inocente útil, típico de todo regime totalitário. É uma ode ao poder da arte que, em 2006, ganhou sete “Lolas” do Deutscher Filmpreis. E agora, em 2007, a sensação: “Das Leben der Anderen” ganha o Oscar de melhor filme não falado em inglês.
O jovem cineasta, de 33 anos e 2,05 metros de altura, sem pretensões e cortês, recebe os convidados à mesa. Sua esposa Christiane serve bolos; na sala ao lado, o bebê Leo balbucia qualquer coisa. Ele continua concentrado, falando das dificuldades que teve para encontrar suficientes fontes financeiras para sua estréia, da sua luta pela perfeição. “Não sou um bom improvisador”, confessa. É um ponto fraco? “Não! Sempre estou muito bem preparado”.
Antes de começar a contatar atores e financiadores para “A Vida dos Outros”, ele se preparou sozinho, tematicamente, durante mais de um ano. E com tal meticulosidade, escreveu também o roteiro do filme, repassando e aperfeiçoando permanentemente toda cena e toda frase. Finalmente, isto convenceu atores famosos como Ulrich Mühe, Martina Gedeck e Sebastian Koch. Eles não só representaram os papéis nesse filme, mas também prescindiram de uma grande parte das suas remunerações, pois o orçamento de 1,7 milhão de euros não teria sido suficiente para pagar atores tão famosos. A sua luta pela perfeição terminou finalmente após cinco anos e com sucesso. Agora, o cineasta sorri descontraído: num pacotinho de açúcar de um bar, ele leu certa vez um bom leitmotiv – “O caminho do menor esforço só é asfaltado no começo”.
Irene von Hardenberg (Revista "Deutschland")
26.02.07 – CINEMA ALEMÃO: Um sucesso internacional
Pioneira na cultura cinematográfica, a Alemanha passa a sua história a limpo no cinema e vem se afirmando como centro exportador de produções de alta qualidade
Em 1895 Ottomar Anschütz e Max Schadanowsky realizavam na Alemanha as primeiras projeções de imagens, quase à mesma época que os irmãos Lumière inauguravam o conceito de cinema. Nesses mais de 110 anos de produções a história, as ideologias e as mudanças de costumes do país têm sido retratados nas películas alemãs.
Desde a década de 60 diversos autores vêm se esforçando em rever o passado alemão e em criar um cinema típico do país, num movimento que se tornaria conhecido como “Novo Cinema Alemão”. Figuras como Win Wenders e Rainer Werner Fassbinder fazem parte desse período.
Com a queda do muro de Berlim o cinema alemão muda novamente de rumo. As produções deixam de ser excessivamente autorais e críticas para se tornarem populares e conquistarem sucesso internacional. Talvez o primeiro filme dessa fase possa ser considerado “Corra Lola Corra” (Lola Rennt) de Tom Tykwer, lançado em 1998. Com uma estética moderna e ação em ritmo alucinante, “Corra Lola” abriu mercados para as produções alemãs.
“Lugar Nenhum na África” (Nirgendwo in Afrika) de Caroline Link arrebata prêmios e bilheterias em 2001 com uma mistura de romance histórico (pois trata de judeus refugiados às vesperas da Segunda Guerra) e imagens fabulosas do Quênia. Com esse filme, Link coloca as produções alemãs no mesmo patamar das norte-americanas em termos de qualidade fotográfica e roteiro, tendo “Lugar nenhum da África” conquistado o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2003.
Também em 2003, “Adeus Lênin” (Goodbye Lenin) de Wolfganger Becker aponta para uma nova tendência do cinema alemão. Um olhar carinhoso para o passado histórico e as pequenas coisas que, com ele, vão sendo deixadas para trás. Becker trata do fim da República Democrática Alemã (RDA), não apenas como o fim de um sistema político, mas de um modo de vida. “Adeus Lênin” foi um sucesso de público mundial, comovendo platéias e trazendo a RDA de volta à vida.
Tratando de uma realidade mais dura, “A Queda” (Der Untergang) narra com riqueza de detalhes os últimos dias do regime de Hitler. Dirigido por Oliver Hirschbiegel o filme mostra a vida na Berlim arruinada de 1945. “A Queda” chegou a ser indicado para o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2005 reforçando o sucesso internacional do cinema contemporâneo alemão.
Carolina Figuereido
14.02.07 – FESTIVAL DE BERLIM: A capital mundial do cinema
Festival é vitrine para filmes em português
Desde 1951, Berlim transforma-se na capital mundial do cinema no mês de fevereiro, quando abriga a Berlinale, o Festival de Filme de Berlim. Astros e estrelas circulam pela cidade, ganhando as capas dos jornais, enquanto produtores aproveitam para negociar seus filmes e viabilizar novos projetos.
Esse evento fervilhante atrai gente dos mais diversos países e a produção cinematográfica em língua portuguesa também está sempre representada. Por algumas vezes, chegou até a ser premiada com a tão cobiçada estatueta do ursinho – o Urso de Ouro ou o Urso de Prata, troféus do festival para o melhor longa-metragem e o melhor curta-metragem, respectivamente. O urso é o símbolo de Berlim.
Em 1998, foi o brasileiro Central do Brasil, de Walter Salles, que ganhou o Urso de Ouro, maior prêmio do festival. Foi o único filme lusófono a ganhar a estatueta. Por interpretar a protagonista do filme, Fernanda Montenegro arrebatou o Urso de Prata de melhor atriz no mesmo ano.
Ela não foi, no entanto, a primeira brasileira a conquistar o título. Em 1987, Ana Beatriz Nogueira ganhou o Urso de Prata por sua atuação em Vera, de Sérgio Toledo. O moçambicano radicado no Brasil Ruy Guerra, um dos pioneiros do Cinema Novo, recebeu duas vezes o Prêmio Especial do Júri do Urso de Prata - em 1964, por Os Fuzis, e em 1978, por A Queda.
Em 2007, o Brasil foi representado no Festival de Berlim por Antônia, de Tata Amaral, A Casa de Alice, de Chico Teixeira, Deserto Feliz, de Paulo Caldas e O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias, de Cao Hamburger.