12.08.08 – MURO: Berlim não esquece Derrubada em 1989
A fim de recordar a construção do muro ocorrida há 47 anos, uma série de manifestações ocorreram esta semana nos dias 12 e 13, em Berlim. Norbert Lammert, presidente do Parlamento Alemão, o Bundestag, fez um pronunciamento durante a tradicional cerimônia na capela da Reconciliação da Bernauer Straße, onde foi erigido no dia 13 de agosto de 1961 o muro que separava a parte oriental da ocidental da capital Berlim. Na câmara dos deputados local, uma exposição de pinturas do artista Johannes Heisig ilustra a divisão da Alemanha. Além disso, duas enormes esculturas de aço do artista Ben Wagin lembram a localização do muro no bairro do governo. Antes da sua queda em 1989, pelo menos 136 pessoas perderam a vida tentando pular o muro e suas barreiras, fugindo do lado oriental.
Mesmo que atualmente esteja quase que totalmente desaparecido na paisagem urbana da capital, a fascinação exercida pelo muro de Berlim não pára de crescer com os anos. Em 2007, 265.000 pessoas visitaram o centro de documentação do memorial situado na Bernauer Straße. Só este ano, de janeiro a julho, o centro já registrou cerca de 164.000 visitantes. A geração jovem, em especial, manifesta um interesse crescente sobre o muro. Por esta razão, um dos trechos do muro será transformado em memorial em 2011, por ocasião dos 50 anos de sua construção.
Josiane Cotrim
21.07.08 – FORÇAS ARMADAS: Atentado contra Hitler lembrado em formatura Juramento de lealdade à Constituição
Cerca de 500 novos recrutas ingressaram nas Forças Armadas da Alemanha, em cerimônia que lembrou os 64 anos da tentativa fracassada de matar Adolf Hitler. Os soldados afirmaram, de frente para o Reichstag, o prédio do Parlamento Alemão, sua lealdade à Constituição alemã. Entre os presentes estavam a Chanceler Angela Merkel e o Ministro das Relações Exteriores Frank-Walter Steinmeier.
Em sua mensagem aos recrutas, o Ministro da Defesa, Franz Josef Jung, elogiou a coragem dos homens que participaram na tentativa de homicídio em 20 de julho 1944. O ex-Chanceler Helmut Schmidt falou da sua experiência como recruta da turma de 1937 e defendeu que as Forças Armadas devem obediência à Constituição e ao Direito Internacional Público.
Mariana Antoun
02.06.08 – ALQUIMIA: Ouro para a Porcelana de Meissen Arte secular
Há exatos trezentos anos, o alquimista Friedrich Böttger produziu pela primeira vez na Europa uma porcelana dura e fina, que era muito parecida com a então altamente apreciada porcelana importada da China.
O súdito saxão percorria o país, no início do século 18, como trapaceiro, afirmando que era capaz de produzir ouro com materiais sem valor – e nisso era verdadeiramente um filho do seu tempo. Quando a notícia chegou aos ouvidos do Príncipe da Saxônia, Frederico Augusto o Forte, ele mandou o alquimista para a prisão com a ordem: “Produza ouro, Böttger”.
No entanto, o alquimista logo voltou sua atenção para proezas muito mais promissoras. Ele começou a fazer experiências com caulino, alabastro queimado e quartzo. Ao queimar esses componentes na mixtura certa com mais de 1300 graus, em janeiro de 1708, ele havia achado a fórmula adequada para porcelena dura. Em 1709 Böttger relatou ao Príncipe sobre a invenção em um memorial. O nobre então mandou registrá-la, e anunciou, por decreto, em 1710, a fundação da Manufatura de Porcelana de Meissen como “Manufatura de Porcelana Real-Polonesa e Principesca-Saxônica” (Frederico Augusto havia conquistado a Coroa polonesa em 1797). Em 06 de junho ele deu início, sob o maior sigilo a respeito do processo de produção, no Castelo Albrecht, em Meissen, à produção da primeira porcelena européia.
A Manufatura Estatal de Porcelana de Meissen existe até hoje e continua sendo apreciada em todo o mundo pela alta qualidade de seus produtos. As “Espadas Cruzadas”, introduzidas poucos anos após a fundação, são uma das mais antigas marcas registradas do mundo ainda em uso.
O metal nobre ouro, com o qual Böttger não teve êxito, e a porcelana dura, que inventou, acabaram se encontrando na área da pintura. O ouro puro brilhava da maneira mais variada na Porcelana de Meissen. Do barroco, passando pelo estilo jovem, até à atualidade – todas as gerações de artistas utilizam a preciosa pintura de ouro com grande efeito.
Por ocasião do trecentésimo aniversário de sua invenção, pode ser vista no Museu da Manufatura de Porcelana de Meissen uma exposição especial com o título “Ouro para a Porcelana de Meissen. Um Metal Nobre na Pintura de Porcelana”. A exposição permanece até 02 de novembro de 2008.
No Castelo Albrecht, em Meissen, uma outra exposição está dedicada ao tema “Da Primeira Porcelana Européia ao Produto de Cerâmica High-Tech”. Ela fica aberta até 08 de junho de 2008.
Os Jogos Olímpicos de 1972, em Munique, ficaram marcados pelo seqüestro de atletas israelenses por terroristas palestinos do grupo Setembro Negro. A operação montada pelas autoridades alemãs para resgatá-los foi um fiasco: em uma ação confusa e descoordenada morreram 11 atletas israelenses, cinco terroristas palestinos e um policial alemão, deixando claro que era necessário criar um grupo especializado no combate ao terrorismo. E os alemães não deixaram por menos: foi criado, dentro da polícia alemã, o GSG 9, uma das mais eficientes e preparadas tropas de elite do mundo.
Com forças especializadas em diferentes tipos de ações, o GSG 9 é chamado quando a situação é perigosa demais para policiais comuns. O grupo ganhou fama internacional em 1977, quando invadiu um Boeing 737 da Lufthansa seqüestrado por terroristas palestinos. A aeronave voava da Espanha para Frankfurt com mais de 80 passageiros quando foi desviada para o Oriente Médio e, em seguida, para a Somália, onde o GSG 9 entrou em ação. Três dos quatro seqüestradores morreram e os passageiros foram salvos.
Desde sua criação, estima-se que o GSG 9 já participou de mais de 1.500 missões. Muitas delas não chegaram ao conhecimento do público. A identidade dos integrantes do grupo também é sigilosa, mas são todos policiais com pelo menos 2 anos de carreira que passam por um treinamento extremamente rigoroso. Em 2004, dois homens do GSG 9 morreram num ataque a um comboio alemão no Iraque. As forças especiais estão no país para proteger os diplomatas alemães que trabalham ali.
Em setembro do passado o grupo fez sua última grande operação (da qual se tem notícia), em que invadiu um apartamento no estado da Renânia do Norte - Westfália onde três suspeitos produziam explosivos para, supostamente, atacar alvos norte-americanos e o aeroporto de Frankfurt.
Dennis Barbosa
LINK: GSG 9 em ação durante a Copa - reportagem da ZDF (em alemão)
22.04.08 – BURSCHENSCHAFT: Da Alemanha para o Brasil
O termo Burschenschaft surgiu na Alemanha no final do século XVIII para designar a totalidade dos alunos de uma Universidade. A partir de 1815 passou a ser empregado de modo mais restrito, para caracterizar as sociedades de estudantes, que então se organizavam com uma tríplice finalidade: política, com o objetivo de promover a unidade nacional e a democracia na Alemanha; filantrópica, para ajudar os jovens pobres a custear seus estudos; e duelista, pois seus membros praticavam esgrima e participavam de duelos. Proibidas em 1819, assumiram caráter clandestino e foram perseguidas até 1848. Desde então, abandonaram os duelos mortais e existem legalmente até hoje. Muitos ainda praticam a esgrima como esporte e forma de duelo simbólico. Ninguém morre, mas as cicatrizes no rosto de quem fica eventualmente ferido são mostradas com orgulho! Suas bandeiras são visíveis em residências estudantis de diversas cidades, como Heildelberg, por exemplo, que abriga a mais antiga universidade alemã.
No Brasil, a Burschenschaft surgiu na década de 1830 entre os alunos da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, fundada por um professor alemão de nome Julius Frank, nascido em Gotha em 1808, há exatos 200 anos. Júlio Frank – como logo o chamaram no Brasil – viveu apenas 32 anos, dez dos quais no país em que morreu e foi enterrado, de maneira até hoje insólita em território brasileiro: por ser protestante, as autoridades católicas da época negaram-lhe sepultura no interior das igrejas e nos cemitérios que controlavam. Por decisão dos alunos e com o apoio dos professores ele foi então sepultado no pátio da escola, onde seus restos permanecem sob um túmulo imponente, com inscrições em latim e símbolos maçônicos, como um obelisco e quatro corujas.
Ao contrário da curta existência de seu fundador Júlio Frank, a Bucha – como passou a ser chamada a Burschenschaft brasileira – teve vida longa e influência duradoura na sociedade abolicionista e republicana durante o Império. De seus quadros saíram nada menos que todos os presidentes da República do Brasil entre 1889 e 1930, à exceção dos militares Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto e Hermes da Fonseca. Poetas como Castro Alves, Aloísio Azevedo e Fagundes Varela, e personalidades da história do Brasil como Ruy Barbosa e o Barão do Rio Branco também pertenceram à Bucha, que diferentemente de suas congêneres alemãs sempre foi uma sociedade absolutamente secreta, que submergiu para a mais rigorosa clandestinidade após a Revolução de 1930.
Herbert Carvalho
22.04.08 – JULIUS FRANK: Afinal, quem foi ele?
Quem na verdade foi Júlio Frank, o portador das idéias liberais de Kant e de Schiller, que impulsionariam a longevidade da Bucha, a sociedade de estudantes surgida na Alemanha no final do século 18? Seria um príncipe desterrado, como supôs seu compatriota Carl von Koseritz, no livro " Bilder aus Brasilien" (Imagens do Brasil)? Seria um fugitivo com nome falso em busca de refúgio após ter cometido um assassinato com fins políticos, como garantia o escritor integralista Gustavo Barroso, ferrenho adversário da Bucha? Ou seria, como consta na biografia romanceada "À sombra de Júlio Frank", do escritor brasileiro de origem alemã Afonso Schmidt, um fugitivo sim, mas por motivos outros como dívidas e envolvimentos em duelos?
Os poucos documentos encontrados na Alemanha, em uma pesquisa feita na primeira metade do século passado – o registro de seu batismo em Gotha e uma carta para a direção da Universidade de Göttingen, onde estudou –, apontam para a última hipótese. No Brasil, porém, os seus passos são mais conhecidos, faltando determinar a data exata em que aqui aportou. Sabe-se com certeza, porque consta do Registro de Estrangeiros catalogado no Arquivo Nacional, que estava no Rio de Janeiro em 1831, e no dia 14 de junho desse ano viajou para São Paulo. Após breve passagem por Sorocaba, fixa-se na capital paulista como professor de história do Curso Anexo, que preparava os pretendentes a ingressar na Faculdade de Direito.
Morre em 1841, de pneumonia, deixando um livro de sua autoria, dos primeiros impressos em São Paulo – Resumo de História Universal – no qual incluiu um discurso feito por Schiller na abertura da aula de história na Universidade de Iena. Seu legado, porém, é mais amplo: conhecedor dos clássicos da filosofia e fluente em vários idiomas, foi o primeiro alemão culto a se fixar no Brasil e a direcionar o pensamento da juventude contra a escravidão e os regimes absolutistas, revolucionando para sempre a vida de uma cidade que tinha então apenas dez mil habitantes, mas que se tornaria a maior do Brasil.
Herbert Carvalho
19.04.08 – INSTITUTO ARQUEOLÓGICO: Cavando conhecimentos
Entre trabalhos minuciosos e achados sensacionais: os cientistas do Instituto Arqueológico Alemão trabalham hoje com pás e alta tecnologia Instituto Arqueológico Alemão
Um cenário dramático na vasta paisagem da Sibéria: os esqueletos de cavalos desenterrados sob a colina do túmulo de um príncipe cita transmitem ainda hoje a impressão de um ritual de sepultamento. Mas para os arqueólogos o trabalho não termina aqui. Uma análise de DNA dos ossos deverá dar maiores informações sobre estes animais. Alta tecnologia em vez de pá. Os arqueozoólogos estão à procura do cavalo original. Eles querem saber mais sobre os cavalos selvagens do período pós-glacial, sobre a sua domesticação e sobre a relação entre o ser humano e o animal. Uma das questões interessantes para os cientistas é saber se já eram criados ali cavalos de raça apurada. Assim, nesta disciplina, como também na arqueobotânica e em muitas outras áreas parciais da moderna arqueologia, surgiram novos campos de pesquisa da história cultural, através da introdução de modernos processos científicos. O estudo-piloto sobre os cavalos do túmulo principesco é apenas um dos muitos projetos realizados com a participação do Instituto Arqueológico Alemão (DAI).
Os leigos talvez possam entusiasmar-se ainda mais pelas descobertas nas colinas sepulcrais em Arzhan, nas proximidades da fronteira russo-mongólica. Neste “vale dos reis”, os arqueólogos da Alemanha descobriram um túmulo do século VII a.C., cujo conteúdo de milhares de objetos de ouro foi uma das maiores sensações arqueológicas dos últimos anos. Os achados são perfeitamente comparáveis com a importância do túmulo do faraó egípcio Tutankhamon.
O Instituto Arqueológico Alemão, fundado em 1829, opera, coordena e apóia mundialmente em cooperação internacional. Pedras, madeira ou ossos, estepe, deserto ou montanha, escavação, reconstrução ou análise em laboratório – a pesquisa de culturas extintas é hoje uma tarefa de enorme complexidade. A central do DAI tem a sua sede no bairro de Dahlem, em Berlim. E em todo o mundo trabalham seus departamentos, postos externos e comissões, em Atenas, Roma e Cairo, em Istambul, Ancara, Madri, Lisboa, Teerã, Sana ou Damasco. O DAI, que a partir de março será dirigido pelo renomado historiador da Antiguidade Hans-Joachim Gehrke, presta assim uma importante contribuição ao diálogo das culturas. Ele está hoje subordinado ao Ministério das Relações Exteriores e, com um total aproximado de 250 funcionários contratados, está entre as maiores instituições mundiais deste tipo.
Leia mais na Revista Deutschand deste mês…
Reinhard Osteroth (Revista "Deutschland")
05.02.08 – PRESENÇA VIKING: Mais um candidato para a lista da Unesco Arqueiro Viking
Danewerk e Haithabu são duas localidades no norte da Alemanha (Schleswig-Holstein) que possuem vestígios da civilização viking que poderão vir a constar da lista do Patrimônio da Humanidade da Unesco. As ruínas de fossos, antigas fortificações, são testemunhas da presença da cultura viking e da estrutura social deste povo no país. “São locais autênticos da história da humanidade que deveriam pertencer à lista do patrimônio mundial e que devem por isso serem especialmente protegidos”, disse o governador Peter Harry Carstensen em Kiel, capital do Estado, na segunda-feira (04.02). A proposta junto à Unesco está sendo apresentada em conjunto pela Alemanha, Islândia, Dinamarca e Suécia, países onde a presença viking é particularmente marcante.
Em Dresden, onde o vale do rio Elba com suas edificações renascentistas é classificado pela Unesco como patrimônio da humanidade, persiste um dilema. Como construir uma ponte sobre o Elba sem descaracterizar a paisagem tombada e manter o título da Unesco? Uma solução vem sendo discutida e para isso a Unesco envia técnicos ao local a fim de estudar o assunto. O mesmo problema ocorre no vale do Reno Médio, também patrimônio da Unesco e onde o projeto de uma ponte coloca em risco a manutenção do título. As autoridades afirmaram que a ponte só seria construída com o consentimento da Unesco. No caso da ponte significar a perda do status concecido pela Unesco, discute-se a possibilidade de se construir um túnel sob o rio, o que custaria quase duas vezes mais.
Josiane Cotrim
16.01.08 – BAD AROLSEN: Abertura de arquivo para compreender o nazismo
Há mais de seis décadas os estudiosos tentam compreender o funcionamento do sistema de repressão nazista que controlou a Alemanha por 12 anos e o tema parece não se esgotar. Em breve, os pesquisadores devem apresentar ao mundo uma nova leva de conclusões sobre o capítulo mais triste da história alemã. Em novembro foi aberto para consulta pública o arquivo de Bad Arolsen, onde estão reunidas as fichas de 17 milhões de pessoas perseguidas pelo nazismo, boa parte delas prisioneiras em campos de concentração. Até então, as informações do arquivo eram restritas à consulta dos perseguidos em si ou de seus parentes próximos.
O arquivo de Bad Arolsen foi criado em 1943 pela Cruz Vermelha, que o administra desde então. À medida que os Aliados avançavam sobre o território nazista, documentos que poderiam ajudar a localizar vítimas da ditadura de Adolf Hitler eram enviados para lá. Assim, o local transformou-se num centro de informações para rastrear o paradeiro de desaparecidos. “A dimensão absoluta da coleção e sua natureza única permitem que estes documentos esclareçam os horrores infligidos sistematicamente e em enorme escala pelo regime nacional-socialista entre 1933 e 1945”, disse o diretor do arquivo, Reto Meister, por ocasião da abertura à consulta pública. “Agora será possível realizar pesquisa detalhada sobre o transporte de prisioneiros, as populações dos campos de concentração e a saúde das pessoas que realizavam trabalhos forçados, por exemplo”, acrescentou.
03.01.07 – CABEÇA À PRÊMIO: Prisão de Aribert Heim vale 310 mil euros
Alemanha, Áustria e ONG judaica se unem na caça ao nazista que matou centenas e oferecem 310 mil euros para pistas que levem à prisão de Aribert Heim Possível aparência do Dr. Morte
As últimas informações levam a crer que ele esteja refugiado em algum dos países da America do Sul. O centro Simon Wiesenthal, ONG que concentra o seu trabalho basicamente no combate ao anti-semitismo, aponta como destinos prováveis o Chile e a Argentina. “Desde o ano 2004 ele não tem paz. Todos os passos dos seus parentes são observados e ele está constantemente na mídia”, disse Efraim Zuroff, diretor da filial em Jerusalem, em entrevista ao diário Frankfurter Allgemeine. Para pistas que levem à capturação de Aribert Heim o centro Simon Wiesenthal juntamente com a Alemanha e a Áustria oferece uma recompensa de 310.000 euros. Heim encabeça a lista dos nazistas mais procurados no mundo!
Foram pouco mais de quatro anos de atividades no campo de concentração Mauthausen, próximo a Linz, na Áustria, que o fizeram conhecido como Dr. Tod (Dr. Morte). De 1941 a 1945 ele torturou e matou centenas de prisioneiros através de injeções no coração e operações para a extração de órgãos que foram realizadas sem qualquer uso de anestesia. Preso por soldados americanos no final da Segunda Guerra, Heim conquistou a liberdade dois anos mais tarde, quando voltou a exercer a profissão como ginecologista na cidade de Baden-Baden, na região de Baden-Württemberg.
Em 1962, após desfrutar de 15 anos de plena liberdade em solo alemão, o médico austríaco teve a sua sentença revogada e na seqüência colocou em ação o plano de fuga. Segundo Efraim Zoroff, Aribert Heim “é um entre dezenas e muito provavelmente centenas de criminosos nazistas escondidos na América do Sul”. De acordo com a agência de notícias alemã DPA, especialistas apostam em pelo menos 150 foragidos só na Argentina. Os casos mais conhecidos são o do organizador do plano de extermínio dos judeus, Adolf Eichmann, e o do médico do campo de concentração Auschwitz, Joseph Mengele.
Para a caça a esses nazistas o Simon Wiesenthal Center desenvolveu em 2002 a “Operação Última Chance” e lançou-a em países como Polônia, Romênia, Áustria, Alemanha, Hungria, Rússia e Ucrânia: “até o momento houve denúncias que já nos levaram a nomes de 488 suspeitos escondidos em 20 países. Em 99 desses casos foi acionada a justiça e em três deles foi decretada a voz de prisão”. Sessenta e dois anos depois do término da guerra o Simon Wiesenthal Center empenha-se e apressa-se em seguir as pistas dos criminosos que ainda estão vivos. Após a Argentina, o Centro pretende dedicar-se às buscas no Brasil, seguido do Chile e do Uruguai.
O fóssil de uma garra de escorpião do mar de mais de 390 milhões de anos foi descoberta em uma pedreira nas proximidades da cidade de Prüm, no Sudoeste da Alemanha. O paleontólogo Markus Poschmann escavava uma pedra quando descobriu o fóssil de 45 centímetros o que leva a crer que o animal media pelo menos dois metros e meio. É o maior fóssil de invertebrado descoberto até o momento.
Os cientistas acreditam que na época em que o animal viveu, havia muito mais oxigênio na atmosfera terrestre, o que poderia explicar a existência de invertebrados gigantes como o escorpião de Prüm.
Josiane Cotrim
13.11.07 – MURO DE BERLIM: Após 18 anos restam apenas memórias
No dia 9 de novembro de 1989 caía literalmente por terra o maior símbolo da guerra fria. Hoje, 18 anos depois, o muro de Berlim é alvo de debates públicos mesmo que do muro mesmo só tenha restado pequenos pedaços o que frustra os turistas em busca da atmosfera dos tempos da cortina de ferro.
Por sua repercussão internacional e importância histórica que marcou uma época, interroga-se porque não existe um monumento dedicado à queda e consecutiva reunificação alemã ocorrida um ano depois. As discussões ganham espaço e sugere-se que o monumento seja localizado em Berlim ou em Leipzig onde a revolução pacífica contra o regime comunista da RDA (República Democrática Alemã) começou. O tema já chegou ao Bundestag, o Parlamento Alemão, que deu preferência à capital que já abriga o monumento do Holocausto, um dos mais visitados do mundo. As discussões estão na ordem do dia e já se considera um concurso para escolher o escritório de arquitetura que realizará o futuro monumento.
Para lembrar a data da queda do muro este ano o artista plástico sul-coreano, Eun Sook Lee, construiu uma instalação de 22 metros de largura, um muro colorido de plástico fosforescente em frente ao Portão de Brandenburgo, em Berlim, exatamente no local onde passava o muro. O artista quis fazer uma analogia com seu país onde o muro continua erguido.
Mesmo quando não existe quase nada de concreto do muro, ele continua presente nos corações e mentes da população alemã. A revista semanal “Der Spiegel” publicou uma pesquisa realizada junto à TNS Forschung por ocasião do aniversário da queda do muro. Os resultados mostram que ainda existe ainda uma grande diferença de opiniões entre os habitantes do lado ocidental e oriental, mesmo que essa diferença se dissipe com a idade dos pesquisados. Os jovens cada vez mais assimilam a nova Alemanha unificada.
No lado oriental persiste o que os alemães chamam de ostalgie, ou seja, uma certa nostalgia pela vida no leste. Mesmo que a maioria apóie a democracia, existe também uma maioria que defende que o socialismo em teoria seja positivo, que apenas foi mal aplicado nas ditaduras do bloco oriental. Entre os jovens, existe o sentimento de que tenha restado tão pouco do que foi a vida na RDA, sentimento este que foi tema central do filme “Adeus, Lênin!”. Os efeitos colaterais de uma sociedade liberal, como desemprego e criminalidade, são criticados por muitos que viveram na RDA. Ao contrário do que acontecia no sistema comunista, há nessa sociedade liberal liberdade de expressão para que os entrevistados manifestem-se livremente suas opiniões e suas críticas.
30.10.07 – CRIMES DE GUERRA: Mais um centro de documentação e memória Passado presente
Mais uma vez a Alemanha toma a iniciativa de tornar públicos os crimes cometidos na 2ª Guerra Mundial. Foi inaugurado no dia 28.10 um novo Centro de Documentação, no lugar onde antes existiu o campo de concentração de Bergen-Belsen, ao sul de Hamburgo. Cerca de 100 sobreviventes e 700 convidados participaram da cerimônia de abertura. O governador da Baixa Saxônia, Christian Wulff, elogiou o conceito do centro que documenta a vida de prisioneiros de guerra, os crimes nazistas e os assassinatos em massa.
O Ministro da Cultura Bernd Neumann agradeceu sobreviventes e familiares dos presos de Bergan-Belsen, que contribuíram com sua memória para fazer com que o mundo conheça o que se passou ali: “A Alemanha pode e deve não renegar lugares de memória como Bergen-Belsen”, disse. “Reflexão e memória são um dever nacional”, concluiu.
Em Bergen-Belsen morreram cerca de 70 mil pessoas, pelos mais diversos motivos, desde fome até assassinatos em massa. Foi para este campo que a ditadura de Getúlio Vargas enviou Olga Gutmann Benário, companheira de Luís Carlos Prestes, alemã, judia e comunista, que lá acabou sendo morta.
Mariana Antoun
16.08.07 – MURO DE BERLIM: Tributo às vítimas Construção há 46 anos
As vítimas que morreram tentando ultrapassar o Muro de Berlim foram lembradas por políticos da capital, em cerimônias no dia 13 de agosto, data que marca a construção do muro, em 1961. O atual prefeito de Berlim, Klaus Wowereit (SPD), depositou uma coroa de flores no memorial da Bernauer Straße e participou de cerimônia religiosa na Capela da Reconciliação (Kapelle der Versöhnung): “É importante lembrar e tirar lições daquele regime de injustiças”, disse Wowereit, que já recebeu críticas por formar seu governo em coalisão com o Linkspartei. Esse partido resultou da união de dois partidos alemães de esquerda, incluindo o Partido do Socialismo Democrático, o PDS, que tem sua origem no SED, cujos dirigentes governaram a Alemanha Oriental e decidiram pela construção do Muro de Berlim.
O muro caiu no dia 9 de novembro de 1989 e a Bernauer Straße tornou-se um símbolo da cidade dividida uma vez que o muro, ali, chegava a tocar a frente de alguns apartamentos. Muitas pessoas, na época da construção, simplesmente passaram para o lado ocidental pela janela. Segundo as mais recentes estudos do Centro de Pesquisas Históricas de Potsdam, 133 pessoas morreram entre 1961 e 1989 tentando ultrapassar o Muro de Berlim. O número total de vítimas na fronteira inteira que separava as duas Alemanhas, segundo algumas estimativas, é superior a mil.
Esse foi também o tema discutido durante seminário, organizado pela Embaixada da Alemanha e o Goethe-Zentrum, em Brasília, em cooperação com a Secretaria de Educação do Distrito Federal. O evento contou com a presença de cerca de 90 professores de História e Geografia no dia 16. O objetivo foi discutir como apresentar a reunificação alemã nas salas de aula. No final do seminário foi apresentado o premiado filme "Adeus, Lênin!", de Wolfgang Becker, que fala justamente da queda do muro.
Josiane Cotrim
15.08.07 – GLAMOUR E ELEGÂNCIA: Colecionadores descobrem bicicletas históricas Réplicas são construídas por proprietários
Os pedais são rústicos, o farol é do tamanho da metade de um coco. Uma corda bem bolada faz acionar a campainha barulhenta, e sobre a armação negra destaca-se o logotipo “Alemannia”. A bicicleta masculina, ano de fabricação 1953, é um dos oitenta exemplares que Axel Brune oferece em sua loja “Klassische Fahrräder”, em Hamburgo-Eppendorf.
As bicicletas antigas ganham cada vez mais fãs na Alemanha. “A técnica é simplesmente fascinante”, diz Kurt Niemeyer, presidente da Associação “Bicicletas Históricas”. “Muito do que é vendido hoje no campo da mountainbike como a última palavra em tecnologia já existia há oitenta anos, como, por exemplo, assentos com molas. Mas, segundo ele, muitas descobertas foram caindo no esquecimento, tal como ocorreu com a indústria de bicicletas que existia na Alemanha desde a Segunda Guerra Mundial. Especialistas estimam que haja cinco mil marcas diferentes. Niemeyer enumera Anker, Rixe, Dürkopp e Wanderer como grandes nomes, mas a Miele, Mercedes e Opel também projetaram e construíram bicicletas naquela época.
O declínio começou principalmente nos anos cinqüenta e sessenta, com o milagre econômico e a motorização. Fábricas e pequenas empresas foram fechando uma após a outra. Os automóveis baniram das ruas as bicicletas como meio de transporte diário.
Muitos proprietários mandam restaurar suas preciosas antigüidades. “A maioria quer que elas andem, mas sem tirar a pátina”, diz um colega de Brune. “Que fiquem o mais próximo possível do original”, é o lema da maioria dos amantes de bicicletas. Freqüentemente, contudo, é difícil encontrar peça de reposição, o que torna imprescindível o contato permanente com outros colecionadores. Pela internet ou na revista especializada “Der Knochenschüttler” (“sacudidor de ossos”) pode-se comprar engrenagens, lanternas e correntes ainda com a embalagem original.
Algumas firmas fabricam, em pequenos lotes, até mesmo substitutos para peças de reposição. Outras especializaram-se em imitações completas de modelos antigos. É o caso da Weltrad-Manufactur, na cidade de Schönebeck, Estado da Saxônia-Anhalt, que, desde 2004, reconstrói bicicletas com a marca do mesmo nome, que teve seu apogeu durante a República de Weimar. As reproduções do modelo de 1930 apresentam a mesma armação em aço moldada à mão, assento de couro e paralamas cromados, combinadas, no entanto, com técnicas modernas. Também foi ressuscitada, há alguns anos, a lendária marca “Wanderer”, de Chemnitz. A marca “Diamant” oferece seus modelos clássicos de bicicletas, utilizados na antiga República Democrática Alemã, sob o lema: “Glamour e elegância dos bons velhos tempos”.
Redação - Fonte: dpa
10.07.07 – PALEONTOLOGIA: Descoberto objeto de arte mais antigo do mundo
As cavernas do sudoeste alemão continuam revelando surpresas para os arqueólogos. Uma escultura de 35 mil anos foi encontrada na caverna de Vogelherd pelos arqueólogos e estudantes da Universidade de Tübingen que faziam escavações no local. Trata-se do mais antigo objeto completo de arte esculpido pelo homem, uma miniatura de um mamute de quatro centímetros em marfim. A peça, fabricada a partir do dente canino de um mamute, impressiona por sua delicadeza e perfeição.
Quatro outras esculturas, todas em marfim, foram também encontradas na região. As peças datam da Idade do Gelo, período entre 40 e 14 mil anos a.C. As esculturas serão expostas a partir do dia 24 de junho no Museu da Pré-história de Blaubeuren, em Baden-Württemberg, devendo fazer parte de uma exposição em Stuttgart, em 2009.
Josiane Cortrim
24.05.07 – MEMORIAL DO HOLOCAUSTO: Milhões de visitantes em dois anos
Desde sua inauguração em 2005, o monumento aos judeus mortos pelos nazistas atrai uma enorme quantidade de visitantes. Situado no coração de Berlim, próximo ao Portão de Brandemburg e o Parlamento, estima-se que o número de visitantes até agora esteja entre 7 e 8 milhões. Ninguém contava com uma afluência de visitantes tão grande assim, diz a jornalista Lea Rosh, uma das idealizadoras do projeto.
O monumento de 19 mil metros quadrados, composto de blocos de cimento cinza, é um projeto do arquiteto Peter Eisenman. A obra é aberta para que cada um faça sua própria interpretação: uma onda, um campo de cereal ou um cemitério.
Quase dezessete anos após a reunificação alemã, o Instituto Frauenhofer desenvolve um projeto piloto a fim de reconstituir documentos que a Stasi, a polícia secreta da ex-Alemanha Oriental, rasgou quando o regime caiu. Eles fizeram assim para destruir provas de suas atividades durante o regime comunista.
O computador deverá recuperar documentos em papel rasgados e guardados em 400 sacos. Um dos objetivos do projeto é mostrar que as vítimas dos abusos dos direitos humanos não foram esquecidas.
O vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro de 2007, A vida dos outros (Das Leben der Anderen) de Florian Henkel von Donnersmarck, trata do mesmo tema. O filme será exibido pela primeira vez num país lusófono em Brasília, no dia 30 de junho, no Festival de Cinema Europeu.
Josiane Cotrim
29.03.07 - QUANTOS CASTELOS TEM A ALEMANHA? Pesquisa cataloga até ruínas Pesquisador acredita que existam entre 20 e 25 mil
Ninguém sabe responder ao certo quantos castelos a Alemanha possui. “Achamos que temos entre 20 e 25 mil” afirma Reinhard Friedrich, presidente do Instituto Europeu dos Castelos que fica na cidade de Braubach na região Renânia-Palatinado, no vale do Reno. O Instituto trabalha na organização de um extenso catálogo que vai registrar todos os castelos das diversas regiões da Alemanha. Ali, constarão mesmo aqueles castelos dos quais só restam ruínas ou até mesmo que já foram destruídos mas que estão mencionados em obras literárias.
Numa primeira etapa já foram catalogados 600 castelos que já estão inclusive relacionados na Internet. O trabalho continua e deve durar ainda alguns anos pois o projeto visa catalogar castelos de outros países europeus.
Josiane Contrim
20.03.07 – HALLSTEIN: Há 25 anos morria Walter Hallstein, um europeu convicto
Costumava ser chamado “Senhor Europa” ou, às vezes, de “Imperador da Europa”. Nos idos dos anos cinqüenta do século passado, o alemão Walter Hallstein contribuiu decisivamente para a fundação da Comunidade Européia, tendo sido, em 1958, o primeiro Presidente da Comissão Européia, sediada em Bruxelas. Hallstein, cujo nome foi dado à doutrina que norteou a política externa alemã durante vários anos, morreu há 25 anos, em 29 de março de 1982.
Nascido em 17 de novembro de 1901, Walter Hallstein foi jurista e, a partir de 1930, deu aulas, como Professor, na Universidade de Rostock, no norte da Alemanha, e, a partir de 1941, em Frankfurt. Depois da Segunda Guerra Mundial, foi o reitor que refundou e reabriu a Universidade daquela cidade.
Pouco depois de regressar dos Estados Unidos, onde esteve como prisioneiro de guerra, Hallstein começou a trabalhar pela integração da Alemanha junto a organismos internacionais como a Unesco. Em 1950, o Chanceler Konrad Adenauer encarregou-o de chefiar a delegação alemã nas negociações sobre a Comunidade Européia do Carvão e do Aço (CECA). O tratado, considerado um dos pilares da União Européia, foi celebrado em 18 de abril de 1951.
Naquele mesmo ano, Hallstein tornou-se Secretário de Estado do Ministério de Relações Exteriores. Como homem de confiança de Adenauer, ajudou a consolidar a posição alemã na aliança ocidental. Como jurista, desempenhou papel decisivo nos acordos de fundação da União Européia, notadamente os tratados de constituição da Comunidade Econômica Européia (CEE) e da Comunidade Européia de Energia Atômica (Euratom). E, em 25 de março de 1957, ele e Adenauer assinaram os tratados, em Roma, juntamente com França, Itália, Bélgica, Luxemburgo e Holanda.
Como Presidente da Comissão da Comunidade Econômica Européia, a partir de 1958, Hallstein empenhou-se na construção de um mercado comum e de instituições européias. Ele acreditava que a unificação européia era um passo fundamental para a paz. Pelos serviços prestados nesse sentido, Walter Hallstein recebeu, em 1961, o Prêmio Carlos Magno da Cidade de Aachen, ao qual se seguiram vários outros.
Tornou-se internacionalmente conhecido pela doutrina que leva o seu nome e que determinou a política externa alemã. Segundo seus princípios, a República Federal da Alemanha deveria romper relações com os países que reconhecessem a comunista República Democrática Alemã. Foi, contudo, uma doutrina controvertida. Ao longo dos anos 60, Bonn abandonou, gradativamente, sua política de isolamento da República Democrática Alemã.
Em 1967, Hallstein deixou seu posto de chefe da Comissão. Europeu convicto que era, engajou-se como presidente, até 1974, no Movimento Europeu, união de grupos interessados na política européia. Morreu em 1982, aos 80 anos.
Redação
01.03.07 – GUERRA E PAZ: Após séculos de agitação, Alemanha segue em rumo tranqüilo
Ao olhar para a história de seu país, qualquer alemão pode respirar aliviado. A relativa tranqüilidade e estabilidade do país hoje destoa totalmente dos convulsivos acontecimentos que o moldaram nos últimos dois séculos o parlamento alemão
Invadida por Napoleão no começo do século 19, a Alemanha não era ainda uma nação unificada como seus vizinhos. Depois que o francês foi derrotado e expulso, abriu-se espaço para que os diversos reinos alemães se juntassem numa liga liderada pela Áustria. A revolução popular de 1848, influenciada por idéias liberais, instalou o primeiro parlamento democrata na Alemanha, más foi derrotada por monarquistas no próximo ano. Agitações políticas impediram que a nação se unificasse de fato. Isto só aconteceria em 1871, sob a liderança da Prússia do chanceler Otto Von Bismarck. Ao travar guerras contra a Dinamarca, a Áustria e a França, ele conseguiu se aliar a diversos outros reinos alemães e, em 1871, fundar o Império Alemão. Esta união tardia colocou o país em desvantagem em relação a seus vizinhos, em questões como a colonização da África e do Oriente, e a divisão territorial da Europa. A Alemanha, agora uma nação unida, via seu crescimento impedido por outras potências, como a Inglaterra, França e Rússia.
A pressão aumentou até a eclosão da 1a Guerra Mundial, em 1914. Após quatro anos de conflito, uma revolta iniciada por marinheiros obrigou o imperador Guilherme II a abdicar do trono. Era o fim da Monarquia: diante da derrota iminente, o comando militar alemão deixou na mão dos social-democratas a fundação de uma República e a negociação de indenizações com as forças inimigas. Debilitada, a Alemanha perdeu diversos territórios e se endividou terrivelmente.
Essa República, nascida da derrota, criou um ambiente propício para o surgimento de uma ideologia autoritária, o Nazismo. Muitos alemães identificavam a Democracia com a má fase econômica do pós-guerra e nutriam saudosismo pela gloriosa época imperial. Foi nesse ambiente politicamente conturbado que o partido nacional-socialista (NSDAP) de Adolf Hitler se fortaleceu, tornando-se o maior do país nas eleições parlamentares de 1932, com 33% dos votos. Já no ano seguinte, os nazistas restringiram os direitos civis após um incêndio no parlamento, o Reichstag, que atribuíram a seus rivais comunistas. Finalmente, também em 1933, Hitler assumiu amplos poderes, dissolvendo todos os partidos políticos, exceto o seu. Em seguida recriou o império (Reich), do qual ele seria o supremo líder (Führer).
A reorganização da economia – em grande parte em torno da indústria bélica – trouxe crescimento. O rearmamento e a propaganda nacionalista empolgou grande parte da população. Exemplo disso é o amplo apoio popular dos austríacos à sua anexação ao Reich, em 1938. Paralelamente, o mecanismo de propaganda exaltava a suposta superioridade dos “verdadeiros” alemães, os arianos, em detrimento de judeus, ciganos homossexuais e outras minorias. Assim criava-se um ambiente que resultaria no massacre de milhões de pessoas em campos de extermínio.
Da invasão da vizinha Polônia em 1939, até a derrota em Estalingrado, na ex-União Soviética, em agosto de 1943, as forças alemãs pareciam imbatíveis. A partir daí, a máquina de guerra nazista perdeu fôlego e acabou totalmente destruída em abril de 1945, com a tomada da capital, Berlim, e o suicídio de Hitler.
Das ruínas da guerra emergiu uma Alemanha submetida às potências vencedoras e chocada com suas próprias atrocidades. Ao ser confrontada com a realidade dos campos de concentração, a sociedade alemã desenvolveu um sentimento de culpa que até hoje é um de seus traços marcantes e tema de inúmeros debates. Ao mesmo tempo, o país se transformava em palco da disputa entre as potências ocidentais capitalistas, lideradas pelos EUA, e o bloco comunista encabeçado pelos soviéticos - a Guerra Fria. Como os dois blocos não chegaram a um acordo sobre como administrar conjuntamente a Alemanha, a solução foi dividir territorialmente o país e, em separado, sua capital. Surgiam assim a República Federal da Alemanha (Ocidental), país capitalista criado sob o modelo federalista dos EUA, dividido em estados com certa autonomia, e a República Democrática Alemã (Oriental), um “estado socialista de operários e camponeses” inspirado no modelo soviético.
Com apoio americano, a Alemanha Ocidental experimentou um verdadeiro milagre econômico e nos anos 70 já figurava novamente como potência econômica mundial. A Alemanha Oriental, por falta de recursos, teve mais dificuldade. Boa parte dos alemães orientais, diante da pujança da economia vizinha e da repressão política do regime de partido único, nutria uma insatisfação com a divisão do país.
As duas partes só puderam se reunir com o enfraquecimento interno do bloco comunista. Em outubro de 1990, a Alemanha Oriental se reintegrava oficialmente à República Federal, dando início a um grande esforço conjunto para fomentar o desenvolvimento da região e lograr uma Alemanha com nível econômico homogêneo. De fato, este equilíbrio ainda não foi atingido. A antiga zona oriental ainda é a de salários mais baixos e de maiores índices de desemprego, apesar de todo o apoio estatal.