CARNAVAL TURCO: Não passou de uma brincadeira
HUMBOLDT: Revista completa bodas de ouro
CLAUSTHAL: Quase uma cidade chinesa
ESPECIAL INTEGRAÇÃO: Essência do convívio
APRENDER ALEMÃO NO RESTAURANTE
MÃES PARA UM BAIRRO
VIAGEM GLOBAL EM HAMBURGO
CAMINHO LIVRE PARA O FUTURO
PARCERIA DAS CULTURAS
FUTEBOL PELA PAZ
FUTURO COM MADRINHA
REGIÃO DAS CULTURAS
MÃO-DE-OBRA: A resposta vem do Leste
BOLSAS DE ESTUDO: Fomentando o diálogo
ARZEIBAIJÃO: Ano cultural na Alemanha
IMIGRAÇÃO: 2008 será o ano da integração
CARNAVAL DOS SORÁBIOS: Minoria mantém costume pagão
CRÍTICA SOCIAL E HUMOR: Há 150 anos nascia Heinrich Zille
A ARTE AMA BERLIM: Pólo de atração de artistas
ENCONTRO CULTURAL: Casa comemora 50 anos
MULTICULTURALISMO: Casa das Culturas do Mundo
KARNEVAL DER KULTUREN: Folia em Berlim
FESTIVAL: Viva Afro-Brasil
CIDADANIA: Maioria de novos alemães têm origem turca
CONFERÊNCIA ISLÂMICA: Aberto o diálogo para a integração
IMIGRANTES: Reforma legal estabelece regras para estrangeiros
ISLÃ: Aulas de alemão para Imames
CALDEIRÃO CULTURAL: Mais de 8% da população da Alemanha
é de estrangeiros
21.01.09 – CARNAVAL TURCO:
Não passou de uma brincadeira 
Brincadeira, mas não de mau gosto!
Uma notícia animou a comunidade turca que vive na cidade de Colônia e causou alvoroço na imprensa local. Uma recém-criada Associação Turca de Carnaval na Alemanha estava preparando uma festa de carnaval adequada às tradições muçulmanas, ou seja, com mais decência, sem conotação sexual e sem consumo de álcool.
No entanto, o anúncio feito no dia 08.01 não passou de uma brincadeira do canal de televisão alemão RTL. A coletiva de imprensa e os projetos – que incluíam inclusive a participação no tradicional desfile de Colônia, na segunda-feira de carnaval, dentro de alguns anos – foram uma encenação para o humorístico "TV Helden" (Heróis da TV). „Nós queríamos ver como a cidade reagiria à idéia de um carnaval turco. A repercursão na mídia mostrou que ela não seria inoportuna“, afirmou um porta-voz da emissora no dia seguinte à brincadeira.
O Comitê de Festas do Carnaval de Colônia chegou a parabenizar e a dar boas vindas à iniciativa, considerada mais um passo no processo de integração da comunidade turca na vida cívica da cidade. De acordo com Sigrid Krebs, membro do grupo, "de toda maneira ficou mais nítida a participação dos turcos em nossa festa".
O porta-voz da RTL também afirmou que a ação "foi legítima no campo da sátira" e que ninguém saiu prejudicado com a história. O programa sobre o assunto com os comediantes Jan Böhmermann no papel de Davut Ylmaz, e Caroline Korneli, como Melek Cezmi, deve ir ao ar no próximo sábado, 24.01.
Glaucimara Silva
07.08.08 – HUMBOLDT:
Revista completa bodas de ouro 

Há meio século o nome de Alexander von Humboldt foi escolhido para batizar a revista "Humboldt", já que ele era considerado personificação da liberdade do espírito frente aos excessos totalitários. Desde então, a publicação é sinônimo de um intercâmbio intelectual de igual para igual entre o mundo íbero-americano e a Alemanha/Europa. E para comemorar suas bodas de ouro, a revista ganhará uma edição especial, onde sob o tema "amizade" leitores e leitoras poderão participar de um concurso de resenhas e fotografias.
O lema escolhido tem origem no conhecido espírito de amizade de seu patrono. Assim, é possível participar do concurso como autor e fotógrafo sobre o tema "... para além das fronteiras culturais", com um artigo literário ou um trabalho fotográfico centrado na amizade com todas as suas implicações humanas interculturais e transculturais, políticas, trágicas e cômicas. As melhores contribuições serão publicadas na Humboldt em 2009 e receberão um prêmio.
Cada participante só pode contribuir com um trabalho (um texto ou uma fotografia). As fotografias e os textos enviados não podem ter sido publicados anteriormente. O prazo para envio dos textos e afotografias (que deverão ser enviados por correio eletrônico com o assunto "Amistad" ao seguinte endereço: humboldt.redaktion@goethe.de) é 30 de setembro de 2008.
Para maiores informações acesse:
http://www.goethe.de/wis/bib/prj/hmb/pt3514629.htm
Redação
16.06.08 – CLAUSTHAL:
Quase uma cidade chinesa 
Há cinco anos o chinês Zhang Zhenan vive na Alemanha. Mais precisamente, em Clausthal, pequena cidade universitária, situada nas montanhas de Harz, no estado da Baixa Saxônia. Ali, a 7.500 quilômetros de distância de sua terra natal, um quinto dos cerca de 3 mil estudantes inscritos na Universidade Técnica são chineses. "Clausthal é quase uma cidade chinesa", afirma Zhang. Nesta pequena cidade de apenas 15 mil habitantes os jovens chineses não passam desapercebidos. Como a maioria dos seus colegas chineses, Zhang Zhenan estuda engenharia mecânica. Na lista de ex-alunos, figura um eminente cidadão chinês que tirou ali seu diploma: o ministro da Pesquisa da China, Wang Gang, doutourou-se em Clausthal.
A Universidade Técnica de Clausthal tem acordos de cooperação com quatro universidades chinesas. "Certos cursos, como o de Engenharia Geoambiental, foram mesmo especialmente concebidos para os estudantes chineses", informa o vice-presidente da universidade Thomas Hanschke. A fim de favorecer a integração dos estudantes orientais, o centro internacional da universidade organiza excursões e ateliês, de maneira que os grupos não sejam formados exclusivamente de chineses, mas também de alemães e outros estrangeiros, explica a diretora do Centro Internacional da universidade, Almut Steinbach.
Os estudantes chineses que realizam seus estudos na Alemanha esperam obter melhores perspectivas profissionais. "Os diplomados interessam particularmente às empresas ocidentais instaladas na China", explica Steinbach. É um emprego assim que aspira Zhang Zhenan.
Josiane Cotrim
10.12.08 – ESPECIAL INTEGRAÇÃO:
Essência do convívio 
Ponto de encontro entre cristãos e muçulmanos
Encontros interculturais existem em muitas lugares da Alemanha: em festas de vizinhos e de bairros, nas quadras de esporte, nos centros da juventude, nos locais de trabalho, nas escolas e nos jardins de infância. Mesmo assim fica cada vez mais claro: encontros apenas não criam convivência. Por esta razão, muitas pessoas e instituições engajam-se firme em toda a Alemanha pela convivência intercultural. Elas estão abrindo caminho para uma melhor compreensão mútua e fortalecendo assim o sentimento do "nós" no cotidiano.
Quantos projetos e iniciativas existem em todo o país, ninguém sabe exatamente. Só uma coisa é certa: seu número é da ordem dos milhares. Um exemplo é a Fundação Körber, em Hamburgo. Desde 1999, ela agracia com a Tulipa Hamburguesa projetos que, de forma exemplar, constróem pontes entre hamburguesas e hamburgueses, com e sem história de migração. O vencedor do prêmio em 2008 chama-se Switch e reúne, de forma incomum, crianças de diferentes círculos culturais. Não é sem razão que o prêmio leva o nome Tulipa. A flor foi escolhida porque ela "mesma é, por sua origem, uma imigrante e está perfeitamente integrada no país", segundo a fundação. As primeiras cebolas de tulipas chegaram há cerca de 450 anos na bagagem de um enviado europeu que retornava do Império Otomano para a Europa Ocidental.
Quase 600 quilômetros mais ao sul, o espírito intercultural se manifesta de modo bem diferente. Com 65 mil imigrantes, Mannheim, uma cidade com 327 mil habitantes, possui uma das mais altas cotas de estrangeiros da Alemanha. Há séculos ela desponta como um dos modelos de comunidade, quando se trata de convivência entre alemães e imigrantes. Em toda a Alemanha, conhece-se até mesmo a expressão "modelo de Mannheim". Uma das iniciativas de maior destaque é o Instituto de Estudos de Integração Turco-Germânicos. Ele surgiu em 1995 durante o debate em torno da construção de uma nova mesquita. Naquela época, ficou claro para todos os participantes que faltava uma ponte entre a sociedade cristã e a muçulmana: tanto para desarmar preconceitos em ambos os lados, quanto para promover a compreensão entre si e o conhecimento sobre o outro. O instituto atua juntamente com organizações comunitárias, escolas, congregações muçulmanas e igrejas pela comunicação e sensibilização intercultural e interreligiosa da sociedade acolhedora e dos imigrantes. Hoje, faz tempo que não há conflito mais por conta da mesquita. Pelo contrário: ambos os lados desenvolveram o conceito da mesquita aberta. Aproximadamente 250 mil visitantes já foram recebidos na outrora polêmica mesquita Yavuz Sultan Selim.
Revista Deutschland
APRENDER ALEMÃO NO RESTAURANTE 
120 pessoas de 33 países trabalham diariamente nos sete restaurantes da rede Oktober, de Hamburgo. Elas atendem os clientes, cozinham ou servem as bebidas. Mesmo nas horas de grande movimento, não há problemas de entendimento: o idioma de trabalho é o alemão. O proprietário Ömer Merdin faz questão disso. Ele próprio veio da Turquia para a Alemanha quando tinha 19 anos e sabe o quão importante é falar alemão. Por esta razão, ele financia cursos regulares de alemão para seus funcionários, caso seus conhecimentos do idioma não sejam suficientes. "Eu quero propiciar igualdade de oportunidades para todos", diz Merdin. Tão grande engajamento foi recompensado em 2008 com o primeiro prêmio no concurso nacional Variedade Cultural como Chance. O gastrônomo implantou até mesmo um programa próprio de qualificação profissional para sua equipe. Em seu restaurante, funcionários sem formação profissional podem capacitar-se como especialistas em serviços e cozinha para o setor hoteleiro e gastronômico.
LINK:
www.vielfalt-als-chance.de
MÃES PARA UM BAIRRO 
Roupas pretas, xale vermelho, bolsa colorida a tiracolo: Nos bairros berlinenses Neukölln, Kreuzberg e Steglitz, quase todos conhecem as mulheres com esta aparência. Na casa de alguns, elas até já se sentaram no sofá da sala. Elas são as "mães do bairro", a maioria de famílias turcas ou árabes imigrantes, e cumprem missão especial. Elas esclarecem aos demais imigrantes questões sobre dez áreas temáticas do cotidiano, de saúde à educação. Quando há problemas, as "mães do bairro" entram em ação como consultoras. O projeto começou em 2006 no distrito de Neukölln. Hoje, cerca de 180 mulheres atuam nos três distritos berlinenses. As expectativas foram cumpridas. Afinal, estas engajadas imigrantes interagem, sem barreiras idiomáticas, com muitas famílias às quais um assistente social alemão jamais teria acesso.
LINK:
www.berlin.de
VIAGEM GLOBAL EM HAMBURGO 
Gente de mais de 180 nações vive em Hamburgo. Isto é que é uma chance especial para as crianças conhecerem o modo de vida de famílias originárias de outros países. Os mantenedores da associação Kulturbrücke Hamburg reconheceram esta oportunidade e desenvolveram o incomum programa Switch, que promove um intercâmbio familiar internacional para crianças entre nove e 14 anos, dentro de uma mesma cidade. As meninas e os meninos, sempre em grupos de quatro, passam um dia numa família anfitriã e, juntamente com seus pais, são também anfitriões do resto do grupo. Assim, cada família atua como embaixadora de seu próprio país. Só há uma condição: as crianças participantes precisam falar alemão.
LINK:
www.switchhamburg.de
CAMINHO LIVRE PARA O FUTURO 
Ter um currículo acadêmico ainda costuma ser uma exceção entre os filhos de imigrantes. A Fundação Hertie assumiu como tarefa sua mudar esta situação, através do programa Start. Em 2002, alunos de famílias de imigrantes receberam pela primeira vez o auxílio de uma bolsa em seu caminho para obter o certificado Abitur de acesso ao ensino superior. O programa começou com 20 bolsas no Estado de Hessen. Atualmente, em todo o país são fomentados a cada ano 500 alunas e alunos, oriundos de 60 países. Como apoio, os bolsistas recebem ajuda de custo no valor de 100 euros mensais, um notebook com acesso à internet e a possibilidade de participar de seminários e workshops, entre outros benefícios. Além disso, eles recebem todos os anos recursos de até 700 euros, que precisam gastar em cursos de idiomas, aulas de reforço ou seminários educativos.
LINK:
www.start-stiftung.de
PARCERIA DAS CULTURAS 
Em setembro de 2006, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, e seu colega turco de então, Abdullah Gül, lançaram em Istambul a Iniciativa Ernst Reuter (ERI). O objetivo comum era, na época, fortalecer a cooperação turco-alemã e intensificar o diálogo intercultural entre ambos os países, juntamente com parceiros dos meios empresarial e de comunicação, artístico e cultural, educacional e científico. Hoje, fim de 2008, 16 projetos já trazem a logomarca de cor magenta e com seis mãos. A Iniciativa Ernst Reuter apóia aulas de alemão de imames turcos enviados para a Alemanha e a Orquestra Filarmônica Jovem Teuto-turca, entre outras ações. Um marco nas relações científicas bilaterais ganha forma atualmente sob o teto da Iniciativa Ernst Reuter: a fundação da primeira universidade teuto-turca em Istambul.
LINK:
www.ernst-reuter-initiative.de
FUTEBOL PELA PAZ 
O engajamento de Volkan Inak vai até as pontas de seu cabelo. Para sua Copa da Paz, ele pediu um corte em que seu cabelo mostrasse a marca da paz. Em 11 de setembro de 2001, dia do atentado ao World Trade Center em Nova York, cristãos e muçulmanos reuniram-se espontaneamente em sua cidade Wedel para rezarem juntos. Com 12 anos naquela época, o menino ficou impressionado e decidiu também fazer algo pela convivência pacífica das pessoas: um torneio beneficente de futebol. Nascia assim a Copa da Paz de Wedel. Através da paixão pelo futebol, Volkan reúne jovens de muitos países e com diferentes religiões. Hoje, cerca de 100 meninas e meninos, de 12 a 16 anos, viajam anualmente de Hamburgo e Bremen, da Renânia do Norte-Vestfália e da Baixa Saxônia, para Wedel, para este evento esportivo integrador.
LINK:
www.wedel.de
FUTURO COM MADRINHA 
Menos da metade de todos os jovens imigrantes inicia na Alemanha um curso de formação profissional. Um problema que as autoridades da região de Mettmann, em 2006, não quiseram mais simplesmente aceitar. Elas desenvolveram o ProMMi, projeto de profissionalização de meninas com background de migração. O objetivo é fomentar a integração profissional de meninas de famílias de imigrantes e de religião islâmica, residentes na região. Junto com escolas fundamentais (Hauptschulen) e empresas, as autoridades locais contatam meninas do oitavo ano para auxiliá-las e acompanhá-las em sua escolha profissional. Fora do normal nesta iniciativa é a idéia de uma madrinha. Mulheres com background de migração e com formação profissional colocam-se à disposição voluntariamente para orientar e acompanhar as participantes do ProMMi. Elas são, ao mesmo tempo, exemplo e orientadoras vocacionais.
LINK:
www.prommi.info
REGIÃO DAS CULTURAS 
Soa espetacular o que os organizadores da Capital Cultural da Europa RUHR.2010 planejam. Eles querem transformar este aglomerado de 53 cidades na região do Ruhr, no oeste alemão, o terceiro maior pólo industrial europeu, numa metrópole com novo estilo. Migração é um dos pontos centrais do programa RUHR.2010. Nenhuma surpresa, pois dos cinco milhões de habitantes da região, 600000 são imigrantes. Como se formou este caldeirão internacional? Quais problemas e desafios podem ser controlados? As respostas devem ser fornecidas pelo Festival Intercultural Melez, que mostra arte, humor e idiomas das nacionalidades na região do Ruhr (foto). O projeto mais ambicioso é uma nova rede criativa na Europa: TWINS2010. Os artistas da região do Ruhr podem junto com colegas de aproximadamente 200 cidades européias parceiras da região do Ruhr candidatarem-se com suas idéias.
LINK:
www.kulturhauptstadt-europas.de
02.06.08 – MÃO-DE-OBRA:
A resposta vem do Leste 
Nos últimos anos muitos jovens, sobretudo nos estados da antiga Alemanha oriental, tinham dificuldade em encontrar uma empresa que aceitasse sua candidatura para realizar ali sua formação profissional (Lehre). Agora, com a queda, tanto do desemprego como do número de formandos, em função da baixa taxa de nascimento registrada nos anos 1990, o quadro inverteu-se. Num futuro próximo, as empresas alemãs terão que contratar jovens aprendizes provenientes da Europa do leste para suprir as necessidades de mão-de-obra especializada no país. Estudos realizados pelo Instituto de Pesquisas Econômicas de Halle (IWH) revelam que as empresas alemãs, sobretudo as dos estados da ex-Alemanha oriental, poderão enfrentar dificuldades para preencher as suas vagas destinadas a trabalhadores qualificados. A solução, apontada por Udo Ludwig, diretor do instituto, seria atrair jovens aprendizes do leste europeu: "Isto poderia ajudar muitas firmas", disse Ludwig à imprensa.
O número de jovens formado pelo sistema escolar na parte oriental da Alemanha, em 2005, foi de 212.000. A previsão para este ano é de algo em torno de 167.000 e os prognósticos para 2011 seriam de apenas 122.000. Os analistas do IWH temem que no futuro isto venha repercutir negativamente no crescimento da economia.
Josiane Cotrim
30.04.08 – BOLSAS DE ESTUDO:
Fomentando o diálogo entre o Islã e o Ocidente 
Entendimento mútuo
Em colaboração com a fundação "Avec et pour autres", a Universidade Livre (FU) de Berlim, através de seu programa FUBIS (FU International Summer and Winter University), está oferecendo oito bolsas, no valor de 800 euros cada, para não-muçulmanos de países ocidentais, inclusive o Brasil, para o curso de verão "Islam & The West: Deconstructing the Other - Going Beyond the Clash of Civilization and Intercultural Dialogue". O restante das vagas destina-se exclusivamente a estudantes do Oriente Médio, para propiciar um diálogo moderno e enriquecedor entre os estudantes dos mundos árabe e ocidental.
Os bolsistas serão selecionados a partir de seus desempenhos acadêmicos.
O prazo para recebimento das candidaturas às bolsas e da documentação exigida encerra-se em 15 de maio de 2008.
Requisitos para bolsa: O candidato tem de ser um cidadão não-muçulmano de país ocidental e deve estar matriculado como estudante numa universidade, já tendo concluído com êxito pelo menos um ano letivo. O curso de verão será ministrado em inglês, sendo exigido, portanto, que o candidato tenha proficiência em nível intermediário no idioma inglês.
Para mais informações, visite www.fubis.org
Josiane Cotrim
28.03.08 – ARZEIBAIJÃO:
Ano cultural na Alemanha 
Dança típica
Com um ano cultural na Alemanha, o Arzeibaijão iniciou na quinta-feira (27.03), pela primeira vez, um grande calendário de eventos por toda a Europa. Até o dia 08 de abril, sob o lema “Terra do Fogo” serão apresentados em Berlim exposições, filmes, concertos e leituras com importantes atores alemães, como Angela Winkler, Martin Wutte e Dietrich Mattausch. Até o fim do ano, a cultura do Arzeibaijão visita ainda cidades como Munique, Stuttgart e Dresden.
“Somos conhecidos na Alemanha pelo petróleo abundante, pela cozinha e pela hospitalidade. Mas queremos oferecer muito mais. Nós vemos este Ano do Arzeibaijão como um marco no nosso caminho para uma Europa unida”, explicou o Ministro para a Cultura e o Turismo do Arzeibaijão, Abulfas Garayev.
Mariana Antoun
31.01.08 – IMIGRAÇÃO:
2008 será o ano da integração 
Assunto em debate
A questão dos jovens imigrantes infratores foi um tema que dominou o debate político nas recentes eleições no Estado de Hessen. Por isso, o governo federal quer que a integração dos estrangeiros volte a ser discutida. Segundo palavras da encarregada do Departamento de Imigração, Maria Böhmer, 2008 será o ano da integração. “O sentimento de pertencer a alguma coisa deve ser fortalecido” disse ela em Berlim onde mais de 70 organizações de imigrantes se reuniram quarta-feira (30.01). Na pauta de discussão, a colocação em prática do Plano Nacional de Integração que foi aprovado em julho do ano passado.
Através da educação, escolarização e profissionalização, o plano nacional de integração pretende realizar a inclusão de 15 milhões de pessoas na Alemanha. Virginia Wangare-Greiner da Associação “Mulheres Africanas na Alemanha” elogiou o esforço do governo no processo de integração, o que os imigrantes aguardavam há muito tempo.
Durante o encontro, não faltaram críticas à campanha eleitoral do governador de Hessen, Roland Koch, que responsabilizou os jovens migrantes pela criminalidade no país. No seu próprio partido isso gerou oposição. Dezessete cristão-democratas influentes publicaram uma carta aberta afirmando que é a falta de perspectiva na vida dos jovens que gera a violência e não a imigração. O tema seria por demais complexo para ser debatido em campanha política. Entre os políticos que assinaram a carta está Ole von Beust (CDU), governador da liberal cidade-estado de Hamburgo, onde ocorrerão as próximas eleições estaduais, no dia 24 próximo.
Josiane Cotrim
31.01.08 - CARNAVAL DOS SORÁBIOS:
Minoria mantém costume pagão 
Eles somam cerca de 60 mil pessoas pelo leste e mantêm costumes tradicionais e bem peculiares. Sua festa de carnaval contribuí para o multiplicidade de formas da festa de Momo na Alemanha. Conheça mais sobre os festejos alemães de carnaval na categoria Sociedade
Roupas tradicionais da região
Um grupo fantasiado passa barulhentamente pelo povoado para espantar o inverno. No caminho, a animada trupe pára em todas as casas para pedir toucinho, ovo e dinheiro. Como forma de agradecer pela prenda, os visitantes oferecem aguardente e as donas-de-casa são convidadas a dançar. O antigo costume eslavo de carnaval é chamado de Zampern . Em muitos pequenos povoados da Baixa Lusácia, no leste alemão, ele está enraizado até hoje, esclarece Milena Stock, do Centro de Informação Cultural Sorábio na cidade de Cottbus, em Brandemburgo.
Há cerca de 1500 anos os Sorábios vivem na região da Lusácia. O menor dos povos eslavos é uma das quatro minorias existentes na República Federal da Alemanha. Com uma língua própria e uma multiplicidade de tradições imprimiram sua marca à região ao sul do Estado de Brandemburgo e ao leste da Saxônia, onde se estima que existam cerca de 60 mil Sorábios. Organizações e associações das minorias recebem subsídios do orçamento dos dois Estados e da Federação. Em 2007 a Fundação para o povo Sorábio pôde gastar cerca de 15,6 milhões de Euros.
Zampern – tradição que também é chamada Heischegänge (peregrinação para fazer pedidos) – faz parte da forma como é comemorado o Carnaval da Baixa Lusácia, o Zapust. A folia acontece todos os anos em um fim de semana entre o meio de janeiro e o início de março. “Este costume pagão não está restrito ao período cristão de carnaval”, diz Milena Stock. No Zapust também há um desfile festivo, onde as meninas vestidas em roupas típicas sorábias e os rapazes de ternos visitam importantes figuras locais, como o prefeito, o padre e artesãos. No final da alegre festa todos se encontram para um “banquete de ovos” (Eieressen) em um restaurante. E então os ovos e o touçinho, que foram recolhidos durante o Zampern são cozinhados como omeletes.
Redação
LINK:
http://sorben.com/
23.01.08 – CRÍTICA SOCIAL E HUMOR:
Há 150 anos nascia Heinrich Zille 
Vanguarda popular
Heinrich Zille continua sendo um dos mais populares artistas de Berlim, mesmo após 150 anos do seu nascimento. “Heinrich do pincel” ou “o Papa Zille”, como o chamavam carinhosamente crianças de rua, pequenos gatunos e donos de bar, foi um homem cujo conhecimento da realidade de pessoas pobres vinha de seu próprio passado.
Zille estabeleceu um marco crítico-temporal para o baixo proletariado. Ele conhecia todos os ângulos da nova metrópole industrial que crescia rapidamente, a Berlim da virada do século – com todos os seus lados sombrios: cortiços, quartos úmidos em porões e quintais escuros. E falava a língua das pessoas pobres, sem medo de ter um contato real. “Em cada taverna e casa de destilados conhece-se o bom pai Zille”, ecoava o veredito berlinense em cada bairro operário. “Ninguém acredita que já vi de tudo”, dissera Zille uma vez.
“Eu lamento muito quando se precisa vender uma coisa séria como piada”, falou o desenhista. Ele se viu muitas vezes no centro de um dilema, entre ser um artista ou apenas um caricaturista. Atualmente o seu lugar na arte é incontestável.
Rudolf Heinrich Zille nasceu em 10 de janeiro de 1858 em condições muito pobres em Radeburg de Dresden e mudou-se aos nove anos com toda a família para Berlim. Contra a vontade de seus pais ele começou o aprendizado como litógrafo e estudava durante a noite na Real Academia de Arte. Sua popularidade tardia veio com o trabalho no jornal satírico “Simplicissimus” e no tablóide “Lustige Blätter”, após a virada do século. Em 1913 publicou seu livro de gravuras “Mein Milljöh” assim como “Berliner Luft”. Logo Zille expunha seus trabalhos também em exposições de arte. Mas foi só em 1921 que seus desenhos foram expostos pela primeira vez na famosa Galeria Nacional de Berlim. Em 9 de agosto de 1929 o pintor faleceu em Berlim-Charlottenburg e na qualidade de 80º Cidadão Honorário de Berlim, ganhou um túmulo honrado em Stahnsdorf.
Ainda enquanto estava vivo surgiu uma espécie “Zille-nostalgia” transfigurada. Os então chamados “bons cidadãos” organizavam eventos beneficentes ao “estilo Zille”, depois bares e restaurantes foram chamados de “salas de Zille”. Por muito tempo não havia notícias do “Heinrich do Pincel”. Só no início de 2007 o museu Zille em Berlim – que precisou ser fechado temporariamente por falta de financiamento - foi reaberto. “É chegado o momento de novamente dar liberdade ao núcleo social de seu trabalho, sem deixar de lado a parte humorística de sua obra”, destacam os organizadores da dupla exposição sobre Zille por ocasião dos 150 anos de seu nascimento. Ela poderá ser vista a partir de 11 de janeiro na Academia de Arte da Praça Paris (Pariser Platz) e no Ephraim-Palais no bairro berlinense de Nikolaiviertel.
Redação
12.12.07: A ARTE AMA BERLIM:
Pólo de atração de artistas 
A vida artística na capital é agitada: cerca de 5000 artistas vivem e trabalham em Berlim, 380 galerias vendem seus trabalhos a colecionadores. Sensacional na Europa
De Dresden para Prenzlauer Berg
Quase a metade dos trabalhos apresentados na Bienal de Veneza deste ano ou na Documenta de Kassel foi “made in Berlim” – registrou Werner Tammen, chefe da Federação Estadual das Galerias de Berlim. Berlim atrai jovens artistas de todo o mundo. Em ateliês nos fundos de casas, em fábricas reformadas ou em garagens – em todo lugar surgiram novos espaços para a arte. Naturalmente, os aluguéis baratos são importantes, mas sobremaneira importantes são a atmosfera excepcional dessa cidade entre o leste e o oeste, sua vida pulsante, sua franqueza. Berlim joga na primeira divisão da produção de arte, ao lado de Nova York e Londres: a cidade tem cerca de 5000 artistas. Entre eles estão também os astros do mercado de artes Norbert Bisky e Daniel Richter, que vive em Hamburgo, mas vêm a Berlim para pintar.
Os artistas são seguidos pelas galerias – permanentemente surgem novas galerias nas ruas Brunnenstrasse, Zimmerstrasse ou no bairro Scheunenviertel. E a estas seguem finalmente os colecionadores. A Art Forum Berlin já se estabeleceu entre as grandes feiras de arte contemporânea, tendo agora a concorrência da nova Preview Berlin. A vida artística na capital é agitada, o mercado de arte sempre está à espreita de coisas novas, não querendo perder nada. Assim é que se tornam possíveis carreiras em Berlim como a de Jonas Burgert: há dois anos, ele pintava seus quadros de grande formato numa garagem, vivia de poucas centenas de euros, até que o museu Kunsthalle de Hamburgo comprou um quadro durante a feira Berliner Kunstsalon. Daí vieram os colecionadores. Hoje, Burgert está no topo de vendas das galerias do mundo.
Revista "Deutschland"
27.08.07 – ENCONTRO CULTURAL:
Casa comemora 50 anos 
Ostra grávida
Foram 72 horas de atividades culturais ininterruptas. Após o longo ano de pausa para reformas, a Haus der Kulturen der Welt (Casa das Culturas do Mundo) reabre as suas portas num final-de-semana inteiro dedicado à Nova Iorque, com espetáculos de música e dança, exibição de filmes e exposições de arte. O evento de 23 a 26 de agosto foi o início de uma série que deverá se estender por três meses, passando pelo 50° aniversário da moderna construção, em 19 de setembro. A homenagem à cidade americana encontra rápido uma explicação lógica na voz dos organizadores: “fundada para funcionar originalmente como pavilhão para congressos, a Haus de Kulturen der Welt, às margens do rio Spree, foi um presente do governo dos EUA à parte oeste da cidade”. A partir da queda do muro, em 1989, o pavilhão passou a abrigar e a representar as diferentes culturas do mundo assumindo assim o papel de espaco cultural – ou casa – para as suas expressões.
A reinauguração promete novidades não apenas no campo da arquitetura. Além de novo design o momento deverá anunciar novas concepções para festivais e outros formatos para eventos promovidos nesse espaco, que segundo os organizadores deverão virar futuramente uma marca da Casa. Para celebrar as mudanças e os novos planos o público teve entrada franca para shows como o da Orquestra Espanhola do Harlem – que contou com a participação de estrelas nova-iorquinas da salsa, do mambo, do Cha Cha Cha, do bolero e do suingue latino americano – e do pianista alemão Paul Kuhn, há 50 anos no mundo do Jazz. Não faltaram apresentações de DJs e a participação de artistas como Marcel Duchamps, Hans Haacke e Gordon Matta-Clark, que emprestaram as suas obras para a exposição “New York – States od Mind”. A resposta ao grande evento foi expressada através da presenca em massa do público. O diário Der Tagesspiegel foi categórico ao reportar: “as pessoas pareciam sardinhas em lata” – sucesso absoluto. “A Haus der Kulturen de Welt volta a ser ponto de encontro de pessoas do mundo inteiro no coração de Berlim”.
Aline Mara Afonso
22.08.07 – MULTICULTURALISMO:
Casa das Culturas do Mundo 
Totalmente reformada, após obras que duraram um ano, a “ostra grávida”, como os berlinenses popularizaram o prédio da Casa das Culturas do Mundo, foi entregue ao público esta semana. Presente dos americanos para a cidade de Berlim, em 1957, o prédio é símbolo da amizade entre a Alemanha e EUA. Após a queda do muro, em 1989, o edifício passou a ser palco de manifestações culturais dos países em desenvolvimento. As comemorações dos 50 anos do edifício, celebrados este ano, contarão com um festival de cultura. O público poderá assistir a exposições, concertos, filmes, performances e eventos literários.
Josiane Cotrim
21.08.07 – KARNEVAL DER KULTUREN:
Folia em Berlim 

“São belezas diferentes, outra euforia, outro tipo de orgulho. O carnaval carioca ainda é para mim uma festa do povo, onde aquele que atravessa o ano às margens da sociedade vira rei na passarela do samba. Em Berlim a necessidade é menos individual e mais coletiva: o folião quer defender sua cultura. Ao invés de rei, quer exibir o seu reino”. É assim que o fotógrafo carioca Fernando Miceli, 38 anos, define o sentimento dos imigrantes da cidade: para eles, seus países seriam o seu reino. E Berlim abriga mais de 180 “reinos”. Com cerca de 450 mil estrangeiros registrados, a capital alemã assume o papel de “oficina de integraVão” do país e numa iniciativa da Werkstatt der Kulturen (oficina das culturas) realiza desde 1996 o Karneval der Kulturen (carnaval das culturas) – uma mistura folclórica dessa pluralidade cultural.
É dentro dessa nova proposta carnavalesca que Fernando, que já cobriu muitos desfiles na Sapucaí, famosa avenida onde se realiza o carnaval do Rio de Janeiro, aprendeu a pular carnaval - em solo alemão! “É difícil evitar as comparaVões. No Rio, o carnaval é um show que o público paga para assistir da arquibancada. Aqui estão todos na rua, juntos, como parte integrante da festa; e não há bilhetes de entrada!”. Para ele, que também é cineasta, o evento berlinense – onde a atmosfera é a mesma dos blocos de rua – é um prato cheio para a produVão de documentários. Com uma mistura que passa por raças, ritmos, idiomas, classes sociais e faixa etária, o Karneval der Kulturen atingiu status de “carnaval da tolerância”.
O megaevento divide-se em duas partes: se nas ruas desfilam os carros alegóricos com folclores dos quatro cantos do mundo, é no areal da praça Blücherplatz que cerca de 900 artistas nacionais e internacionais dividem-se entre vários palcos para apresentarem uma série de espetáculos formando o que pode-se chamar de “vitrine multicultural para dança, música, história, acrobacia, contos e mágica”. E tudo ao sabor da variedade culinária garantida por cerca de 380 estandes! Está mais do que provado: “o carnaval mostra o melhor lado da capital: internacional, diversificada, tolerante e cheia de vida”, vibram os organizadores Nadja Mau, Ellen Haering e Stefanie Schatte.
E foi justamente a união desses componentes que fascinou o paulistano João Albertini que já participou de 12 das 13 edições da festa. Disposto a mostrar que o Brasil não é só samba e futebol, João dedica-se ao trabalho do grupo de percussão Afoxé Loni, que divulga as tradições da Bahia como a prática do candomblé: “atualmente cerca de 50 pessoas participam ativamente do nosso bloco”. Ele sorri e orgulha-se ao falar: “são brasileiros e estrangeiros que, através da nossa exposição no carnaval descobrem a própria identidade na cultura nordestina brasileira”.
Maracatu, forró, frevo, ciranda, samba e bossa nova. Numa cobertura da TV regional RBB sobre a festa de 2007, uma brasileira que pulava o carnaval à caráter (biquini de lantejoulas e cocar de penas sobre a cabeça) gritava ofegante entre os seus passos de samba: “o nosso papel em Berlim é trazer para a cidade a alegria do Brasil!”. Talvez ela apenas ainda não tenha se dado conta de que o carnaval de Berlim, encantadoramente diversificado, tem mais, muito mais do que “samba no pé” para oferecer.
“Máscaras, vestimentas, ritmos e coreografias. Toda cultura dispõe de elementos carnavalescos”. É assim que a Werkstatt der Kulturen, uma espécie de plataforma cultural e política da diversidade de raças da cidade, melhor explica a proposta do seu Karneval.
A idéia teria partido de um brasileiro. Fascinado por essa mistura popular na capital, o escritor baiano Mario Curvello, que vive em Berlim há mais de 30 anos, apresentou o projeto “Carnaval em Berlim”, em 1992, à Secretaria de Cultura do bairro Mitte. Aprovada a idéia, Mário recebeu financiamento para colocar em prática aquilo que idealizou no papel: “me inspirei na concepção de carnavalização do filósofo russo Michail Michailowitsch Bachtin, de exploração das raízes populares com inserções de sátiras políticas”.
Na prática mesmo o “Carnaval em Berlim” foi um complexo de bailes para adultos e crianças. No projeto de Mário, que previa a participaVão de carros alegóricos em futuras edições do seu carnaval, a avenida 17 Juni faria a vez da Sapucaí. “A proposta era a conexão entre os eixos leste e oeste de Berlim”, explica. Mas a Werkstatt der Kulturen elegeu o bairro de Neukölln - onde funciona a sua sede - para palco das festas seguintes.
Sua primeira edição aconteceu em 1996, ainda sob o título “Newkölln Carnaval” – numa alusão ao carnaval de Notting Hill, em Londres. No ano seguinte a festa passou a oferecer também um programa especial para criancas – o Kinderkarneval - e logo foi definitivamente batizada Karneval der Kulturen, ganhando trios elétricos, palcos para apresentações de artistas e barraquinhas com comidas típicas dos países participantes. Conquistou com o feito a mídia mundial e mais de 1 milhão de visitantes. Em 2004, uma das suas apresentações marcou presença nos festejos de gala da reinauguração do Olympiastadium.
De olho na evolução do evento, Mario – o mesmo que há 15 anos realizou o “Carnaval em Berlim” – tem um novo projeto em vista. Inspirado na cultura alemã, ele aposta na carnavalização dos contos de fada dos irmãos Grimm para fundar o que seria o Grimmskarneval. “Com estrutura organizacional de escola de samba, o projeto pretende estilizar os personagens e reciclar instrumentos com a participaVão das alas de indumentária e de pesquisa musical”. Elaborado especialmente para o público infantil, o Grimmskarneval seria, de acordo com a idéia original, um braço independente do Kinderkarneval: “a idéia é viajar aos quatro cantos do país nesses quatro dias de folia”, idealiza Mario. Será!?
Aline Mara Afonso
15.08.07 – FESTIVAL:
Viva Afro-Brasil 
Luciana Mello no Viva-Afro-Brasil 2006
Quem pensa que é preciso estar no Brasil para assistir a um festival de Música Popular Brasileira (MPB) está enganado. Em Stuttgart, cidade localizada no sudoeste da Alemanha, realiza-se anualmente o Festival Viva Afro-Brasil. Durante 19 anos o festival aconteceu na pequena cidade universitária vizinha, Tübingen, mas em 2005 ele foi transferido para Stuttgart, devido a reclamações en função dos altos decibéis da festa.
A história do Festival Viva Afro-Brasil começou em 1981 com o Primeiro Festival Internacional de Tübingen. Em vários palcos da cidade foram realizadas apresentações de jazz, música clássica, latina, pop, exposições e peças de teatro. O destaque do festival foi um show na praça principal, a Marktplatz, com músicos de vários países. Naquela época os habitantes de Tübingen já mostravam interesse pela música latino- americana, principalmente a brasileira. Por ser uma cidade que abriga muitos universitários, incluindo brasileiros, Tübingen foi o berço natural do Festival Viva Afro- Brasil.
Desde que surgiu, o Viva Afro-Brasil acontece todo mês de julho. Em 2006 reuniu artistas renomados, como Gal Costa, Maria Rita e Daniela Mercury. O tema da festa, agora realizada na Schlossplatz de Stuttgart, foi “O Grande Encontro Rio- Bahia”. Na platéia, pessoas de todos os continentes e, é claro, muitos brasileiros. Para Ana Clara Dias, que vive em Leipizig e estava no evento, foram apresentações inesquecíveis. “A música brasileira, por sua qualidade, conquista todo mundo, principalmente os alemães”, afirma com convicção a brasileira.
Tiago Rodrigues Cavalcanti
24.07.07 – CIDADANIA:
Maioria de novos alemães têm origem turca 
Aumenta pedidos de naturalização
Pela primeira vez, desde o ano 2000, o número de pedidos de naturalização voltou a crescer. Segundo dados do Departamento de Estatísticas, 124.830 pessoas obtiveram a cidadania alemã em 2006. Isso representa um aumento de 7.590 novos cidadãos, ou seja 6,5% em relação ao ano anterior. Os cidadãos de origem turca lideram o pedido de naturalização com 26,8% do total de solicitações. Em seguida vêm os sérvios e montenegrinos, com 12.611 pedidos representando um aumento percentual de 43% em relação à 2005. Em terceiro lugar estão os poloneses com 6.937, ou seja, 0,6% a mais.
As estatísticas mostram um substancial aumento na solicitação de cidadania por parte dos israelenses. Com 4.313 pedidos, o aumento registrado em relação à 2005 foi de 50,2%. Foi considerável, também, o aumento de pedidos de cidadania por parte dos ucranianos: 35,1% a mais que em 2005, resultando em 4.545 novas naturalizações.
O ano 2000 registrou um recorde no pedido de cidadania, com a entrada em vigor da nova legislação sobre a naturalização no país, quando foram registrados quase 187 mil pedidos.
Josiane Cotrim
03.05.07 – CONFERÊNCIA ISLÂMICA:
Aberto o diálogo para a integração 
Processo começou em 2003
Representantes islâmicos participam da segunda Conferência Islâmica Alemã em Berlim. Apesar das divergências, o encontro apresenta avanços. A conferência é um processo de diálogo iniciado em 2006 pelo governo alemão a fim de promover a integração da comunidade islâmica que conta com cerca de 3 milhões e 500 mil muçulmanos. O Islã é parte da sociedade alemã, disse o ministro do Interior Wolfgang Schäuble (CDU) que recentemente causou polêmica por defender o uso de impressões digitais não só para requerentes de asilo mas também no combate à criminalidade.
Josiane Cotrim
29.03.07 - IMIGRANTES:
Reforma legal estabelece regras para estrangeiros 
O governo alemão concluiu a reforma legal que determina os direitos dos imigrantes no país. Atualmente vivem na Alemanha cerca de 170 mil estrangeiros registrados, mas sem permissão de permanecer: os “tolerados”, como costumam ser denominados. A reforma estabelece regras para a permanência no país. Uma delas prevê que terá direito de ficar no país o imigrante que tiver família e estiver residindo na Alemanha há pelo menos seis anos ou, no caso dos solteiros, mais de oito anos. Devem, além disso, demonstrar conhecimentos no idioma alemão, não podem ter relações com organizações extremistas, nem antecedentes penais..
Josiane Cotrim
23.02.07 – ISLÃ:
Aulas de alemão para Imames 

Os Imames, líderes religiosos muçulmanos e professores do Corão da cidade de Hamburgo e arredores querem uma maior integração entre sua comunidade e a sociedade em geral. Para isso, doze desses líderes religiosos pertencentes à comunidade turca local participam de um projeto piloto de ensino de alemão. “Os Imames precisam ser mais abertos” frisou Harald Winkels, membro da comunidade turca e organizador do curso de duração de aproximadamente um ano e que representa uma experiência pioneira em todo país.
“Só quem conhece a realidade da Alemanha pode encontrar respostas para suas perguntas” afirma Winkels. Ahmet Yildirim que prega numa mesquita perto de Hamburgo desde 2004 diz que frequenta o curso “porque não gostaria de continuar cego e surdo mas manter o diálogo”.
Josiane Cotrim
14.02.07 - CALDEIRÃO CULTURAL:
Mais de 8% da população da Alemanha é de estrangeiros 

Boa qualidade de vida, salários acima da média e educação de bom nível fizeram da Alemanha um forte pólo de atração de imigrantes. Não apenas nos grandes centros, mas também em cidades médias e até pequenas, é notável o caldeirão cultural em que se transformou o país com sua recuperação econômica após a II Guerra Mundial. A vinda maciça de estrangeiros começou por iniciativa do governo alemão na década de 50. Diante da falta da mão-de-obra, principalmente para serviços pesados, como nos ramos de construção civil e mineração, a solução foi firmar acordos internacionais a fim de atrair operários de fora para trabalharem no país.
O número de estrangeiros vivendo na Alemanha é de quase 7 milhões, o que representa 8,2% da população, segundo dados de 2005 do Departamento Federal de Migração e Refugiados da Alemanha.
O maior grupo de imigrantes é o dos turcos que são cerca de 26,1% dos estrangeiros sendo que em cidades como Frankfurt esse número chega a um terço da população. Em seguida, vêm os italianos (8,0%), seguidos dos sérvios e montenegrinos (7,3%), poloneses (4,8%) e gregos (4,6%). Como a chegada de imigrantes é um processo que já dura décadas, houve muitos pedidos de naturalização e casamentos entre estrangeiros e nativos, que geraram novas gerações de alemães com histórico de imigração. Estima-se, por exemplo, que haja mais de 415 mil cidadãos alemães que tenham alguma raiz turca em sua árvore genealógica.
O acolhimento dessa grande quantidade de estrangeiros com estilos de vida tão diferentes é um desafio permanente para a sociedade alemã, que debate constantemente como alcançar um convívio mais harmonioso. Culturalmente, no entanto, elementos vindos de fora têm produzido resultados muito interessantes. Na culinária, por exemplo, pode-se dizer que a salsicha deixou de ser o lanche rápido mais vendido nos quiosques espalhados pela Alemanha. Em seu lugar, pode-se saborear em quase qualquer esquina o “döner kebab”, um sanduíche inventado por imigrantes turcos em Berlim feito com carne fatiada e vegetais.
Além disso, dezenas de artistas de origem estrangeira se destacam na televisão, no cinema, no teatro e nas artes visuais. Um bom exemplo é o diretor turco-alemão Fatih Akin, que em 2004 faturou o Urso de Ouro do Festival de Berlim com o longa-metragem Contra a Parede. Na literatura, pode-se citar o escritor e jornalista moscovita Wladimir Kaminer, que em 1990 emigrou para a Alemanha e em 2000 estourou com o best-seller “Russendisko”, uma coleção de contos bem-humorados sobre o cotidiano de imigrantes russos no país. Apesar de ter emigrado já adulto, Kaminer não escreveu o livro em sua língua materna, mas em alemão.
Dennis Barbosa
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