LÍNGUA
 

INSTITUTO GOETHE: Bem-vindo, Herr Lehmann!
DO DIALETO AO HOCHDEUTSCH: Muitas Alemanhas em uma
VITÓRIA: Escolas capixabas optam pelo alemão
EXPORTAÇÃO CULTURAL: Instituto Goethe tem novo diretor
ESTUDO BILÍNGÜE: O alemão em uma escola brasileira

CASA DA JUVENTUDE: Serra gaúcha com sotaque alemão
DIFUSÃO CULTURAL: Mais escolas mundo afora
LINGUÍSTICA: Strudel é tema de estudo
A LÍNGUA DOS AVÓS: Alemão presente nos currículos das escolas
APRENDA E VENDA: Língua alemã em alta
AULA DE PORTUGUÊS: Escola em Dortmund é a única com português
no currículo até as exames finais



31.03.08 – INSTITUTO GOETHE:
Bem-vindo, Herr Lehmann! ACIMA
Jutta Limbach e Klaus-Dieter Lehmann - Fonte: dpa Limbach e Lehmann

Uma era chega ao fim. Klaus-Dieter Lehmann, renomado gestor da cultura na Alemanha, é o novo presidente do Goethe-Institut, presidido nos últimos seis anos por Jutta Limbach. Durante o mandato de Jutta Limbach reformas de peso foram realizadas. Atualmente, o número de institutos no mundo está novamente em alta, da mesma forma que aumentaram os recursos financeiros. Com mais de 130 centros espalhados por 70 diferentes países, o Instituto Goethe tem por missão promover a língua alemã no mundo, difundir os diversos aspectos da cultura da Alemanha e favorecer a cooperação internacional entre artistas e escritores.

Na visão do ministro das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, a política cultural e educativa no exterior está entre as prioridades da sua política. "Num mundo marcado pelo surgimento de novos centros de poder, devemos estar atentos para que nossa cultura seja visível e compreensível". A cooperação entre o ministério das Relações Exteriores e o Goethe ao longo dos últimos anos tem sido muito frutífera: após a fase de cortes orçamentários em meados dos anos 1990, uma estratégia comum e de reforma foi adotada a fim de reorganizar o futuro do Goethe-Institut. Novos institutos serão aberto proximamente, inclusive em Angola.

Josiane Cotrim


19.12.07 – DO DIALETO AO HOCHDEUTSCH:
Muitas Alemanhas em uma ACIMA

O alemão é a única língua oficial da Alemanha. Cerca de 100 milhões de Europeus dominam o alemão, assim que, depois do russo, é a língua mais difundida da Europa e faz parte das 10 línguas mais faladas do mundo. No entanto a pronúncia varia em cada região do país. Ainda que a língua escrita seja uniforme em toda a Alemanha, há uma série de dialetos regionais que podem dificultar a compreensão, já que, segundo o famoso poeta Johann Wolfgang von Goethe, no dialeto é que começa a língua falada.

Para melhor entendimento da origem dos dialetos alemães é preciso voltar um pouco na história. O desenvolvimento de diferentes dialetos regionais foi um processo que aconteceu aos poucos, como conseqüência das colonizações, da migração dos povos e das rotas de comércio. Além do fator comunicação, já que esta era feita basicamente pelos rios e o isolamento entre um Estado e outro já que eles eram separados por grandes florestas e íngremes montanhas.

A tradução da Bíblia feita por Martinho Lutero unificou a língua alemã e proporcionou o surgimento do padrão clássico do alemão, o Hochdeutsc. No entanto, certos dialetos como o Bayrisch, cuja origem vem do Estado da Baviera (Bayern), que fica no sul da Alemanha, diferem-se tanto do Hochdeutsch que muitos alemães chegam a não compreendê-lo.

Os dialetos da Alemanha são normalmente classificados em baixo-alemão, médio-alemão e alto-alemão. O alemão baixo é falado nas regiões ocupadas pelo povo germânico no norte da Alemanha que são áreas mais planas e como já diz o nome: baixas. Já o dialeto alto-alemão é comum escutar em regiões mais ao sul do país que são mais altas e montanhosas. Desta forma, os dialetos divididos em grupos se referem às regiões demográficas onde o povo alemão se concentra.

No Brasil:
O alemão falado no Brasil, é um idioma regional sul-brasileiro, sendo assim, não é precisamente reconhecido como um idioma estrangeiro. O dialeto alemão que predomina no país veio com a imigração alemã, o chamado Riograndenser Hunsrückisch. (a origem vem de Hunsrück e do Rheinland-Pfalz na Alemanha) Outro dialeto também muito utilizado no Brasil é o Pomerano, como em Santa Catarina e em várias partes do Estado do Espírito Santo. O interessante neste dialeto é que ele somente sobreviveu no Brasil. Na Alemanha ele deixou de existir.

Martha Ayres Denk

LINK:
Atlas de dialetos alemães


19.09.07 – VITÓRIA:
Escolas capixabas optam pelo alemão ACIMA
Andreas Kitzinger - Fonte: Martha Ayres Denk Língua para levar cultura

A leste do Brasil, no Estado do Espírito Santo (o gentílico do estado é capixaba ou espírito-santense) os alemães estão muito presentes na vida da sociedade, já que foram eles os primeiros a cultivar o solo mais distante da costa. Muitos aspectos da vida ainda são mantidos em partes mais frias do Estado, como Domingos Martins, uma cidade nas montanhas, que continua conservando a cultura alemã. Para não perder os laços com sua tradição as escolas capixabas escolhem o alemão para dar continuidade às tradições alemãs.

O Estado, que valoriza a preservação de suas raízes mantendo músicas e festas típicas, visa investir no estudo do alemão nas escolas de idiomas. Com a demanda crescente, os centros de ensino de línguas querem aprimorar cada vez mais seus métodos e tipos de aprendizagem.

Na região da grande Vitória, capital do Estado, o alemão já é lecionado na UFES – Universidade Federal do Espírito Santo –e nos cursos de idiomas Wizard e Yesky. O Centro Cultural Americano, hoje Yesky, que providencia serviços de tradução, versão e interpretação, oferece oito cursos de idiomas: alemão, inglês, espanhol, italiano, francês, árabe, japonês, português para estrangeiros e chinês. Entre estes, o segundo mais procurado é o alemão.

O centro de línguas tem investido bastante em treinamento de professores novos e aperfeiçoamento dos professores já familiarizados em dar aula na escola. Segundo a coordenadora Ludmila Ghil, o treinamento de professores de alemão no Espírito Santo, como no Brasil em geral, ainda é muito escasso. Sendo assim, a escola dá muito valor a workshops para manter a troca de informações bem como para estar em constante contato com os professores.

O que leva a maioria dos espírito-santenses a se familiarizar com o idioma é a ascendência. Seja ela de alemão, austríaco ou suíço: "Ajudar meus alunos a conhecer um pouco de sua ascendência me deixa muito satisfeito. Moro em Vitória há sete anos e meio e dou aula desde 2004. Sinto prazer quando percebo que meus alunos estão progredindo", relata o professor de alemão Andréas Kitzinger. Com uma influência alemã forte em várias pequenas regiões do Estado, como Santa Maria de Jetibá, Domingos Martins e Pancas, a demanda pelo idioma realmente se encontra em alta.

No entanto, as razões que levam os capixabas a estudar alemão diferenciam de pessoa para pessoa. "Tenho familiares alemães, o que influenciou muito minha decisão ao escolher o idioma. Amo a Alemanha e tenho vontade de conhecer e morar em outros países, como a Áustria e a Suíça, que também me agradam", declara o estudante Leonardo Y. Z. Varella. Já Carla Mesquita Guimarães, 22 anos, optou pelo idioma após começar a namorar um alemão: "Gosto muito da língua. O começo foi meio difícil porque o alemão é completamente diferente do português. Porém, as diferenças é que me motivam a continuar, são elas que me deixam com vontade de aprender mais e mais".

Outra razão fundamental na escolha do idioma é a profissão: "Na minha profissão, o conhecimento da língua alemã proporciona mais um meio de me manter informado e atualizado sobre as novas linhas de desenvolvimentos de pesquisas na área da saúde. Posso ter assim outro parâmetro de obtenção de informações, além das publicadas por instituições norte-americanas", posiciona-se o Fisioterapeuta Flávio Tristão.

Para a universitária Thays Pestana Rodrigues, a psicologia é a principal razão de seu interesse pelo alemão: "Ver e entender a origem de nossos estudos ao invés de lidar com a tradução é uma grande vantagem".

Com uma cultura riquíssima, seja nas áreas de música, dança, literatura, gatronomia e assim por diante, os países de língua alemã acabam gerando curiosidades com seus costumes e tradições atraindo assim futuros alunos para as escolas. Desta forma, os centros culturais de língua alemã em Vitória crescem mais aumentando o intercâmbio cultural entre o Brasil e a Alemanha.

Martha Ayres Denk


12.09.07 – EXPORTAÇÃO CULTURAL:
Instituto Goethe tem novo diretor ACIMA
Klaus-Dieter Lehmann - Fonte: dpa Klaus-Dieter Lehmann

Klaus-Dieter Lehmann, 67 anos, é o novo presidente do Instituto Goethe, principal órgão de divulgação da língua e da cultura alemã no exterior com sede em Munique e representações em cerca de 80 países do mundo. Lehmann já ocupava a vice-presidência do instituto e substitui Jutta Limbach no cargo. “É uma fantástica continuação do meu trabalho cultural, com uma dimensão ampliada”, disse Lehmann, que até agora ocupava a direção-geral da Fundação do Patrimônio Cultural Prussiano, a maior instituição cultural alemã responsável por 16 museus e a Staatsbibliothek de Berlim.

Como de praxe, a escolha foi confirmada pelo ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier. O conhecimento de Lehmann do cenário cultural da Alemanha será agora associado à tarefa internacional à frente do Instituto Goethe a partir de abril de 2008. A partir de outubro próximo o Brasil será o centro das atenções do Goethe. Por um período de quase um ano o Kulturfest apresentará uma maratona de eventos em diversas cidades brasileiras em cooperação com a Embaixada alemã e outras instituições culturais.

Josiane Cotrim


30.08.07 – ESTUDO BILÍNGÜE:
O alemão em uma escola brasileiraACIMA
Aula para crianças - Fonte: divulgação Aprendizado desde a infância

“Ich bin ich und wie heißt Du?” A frase, cantada por alunos de 4 anos de idade, sentados em roda no chão, com dedo em riste para o interlocutor, não deixa dúvidas. Até quem nunca ouviu uma sílaba em alemão entende: o pequeno se apresenta e quer saber quem o outro é. É assim, cantando e brincando, que crianças aprendem alemão no Pastor Dohms, única escola de currículo bilíngüe português-alemão da região Sul do Brasil, que compreende três estados: Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O Centro de Ensino Médio Pastor Dohms está localizado em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, Estado que teve grande presença de alemães entre seus colonizadores.

O ensino do alemão no Brasil conta com uma platéia atenta. Diversificada, ela inclui filhos de alemães nascidos no Brasil; filhos de brasileiros que tiveram contato com o idioma e querem que seus herdeiros o aprendam; filhos de pais com ascendentes alemães, mas que pouco praticam o idioma; alemães ou mesmo brasileiros cujos pais não entendem nada em alemão, mas que decidiram proporcionar este conhecimento a seus descendentes. Estes últimos, muitas vezes são privilegiados, pois nem sempre os pais falarem alemão é um incentivo aos filhos. “O que mais motiva a criança é poder ensinar os pais”, explica a professora Lisete Görbing, que coordena o currículo bilíngüe do Dohms.

Carolina Fritsch, 14 anos, estuda alemão desde a Educação Infantil e confessa que na sexta série teve vontade de desistir. A carga horária maior no currículo bilíngüe do Dohms do que a do currículo regular, também oferecido pela escola - com alemão a partir da terceira série –, conflitava com a prática de esportes no turno inverso. A persistência da família a fez seguir em frente. A recompensa vem nas conversas com a avó, que vê na neta sua consultora lingüística, quando não encontra palavra equivalente no português para expressar seus sentimentos em alemão. A viagem para a Alemanha em 2006 durante a Copa do Mundo também foi uma gratificação a seu empenho. Carolina participou junto com outros colegas do intercâmbio proporcionado pela escola duas vezes ao ano.

As habilidades desenvolvidas no colégio renderam a Ian Linck, 16 anos, prêmio em um concurso de leitura, que teve etapas em Picada Café e em São Leopoldo, no interior gaúcho. Durante o concurso, Ian pôde perceber como o alemão das colônias é diferente do considerado gramatical. Em municípios com maior colonização alemã, como no Vale do Rio dos Sinos, o idioma vem de casa. Tanto que muitas prefeituras procuram selecionar docentes que tenham habilidade de se comunicar nos dois idiomas para facilitar a adaptação dos alunos e o contato com os pais. Já em capitais como Porto Alegre, colonizada por açorianos, o alemão fica restrito à escola e à família. Na capital, apesar do interesse da Secretaria Municipal de Ensino, nenhuma escola pública oferece a língua. Mas, de acordo com a coordenadora da Assessoria de Línguas Estrangeiras, Joice Armani Galli, negociações já começaram e tudo indica que a inclusão do alemão no currículo das escolas públicas é só questão de tempo.

Fabíola Brites


22.08.07 – CASA DA JUVENTUDE:
Serra gaúcha com sotaque alemão ACIMA

No sul do Brasil , jovens se reúnem para praticar a língua de Goethe
Casa da Juventude - Fonte: Divulgação/ Jaqueline Böhm Paisagem alemã

A vista não poderia ser mais germânica. As janelas dão para um lago cercado por árvores, cujas mudas vieram diretamente da Floresta Negra. Daí o nome de uma das locações mais procuradas pelos turistas na cidade: Lago Negro. Esta é a área onde está a Casa da Juventude da cidade de Gramado, no Rio Grande do Sul, no extremo sul do Brasil. Construída em 1966 pela Federação dos Centros Culturais 25 de Julho, a entidade dedica-se às tradições, aos costumes, à língua e à cultura alemã.

No local são oferecidos os cursos básico, intermediário e de conversação na língua alemã para jovens de 14 a 20 anos, sempre no mês de julho, em parceria com o Instituto de Formação de Professores de Língua Alemã da Universidade do Vale do Rio dos Sinos - Unisinos.

“Em 2007 tivemos gaúchos e paulistas fazendo o curso”, destaca o diretor da Associação Cultural Gramado, Dieter Kleine. À frente da entidade desde o ano 2000, ele se mostra feliz com o programa. “Quem procura o curso quer ter um convívio maior com o alemão”. explica. Conforme Kleine, são profissionais do setor do turismo, hotelaria e gastronomia, que buscam melhorar o idioma para atender o turista estrangeiro. “Outros alunos têm o alemão de casa e querem apenas praticar”, complementa.

Durante o período em que aprendem a língua de Goethe, os alunos fazem passeios, gincanas culturais e vão ao cinema. “Todas as atividades estão voltadas ao aprendizado”, acrescenta o diretor da Associação. O porto-alegrense Gustavo Henrich, de 14 anos, repetiu a dose em 2007 e voltou à Casa da Juventude para aprimorar o idioma. “Este foi o segundo ano que participei, pois tenho origem alemã e quero praticar para poder falar mais com meu avô, já que nos comunicamos em alemão”, confessa orgulhoso o jovem.

Rodrigo Rodembusch

LINK:
www.brasilalemanha.com.br/acg


06.08.07 – DIFUSÃO CULTURAL:
Mais escolas mundo afora ACIMA

Governo anuncia aumento nos investimentos na rede de escolas alemãs em todo o mundo

Após anos de economia, o governo federal quer aumentar consideravelmente a rede de escolas alemãs no exterior. Acreditando na importância econômica da iniciativa, o orçamento para essa finalidade deverá aumentar 25% no próximo ano, segundo afirmou o Ministro das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier (SPD) ao jornal Handelsblatt. Simultaneamente, o número atual de escolas, que até agora é de 600, deverá ser acrescido. Steinmeier informou que deseja com essa iniciativa incrementar o número de parcerias escolares em no mínimo mil estabelecimentos.

A responsabilidade das escolas alemãs no estrangeiro é competência do Ministério das Relações Exteriores. Além de intensificar o fomento do governo federal, o Ministro Steinmeier deseja também conseguir que as empresas privadas se comprometam financeiramente. De acordo com a informação do jornal, o setor econômico apóia a iniciativa do aumento orçamentário do governo, para esses fins, de 41,1 milhões para 209,5 milhões de euros. O presidente da Câmara de Comércio e Indústria, Ludwig Braun, declarou ao jornal que a iniciativa do Ministro Steinmeier é “boa e necessária”.

Josiane Cotrim


25.07. 07 – LINGUÍSTICA:
Strudel é tema de estudo  ACIMA
Strudel de banana com sorvete - Fonte: Flickr Strudel de banana?

Tradicional iguaria da culinária germânica, o apfelstrudel consiste em uma massa fina e delicada recheada com maçãs, nozes, passas, canela e polvilhado com açúcar de confeiteiro. A receita, trazida para o sul do Brasil pelos imigrantes alemães, pode ser degustada hoje em dia em mesas de outras regiões do país. Popularizou-se de tal maneira que deu origem a uma nova versão, bem tropical, onde a maçã é susbstituída pela banana! A receita, que pode ser vista abaixo, foi adaptada por uma alemã que a tropicalizou ainda mais, incluindo as castanhas de caju no recheio ao invés das nozes.

E eis que a deliciosa sobremesa tornou-se até mesmo objeto de estudo. A professora de política linguística, Ellen Crista da Silva, realizou uma detalhada pesquisa mostrando como os hábitos de culinária se incorporam à língua portuguesa. Segundo a pesquisadora, ela mesma nascida em Blumenau e descendente de alemães, “em regiões e comunidades de imigração alemã, certas iguarias trazidas e transmitidas pelos imigrantes, como por exemplo o strudel, já fazem parte da cozinha brasileira. Não é por outro motivo que se encontra, nas padarias e confeitarias da região sul, plaquetinhas identificando o tradicional prato: strudel de maçã, strudel de banana. Palavras estas de origem estrangeira e que sofreram adaptação fônica: estrudel de maçãou, estrudel de banana.

Tanto a receita quanto a palavra foram modificadas em terras brasileiras. Atento à evolução da língua, o filólogo Antonio Houaiss incluiu a palavra strudel no seu dicionário de 2001. O verbete apresenta descrição fonológica, gramatical e etimológica, além da data provável do primeiro uso, em território nacional, 1900, época da colonização alemã no sul do país, como explica Ellen Crista. O autor segue com a definição; continua a professora, mas “enrola-se”, diz ela, em sua proposta de conceitualizar o verbete, pois anuncia a iguaria como sendo um ‘pastelão comprido e enrolado’. “Para o consulente letrado em gastronomia, fica a dúvida se é realmente um “pastelão” ou se é um “enrolado”, pois ambos são preparados de maneira muito distinta”, afirma a pesquisadora concluindo que, divergências à parte, vale a pena saborear o strudel de banana como sobremesa.

Josiane Cotrim

ESTRUDEL DE BANANA
(8 partes)

Ingredientes
Massa
250 gramas de farinha - 1/8 litro de água morna - 1 pitada de sal - 1 colher de sopa de vinagre - 1 colher de óleo - 1 ovo.

Recheio
100 gramas de uvas passas - 3 colheres de sopa de rum - 1 quilo de banana prata (não muito madura) - Raspas de meio limão - 100g de castanhas de caju - 100g de açúcar - Algumas gotinhas de essência de baunilha - 1 colher de chá de canela - 60g de manteiga sem sal - 3 colheres de sopa de farinha de rosca.

Modo de fazer
Coloque a farinha na mesa ou tampo de mármore; Acrescente a água morna com o sal, vinagre e o óleo; Trabalhe bem a massa; Adicione ovo; Continue trabalhando a massa com as mãos até a mesma ficar brilhante e suave; Forme uma bola e deixe descansar por 30 minutos numa tigela aquecida; Lave as uvas passas e mergulhe-as no rum por alguns minutos; Corte as bananas em rodelas finas; Raspe o limão e misture as castanhas quebradas, o açúcar, a essência de baunilha, a canela e as passas com a banana cortada.

Sobre um pano de prato polvilhado de farinha abrir a massa bem fina; Derreta a manteiga e espalhe sobre a massa; Acrescente a farinha de rosca; Deixe descansar por 5 minutos e em seguida espalhe a mistura de banana, castanhas, canela etc, deixando um espaço vazio por todos os lados; Enrole tudo com a ajuda do pano de prato como um rocambole; Espalhe o resto da manteiga numa forma plana, posar o estrudel e levar ao forno até ficar dourado. (temperatura de 200 graus).

Dica: Depois de pronto polvilhar com açúcar de confeiteiro e servir quentinho com uma bola de sorvete de creme ou creme simplesmete.

Silke Tischendorf-Lewin


19.06.07 - A LÍNGUA DOS AVÓS:
Alemão presente nos currículos das escolas   ACIMA
Estudantes em sala de aula - Fonte: ColourBox aula de alemão

Na terra da Oktoberfest brasileira, o idioma alemão faz parte do currículo da rede pública de ensino. Guten Tag, bom dia ou good morning. Para muitos alunos das redes públicas municipal e estadual, principalmente da região Sul do Brasil, a sala de aula é o espaço do pluralismo linguístico. Na verdade, um reflexo do que acontece na sociedade. Cidades como Blumenau, em Santa Catarina, com forte imigração alemã, cada vez mais exigem recuperar, no espaço escolar, o lugar que cada uma das línguas ocupou no passado e ainda ocupa hoje.

Governo e entidades da sociedade civil trabalham juntos para isso. E desenvolvem projetos como o PLURES, que coloca à disposição dos estudantes da rede municipal de Blumenau o alemão e o inglês como línguas estrangeiras. No caso, o alemão se torna a segunda língua, já que filhos de imigrantes não têm dificuldade nenhuma para praticar a língua em casa. Mas alguns chegam à sala de aula sem ainda ter desenvolvido a capacidade da escrita. O exemplo também é seguido em escolas do Rio Grande do Sul e outros estados.

Christiane Dias

LINK:
http://www.ipol.org.br


02.03.07 – APRENDA E VENDA:
Língua alemã em alta   ACIMA

Estudo revela que a língua alemã é a segunda mais utilizada na Europa no setor de exportação de empresas de médio porte. O resultado de uma pesquisa realizada pelo Centro Nacional de Línguas da Grã-Bretanha juntamente com a Comissão Européia atenta as empresas a investirem no conhecimento de línguas. Cerca de 2 mil empresas médias de toda Europa participaram da pesquisa. Dessas, 17,84% disseram que precisaram utilizar o alemão nos últimos 3 anos para realizar suas exportações. Já 11% das empresas entrevistadas disseram que já perderam contratos por falta de conhecimento de línguas. O estudo concluiu que existe um grande potencial para as empresas exportadoras que estiverem dispostas a investir no aprendizado de línguas.

Entre os entrevistados, 25,84%, disseram ser o inglês  a língua mais usada pelas empresas e 17,84% responderam ser o alemão, seguido do francês com 13,19%, do russo com 11,74%, do espanhol com 6,55%, do italiano com 4,65% e da língua chinesa com 4,12%.

Josiane Cotrim


01.03.07 – AULA DE PORTUGUÊS:
Escola em Dortmund é a única com português no currículo até as exames finais   ACIMA

Margarida de Lima ensina Português na única escola da Alemanha que faz exames nesse idioma

Com um floreio, Margarida de Lima escreve as palavras "comentário pessoal" no quadro negro. Hoje é a última aula antes dos exames de conclusão do ensino médio dos alunos do 13º ano da escola Max Planck Gymnasium na cidade de Dortmund, uma das sedes da Copa do Mundo.

A professora de português repete de novo como deve ser estruturado o comentário pessoal: "introdução, parte principal, conclusão". Margarida dá aulas de português ali desde 1985. Ela é uma das duas únicas professoras de português da Alemanha que coordenam os exames finais do ensino médio, equivalentes ao vestibular, neste idioma. E a escola de Dortmund é a única do país que oferece um curso regular desta língua, especificamente voltado para a prova de conclusão do ensino médio.

Os que assistiram suas aulas podem ter certeza de que usarão o vocabulário correto quando aplaudirem o time de Portugal ,seja no estádio ou em casa. The Max Planck Gymnasium começou a ter aulas de português em 1982 ,quando ainda «não havia um plano de aulas nem livros», diz a diretora Ilka Engler.

Margarida veio para a escola três anos depois. Ela era conhecida então como a senhora Werner porque era casada com um alemão a quem conheceu em sua terra natal, Lisboa. Na sua juventude, ela viveu a Revolução dos Cravos em abril de 1975, que acabou com a ditadura em Portugal. "Eu vivia numa sociedade marcada pelo nacionalismo».Meus pais,porém, me educaram para ser uma liberal", diz ela. Na Alemanha, ela conheceu a "cultura da discussão e da crítica".

Ela se mudou para Dortmund com 27 anos e, no começo, ela sentia saudade de muitas coisas, especialmente dos cafés e da vida cultural da capital portuguesa que não tinha equivalente no vale do Ruhr, onde se localiza Dortmund. Não obstante, as coisas mudam e "agora, quando vou a Lisboa, pergunto a minha família como conseguem viver num lugar tão agitado".

Ela e o marido se divorciaram mas ele ainda ensina português. "Antes os alunos eram principalmente de famílias portuguesas. Agora, cada vez mais crianças brasileiras se matriculam no curso". Segundo ela, se tornou mais difícil manter contato com famílias portuguesas. A diretora Engler diz que as segundas ou terceiras gerações de portugueses de Dortmund "não têm mais muito interesse em que suas crianças aprendam português".

Jorge de 14 anos está na sétima série e é uma exceção. "Eu nasci em Dortmund mas meus pais são portugueses", conta. Margarida, que está na Alemanha há 21 anos, deu aula para seus pais. Atualmente existem cerca de 50 crianças estudando português na escola.desde a criação do curso cerca de 300 alunos escolheram o português como matéria de graduação na Max Planck. Margarida viaja a Portugal quarto vezes por ano. "Eu não sinto falta do calor, mas sim, da luz", afirma.

“Land der Ideen”


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