MEIO AMBIENTE
 

CLIMA: Alemão é novo chefe de grupo de trabalho
BIOCOMBUSTÍVEIS: Cientistas trabalham em uma 3ª geração
ESPECIAL: Clima, importância vital
CRISE E ALTERNATIVA: Escassez de recursos e novas energias
ÁGUA COMO RECURSO ESCASSO
ENERGIAS ALTERNATIVAS E EFICIÊNCIA ENERGÉTICA
MUDANÇA CLIMÁTICA: Desafio global e nacional
POLÍTICA CLIMÁTICA E AMBIENTAL
DEFESA DO MEIO AMBIENTE NA CONSCIÊNCIA DOS ALEMÃES
CONFERÊNCIA DA ONU: Economia e ecologia
ONDA VERDE: Uma escola, uma árvore, um presente à natureza
CONFERÊNCIA EM BONN: Em busca de um compromisso
BIODIVERSIDADE: Nosso futuro está em jogo
ENCONTRO: Ministro alemão visita o Brasil
ECOLOGIA E ECONOMIA: Comprovado o papel pioneiro

MISTURA DE CARBURANTES: Danos aos carros
ENERGIA MAIS LIMPA: Alcançando resultados
POLÍTICA ALIMENTAR: Rótulo indicará produtos transgênicos
ENERGIA RENOVÁVEL: Uso cada vez mais crescente
CIDADES LIMPAS: Restrições contra emissões de poluentes
EM DEFESA DO CLIMA: Medidas para poupar energia

PRESERVAR É PRECISO: Espécie de sapo ameaçada de extinção
ESPERANÇA EM BALI: Merkel espera soluções para proteção climática
KASSEL: A arte de proteger o clima
PRÊMIO: 500 mil Euros para protetores do clima
MUDANÇA CLIMÁTICA: A ONU e a cooperação internacional
ALGAS MARINHAS: Na luta contra a mudança climática
AQUECIMENTO GLOBAL: Energia nuclear não é a melhor alternativa
PERGUNTE AO PROFESSOR: Stefan Rahmstorf fala sobre clima
OS CAMPEÕES VERDES: Alemanha investe na economia ambiental
EXPOSIÇÃO: Esperança para a floresta e para os homens
CLIMA: Países reunidos no Chile
DEFESA DO CLIMA: Alta prioridade para a Alemanha e UE
MUDANÇA CLIMÁTICA: Merkel visita a Groenlândia
ENERGIA ATÔMICA: Acidentes reabrem discussão
BIOGÁS: Usina abastecerá 5 mil domicílios
PARCERIA PARA ENERGIA LIMPA: Cooperação com diversos países
SUSTENTABILIDADE: Energia também se gera em casa
CONSCIÊNCIA AMBIENTAL: Desastres ecológicos
conscientizaram alemães
MEIO AMBIENTE:Recursos para programa de proteção climática
DEFESA DO MEIO AMBIENTE: Lançado prêmio para jovens
ambientalistas

MUDANÇA CLIMÁTICA: Ministros do meio ambiente reunidos
em Potsdam

PROTEÇÃO AMBIENTAL: Sem neve para esquiar
CLIMA: EU quer reduzir emissão de gases até 2020
CLIMA: Juntos pela proteção climática


05.09.08 – CLIMA:
Alemão é novo chefe de grupo de trabalho   ACIMA
Ottmar Edenhofer - Fonte: dpa/ pa Ottmar e seu objeto de pesquisa: a Terra

O pesquisador alemão Ottmar Edenhofer foi nomeado para chefiar um dos três grupos de trabalho do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas (IPCC), em sua 29a Sessão. Junto com Ramón Pichs Madruga, de Cuba, e Zouba Sokona, de Mali, ele irá coordenar o Grupo 3, que tem como tema "Prevenção das mudanças climáticas". Nos próximos sete anos a coordenação irá mapear estratégias em soluções para o clima e recursos energéticos, assim como aperfeiçoar o mercado internacional de créditos de carbono.

Edenhofer tem 47 anos e é o economista-chefe e vice-diretor do Instituto para Pesquisa de Impactos Climáticos de Potsdam, além de professor de Economia das Mudanças Climáticas na Universidade Técnica de Berlim. Ele foi parabenizado pela Ministra para Pesquisa e Educação, Annette Schavan, e pelo Ministro do Meio Ambiente, Sigmar Gabriel. O pesquisador receberá do Ministério da Pesquisa e Educação seis milhões de euros para serem aplicados em sua tarefa.

Mariana Antoun


31.07.08 – BIOCOMBUSTÍVEIS:
Cientistas trabalham em uma 3ª geração   ACIMA
Óleo caindo sendo colocado em recipiente, em um laboratório - Fonte: Picture Alliance/ dpa Pesquisa incessante

Cerca de 80 cientistas trabalham para desenvolver uma terceira geração de biocombustíveis, que não faça concorrência com a produção de alimentos. Eles ficam em um centro de pesquisas de excelência, na Universidade Técnica da Renânia do Norte-Vestfália (RWTH), em Aachen. Sua missão é desenvolver técnicas para converter plantas, madeira de demolição e outros materiais biológicos em combustíveis sintéticos.

A expectativa é que esta nova geração de biocombustíveis chegue ao mercado entre 2020 e 2025. A previsão é que a RWTH receba 35 milhões de euros nos próximos cinco anos, destinados a esta pesquisa. A longo prazo o objetivo é determinar a combinação ideal entre componentes combustíveis e processo de produção, baseado em materiais renováveis e em novos processos de combustão.

Mariana Antoun


11.07.08 – ESPECIAL:
Clima, importância vital    ACIMA
Sapo agarrado em folha - Fonte: Picture Alliance/ dpa

Diante da mudança do clima, que já começou a tornar-se realidade, estamos nos conscientizando cada vez mais da limitação dos recursos existentes. Os aumentos diários dos preços de petróleo e gás, e também dos alimentos, fazem com que todos os cidadãos percebam que mudanças profundas são iminentes. Ademais, a população mundial continua crescendo desenfreadamente – há cinqüenta anos, uma população de dois bilhões de seres humanos; hoje, seis; e dentro de mais cinqüenta anos,10 bilhões –, enquanto os grandes países emergentes estão registrando um crescimento econômico extremamente dinâmico, com uma eficiência de recursos relativamente baixa. Por isso, haverá no futuro uma maior concorrência por fontes de energia, mas também por outros recursos naturais limitados, como água limpa e alimentos suficientes. A diversidade das espécies, tesouro não explorado de recursos econômicos, está sendo postaem perigo irresponsavelmente e muitas vezes é levianamente destruída.

O trato cuidadoso de seus fundamentos vitais e recursos naturais é, por isso, de vital importância para a humanidade. Isso coloca os governos, desde já, diante da tarefa cada vez mais difícil de garantir o abastecimento energético de suas economias e encontrar, ao mesmo tempo, respostas para a mudança climática, diante da evidente mudança do clima e apesar do aumento dos preços das matérias-primas. Somente através de um engajamento nacional e uma cooperação internacional, será possível vencer esses desafios globais.

Redação


CRISE E ALTERNATIVA:
Escassez de recursos e novas energias    ACIMA
Torres de poços de petróleo nos EUA - Fonte: Picture Alliance/ dpa Petróleo com dias contatos

A utilização das reservas energéticas existentes e a exploração de novas reservas ainda não rentáveis poderão satisfazer à crescente demanda, apenas por um tempo limitado e a preços que hoje nos parecem adequados.

Um especial desafio, inclusive para a política exterior alemã, será, portanto, evitar e ajudar a solucionar conflitos internacionais em torno dos recursos cada vez mais escassos e trabalhar, especificamente, com vistas à  distribuição justa de bens. A segurança energética tornou-se, por essas razões, um tema central da agenda internacional. Segurança energética significa diversificação  não somente das fontes de energia, mas também das vias de abastecimento, dos espaços de abastecimento e dos fornecedores, bem como incluir o aumento consequente da eficiência energética e a expansão das energias renováveis. O abastecimento  seguro e sustentável de energia só será possível em um quadro maior de cooperação, que inclui as instituições energéticas internacionais e, de modo muito especial, os ascendentes  países emergentes, bem como os países fornecedores mais importantes. Diante desse pano de fundo, o conceito "Política Exterior Energética", criado pelo Ministro das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, já se tornou um termo consagrado na Alemanha.

Nesse contexto, mas também com vistas à proteção do nosso meio ambiente e à   responsabilidade conjunta de enfrentar  o problema das mudanças climáticas, o desenvolvimento de fontes de energia alternativas não poluidoras está se tornando cada vez mais urgente. Na Alemanha, a energia solar e eólica ou a utilização do calor da terra tem se tornado, nos últimos anos, cada vez mais popular.  A redução do consumo de energia, o aumento de seu grau de eficiência e também o melhor armazenamento de energia são outras tentativas de solução de ordem  mais  técnica, cujo objetivo é o aumeno da eficiência energética.


ÁGUA COMO RECURSO ESCASSO ACIMA
Água saindo de torneira - Fonte: Picture Alliance/ dpa Muitas vezes a água é desperdiçada

Relações Exteriores, Dr. Frank-Walter Steinmeier, declarou em 22 de março de 2008 em Berlim:
 
 „O abastecimento de água é uma das questões fundamentais da humanidade. No mundo vivem atualmente cerca 1,1 bilhão de seres humanos sem acesso à água potável, cerca de 2,4 bilhões de seres humanos  não dispõem de instalações sanitárias suficientes. Esses problemas nós temos que enfrentar com urgência. Há, além disso, os conflitos causados pelos recursos cada vez mais escassos, como a água. Faz parte de uma política exterior prospectiva criar, desde já, mecanismos para alertar com antecedência e para solucionar tais conflitos. (...) Ao mesmo tempo, nós nos empenhamos, no âmbito das Nações Unidas, pelo acesso à água potável e ao saneamento básico. Tenho a firme convicção: todos os homens têm  direito à água! Aqui, todos nós, todos os governos, temos um compromisso para com nossos cidadãos.

O Governo alemão tomou algumas iniciativas apropriadas: recentemente a Alemanha apresentou no Conselho dos Direitos Humanos, junto com a Espanha, uma resolução que deverá, entre outras medidas, designar  um relator especial das Nações Unidas sobre o direito à àgua.


Com a Conferência internacional „A Água Une – Novas Perspectivas para a Cooperação e a Segurança“, realizada em Berlim no dia 1º de abril de 2008, prestamos uma contribuição real para a maior conscientização dos problemas de abastecimento e utilização de água. O Ministro das Relações Exteriores, Dr. Frank-Walter Steinmeier, apresentou nessa conferência, no Ministério das Relações Exteriores, os pontos básicos da „Iniciativa Água para a Ásia Central“. Na ocasião, ele defendeu de maneira especial uma gestão mais firme e transfronteiriça da água na  Ásia Central, ressaltando a disposição de ajudar os países da região. A „Iniciativa Água para a Ásia Central“ deve ser incorporada, como contribuição alemã, à Estratégia da União Européia para a Ásia Central.
Os cinco pontos básicos da Iniciativa são:

— Apoio à criação de um sistema regional de gestão de água;
— Cooperação reforçada entre instituições científicas alemãs e asiáticas- centrais;
— Ampliação da oferta de cursos da Universidade Alemã-Casaquistã, em Almaty, com cursos na área gestão de água;
— Inserção de peritos em recursos hídricos na rede de relacionamento, incluindo-se, entre outros itens, convites para viagens com temas  específicos; e
— Intensificação de transferência de know-how e fomento de investimentos com a cooperação de peritos da economia privada.

O Secretário Executivo da Comissão Econômica para a Europa das Nações Unidas (UNECE), o ex-Primeiro-Ministro polonês, Dr. Marek Belka, anunciou a realização de uma conferência complementar, na Ásia Central, no outono de 2008.


ENERGIAS ALTERNATIVAS E EFICIÊNCIA ENERGÉTICA  ACIMA
Parque de energia eólica e solat - Fonte: Picture Alliance/ dpa Energias solar e eólica

Tradicionais fontes de energia como petróleo e gás, por enquanto, são indispensáveis para atender à demanda de energia em todo o mundo. Por causa da limitação de suas reservas e da poluição ambiental causada por eles, coloca-se desde já, com cada vez maior urgência, a questão do aumento da eficiência energética, bem como de recursos de energia alternativos, em especial, de recursos renováveis.

A Alemanha começou a investir cedo na expansão desse setor e, por isso, exerce hoje  um papel de precursor internacional. Esse papel de precursor vale   especialmente para a área da energia eólica: com  grande distância de Espanha, EUA e India, a energia eólica alemã tem uma participação de 28 por centro no total da energia eólica global. Outros setores são a energia solar, a energia hidrelétrica, a geotermia, a calefação de palhetas de madeira com controle automático ou a produção de bioetanol para o setor de combustível. O papel de liderança  também se expressa em produtos que visam o aumento da eficiência energética como, por exemplo, motores de baixo consumo, caldeiras de gás de rendimento útil ou novos materiais de construção para o isolamento térmico de casas e residências. No entanto, a moderna Técnica IT („Green-IT) contribui também para o aumento da eficiência energética. Visto que a maioria dos países industrializados se comprometeu, no Protocolo de Kioto, a aumentar  a participação das energias renováveis no total do consumo  para cinco por centro do consumo primário nos próximos cinco anos, já existe em escala mundial uma grande demanda de tecnologias e produtos alemães nesses setores.

A Alemanha está envidando esforços para expandir ainda mais, através de pesquisas intensivas, sua posição de precursor na área das energias renováveis. Para essa finalidade, o Ministério Federal reforçou substancialmente a sua cooperação financeira. Projetos inovadores deverão ser fomentados, entre outras medidas, com o novo conceito „Pesquisa Fundamental Energia 2020+“. Os pontos centrais do fomento de pesquisa são projetos:

— para a produção, transformação, armazenamento, utilização e
transporte eficientes de energia;
— para tecnologias para a próxima geração das energias renováveis;
— para o armazenamento subterrâneo do gás climático dióxido de
carbono
— para a pesquisa de fusão; e
— para a pesquisa de segurança nuclear.

Também nas universidades alemãs, os temas energia alternativa e eficiência energética vêm exercendo um papel cada vez mais significativo  Exemplos são, entre outros, os cursos „Energias Regenerativas e Eficiência Energética“, da Universidade de Kassel, e o „Programa de Pós-graduação Energia Renovável“ da Universidade de Oldenburg. Os dois cursos de mestrado são, até agora, os únicos no mundo  e  oferecem, especialmente aos jovens, a possibilidade de estabelecer-se no mercado internacional.


MUDANÇA CLIMÁTICA:
Desafio global e nacional   ACIMA

A mudança do clima que está começando é uma ameaça para a base existencial de alguns Estados e resultará, caso não seja possivel limitá-la a dois graus, em danos ecologicamente irreversíveis. Estados-ilhas inteiros e numerosas regiões costeiras situadas em zonas baixas estão sendo ameaçados de serem inundados. Os desertos poderão espalhar-se em escala mundial e condições meteorológicas extremas, como ciclones e períodos de seca, poderão aumentar ainda mais. A escassez de água poderá ter,em muitas partes do mundo, inclusive  na Europa, sérias consequências para a agricultura e para o abastecimento de água potável, podendo causar, como última consequência, a inabitabilidade de regiões inteiras.


POLÍTICA CLIMÁTICA E AMBIENTAL  ACIMA
Floresta devastada e caminhão com madeira - Fonte: Picture Alliance/ dpa É preciso proteger as florestas

Internacionalmente, o processo político visando a solução da problemática da mudança climática causada pelo homem foi posto em andamento no final dos anos 80. O resultado foi a assinatura da Convenção Geral sobre o Clima das Nações Unidas (UNFCCC), que entrou em vigor em 1994. Desde então, realizam-se regularmente conferências dos Estados signatários da Convenção Geral sobre o Clima das Nações Unidas. Na 3ª Conferência dos Estados Signatários, no ano de 1997, em Kioto, os Estados participantes aprovaram o chamado Protocolo de Kioto, pelo qual os Estados industrializados se comprometeram a baixar suas emissões  de gases do efeito estufa até 2012. Países em desenvolvimento, mas também países emergentes com economias em rápido crescimento, ainda não precisaram assumir nenhum compromisso   em Kioto.

Na 13ª Conferência dos Estados signatários, em Bali, em dezembro de 2007, da qual participaram também, entre outros, o Ministro do Meio Ambiente, Sigmar Gabriel, e a Ministra da Cooperação Econômica, Heidemarie Wieczorek-Zeul, tratou-se de tomada de decisões  importantes  para o período após 2012. Em um acordo complementar, deverão ser fixados compromissos de uma redução ainda maior, que incluam não somente os Estados industrializados, mas também os países emergentes em fase de crescimento dinâmico, com constante aumento de emissões de gases do efeito estufa. A meta é limitar o aquecimento climático a, se possível, não mais do que 2 graus, a fim de preservar o espaço vital para as gerações futuras.

O tema da proteção do clima é também um ponto central da Cúpula do G-8 deste ano. No entender do Governo alemão, os Estados do G-8, na qualidade de países industrializados economicamente mais fortes do mundo, devem assumir um papel de liderança na proteção do meio ambiente. Isso se aplica à proteção do clima, à proteção da diversidade biológica e à promoção de uma gestão não poluidora  dos resíduos. Somente quando  os grandes países industrializados forem à frente com ambição, os grandes países em desenvolvimento poderão ser persuadidos  a adotar medidas eficazes.

Também dentro da União Européia, a Alemanha está envidando esforços para fazer da Europa o pólo com a maior eficiência energética e a maior eficiência de recursos do mundo. Nesse sentido, o Conselho Europeu, sob a presidência da Primeira- Ministra Angela Merkel, tomou, em março de 2007, uma resolução histórica a respeito da redução das emissões de gases do efeito estufa, que abrange um pacote inteiro de medidas concretas, a fim de dar um bom exemplo antes do início das negociações sobre o clima em Bali. A União Européia foi até agora a única região da terra a assumir o autocompromisso de reduzir suas emissões de gases do efeito estufa, até o ano de 2020, em pelo menos 20% em relação ao ano de 1990 - caso haja solidariedade internacional correspondente, em até 30%.

A Alemanha é, além disso, uma das fundadoras da „International Carbon Action Partnership (ICAP)“, que tem por objetivo conectar os sistemas de comércio de emissões regionais do mundo uns com os outros e criar assim a longo prazo um mercado global de carbono.

Principalmente, a cidade de Bonn transformou-se em um importante pólo de  instituições das Nações Unidas na área do meio ambiente. Ela é sede dos secretariados da Convenção Geral sobre o Clima (UNFCCC), da Convenção sobre Desertificação (UNCCD), da Agência de Escalonamento Decádico da Água das Nações Unidas e de uma série de outras instituições das Nações Unidas na área do meio ambiente.

A cidade de Bonn foi também anfitriã da 9ª Conferência dos Estados signatários da Convenção sobre Diversidade Biológica, no período de 19 a 30 de maio de 2008, na qual o Ministro Federal do Meio Ambiente, Sigmar Gabriel, apresentou a iniciativa relativa à „Life Web“ (Rede da Vida) mundial. A idéia da iniciativa é que principalmente os países em desenvolvimento coloquem valiosas áreas naturais sob proteção e possam financiar isso com a ajuda de países industrializados. A Alemanha liberará para isso, como primeiro passo, 40 milhões de euros anuais.

A Alemanha estará também representada na Exposição Mundial Expo Saragossa 2008, a realizar-se de 14 de junho a 14 de setembro de 2008 sob o lema „A Água e o Desenvolvimeno Sustentável“, com um pavilhão próprio, que tratará especialmente dos temas tecnologias inovadoras da proteção do meio ambiente e da água.

A Alemanha engaja-se, ainda,  contra o desmatamento ilegal das florestas tropicais. Atualmente estão sendo propostas medidas para evitar emissões de gás do efeito estufa provenientes do desmatamento em países em desenvolvimento (REED) e para combater o abate ilegal de árvores. O primeiro deverá ser fomentado  com a „Forest Carbon Partnership Facility“ do Banco Mundial, iniciada em Heiligendamm, o último, com o desenvolvimento de uma rede internacional de monitoramento de florestas, como, por exemplo, através do sistema de satélites GEOSS ou do „Resources Assessment“ da FAO. O Governo alemão apoia também bilateralmente, no âmbito da Cooperação Econômica para o Desenvolvimento, medidas visando a exploração  sustentável das florestas. Sob a presidência alemã do G-8, a Alemanha fez avançar, na parte técnica e com networking internacional,  o tema „tracking of timber origins („impressão digital para produtos de madeira“) e continua promovendo a execução dessas propostas no âmbito do G-8.

Como projeto-piloto da proteção do meio ambiente, será instalado em 2008, com o fomento do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD), o curso de mestrado alemão-mexicano  „Gestão de Recursos Ambientais“. O curso de quatro semestres da Escola Superior Técnica de Colônia e da Universidade de San Luis Potosi transmite a jovens especialistas da América Latina os mais recentes  conhecimentos sobre proteção ambiental, gestão de recursos e sistemas energéticos sustentáveis.

A proteção do clima começa em casa
O próprio Estado é o primeiro responsável pela adoção de medidas eficazes e sustentáveis para a proteção do clima, especialmente para a redução de gases do efeito estufa. Em dezembro de 2007, o Governo alemão aprovou, por isso, o até agora mais abrangente  pacote de medidas do mundo no âmbito da política energética e climática, tendo fixado, ao mesmo tempo, os pontos básicos de um programa energético e climático alemão integrado. De acordo com o programa, deverão ser reduzidas, até o ano 2020, as emissões de gases do efeito estufa em até 40 por cento em relação ao ano-base 1990. Essas metas de proteção climática criam a base para decisões sobre investimentos a longo prazo e, dessa forma, segurança de planejamento para as  empresas alemãs.

No Ministério Federal da Economia e Tecnologia foi instalado o novo secretariado para a iniciativa de exportação eficiência energética, que apoia empresas alemãs selecionadas que oferecem produtos, ou seja, serviços com grande eficiência energética.

Segundo informações do Ministério Federal do Meio Ambiente, as tecnologias ambientais já se tornaram importantes geradores de emprego: somente na área das energias renováveis, com um movimento da ordem de 16,4 bilhões de euros (2005), aproximadamente 170.000 pessoas encontraram um novo emprego na Alemanha; a exploração econômica do lixo, com um movimento de aproximadamente 50 bilhões de euros, emprega cerca de 250.000 pessoas.

Técnica Ambiental Alemanha
A e-Newsletter „Técnica Ambiental Alemanha“, do Departamento Federal do Meio Ambiente, informa sobre conceitos e soluções inovadoras para a proteção ambiental e sobre projetos interessantes e interlocutores, podendo ser solicitada através da homepage „Cleaner Production Germany“.


DEFESA DO MEIO AMBIENTE NA CONSCIÊNCIA DOS ALEMÃES   ACIMA
Ambientalista vestido de borboleta com o cartaz "Vocês estão podando nosso futuro" - Fonte: Picture Alliance/ dpa

O que começou como um protesto de grupos isolados contra a poluição ambiental, particularmente contra os possíveis danos de radiação por usinas nucleares, constitui hoje um amplo consenso no meio da população alemã: já em 1978, era concedido, para produtos não poluidores, o selo de qualidade „Anjo Azul“ ; pouco tempo depois, era o „Ponto Verde“ das embalagens reaproveitáveis que se tornou importante no mercado alemão. Não demorou para que os alemães se tornassem campeões mundiais na seleção do lixo. Relativamente cedo, introduziram a instalação de catalisadores em motores de veículos e fixaram valores-limite relativamente severos para emissões, que são fiscalizados regularmente („Distintivo  ASU“)

Desde 1986, há um Ministério Federal do Meio Ambiente, Proteção da Natureza e Segurança de Reatores.
Todos os partidos defendem em seus programas a proteção do meio ambiente. Mais de quatro milhões de alemães são hoje  membros de organizações de proteção ambiental, como, por exemplo, da Aliança para o Meio Ambiente e a Proteção da Natureza (BUND) e Greenpeace. Recentemente, um grupo de empresas alemãs, líderes internacionais, associou-se à iniciativa „Business and Biodiversity“.

Os esforços para a ampliação da proteção ambiental continuam inalterados na Alemanha. No início de 2008, várias grandes cidades alemãs criaram zonas ambientais para a redução de substâncias nocivas, nas quais somente automóveis portadores de um distintivo ambiental podem entrar. Da mesma forma, desde janeiro de 2008, os proprietários são obrigados a mandar emitir passaportes energéticos para seus apartamentos e casas, dos quais constam dados sobre o consumo de energia e a eficiência energética. Ao mesmo tempo, o Governo alemão concede créditos e subsídios vantajosos  para isolamento térmico e reformas não poluidoras.

Além das energias renováveis, a exploração econômica do lixo também é vista na Alemanha como um ramo ambiental com futuro. É verdade que riram muito tempo  dos alemães por causa de sua complicada seleção do lixo, no entanto, isso levou também à criação de uma indústria de reciclagem economicamente rentável. Em vista das matérias-primas cada vez mais escassas, o reaproveitamento de papel velho, vidro velho, ferro velho e material plástico está se transformando em um fator econômico. Segundo informações da Federação Alemã da Economia de Tratamento de Lixo, a Alemanha economiza quase quatro bilhões de euros por ano em custos de matérias-primas e energia, através da obtenção de matérias-primas secundárias, o chamado “Urban Mining”.

Redação


30.05.08 – CONFERÊNCIA DA ONU:
Economia e ecologia   ACIMA
Mata Atlântica - Fonte: dpa Diversidade a ser presevada

Ferramentas econômicas para a proteção do clima. Este foi o tom das iniciativas apresentadas durante a 9ª Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade, que se encerra hoje (30.05), em Bonn. A sugestão do Ministro do Meio Ambiente, Sigmar Gabriel, de que países ricos e iniciativa privada forneçam ajuda financeira, a partir de um fundo, para países que criarem novas áreas de proteção, teve grande adesão. Até agora, 30 nações em desenvolvimento se mostraram dispostas a se candidatar à ajuda da "Lifeweb". A Alemanha dará o pontapé inicial contribuindo com 500 milhões de euros até 2012, sendo 210 milhões até 2009.

Também no âmbito da Conferência, ontem (29.05) foram apresentados os primeiros resultados do estudo "A Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade", coordenado pelo economista Pavan Sukhdev (ex-diretor do Deutsche Bank). O objetivo é avaliar as conseqüências econômicas da perda da biodiversidade. O Ministro Gabriel ressaltou que a natureza não é um mercado e não tem preço, em referência clara aos crimes de biopirataria. O tema foi amplamente discutido durante a conferência e também no encontro dos países do G8, e combatido pelo ministro alemão. Para Gabriel, o legado de Bonn é a construção de um tratado sobre o Regime Internacional de Compartilhamento de Acesso e Benefícios (ABS) da biodiversidade, que deverá ser formalizado daqui a dois anos, na 10a Conferência, em Tóquio, Japão.

Mariana Antoun


22.05.08 – ONDA VERDE:
Uma escola, uma árvore, um presente à natureza   ACIMA
Autoridades e crianças com um Globo Terrestre de borracha - Fonte: U. Grabowsky / photothek.net Na mesma onda!

Plante uma árvore hoje. Com este gesto você fortalece a “Onda Verde”, uma iniciativa em comemoração ao Dia da Diversidade Biológica, celebrado hoje (22.05). O pontapé aconteceu na Alemanha, país que desde o dia 19 é sede da 9ª Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP9).

A inciativa partiu da organização da Conferência, e seu lançamento contou com o Ministro alemão do Meio Ambiente, Sigmar Gabriel, o Secretário-Executivo da Convenção da ONU sobre Diversidade Biológica, Ahmed Djoghlaf, a Presidente do Gabinete Federal de Proteção da Natureza, Beate Jessel, e a prefeita de Bonn, Bärbel Dieckmann.

A “Onda Verde” é direcionada especialmente a crianças e jovens e pretende fortalecer a campanha do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) "Plant for the Planet", que tinha como objetivo inicial incentivar o plantio de um bilhão de mudas de árvores como medida de combate às mudanças climáticas.

Mariana Antoun


20.05.08 – CONFERÊNCIA EM BONN:
Em busca de um compromisso   ACIMA
Floresta ameaçada - Fonte: Picture Alliance/ dpa Proteja a natureza!

A maior conferência internacional do ano sobre proteção da natureza começou segunda-feira (19.05) em Bonn com a participação de mais de 6 mil pessoas de todo o mundo. A 9ª Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade, a COP9, ocorre por quase duas semanas na antiga sede de governo da Alemanha Ocidental. Durante esse período os representantes dos países negociarão acordos que visem interromper a crescente destruição da biodiversidade animal e vegetal na Terra.

O Ministro Federal do Meio Ambiente, Sigmar Gabriel, que visitou oficialmente o Brasil entre os dias 27 de abril e 2 de maio, já como parte dos preparativos do encontro, não nega que as negociações serão difíceis e demonstrou apreensão quanto à possibilidade de um fracasso. Gabriel afirmou que a „humanidade encontra-se numa encruzilhada“. Segundo ele, não se trata apenas de conservar a natureza, mas acima de tudo de „como organizar nossa vida no Planeta“. Preocupação demonstrada também pela Chanceler Angela Merkel durante sua passagem pelo Brasil, na semana passada. Na ocasião a Chanceler insistiu que a produção de biocombustíveis, por exemplo, só faz sentido caso não haja desmatamento.

E, esquentando os debates em Bonn, o Ministro Gabriel apresentou o projeto de cunho internacional „Life web“ (teia de vida) sugerindo que os países industrializados ajudem financeiramente os mais pobres a protegerem suas reservas naturais. A Alemanha dará o pontapé inicial alocando, num primeiro momento, a soma de 40 milhões de euros por ano para tal fim. O Ministro explicou que a iniciativa evitará que os países em desenvolvimento arquem sozinhos com os custos, uma vez criadas zonas protegidas no contexto da convenção das Nações Unidas. É por isso que a iniciativa é inovadora, completou Gabriel: „uma parte contribui com os espaços e a outra com o dinheiro.“

As organizações não-governamentais ecológicas presentes em Bonn aprovaram a iniciativa: „40 milhões de euros da Alemanha para proteger reservas dos países mais pobres é um sinal positivo e um apelo aos demais países industrializados a fazerem o mesmo“ comentou o especialista da WWF Jörg Roos. Um estudo da WWF mostra que as zonas de proteção ambientais   podem atenuar as consequências das catástrofes naturais, tais como as inundações. O desmatamento, ao contrário, provoca a erosão do solo e avalanches de lama, conclui o estudo.

A Conferência de Bonn, que acontece até a próxima semana, examina também a proteção das espécies vegetais e animais ameaçadas e a distribuição eqüitável dos lucros provenientes da utilização dos recursos naturais.

Josiane Cotrim


29.04.08 – BIODIVERSIDADE:
Nosso futuro está em jogo   ACIMA
Floresta - Fonte: dpa Aproveitamento sustentável

Realizar-se-á de 19 a 30 de maio, em Bonn, a até agora maior conferência das Nações Unidas em solo alemão. Irão, de todo o mundo para o Reno, cerca de 5000 representantes de governos, organizações não-governamentais e observadores da área econômica. Trata-se de um dos grandes temas do meio ambiente deste século: a preservação da biodiversidade e a utilização sustentável desses recursos.

A Alemanha é o país anfitrião neste fórum que luta contra a destruição progressiva da natureza de importância vital e contra a extinção de espécies. Responsável pelo evento será o Ministério Federal do Meio Ambiente. O Presidente da República Federal da Alemanha, Horst Köhler, e a Chanceler Federal, Angela Merkel, também estão sendo esperados para a conferência, de quase duas semanas de duração, na base das Nações Unidas em Bonn.

O nome oficial da conferência é: 9ª Conferência dos Estados Signatários da Convenção sobre a Diversidade Biológica (COP-9). Esta convenção foi aprovada pela comunidade internacional de Estados na Conferênca da Terra, realizada no Rio de Janeiro em 1992. Junto com a Convenção Básica sobre o Clima e a Convenção sobre Desertificação, a COP-9 faz parte dos três acordos internacionais do Rio de Janeiro pelos quais os Estados assumiram um compromisso com a proteção global ao meio ambiente e à natureza.

Ao lado da proteção ao clima, com a qual já há compromissos legais concretos (Protocolo de Kyoto), a preservação da diversidade biológica (biodiversidade) é tida como o segundo grande desafio global das próximas décadas na área do meio ambiente. A afirmação do Rio de Janeiro e da Reunião de Cúpula Mundial sobre o Meio Ambiente de Johannesburgo (2002) é “reduzir significativamente” até 2010 a taxa de perda de biodiversidade biológica.

Da mesma forma como no caso do aquecimento da terra, os peritos alertam contra um desenvolvimento dramático e no fim ameaçador para a  existência da vida na terra. Especialmente vem se perdendo cada vez mais florestas com elevada biodiversidade. A exploração dos mares também continua avançando. Na conferência deverá ser apresentada também a primeira parte de um estudo internacional sobre os custos econômicos mundiais da destruição da natureza.

Junto com a diversidade biológica, estão em jogo igualmente interesses nacionais e diversos interesses econômicos. Não se trata somente da proteção, mas também do modo de utilização e do acesso a informações genéticas e da compensação de vantagens ou lucros advindos desse acesso. Também devem ser levados em conta os direitos de povos indígenas. Assim pretende-se evitar, por exemplo, a “biopirataria”, pela qual ervas medicinais são coletadas e aproveitadas por países ocidentais para a fabricação de medicamentos, sem que os habitantes das regiões de origem tenham nisso uma participação justa.

Bonn será a última grande Conferência COP-9 antes do ano /meta de referência 2010, cabendo-lhe, por isso, uma importância especial. Até agora, nas conferências pós-Rio, tem se conseguido pouco neste tema altamente complexo. Diferentemente da proteção ao clima, ainda não há nenhum instrumento legal internacional palpável. Por essa razão, o Ministro Federal do Meio Ambiente, Sigmar Gabriel, advertiu sobre a necessidade urgente de progressos. “A COP-9 encontra-se em uma encruzilhada. Temos que mostrar, em Bonn, que há movimento e não estagnação.”

Redação


25.04.08 – ENCONTRO:
Ministro alemão visita o Brasil   ACIMA

O Ministro alemão do Meio Ambiente, Sigmar Gabriel, estará no Brasil entre 27 de abril e 02 de maio para uma visita oficial. Na segunda-feira, dia 28, ele se encontra em Brasília com sua colega brasileira Marina Silva. O principal tema da visita é a preparação para a Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade que acontecerá em Bonn de 19 a 30 de maio, a Cop 9. O Brasil preside a Conferência desde o encontro de Curitiba em 2006. A partir de maio a Alemanha assumirá o posto pelos próximos dois anos.

São esperados cerca de cinco mil delegados de todo o mundo, entre representantes de governos e de organizações não-governamentais (NGOs). Também em Bonn, entre os dias 12 e 16 de maio acontece a conferência dos signatários do Protocolo de Cartagena sobre Segurança Biológica. A antiga sede de governo da Alemanha Ocidental concentra hoje diversas instituições da ONU ligadas ao meio ambiente.

Membros do Ministério, lideranças de partidos políticos e representantes de organizações não-governamentais (ONGs) fazem parte da delegação ministerial. Em Brasília estão planejadas visitas a instituições ligadas à questão ambiental, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), e uma recepção na Embaixada. A convite do Ministério do Meio Ambiente brasileiro, Sigmar Gabriel visita a Amazônia entre os dias 29 de abril e 1° de maio, seguindo depois  para São Paulo.

Sigmar Gabriel nasceu em 1959, na cidade de Goslar, no estado da Baixa Saxônia. Estudou Alemão, Política e Sociologia na Universidade de Göttingen. Filiado ao Partido Social-Democrata (SPD) desde 1977, ele foi governador de seu estado - berço da Volkswagen - de 1999 a março de 2003. Desde novembro de 2005 Sigmar Gabriel ocupa o posto de Ministro do Meio Ambiente, Proteção à Natureza e Segurança de Reatores.

Redação


04.04.08 – ECOLOGIA E ECONOMIA:
Comprovado o papel pioneiro   ACIMA

Entrevista com Sigmar Gabriel, Ministro Federal do Meio Ambiente, Proteção da Natureza e Segurança de Reatores desde novembro de 2005, sobre o futuro do abastecimento energético e a proteção internacional do clima
Sigmar Gabriel - Fonte: BMU Sigmar Gabriel

Sr. Gabriel, no mundo todo está crescendo a necessidade de energia e recursos. Como essa enorme demanda pode ser satisfeita de maneira inócua ao clima?
Estamos diante de dois grandes desafios. A primeira questão é como abastecer a humanidade com energia suficiente e pagável. Isto também é decisivo para os cerca de dois bilhões de pessoas no nosso planeta, que hoje não têm nenhum acesso à eletricidade. Depois precisamos saber o que podemos fazer juntos para que o consumo de energia no futuro não tenha conseqüências tão catastróficas para o clima e para a vida no nosso planeta. A resposta às duas questões: temos que empregar mais conseqüentemente tecnologias já há muito existentes. Necessitamos mais energias renováveis e tecnologias mais eficazes no uso da energia.

A Alemanha quer ser pioneira na política internacional de proteção do clima. O que o governo alemão faz para corresponder a esta ambição?
O governo federal alemão já deliberou, no ano passado, um amplo pacote de medidas sobre a proteção do clima, o qual comprova o papel da Alemanha como pioneira neste setor. Estamos intensificando enormemente a exploração das energias renováveis – tanto na eletricidade como nos combustíveis e na energia térmica. Estamos promovendo a eficiência energética e intensificando os padrões energéticos para construções habitacionais. E também colocamos uma grande quantidade de dinheiro à disposição: neste ano, dispomos ao todo de 3,3 bilhões de euros para medidas de proteção ao clima, o que é um aumento de 200% em relação a 2005.

Como ministro do Meio Ambiente, o senhor participou da conferência do clima em Bali, onde se deu início às negociações para uma nova convenção internacional de proteção do clima, em substituição ao Protocolo de Kyoto, que expirará em 2012. De que se trata na formação da nova convenção? Qual será a contribuição dos países industriais e dos emergentes?
O resultado de Bali é menor do que a Alemanha e os EUA teriam desejado. Mas é melhor do que se poderia esperar, frente ao difícil ponto de partida e aos diferentes interesses. Todos os países industriais, inclusive os EUA, querem alcançar compromissos claramente mais fortes para a luta contra a mudança do clima. É um enorme progresso que os países em desenvolvimento, que contribuíram muito menos para a transformação do clima, concordaram pela primeira vez, em Bali, em tomar amplas medidas de redução das emissões de gases do efeito estufa. É natural que os países em desenvolvimento queiram, para isto, ajuda tecnológica e financeira.

Do seu ponto de vista, a ecologia e a economia foram vistas, durante muito tempo, como antagonismos. O que significa uma moderna política de meio ambiente que traz proveito sustentável para o mercado e faz progredir as tecnologias ambientais?
No mais tardar após a publicação da ampla análise feita por sir Nicholas Stern, o ex-economista-chefe do Banco Mundial, uma coisa tornou-se clara: uma ambiciosa proteção do clima é uma conseqüência inevitável de qualquer política econômica sensata. Agir logo para a proteção do clima é muito mais favorável do que não agir ou agir com atraso. Segundo os cálculos de Stern, os custos da inalterada mudança climática perfazem de 5% a 20% do PIB por ano. Tal desenvolvimento impediria a curto e longo prazo todos os êxitos econômicos. Frente a ele, segundo Stern, os custos para a proteção do clima seriam de cerca de 1% do PIB global, ou seja claramente mais baixos. Os desafios globais, como a mudança do clima ou a escassez de água potável e de matéria prima, só poderão ser solucionados se novas tecnologias forem desenvolvidas e vendidas em todo o mundo. Por isso é tão importante que se tenha um setor ambiental produtivo.

Tecnologias ambientais são uma grande chance econômica para empresas. De que potencial dispõe a Alemanha?
A Alemanha é campeã de exportação também na tecnologia ambiental. Por exemplo, no mercado-piloto de produção de energia, que está em grande expansão, as empresas alemãs têm uma participação de 30% no mercado mundial. Apenas as empresas deste segmento esperam um crescimento de vendas de 27% até 2009. Em 2020, o ramo da tecnologia ambiental na Alemanha conseguirá um volume de vendas maior do que a construção de automóveis e de máquinas. A participação da tecnologia ambiental na produção industrial total na Alemanha crescerá para 16% em 2030, o que corresponde a uma quadruplicação, em relação a 2005.

Já é tempo de uma nova política industrial ecológica?
Sim, obviamente. Para tanto precisamos de um Estado ativo que não apenas estabeleça as condições básicas, mas que também contribua com sua parte para que sejam criados os mercados nacionais pioneiros, dos quais necessitamos para estarmos otimamente posicionados no futuro mercado global. A honestidade ecológica também é uma dimensão essencial desta política ambiental. Se os efeitos sociais dos danos ambientais não forem considerados, se não medirmos também nossa política ambiental nas conseqüências sociais, não será possível praticar uma política de justiça, nem frente às gerações futuras, nem frente aos países em desenvolvimento.

Na iniciativa “Business & Biodiversity”, promovida pelo senhor, trata-se também de economia e proteção ambiental. Que objetivos estão aqui em primeiro plano?Entre os primeiros que firmaram esta iniciativa estão mais de uma dúzia de empresas dos mais diferentes ramos. Entre outras coisas, as empresas-membros comprometem-se a analisar os efeitos das suas atividades sobre a diversidade biológica e posicionar correspondentemente seu sistema de gestão ambiental. Se pusermos em prática os objetivos da convenção sobre a diversidade biológica, querendo preservar assim também as bases existenciais para as gerações vindouras, será decisivo incluir nesse processo todas as partes da sociedade e, em particular, a economia, pois a preservação da biodiversidade não é apenas um dever ético-moral, mas também uma necessária tarefa econômica.

Revista “Deutschland”


03.04.08 – MISTURA DE CARBURANTES:
Danos aos carros   ACIMA
Abastecendo - Fonte: dpa Economicamente inviável

A idéia do ministro do Meio Ambiente, Sigmar Gabriel, de dobrar a parte de bioetanol no combustível dos carros, elevando para um total de 10%, pode ser abandonada. Segundo especialistas do setor, pelo menos um milhão de carros mais velhos não suportariam essa mistura de carburantes. O governo federal quer evitar que os motoristas sejam obrigados a escolher um carburante mais caro e que pesará no bolso do consumidor. Por isso, o Secretário de Estado do ministério do Meio Ambiente, Michael Müller (SPD), estima que o projeto deverá ser abandonado.

Se tantos motoristas devem passar do carburante comum (95 octanas) ao super (98 octanas) aumentando com isso os gastos com abastecimento então "partimos do princípio de que a norma não poderá entrar em vigor", disse o porta-voz adjunto do governo, Thomas Steg, acrescentando que as consequências sociais e econômicas são importantes para o governo. Sendo assim, o ministro Gabriel pretende parar com a idéia do projeto caso a barreira de um milhão de veículos prejudicados seja ultrapassada.

O Clube do Automóvel (ADAC) estima que três milhões de veículos emplacados na Alemanha deveriam passar a usar combustível mais caro uma vez que o bioetanol pode estragar as juntas e os tubos plásticos dos motores.

O governo federal, no entanto, não abandona o objetivo de aumentar a parte de biocombustível em benefício da proteção climática. O uso de biocombustível representa uma boa solução e ajuda a proteger o clima, insiste o porta-voz Thomas Steg. Resta determinar quais seriam as consequências do abandono do projeto de 10% de bioetanol sobre os objetivos alemães e europeus no que se refere à proteção do clima. A pergunta que agora se faz é como aumentar a proporção de biocarburante, indagou o porta-voz do ministério Michael Schroeren.

Josiane Cotrim


17.03.08 – ENERGIA MAIS LIMPA:
Alcançando resultados    ACIMA
Gerando energia eólica - Fonte: dpa Campeães mundias em energia eólica

A Alemanha só contabiliza avanços quando o assunto é produção de energia limpa. De acordo com os dados sobre o desenvolvimento das energias renováveis, anunciados pelo Ministério do Meio Ambiente na última semana, em 2007 chegou a 14,2 o percentual de energia elétrica produzida através de fontes renováveis – 20 por cento a mais que no ano anterior. Como anunciado pela Federação de Energias Renováveis, a campeã na geração é a energia eólica. No entanto, pela primeira vez a produção de energia com biomassa – que na Alemanha inclui gases de chorume e processamento de lixo – superou pela primeira vez a hidrelétrica.

No campo econômico, os investimentos em instalações novas e antigas na Alemanha cresceram 10 por cento, somando cerca de 24,6 bilhões de euros e empregando cerca de 249 mil trabalhadores.

Mariana Antoun


15.01.08 – POLÍTICA ALIMENTAR:
Rótulo indicará produtos transgênicos   ACIMA
Milho transgênico - Fonte: dpa Acordo da coalizão

Após longas negociações a grande coalizão que forma o Governo Federal chegou a um acordo e agora será lei: os rótulos de produtos deverão indicar se os mesmos são de natureza geneticamente modificada. O Ministro da Agricultura Horst Seehofer (CSU) e a Coalisão querem regras severas para o cultivo comercial do milho, em função dos riscos eventuais, mas ao mesmo tempo facilitar a realização de pesquisas científicas. A lei deverá ser aprovada ainda este mês no Parlamento Federal a fim de que o Bundesrat – o Conselho Federal – coloque tudo nos trilhos no mês de fevereiro.

Os rótulos dos alimentos “não transgênicos” devem também atender a condições rigorosas. Caso utilizem ingredientes adicionais geneticamente modificados, esses devem fazer parte de uma lista previamente definida pela União Européia e, mesmo assim, quando não houver outra alternativa possível.

Josiane Cotrim


09.01.08 – ENERGIA RENOVÁVEL:
Uso cada vez mais crescente   ACIMA

O aproveitamento do vento, do sol e de outras fontes de energia renovável vem aumentando cada vez mais, segundo informações do setor. A participação dessas fontes no ano passado foi de 9,1 por cento enquanto em 2006 foi de 8 por cento, como informou a Federação de Energias Renováveis em Berlim. O setor que mais utilizou fontes renováveis em 2007 foi o elétrico, com 14,3 por cento contra 11,9 por cento em relação ao ano anterior. O pilar desse crescimento foi a energia eólica. Com participação mais moderada ficou o combustível automotor, que aumentou a utilização de energia renovável de 6,6 por cento em 2006 para 7,0 por cento em 2007. Em seguida vem o aquecimento doméstico que passou de 6,0 por cento em 2006 para 6,4 por cento no ano passado.

A fim de proteger o clima e garantir a segurança energética a utilização de fontes energéticas renováveis deve aumentar ainda mais, defende o presidente da Federação, Johannes Lackmann. Para isso, ele defende que o governo federal aumente ainda mais os subsídios para a geração de energia verde.

Josiane Cotrim


21.12.07 – CIDADES LIMPAS:
Restrições contra emissões de poluentes   ACIMA
Zona Limpa - Fonte: dpa Zona limpa

A partir de primeiro de janeiro de 2008 zonas ambientais (Umweltzone) serão criadas em 20 cidades alemãs por um período de dois anos. Só os veículos automotores munidos de um adesivo antipoluição (Feinstaubplakette) vermelho, amarelo ou verde no pára-brisas serão autorizados a circular nessas zonas, sob pena de multa.

As cidades de Berlim, Hannover e Colônia decidiram implantar a nova regulamentação a partir de 1 de janeiro. Demais cidades tomarão a mesma atitude ao longo do ano de 2008.

Dispositivos gerais deverão ser observados: O novo adesivo é válido em todas as cidades alemãs com zonas ambientais; os adesivos verdes têm validade limitada; os vermelhos e amarelos são válidos apenas até 2010; os veículos emplacados no exterior devem igualmente possuir uma plaqueta; os ônibus e os caminhões se submeterão à mesma regulamentação.

Josiane Cotrim


06.12.07 – EM DEFESA DO CLIMA:
Medidas para poupar energia   ACIMA

O gabinete alemão quer incentivar os consumidores a economizar energia reduzindo o consumo com aquecimento, locomoção e eletricidade. Para isso foi aprovado um pacote de medidas que ao mesmo tempo resultará em mais empregos. “Todos irão lucrar com as medidas” disse o Ministro do Meio Ambiente Sigmar Gabriel em Berlim, quarta-feira (05.12).

O pacote representa um importante passo da Alemanha. O governo quer reduzir as emissões de gás causadores do efeito estufa em 40% até 2020 em relação às emissões do ano de 1990. Para o Ministro Gabriel trata-se do programa de proteção climática mais ambicioso do mundo. Mesmo que exija um investimento grande, os consumidores poderão economizar cerca de 5 bilhões de Euros até 2020.

Josiane Cotrim


05.12.07 – PRESERVAR É PRECISO:
Espécie de sapo ameaçada de extinção   ACIMA
Sapo - Fonte: dpa Espécie ameaçada

Ele é verde brilhante, do tamanho de um polegar e coacha por sua sobrevivência. O Hyla Arborea, o sapo das folhagens, ameaçado de extinção, foi eleito o sapo do ano 2008 na Alemanha. Foi o que informou a Sociedade Alemã para Répteis e Anfíbios, em Stuttgart. O sapo que mede seis centímetros e pesa seis gramas vive em brejos, pântanos e cercas vivas protegidas. O número destes animais caiu pela metade desde a Segunda Guerra Mundial, disse o presidente da instituição, Axel Kwet.

Mas não é apenas esta espécie de sapos que está ameaçada. Por isso a Organização Mundial de Proteção da Natureza junto com a Associação Mundial Zoológica instituiu o ano de 2008 o “Ano dos Sapos”, a fim de chamar a atenção para a ameaça que sofrem todos os anfíbios. Cerca de 100 espécies já foram extintas. Esse poderia ser o destino da metade de todas as 6239 espécies anfíbias. Seria, segundo a associação, a maior extinção em massa desde o desaparecimento dos dinossauros.

Josiane Cotrim


27.11.07 – ESPERANÇA EM BALI:
Merkel espera soluções para proteção climática   ACIMA

Às vésperas da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a Chanceler Angela Merkel espera que o encontro estabeleça um plano de metas que resulte num novo tratado com medidas que visem reduzir o aquecimento global. Para a Chanceler o objetivo é reduzir pela metade as emissões de gás carbônico no mundo inteiro até 2050 em relação aos valores que eram emitidos em 1990.

A União Européia já deu o primeiro passo nessa direção, se comprometendo a reduzir em 20% as emissões até 2020. Agora, países de outros continentes terão que agir também. Para Merkel é “triste” que os Estados Unidos não tenham ratificado o Protocolo de Quioto que expira em 2012. A Chanceler não acredita que Bali vá resultar num novo protocolo que substituirá Quioto. Mas, pelo menos ao final da conferência de Bali deve-se saber quando isto ocorrerá.

Josiane Cotrim


06.11.07 – KASSEL:
A arte de proteger o clima   ACIMA

Conhecida por sua mundialmente famosa feira de arte, “Dokumenta”, a cidade de Kassel, ao norte de Frankfurt, passa agora a ser pioneira também na questão ambiental. Com 200 mil habitantes, a cidade será a primeira metrópole alemã a utilizar exclusivamente energia renovável nos seus cerca de 97 mil domicílios e estabelecimentos comerciais. Desde 30 de outubro que o abastecimento local está sendo feito por eletricidade oriunda de hidroelétricas escandinavas. Isso sem aumentar os custos para os consumidores e, acima de tudo, sem contribuir para o aquecimento global.

Será instalada também em Kassel a maior usina de células fotovoltáicas destinadas à produção de energia solar. A usina vai gerar mais de mil empregos.

Josiane Cotrim


29.10.07 – PRÊMIO:
500 mil Euros para protetores do clima   ACIMA
Premiados - Fonte: dpa Premiados!

O Prêmio Alemão do Meio Ambiente foi entregue este ano a quatro protetores do clima. O pesquisador Hans Joachim Schellnhuber, Diretor do Instituto de Pesquisas sobre Meio Ambiente de Potsdam; a prefeita de Heidelberg, Beate Weber; o fundador da produtora de ar-condicionado Konvekta, Carl H. Schmitt e seu assistente de desenvolvimento Prof. Jürgen Köhler foram premiados por sua considerável proteção do meio ambiente, em atuações que vão desde a articulação política até o desenvolvimento de novas tecnologias não poluentes.

O presidente Horst Köhler exigiu uma “nova revolução industrial” em favor da proteção do clima. Para ele, os alemães e todos os outros povos precisam reavaliar o seu estilo de vida “no sentido de trocar o “ter muito” por uma “boa vida”. Ao todo foram distribuídos 500 mil Euros durante a entrega do prêmio, em Aachen, no último domingo (28.10).

Mariana Antoun

18.10.07 – MUDANÇA CLIMÁTICA:
A ONU e a cooperação internacional   ACIMA

Achim Steiner, chefe do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, sobre sustentabilidade e globalização, a força de intermediação da organização internacional e o caminho para uma proteção justa do clima

Alguns dias atrás, o gerente de uma grande empresa energética empregou todos os meios para arranjar um encontro comigo numa sala de aeroporto. Tratava-se de um biocombustível: ele queria saber a todo custo o que as Nações Unidas, ou seja, o UNEP – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, poderiam fazer para ele e seu produto. Até há pouco, a idéia de que uma multinacional viesse bater à porta da ONU só teria provocado olhares perplexos. A globalização era interpretada como fenômeno sem leis, no qual apenas o mercado ditava as regras. Assim, surpreende o desenvolvimento dos últimos meses, a mudança da economia privada, buscando mais susten-tabilidade no mercado global. Causa disto é certamente o desafio global de nossos dias, a mudança do clima. A tendência das empresas de aproximação com a ONU não é causada por filantropia, mas porque obedecem a uma lei realista: para que novas soluções técnicas consigam estabelecer-se no mercado, elas necessitam de normas internacionais. E padrões de sustentabilidade só podem ser alcançados através de sistema multilateral.

Além das conseqüências diretas para o meio ambiente, a mudança do clima ainda mostra outros efeitos dignos de menção. Graças à Convenção Quadro da ONU e ao Protocolo de Kyoto, possuímos o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que instituiu um mercado global para energias limpas. Segundo estimativas, o MDL e sua equiparação de CO2 poderiam causar um fluxo de investimentos de 100 bilhões de dólares em direção norte-sul. Esta não é a espécie de globalização que leva a protestos nas ruas de Seattle, mas eventualmente uma nova forma de globalização mais inteligente, mais ativa, mesmo que estejamos ainda bem no seu começo.

Muito longe de recusar a globalização, a cooperação internacional reassume hoje, de diversas maneiras, o papel de força de inter-mediação, unindo diferentes parceiros, como um “catalisador”. Os anos de 2007 e 2008 mostrarão como as nossas esperanças puderam se realizar nesta nova era de cooperação global ressurgida. Os mais recentes relatórios do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) previram custos para estabilização da atmosfera: uma boa estimativa é cerca de 0,1% do PIB internacional por ano, até 2030. Um preço módico, a ser pago econômica e, sobretudo, politicamente. Estou confiante que surgirá nas conferências do clima da ONU em Bali, em dezembro de 2007, e Copenhague, em 2008, um acordo pós-Kyoto que nos levará ao caminho certo.

A mudança do clima também oferece uma chance de tratar de outros temas: entre eles estão as metas desenvolvimentistas do milênio. Em algumas dessas metas, a vantagem na luta contra os efeitos da mudança do clima é evidente, quando se trata, por exemplo, do abastecimento mundial de água potável. Também há uma conexão, por exemplo, com a construção de sistemas de canalização: uma eliminação deficiente do lixo contribui para emissões de metano, gás do efeito estufa. Com uma canalização melhorada, pode-se coletar o gás para utilização como combustível.

Apenas um de muitos exemplos. Mas a mudança do clima também diz respeito ao mercado de trabalho. Será gerada toda uma série de empregos e não somente nos países industriais. Long Yuan, na China, já está hoje entre os grandes exploradores da força eólica, e Suzlon, na Índia, é um dos cinco maiores produtores de instalações de energia eólica. Portanto, a mudança do clima desperta a esperança de tornar possível uma cooperação internacional a nível de países, mas também entre as empresas e, até mesmo, autoridades locais. A multilateralidade não apenas existe, mas se torna cada vez mais ativa. Se mais de 190 nações trabalhassem juntas numa proteção justa do clima, isto poderia criar confiança principalmente entre os hemisférios norte e sul. Uma confiança necessária para tratar de outras importantes e difíceis questões da comunidade global, como a criação de regulamentação internacional justa sobre o acesso e emprego conjunto de recursos genéticos, e também como a retomada da paralisada rodada de Doha, da Organização Mundial do Comércio.

Achim Steiner é desde 2006 diretor executivo do United Nations Environment Programme (UNEP) e subsecretário-geral das Nações Unidas. Alemão, nascido em 1961, ele estudou Filosofia, Política e Economia em Oxford.

Joachim Wille (Revista "Deutschland")


16.10.07 – ALGAS MARINHAS:
Na luta contra a mudança climática   ACIMA

Pesquisadores de Bremen realizam estudos visando a utilização de algas marinhas para combater a mudança climática. Estudos demonstram a capacidade das algas de despoluir as dejetos das fábricas. As algas não apenas retiram o CO2 do ar, mas ao mesmo tempo formam uma biomassa que pode ser usada na composição de biodiesel e bioetanol que servem como combustível para veículos automotores.

Segundo o professor Laurenz Thomsen, da Universidade particular Jacobs em Bremen, "em 10 anos seria possível ter áreas na costa mediterrânea de 20 até 30 quilômetros quadrados capazes de reduzir CO2 em grande quantidade".

Josiane Cotrim


02.10.07 – AQUECIMENTO GLOBAL:
Energia nuclear não é a melhor alternativa   ACIMA
Usina atômica - Fonte: ColourBox Conseqüências não têm fronteiras

Representantes de alguns países europeus estiveram reunidos em Viena durante dois dias numa conferência que discutiu temas ambientais. Representantes da Alemanha, Áustria, Irlanda, Itália, Letônia e Noruega discutiram temas como mudança climática, eficiência energética, o papel da energia atômica assim como as alternativas futuras para essa forma de energia.

Tendo em vista que os riscos da energia atômica desconhecem fronteiras, por exemplo, no caso de acidente e a questão do lixo atômico, os participantes exigiram maior transparência e cooperação entre os países vizinhos que optarem pela energia nuclear. Ao final do encontro, uma declaração conjunta foi divulgada reforçando a opinião dos participantes de que a energia atômica não é um caminho viável na luta contra as mudanças climáticas.

Josiane Cotrim


20.09.07 – PERGUNTE AO PROFESSOR:
Stefan Rahmstorf fala sobre clima   ACIMA
Dr. Stefan Rahmstorf - Fonte: Revista "Deutschland" Pesquisador é co-autor de relatório mundial

O prof. Dr. Stefan Rahmstorf é pesquisador do clima no Instituto Potsdam de Pesquisa do Clima. Além disso, ele leciona a disciplina Física dos Oceanos na universidade de Potsdam. Rahmstorf é membro do Conselho Científico Consultivo das Mudanças Climáticas Globais (WBGU) e co-autor do relatório sobre o clima mundial. Em 2006, ele publicou, junto com Hans Joachim Schellnhuber, o Best Seller “A Mudança do Clima”

Professor, há ainda dúvidas sérias de que existe uma mudança do clima causada pelo homem?
Não! Sabemos com certeza que nossa emissão de dióxido de carbono (CO2) elevou em um terço a quantidade desse gás na atmosfera. Ela é tão alta como nunca nos últimos 650000 anos, o que comprovam dados fidedignos de perfurações na Antártica. Conhecido já desde o século XIX e também de absoluta certeza é o fato de que o CO2 funciona como gás de efeito estufa e aquece o clima.

O Conselho do Clima da ONU, Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), do qual o sr. é membro, acaba de publicar seu novo relatório. Quais são os maiores perigos que ameaçam a humanidade?
Os maiores perigos estão nos acontecimentos extremos: ondas de calor, crescente desertificação, temporais que levam a inundações e crescentes inundações costeiras por causa da elevação do nível do mar, que está subindo atualmente três centímetros por década.

O senhor é perito em oceanos e diz que o relatório do IPCC subestima o perigo da elevação do nível do mar. Por que?
Há riscos difíceis de calcular, sobretudo através do acelerado descongelamento da Groenlândia e da Antártica ocidental. Esta aceleração vem sendo observada nos últimos anos, mas não pôde ser totalmente considerada no relatório por causa da longa demora para elaboração deste. Além disso, está comprovado que nossos modelos de cálculo, que são usados para projeções futuras, subestimam enormemente a elevação do nível do mar já existente nos últimos anos.

Quais são as chances de deter a mudança do clima em condições suportáveis?
Já temos muitas tecnologias para levar adiante a economia de modo essencialmente eficiente e com um mínimo de emissões de CO2. E ainda podemos desenvolver outras tecnologias. Análises de economia, como o relatório do ex-economista do Banco Mundial, Nicholas Stern, mostraram que uma defesa conseqüente do clima é mais barata do que continuar tentando fazê-la com tecnologias antiquadas e então ter de pagar os danos causados pela mudança do clima. O que falta até agora é o desejo político da reviravolta necessária no clima, pois ela não virá por si própria.

Os pesquisadores alemães do clima estão entre os melhores do mundo. Quais são as novas tarefas e há verba suficiente para isto?
A pesquisa do clima ainda continua sendo um pequeno ramo com um número visível de cientistas. Os recursos não correspondem à dimensão do problema. Mesmo que saibamos hoje, com certeza, que o dióxido de carbono aumenta a temperatura global, muitos problemas urgentes ainda não foram solucionados, como por exemplo a questão do risco de “surpresas” no sistema, ou seja, de mudanças abruptas, fortes transformações não-lineares, ou a questão da estabilidade das grandes massas de gelo continentais. Mas mesmo que nós, os pesquisadores, gostemos de pesquisar cada vez mais: mais urgente do que continuar pesquisando o clima é agora a solução do problema.

Entrevista: Joachim Wille (Revista „Deutschland“)


14.09.07 – OS CAMPEÕES VERDES:
Alemanha investe na economia ambiental   ACIMA

A mudança do clima gera uma chance econômica para a Alemanha. Pois, em decorrência de diretrizes políticas, as empresas apostaram cedo nas tecnologias ambientais. Elas são as estrelas do futuro; algumas já são hoje líderes no mercado mundial
Julie Gassmann - Fonte: Revista "Deutschland" Engenharia ecológica

A economia alemã está vivendo seu milagre verde: os negócios com o sol, o vento e a água revelam-se como sucesso de exportação, a indústria ambiental está se tornando o setor mais expansivo do século XXI. “A Alemanha assume um papel de liderança mundial no setor”, afirma Burkhard Schwenker, da conhecida empresa de consultoria Roland Berger. Ele prognostica faturamento de um bilhão de euros no setor ambiental no ano de 2030. Ele enumera os setores em que firmas alemãs estabelecem padrões internacionais: a maior capacidade instalada de energia eólica, a mais moderna técnica de usinas elétricas, campeãs em muitos aparelhos de consumo eficientes e assim por diante. As notícias sobre mudanças do clima são ameaçadoras e, há muito, já são levadas a sério na Alemanha. Isto cria também uma chance econômica. E a Alemanha é conhecida tanto pela arte da sua engenharia como pelo amor à natureza, sendo líder no registro de patentes e também na separação e reciclagem de lixo.

Um terço das células solares usadas hoje em todo o mundo foram produzidas na Alemanha, como também quase a metade dos cata-ventos. Em 2006, a Federação das Energias Renováveis registrou exportações no valor de seis bilhões de euros: um aumento de 30% em relação ao ano anterior. “O setor ecológico transforma-se no ramo principal da Alemanha. Já é hoje o grande gerador de empregos”, diz Torsten Henzelmann, sócio da Roland Berger. Por incumbência do governo alemão, a equipe de consultores preparou um atlas ecológico da Alemanha, publicado em junho, na reunião de cúpula da UE sobre o meio ambiente. Os consultores indagaram quase 1500 firmas de tecnologia ambiental e avaliaram numerosos estudos. O resultado positivo: a tecnologia verde da Alemanha cria empregos. “No ano 2020, o setor empregará mais gente que a indústria mecânica ou a automobilística”, afirma Henzelmann. Seu arrojado prognóstico é de que, em poucos anos, o setor ecológico terá um faturamento maior que o dos dois ramos tradicionais juntos. Segundo o estudo da Roland Berger, o setor da técnica ambiental já dá emprego hoje a um milhão de pessoas. “Este número aumentará paralelamente com a explosão dos faturamentos”, diz o consultor Henzelmann. “As empresas já se queixam hoje, de que não encontram suficientes empregados qualificados”.

Com os pioneiros ecológicos, a Alemanha tem chance de ter campeões globais, acredita também August Joas, da consultoria Mercer: “Sempre participamos cedo dos mercados de futuro”. O ramo econômico verde, segundo ele, tem tudo para imitar a ascensão do setor automobilístico. Gottlieb Daimler e Karl Benz construíram, no ano de 1886, sua legendária carruagem motorizada. Daí surgiu não apenas um conglomerado mundial, eles também criaram as bases para a boa posição alemã no mercado automobilístico até hoje. Semelhante grande êxito teve também um punhado de ex-programadores da IBM, criando em Walldorf a firma de software chamada SAP. Também esta empresa fundada na Alemanha logrou subir ao pódio dos vencedores em todo o mundo. Agora, as questões interessantes são: quem tem condições de ser a próxima SAP? Que potencial existe em firmas como a Solarworld, a Repower ou a Choren? Esconde-se um futuro líder mundial por trás desses novatos?

A ambição para isto eles têm e também algumas idéias interessantes de negócios. A Choren Industries, por exemplo, é portadora das esperanças da indústria automobilística. A história da empresa começou com uma visão. A obtenção de energia renovável seguindo o exemplo da natureza. De forma inócua ao clima, limpa, sustentável e econômica. Já hoje, a firma é uma das líderes mundiais no processo de transformação de biomassa sólida e resíduos carboníferos em combustível orgânico. Com tal processo, pode-se obter eletricidade, calor e também combustível, o “SunDiesel”, como os parceiros Daimler e Volkswagen batizaram o combustível desenvolvido pela Choren. O diesel sintético não apenas reduz as emissões poluentes em 30 a 50% em comparação aos combustíveis fósseis, mas pode também ser utilizado em qualquer motor a diesel.

Ainda mais adiantadas estão as empresas alemãs de energia solar, hídrica e eólica: firmas como a Solarworld deram muito alegria a seus acionistas, em pouco tempo. E como são requisitados os cata-ventos fabricados na Alemanha, pode-se notar na batalha pela incorporação da firma hamburguesa Repower. Apesar de fundada no ano 2001 e só recentemente lucrativa, dois conglomerados internacionais disputam a aquisição da fábrica de instalações eólicas. A Repower é avaliada atualmente em mais de um bilhão de euros.

As condições para a ascensão do ramo ecológico são favoráveis. A arte alemã da engenharia está muito cotada. A consciência reinante garante um fomento político. E o que não falta é capital. Os bancos criam aplicação em fundos verdes, os conglomerados tradicionais de energia e de petróleo remanejam investimentos, sociedades de private equity enviam observadores e dinastias industriais diversificam o patrimônio em direção ao setor ecológico. Em face dessa euforia, o “New York

Times” advertiu recentemente sobre a próxima bolha, “desta vez em verde”. Um temor infundado: ao contrário de certos especuladores da internet, estas firmas não vendem um modelo imaginário de negócios, mas sim cata-ventos reais e faturam dinheiro de verdade. E, dentro em breve, até sem as subvenções, como ressalta o chefe da Repower, Fritz Vahrenholt: “No mais tardar em cinco anos, seremos mais baratos com a energia eólica que com a eletricidade a carvão ou a gás”.

Não há dúvida quanto à crescente demanda por tecnologia ambiental. O consumo de energia aumenta em todo o mundo, e também a aspiração de um meio ambiente intacto. A qualidade do ar deixa a desejar em muitos lugares. Estações de tratamento de esgoto têm de ser construídas; é enorme a demanda de eliminação de lixo; há que se investir bilhões na preparação de água potável. As firmas alemãs reconheceram isto, de onde vem sua esperança de aumento rápido do faturamento em todo o mundo. A tecnologia necessária, elas não têm de inventar em suas oficinas. Por mais recente que seja a moda ecológica, ela se baseia em ramos alemães tradicionais, afirma Joas, da consultoria Mercer: “Temos ingredientes muito bons – tecnologia de processos, engenharia química, construção de instalações”.

E é por isto que nomes consagrados se misturam na lista dos pioneiros verdes. Por exemplo, o conglomerado Siemens, com 160 anos de história e que nada tem de novato, emprega a metade do seu orçamento de pesquisas de 5,7 bilhões de euros em projetos que estão ligados à proteção do clima. Um terço da energia gerada em todo o mundo com o aproveitamento da força hídrica é produzida com turbinas e geradores alemães, fornecidos pela empresa familiar suábia Voith. E os campeões mundiais entre os aparelhos de eficiência energética são marcas tradicionais alemãs como Bosch-Siemens, Osram ou Miele. Os pioneiros que também quiserem tornar-se campeões mundiais, devem tomar como exemplo os conglomerados tradicionais, afirma Schwenker, chefe da Roland Berger.

Vento
No primeiro trimestre de 2007, a eletricidade eólica bateu novo recorde na Alemanha: de janeiro até março, cerca de 19 mil instalações eólicas forneceram 15 bilhões de quilowatts-hora à rede alemã de abastecimento – isto correspondeu à metade da eletricidade gerada com o vento em 2006. Mesmo que o êxito se deva em parte a um janeiro muito ventoso, isto demonstra que a energia eólica está estabelecida como uma grandeza fixa na matriz energética alemã. Em 2004, pela primeira vez, a energia eólica pôde superar a hidrelétrica na Alemanha; no ano passado, sua participação na matriz energética alemã foi cerca de 5,1%. Graças ao aumento explosivo das instalações na Alemanha, já poderá ser alcançada em 2007 a meta estabelecida pelo governo alemão para 2010, de chegar a uma participação de 12,5% de eletricidade ecológica na matriz energética. Graças a investimentos incentivados pela Lei das Energias Renováveis (EEG), do ano 2000, foi instalada na Alemanha até hoje uma capacidade de cerca de 21 mil megawatts de energia eólica, a maior parte (5300 megawatts) na Baixa Saxônia. Ao mesmo tempo, pôde desenvolver-se na Alemanha uma indústria de equipamentos eólicos, hoje líder internacional. O próximo passo será rumo à água. Instalações com capacidade de até 30 mil megawatts deverão ser construídas nos mares alemães até o final da próxima década, produzindo juntas um quinto da demanda atual de eletricidade. Então, cada parque eólico terá mais capacidade que uma usina atômica. Os parque maiores, no mar do Norte, estão projetados para até dois mil megawatts.

Perfil da empresa Enercon
Maior fabricante na Alemanha é a empresa Enercon, em Aurich na Frísia Oriental, fundada em 1984 pelo engenheiro Aloys Wobben. Suas primeiras instalações eólicas tinham potência nominal de 55 quilowatts. Até agora, a Enercon instalou mais de dez mil equipamentos em mais de 30 países. Os mais potentes, com rotores de 114 metros de diâmetro, atingem a potência nominal de seis megawatts.

Sol
Até agora, os equipamentos fotovoltaicos dão pouca contribuição à matriz energética, com participação de 0,3%. Mas é impressionante a rapidez da sua expansão: no final de 2006, estavam instalados na Alemanha equipamentos com uma capacidade total de 2500 megawatts – um aumento de dez vezes em apenas quatro anos. No ano passado, foram ligados à rede alemã novos equipamentos fotovoltaicos com cerca de 750 megawatts. Com isso, a Alemanha é a campeã em expansão da energia solar. Este ano, o aumento pode até mesmo ultrapassar a marca de um gigawatt (mil megawatts). A maior instalação solar do mundo está sendo construída no distrito saxônio de Muldental, a leste de Leipzig. Deverá estar concluída até 2009 e fornecer 40 megawatts de eletricidade. Na cidade espanhola Beneixama (província de Alicante), o primeiro segmento de uma usina solar de 20 megawatts começou a fornecer eletricidade à rede há poucos meses. Os módulos produzidos pelas empresas alemãs “Tenesol”, “Aleo” e “Solon” são compostos de fotocélulas da fábrica alemã “Q-Cells”, um dos líderes mundiais na produção de células fotovoltaicas. Os equipamentos técnicos (cabos, transformadores e conversores de freqüência) são da Siemens. Graças ao volume crescente de produção, os custos de fabricação estão caindo. No mais tardar em 2015, segundo prognóstico do ramo, a eletricidade fotovoltaica poderá ser produzida a preço de mercado.

Perfil da empresa Solarworld
O maior conglomerado fotovoltaico alemão é a firma Solarworld, com sede em Bonn e uma importante filial saxônia em Freiberg. A empresa, que ocupa atualmente 1300 funcionários, reúne sob o mesmo teto todo o leque da indústria solar, da fabricação de fotocélulas até ao módulo completo. A Solarworld AG foi fundada em 1998 pelo engenheiro Frank H. Asbeck, que transferiu à empresa as atividades de negócios do seu escritório de engenharia, fundado dez anos antes. Através de diversas incorporações, entre outras, a aquisição do setor de cristais solares da Shell, a Solarworld tornou-se o único conglomerado solar da Alemanha. Seu valor na bolsa gira atualmente em torno de três bilhões de euros.

Biomassa
No ano passado, produziu-se na Alemanha quase 17 bilhões de quilowatts-hora de eletricidade da biomassa, sendo mais de dez bilhões de madeira, mais de cinco bilhões de biogás e cerca de um bilhão de óleo vegetal. A participação da biomassa na matriz energética nacional é cerca de 3%. Sobretudo pôde ser aumentada claramente em 2006 a produção de eletricidade com biogás: de 2,8 para 5,4 bilhões de quilowatts-hora. Para 2007, o setor conta com nova duplicação para cerca de dez bilhões de quilowatts-hora. E para 2020, tem até mesmo a meta de 76 bilhões. Isto corresponderia então a 12% da demanda atual de eletricidade. No final de 2006, 3500 instalações de biogás estavam ligadas à rede na Alemanha, com uma capacidade total de 1100 megawatts, sendo que 500 megawatts haviam sido instalados no período de doze meses. Ao lado da eletricidade, as instalações geram ainda cerca do dobro de capacidade em calefação. Porém, o calor de muitas instalações de biogás só pode ser aproveitado insuficientemente por falta de consumidores locais. Por este motivo, tema crescente no planejamento de grandes instalações é o fornecimento do biogás processado à rede de gás natural.

Perfil da empresa Schmack
A Schmack Biogas AG, em Schwandorf, está entre as empresas mais inovadoras do setor alemão de bioenergia. Foi fundada em 1995, em Regensburg, por três irmãos: um agrônomo, um biólogo e um comerciante. Em 2006, ela lançou suas ações na bolsa de valores. As instalações de energia tornaram-se cada vez maiores e atingem hoje capacidade de muitos megawatts. Ao mesmo tempo, os projetos se transformaram, reduzindo o aproveitamento de estrume e passando a empregar plantas energéticas. A Schmack pesquisa intensivamente a purificação e o beneficiamento de biogás, com o objetivo de seu fornecimento à rede distribuidora de gás natural.

Georg Meck (Revista "Deutschland")


10.09.07 - EXPOSIÇÃO:
Esperança para a floresta e para os homens   ACIMA
Floresta Tropical - Fonte: Revista GEO Proteção para florestas tropicais

A Embaixada da Alemanha, em parceria com a Galeria de Arte do Templo da Boa Vontade, inaugura em Brasília no dia 11 de setembro (terça-feira), às 20 horas, a mostra “Esperança para a floresta e para os homens”. Com belíssimas imagens de florestas tropicais espalhadas por todo o mundo, a exposição documenta o trabalho da organização alemã “GEO protege a floresta”. A visitação ao público acontece a partir do dia 12 de setembro (quarta-feira).

A exposição conta com 20 painéis, que mostram desde plantas nativas destas florestas até o trabalho social desdenvolvido nas comunidades.

A “GEO protege a floresta” foi fundada em 1989 como uma sociedade civil de interesse público por iniciativa dos redatores da revista GEO, um veículo alemão especializado em conhecimento geográfico. Desde então, cerca de 50 projetos de preservação e desenvolvimento foram apoiados, planejados e acompanhados na África, Ásia e América. Financiada por doações de leitores e patrocinadores, a organização procura, acima de tudo, possibilitar às populações das florestas tropicais manterem e administrarem sob sua própria responsabilidade o meio natural onde habitam.

Esperança para a floresta e para os homens
De 11 a 28 de setembro
Hora: de segunda à domingo, das 8h às 20h
Galeria de Arte do Templo da Boa Vontade
SGAS 915 - Lotes 75 e 76
Brasília –DF
Tel : 61- 3245-1070. R. 209 (Galeria de arte)
Entrada Franca

Redação


14.08. 07 – CLIMA:
Países reunidos no Chile   ACIMA

Pré-conferência sobre políticas para o meio ambiente contou com representantes de países da América Latina e da União Européia, que mantiveram debate de alto nível
Ministros reunidos - Fonte: dpa Nações pelo meio ambiente

Ministros do Meio Ambiente de diversos países estiveram reunidos no Chile em julho, como preparação para a conferência ministerial sobre políticas para o meio ambiente, que acontecerá em Berlim. Os encontros fazem parte dos Diálogos de Gleneagles, iniciados durante a reunião do grupo dos sete países mais ricos do mundo mais a Rússia (G-8), nesta localidade, em 2005.

A conferência teve como convidados a Comissão Econômica das Nações Unidas para América latina e Caribe (Cepal), assim como o ministro do Meio Ambiente e Desenvolvimento britânico e a organização para análise internacional de questões e problemas do Reino Unido.

Diversos representantes de governos da América Latina e da União Européia participaram de um debate de alto nível. Também estiveram atuantes representantes de bancos de desenvolvimento, organizações do auxílio de desenvolvimento, de empresas privadas, estabelecimentos de pesquisa e de ONGs.

Todos os participantes mostram-se convencidos de que as medidas preventivas climáticas dever sem tomadas em escala internacional, nacional e especialmente regional. Além disso, a integração com a sociedade civil deve ser considerada como condição sine qua non para o trabalho bem sucedido dos governos.

O atual debate sobre política ambiental, também em evidência na Alemanha, mostrou um aumento no senso de responsabilidade dos representantes governamentais. Os resultados do seminário no Chile devem ser novamente avaliados e trabalhados nas próximas reuniões que acontecem em Seul e no México.

Nina Ulbricht e Ricardo Campos da Silva


30.08.07 – DEFESA DO CLIMA:
Alta prioridade para a Alemanha e UE   ACIMA


Deter a mudança do clima está se tornando um assunto prioritário para um número cada vez maior de políticos. A Alemanha e a UE já deram passos importantes
Iceberg - Fonte: Revista "Deutschland" Icebergs derretendo: mudança climática

Angela Merkel é física. Ela sabe o que significa eficiência, quando se trata, por exemplo, da luz. Lâmpadas normais não existem no seu apartamento de estilo antigo em Berlim. Ela colocou lâmpadas econômicas em todo apartamento, conforme relatou numa entrevista. O motivo: as lâmpadas comuns, cujo princípio de funcionamento continua o mesmo desde a sua invenção por Thomas Alva Edison, emitem mais calor do que iluminam. Isto significa que elas são extremamente ineficientes. Apenas 5% da eletricidade usada é transformada em luz e os restantes 95% são jogados fora.

Angela Merkel é chanceler federal e era ministra do Meio Ambiente em 1997, quando foi aprovado, em Kyoto no Japão, o primeiro protocolo mundial de defesa do clima, no qual as nações industriais se comprometeram a reduzir a emissão dos gases do efeito estufa. Por isso, a chefe do governo alemão não precisa de um ghost writer para avaliar o significado da eficiência energética. Em entrevista aos jornalistas, ela se baseia em fatos seguros, calculando a grande vantagem para o clima, se todos passassem a usar lâmpadas econômicas em suas casas. Produzindo a mesma luminosidade, elas só consomem 20% da eletricidade de uma lâmpada comum. “Isto economizaria 6,5 milhões de toneladas de emissões de CO2”, mais do que muitas medidas de defesa do clima poderiam conseguir. Isto ajudaria não só o clima, mas também o bolso dos cidadãos.

Tão simples assim não é, contudo, uma política energética que atenda às necessidades cada vez mais urgentes da defesa do clima. A Alemanha assumiu, como quase nenhuma outra nação industrial, a tarefa de reduzir as emissões de gases do efeito estufa, tendo sido um dos primeiros países, no começo da década de 90, que deliberou reduzir até 2005 as cargas totais de CO2 da indústria, das casas e do trânsito em 25% em relação a 1990. Foi um sinal que contribuiu essencialmente para o sucesso da cúpula mundial da ONU no Rio de Janeiro, na qual mais de 150 Estados aprovaram a Convenção Mundial do Clima.

Neste meio tempo, o Tratado de Kyoto regulamenta a defesa do clima global. Ele entrou em vigor em 2005, sendo assim instrumento impreterível do direito internacional. Segundo ele, a Alemanha tem de reduzir em 21%, até 2012, suas emissões de todos os seis importantes gases de efeito estufa (ao lado de CO2 também outros, como metano e óxido nitroso). Este objetivo é realizável. Até 2006, já foi alcançada uma redução de 18%. Semelhantes dados positivos, entre os países industriais ocidentais, podem ser atestados apenas pela Grã-Bretanha e por Luxemburgo. Apesar disso, o governo alemão quer – e precisa – dar início a um novo impulso na política do clima. A maior parte dessa redução de CO2 foi alcançada já na década de 90, após a reunificação alemã, sobretudo como conseqüência da derrocada da velha, poluente e ineficiente indústria da RDA. Desde 1999, porém, a redução das emissões de gases do efeito estufa praticamente estagnou, sofrendo até mesmo um crescimento da carga de CO2 em 0,5% em 2006, causado pelo crescimento econômico entre outras coisas.

Sendo assim, é necessário redobrar esforços, mundialmente. A urgência desses esforços ficou clara neste começo de ano, quando o Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), da ONU, apresentou seus novos estudos sobre o desenvolvimento do clima mundial até 2100. Palavras-chave: aquecimento em até seis graus (é mais do que a diferença entre uma era glacial e uma interglacial), elevação do nível do mar em até 60 centímetros, centenas de milhões de pessoas ameaçadas nos deltas fluviais no sudeste da Ásia, extremas condições meteorológicas como furacões, inundações e secas, desaparecimento das geleiras de montanhas, disseminação de doenças infecciosas como a malária. É certo que estas afirmações apenas reforçam os prognósticos tenebrosos feitos pelo relatório do IPCC de 2001. Por outro lado, duas coisas foram diferentes desta vez. Em primeiro lugar, já não se pode mais contestar cientificamente que a mudança do clima já começou. Em segundo lugar, a população ficou tão sensibilizada com as reviravoltas meteorológicas, como as freqüentes “inundações do século” e as ondas de calor, que as admoestações foram finalmente ouvidas. De repente, não só os cidadãos passaram a discutir com veemência sobre a troca de lâmpadas, mas também os políticos deram a impressão de ter reconhecido realmente a urgência da situação, declarando a mudança do clima como desafio central da humanidade.

Isto teve efeito. E a Europa tomou a dianteira. A União Européia, tendo Angela Merkel na presidência do seu Conselho, deliberou importantes passos a caminho de uma tal transformação positiva. A cúpula da UE em março de 2007 determinou o novo objetivo da defesa do clima para 2020. Até lá, os 27 países deverão reduzir juntos suas emissões de CO2 em 20% em relação às de 1990. A UE pretende chegar até mesmo aos 30%, se outros países industriais, como os EUA, a Austrália e o Japão, também se propuserem a alcançar objetivos ambiciosos. A próxima etapa da defesa do clima deverá ser alcançada aumentando a eficiência energética em 20% e aumentando a participação de energias renováveis em 20%. A marcante fórmula energética da UE: “três vezes 20”.

Ainda não se decidiu quais países da UE deverão contribuir com quais percentagens na redução de CO2, mas parece ser evidente que a Alemanha, como maior país da União, também deverá assumir um papel pioneiro, como já aconteceu no burden sharing no primeiro Protocolo de Kyoto. O objetivo proposto pela UE em 1997 para 2012 – a redução de 8% de CO2 – somente poderá ser cumprido, se a Alemanha alcançar completamente seu objetivo nacional. Apenas a Alemanha é responsável por três quartos da redução total da UE. Para países como a Espanha ou a Grécia, com necessidade de recuperação econômica, foi admitido até mesmo um aumento de emissões de CO2