MULTICULT
 

ARZEIBAIJÃO: Ano cultural na Alemanha
IMIGRAÇÃO: 2008 será o ano da integração
CARNAVAL DOS SORÁBIOS: Minoria mantém costume pagão
CRÍTICA SOCIAL E HUMOR: Há 150 anos nascia Heinrich Zille
A ARTE AMA BERLIM: Pólo de atração de artistas

ENCONTRO CULTURAL: Casa comemora 50 anos
MULTICULTURALISMO: Casa das Culturas do Mundo
KARNEVAL DER KULTUREN: Folia em Berlim
FESTIVAL: Viva Afro-Brasil
CIDADANIA: Maioria de novos alemães têm origem turca
CONFERÊNCIA ISLÂMICA: Aberto o diálogo para a integração
IMIGRANTES: Reforma legal estabelece regras para estrangeiros
ISLÃ: Aulas de alemão para Imames
CALDEIRÃO CULTURAL: Mais de 8% da população da Alemanha
é de estrangeiros


28.03.08 – ARZEIBAIJÃO:
Ano cultural na Alemanha    ACIMA
Grupo de dança - Fonte: dpa Dança típica

Com um ano cultural na Alemanha, o Arzeibaijão iniciou na quinta-feira (27.03), pela primeira vez, um grande calendário de eventos por toda a Europa. Até o dia 08 de abril, sob o lema “Terra do Fogo” serão apresentados em Berlim exposições, filmes, concertos e leituras com importantes atores alemães, como Angela Winkler, Martin Wutte e Dietrich Mattausch. Até o fim do ano, a cultura do Arzeibaijão visita ainda cidades como Munique, Stuttgart e Dresden.

“Somos conhecidos na Alemanha pelo petróleo abundante, pela cozinha e pela hospitalidade. Mas queremos oferecer muito mais. Nós vemos este Ano do Arzeibaijão como um marco no nosso caminho para uma Europa unida”, explicou o Ministro para a Cultura e o Turismo do Arzeibaijão, Abulfas Garayev.

Mariana Antoun


31.01.08 – IMIGRAÇÃO:
2008 será o ano da integração    ACIMA
Estudante turca - Fonte: dpa Assunto em debate

A questão dos jovens imigrantes infratores foi um tema que dominou o debate político nas recentes eleições no Estado de Hessen. Por isso, o governo federal quer que a integração dos estrangeiros volte a ser discutida. Segundo palavras da encarregada do Departamento de Imigração, Maria Böhmer, 2008 será o ano da integração. “O sentimento de pertencer a alguma coisa deve ser fortalecido” disse ela em Berlim onde mais de 70 organizações de imigrantes se reuniram quarta-feira (30.01). Na pauta de discussão, a colocação em prática do Plano Nacional de Integração que foi aprovado em julho do ano passado.

Através da educação, escolarização e profissionalização, o plano nacional de integração pretende realizar a inclusão de 15 milhões de pessoas na Alemanha. Virginia Wangare-Greiner da Associação “Mulheres Africanas na Alemanha” elogiou o esforço do governo no processo de integração, o que os imigrantes aguardavam há muito tempo.

Durante o encontro, não faltaram críticas à campanha eleitoral do governador de Hessen, Roland Koch, que responsabilizou os jovens migrantes pela criminalidade no país. No seu próprio partido isso gerou oposição. Dezessete cristão-democratas influentes publicaram uma carta aberta afirmando que é a falta de perspectiva na vida dos jovens que gera a violência e não a imigração. O tema seria por demais complexo para ser debatido em campanha política. Entre os políticos que assinaram a carta está Ole von Beust (CDU), governador da liberal cidade-estado de Hamburgo, onde ocorrerão as próximas eleições estaduais, no dia 24 próximo.

Josiane Cotrim


31.01.08 - CARNAVAL DOS SORÁBIOS:
Minoria mantém costume pagão    ACIMA

Eles somam cerca de 60 mil pessoas pelo leste e mantêm costumes tradicionais e bem peculiares. Sua festa de carnaval contribuí para o multiplicidade de formas da festa de Momo na Alemanha. Conheça mais sobre os festejos alemães de carnaval na categoria Sociedade
Sorábios com roupas típicas - Fonte: dpa Roupas tradicionais da região

Um grupo fantasiado passa barulhentamente pelo povoado para espantar o inverno. No caminho, a animada trupe pára em todas as casas para pedir toucinho, ovo e dinheiro. Como forma de agradecer pela prenda, os visitantes oferecem aguardente e as donas-de-casa são convidadas a dançar. O antigo costume eslavo de carnaval é chamado de Zampern . Em muitos pequenos povoados da Baixa Lusácia, no leste alemão, ele está enraizado até hoje, esclarece Milena Stock, do Centro de Informação Cultural Sorábio na cidade de Cottbus, em Brandemburgo.

Há cerca de 1500 anos os Sorábios vivem na região da Lusácia. O menor dos povos eslavos é uma das quatro minorias existentes na República Federal da Alemanha. Com uma língua própria e uma multiplicidade de tradições imprimiram sua marca à região ao sul do Estado de Brandemburgo e ao leste da Saxônia, onde se estima que existam cerca de 60 mil Sorábios. Organizações e associações das minorias recebem subsídios do orçamento dos dois Estados e da Federação. Em 2007 a Fundação para o povo Sorábio pôde gastar cerca de 15,6 milhões de Euros.

Zampern – tradição que também é chamada Heischegänge (peregrinação para fazer pedidos) – faz parte da forma como é comemorado o Carnaval da Baixa Lusácia, o Zapust. A folia acontece todos os anos em um fim de semana entre o meio de janeiro e o início de março. “Este costume pagão não está restrito ao período cristão de carnaval”, diz Milena Stock. No Zapust também há um desfile festivo, onde as meninas vestidas em roupas típicas sorábias e os rapazes de ternos visitam importantes figuras locais, como o prefeito, o padre e artesãos. No final da alegre festa todos se encontram para um “banquete de ovos” (Eieressen) em um restaurante. E então os ovos e o touçinho, que foram recolhidos durante o Zampern são cozinhados como omeletes.

Redação

LINK:
http://sorben.com/


23.01.08 – CRÍTICA SOCIAL E HUMOR:
Há 150 anos nascia Heinrich Zille    ACIMA
Publicações com caricaturas de Zille - Fonte: Auswärtiges-Amt Vanguarda popular

Heinrich Zille continua sendo um dos mais populares artistas de Berlim, mesmo após 150 anos do seu nascimento. “Heinrich do pincel” ou “o Papa Zille”, como o chamavam carinhosamente crianças de rua, pequenos gatunos e donos de bar, foi um homem cujo conhecimento da realidade de pessoas pobres vinha de seu próprio passado.

Zille estabeleceu um marco crítico-temporal para o baixo proletariado. Ele conhecia todos os ângulos da nova metrópole industrial que crescia rapidamente, a Berlim da virada do século – com todos os seus lados sombrios: cortiços, quartos úmidos em porões e quintais escuros. E falava a língua das pessoas pobres, sem medo de ter um contato real. “Em cada taverna e casa de destilados conhece-se o bom pai Zille”, ecoava o veredito berlinense em cada bairro operário. “Ninguém acredita que já vi de tudo”, dissera Zille uma vez.

“Eu lamento muito quando se precisa vender uma coisa séria como piada”, falou o desenhista. Ele se viu muitas vezes no centro de um dilema, entre ser um artista ou apenas um caricaturista. Atualmente o seu lugar na arte é incontestável.

Rudolf Heinrich Zille nasceu em 10 de janeiro de 1858 em condições muito pobres em Radeburg de Dresden e mudou-se aos nove anos com toda a família para Berlim. Contra a vontade de seus pais ele começou o aprendizado como litógrafo e estudava durante a noite na Real Academia de Arte. Sua popularidade tardia veio com o trabalho no jornal satírico “Simplicissimus” e no tablóide “Lustige Blätter”, após a virada do século. Em 1913 publicou seu livro de gravuras “Mein Milljöh” assim como “Berliner Luft”. Logo Zille expunha seus trabalhos também em exposições de arte. Mas foi só em 1921 que seus desenhos foram expostos pela primeira vez na famosa Galeria Nacional de Berlim. Em 9 de agosto de 1929 o pintor faleceu em Berlim-Charlottenburg e na qualidade de 80º Cidadão Honorário de Berlim, ganhou um túmulo honrado em Stahnsdorf.

Ainda enquanto estava vivo surgiu uma espécie “Zille-nostalgia” transfigurada. Os então chamados “bons cidadãos” organizavam eventos beneficentes ao “estilo Zille”, depois bares e restaurantes foram chamados de “salas de Zille”. Por muito tempo não havia notícias do “Heinrich do Pincel”. Só no início de 2007 o museu Zille em Berlim – que precisou ser fechado temporariamente por falta de financiamento - foi reaberto. “É chegado o momento de novamente dar liberdade ao núcleo social de seu trabalho, sem deixar de lado a parte humorística de sua obra”, destacam os organizadores da dupla exposição sobre Zille por ocasião dos 150 anos de seu nascimento. Ela poderá ser vista a partir de 11 de janeiro na Academia de Arte da Praça Paris (Pariser Platz) e no Ephraim-Palais no bairro berlinense de Nikolaiviertel.

Redação


12.12.07: A ARTE AMA BERLIM:
Pólo de atração de artistas    ACIMA

A vida artística na capital é agitada: cerca de 5000 artistas vivem e trabalham em Berlim, 380 galerias vendem seus trabalhos a colecionadores. Sensacional na Europa
Jörn Grothkopp - Fonte: Magazine Deutschland De Dresden para Prenzlauer Berg

Quase a metade dos trabalhos apresentados na Bienal de Veneza deste ano ou na Documenta de Kassel foi “made in Berlim” – registrou Werner Tammen, chefe da Federação Estadual das Galerias de Berlim. Berlim atrai jovens artistas de todo o mundo. Em ateliês nos fundos de casas, em fábricas reformadas ou em garagens – em todo lugar surgiram novos espaços para a arte. Naturalmente, os aluguéis baratos são importantes, mas sobremaneira importantes são a atmosfera excepcional dessa cidade entre o leste e o oeste, sua vida pulsante, sua franqueza. Berlim joga na primeira divisão da produção de arte, ao lado de Nova York e Londres: a cidade tem cerca de 5000 artistas. Entre eles estão também os astros do mercado de artes Norbert Bisky e Daniel Richter, que vive em Hamburgo, mas vêm a Berlim para pintar.

Os artistas são seguidos pelas galerias – permanentemente surgem novas galerias nas ruas Brunnenstrasse, Zimmerstrasse ou no bairro Scheunenviertel. E a estas seguem finalmente os colecionadores. A Art Forum Berlin já se estabeleceu entre as grandes feiras de arte contemporânea, tendo agora a concorrência da nova Preview Berlin. A vida artística na capital é agitada, o mercado de arte sempre está à espreita de coisas novas, não querendo perder nada. Assim é que se tornam possíveis carreiras em Berlim como a de Jonas Burgert: há dois anos, ele pintava seus quadros de grande formato numa garagem, vivia de poucas centenas de euros, até que o museu Kunsthalle de Hamburgo comprou um quadro durante a feira Berliner Kunstsalon. Daí vieram os colecionadores. Hoje, Burgert está no topo de vendas das galerias do mundo.

Revista "Deutschland"


27.08.07 – ENCONTRO CULTURAL:
Casa comemora 50 anos    ACIMA
Casa das Culturas - Fonte: dpa Ostra grávida

Foram 72 horas de atividades culturais ininterruptas. Após o longo ano de pausa para reformas, a Haus der Kulturen der Welt (Casa das Culturas do Mundo) reabre as suas portas num final-de-semana inteiro dedicado à Nova Iorque, com espetáculos de música e dança, exibição de filmes e exposições de arte. O evento de 23 a 26 de agosto foi o início de uma série que deverá se estender por três meses, passando pelo 50° aniversário da moderna construção, em 19 de setembro. A homenagem à cidade americana encontra rápido uma explicação lógica na voz dos organizadores: “fundada para funcionar originalmente como pavilhão para congressos, a Haus de Kulturen der Welt, às margens do rio Spree, foi um presente do governo dos EUA à parte oeste da cidade”. A partir da queda do muro, em 1989, o pavilhão passou a abrigar e a representar as diferentes culturas do mundo assumindo assim o papel de espaco cultural – ou casa – para as suas expressões.

A reinauguração promete novidades não apenas no campo da arquitetura. Além de novo design o momento deverá anunciar novas concepções para festivais e outros formatos para eventos promovidos nesse espaco, que segundo os organizadores deverão virar futuramente uma marca da Casa. Para celebrar as mudanças e os novos planos o público teve entrada franca para shows como o da Orquestra  Espanhola do Harlem – que contou com a participação de estrelas nova-iorquinas da salsa, do mambo, do Cha Cha Cha, do bolero e do suingue latino americano – e do pianista alemão Paul Kuhn, há 50 anos no mundo do Jazz. Não faltaram apresentações de DJs e a participação de artistas como Marcel Duchamps, Hans Haacke e Gordon Matta-Clark, que emprestaram as suas obras para a exposição “New York – States od Mind”. A resposta ao grande evento foi expressada através da presenca em massa do público. O diário Der Tagesspiegel foi categórico ao reportar: “as pessoas pareciam sardinhas em lata” – sucesso absoluto. “A Haus der Kulturen de Welt volta a ser ponto de encontro de pessoas do mundo inteiro no coração de Berlim”.

Aline Mara Afonso


22.08.07 – MULTICULTURALISMO:
Casa das Culturas do Mundo    ACIMA

Totalmente reformada, após obras que duraram um ano, a “ostra grávida”, como os berlinenses popularizaram o prédio da Casa das Culturas do Mundo, foi entregue ao público esta semana. Presente dos americanos para a cidade de Berlim, em 1957, o prédio é símbolo da amizade entre a Alemanha e EUA. Após a queda do muro, em 1989, o edifício passou a ser palco de manifestações culturais dos países em desenvolvimento. As comemorações dos 50 anos do edifício, celebrados este ano, contarão com um festival de cultura. O público poderá assistir a exposições, concertos, filmes, performances e eventos literários.

Josiane Cotrim


21.08.07 – KARNEVAL DER KULTUREN:
Folia em Berlim    ACIMA


“São belezas diferentes, outra euforia, outro tipo de orgulho. O carnaval carioca ainda é para mim uma festa do povo, onde aquele que atravessa o ano às margens da sociedade vira rei na passarela do samba. Em Berlim a necessidade é menos individual e mais coletiva: o folião quer defender sua cultura. Ao invés de rei, quer exibir o seu reino”. É assim que o fotógrafo carioca Fernando Miceli, 38 anos, define o sentimento dos imigrantes da cidade: para eles, seus países seriam o seu reino. E Berlim abriga mais de 180 “reinos”. Com cerca de 450 mil estrangeiros registrados, a capital alemã assume o papel de “oficina de integraVão” do país e numa iniciativa da Werkstatt der Kulturen (oficina das culturas) realiza desde 1996 o Karneval der Kulturen (carnaval das culturas) – uma mistura folclórica dessa pluralidade cultural.

É dentro dessa nova proposta carnavalesca que Fernando, que já cobriu muitos desfiles na Sapucaí, famosa avenida onde se realiza o carnaval do Rio de Janeiro, aprendeu a pular carnaval - em solo alemão! “É difícil evitar as comparaVões. No Rio, o carnaval é um show que o público paga para assistir da arquibancada. Aqui estão todos na rua, juntos, como parte integrante da festa; e não há bilhetes de entrada!”. Para ele, que também é cineasta, o evento berlinense – onde a atmosfera é a mesma dos blocos de rua – é um prato cheio para a produVão de documentários. Com uma mistura que passa por raças, ritmos, idiomas, classes sociais e faixa etária, o Karneval der Kulturen atingiu status de “carnaval da tolerância”.

O megaevento divide-se em duas partes: se nas ruas desfilam os carros alegóricos com folclores dos quatro cantos do mundo, é no areal da praça Blücherplatz que cerca de 900 artistas nacionais e internacionais dividem-se entre vários palcos para apresentarem uma série de espetáculos formando o que pode-se chamar de “vitrine multicultural para dança, música, história, acrobacia, contos e mágica”. E tudo ao sabor da variedade culinária garantida por cerca de 380 estandes! Está mais do que provado: “o carnaval mostra o melhor lado da capital: internacional, diversificada, tolerante e cheia de vida”, vibram os organizadores Nadja Mau, Ellen Haering e Stefanie Schatte.

E foi justamente a união desses componentes que fascinou o paulistano João Albertini que já participou de 12 das 13 edições da festa. Disposto a mostrar que o Brasil não é só samba e futebol, João dedica-se ao trabalho do grupo de percussão Afoxé Loni, que divulga as tradições da Bahia como a prática do candomblé: “atualmente cerca de 50 pessoas participam ativamente do nosso bloco”. Ele sorri e orgulha-se ao falar: “são brasileiros e estrangeiros que, através da nossa exposição no carnaval descobrem a própria identidade na cultura nordestina brasileira”.

Maracatu, forró, frevo, ciranda, samba e bossa nova. Numa cobertura da TV regional RBB sobre a festa de 2007, uma brasileira que pulava o carnaval à caráter (biquini de lantejoulas e cocar de penas sobre a cabeça) gritava ofegante entre os seus passos de samba: “o nosso papel em Berlim é trazer para a cidade a alegria do Brasil!”. Talvez ela apenas ainda não tenha se dado conta de que o carnaval de Berlim, encantadoramente diversificado, tem mais, muito mais do que “samba no pé” para oferecer.

“Máscaras, vestimentas, ritmos e coreografias. Toda cultura dispõe de elementos carnavalescos”. É assim que a Werkstatt der Kulturen, uma espécie de plataforma cultural e política da diversidade de raças da cidade, melhor explica a proposta do seu Karneval.

A idéia teria partido de um brasileiro. Fascinado por essa mistura popular na capital, o escritor baiano Mario Curvello, que vive em Berlim há mais de 30 anos, apresentou o projeto “Carnaval em Berlim”, em 1992, à Secretaria de Cultura do bairro Mitte. Aprovada a idéia, Mário recebeu financiamento para colocar em prática aquilo que idealizou no papel: “me inspirei na concepção de carnavalização do filósofo russo Michail Michailowitsch Bachtin, de exploração das raízes populares com inserções de sátiras políticas”.

Na prática mesmo o “Carnaval em Berlim” foi um complexo de bailes para adultos e crianças. No projeto de Mário, que previa a participaVão de carros alegóricos em futuras edições do seu carnaval, a avenida 17 Juni faria a vez da Sapucaí. “A proposta era a conexão entre os eixos leste e oeste de Berlim”, explica. Mas a Werkstatt der Kulturen elegeu o bairro de Neukölln - onde funciona a sua sede - para palco das festas seguintes.

Sua primeira edição aconteceu em 1996, ainda sob o título “Newkölln Carnaval” – numa alusão ao carnaval de Notting Hill, em Londres. No ano seguinte a festa passou a oferecer também um programa especial para criancas – o Kinderkarneval - e logo foi definitivamente batizada Karneval der Kulturen, ganhando trios elétricos, palcos para apresentações de artistas e barraquinhas com comidas típicas dos países participantes. Conquistou com o feito a mídia mundial e mais de 1 milhão de visitantes. Em 2004, uma das suas apresentações marcou presença nos festejos de gala da reinauguração do Olympiastadium.

De olho na evolução do evento, Mario – o mesmo que há 15 anos realizou o “Carnaval em Berlim” – tem um novo projeto em vista. Inspirado na cultura alemã, ele aposta na carnavalização dos contos de fada dos irmãos Grimm para fundar o que seria o Grimmskarneval. “Com estrutura organizacional de escola de samba, o projeto pretende estilizar os personagens e reciclar instrumentos com a participaVão das alas de indumentária e de pesquisa musical”. Elaborado especialmente para o público infantil, o Grimmskarneval seria, de acordo com a idéia original, um braço independente do Kinderkarneval: “a idéia é viajar aos quatro cantos do país nesses quatro dias de folia”, idealiza Mario. Será!?

Aline Mara Afonso


15.08.07 – FESTIVAL:
Viva Afro-Brasil   ACIMA
Luciana Mello - Fonte: Mariana Antoun Luciana Mello no Viva-Afro-Brasil 2006

Quem pensa que é preciso estar no Brasil para assistir a um festival de Música Popular Brasileira (MPB) está enganado. Em Stuttgart, cidade localizada no sudoeste da Alemanha, realiza-se anualmente o Festival Viva Afro-Brasil. Durante 19 anos o festival aconteceu na pequena cidade universitária vizinha, Tübingen, mas em 2005 ele foi transferido para Stuttgart, devido a reclamações en função dos altos decibéis da festa.

A história do Festival Viva Afro-Brasil começou em 1981 com o Primeiro Festival Internacional de Tübingen. Em vários palcos da cidade foram realizadas apresentações de jazz, música clássica, latina, pop, exposições e peças de teatro. O destaque do festival foi um show na praça principal, a Marktplatz, com músicos de vários países. Naquela época os habitantes de Tübingen já mostravam interesse pela música latino- americana, principalmente a brasileira. Por ser uma cidade que abriga muitos universitários, incluindo brasileiros, Tübingen foi o berço natural do Festival Viva Afro- Brasil.

Desde que surgiu, o Viva Afro-Brasil acontece todo mês de julho. Em 2006 reuniu artistas renomados, como Gal Costa, Maria Rita e Daniela Mercury. O tema da festa, agora realizada na Schlossplatz de Stuttgart, foi “O Grande Encontro Rio- Bahia”. Na platéia, pessoas de todos os continentes e, é claro, muitos brasileiros. Para Ana Clara Dias, que vive em Leipizig e estava no evento, foram apresentações inesquecíveis. “A música brasileira, por sua qualidade, conquista todo mundo, principalmente os alemães”, afirma com convicção a brasileira.

Tiago Rodrigues Cavalcanti


24.07.07 – CIDADANIA:
Maioria de novos alemães têm origem turca   ACIMA
Passaporte alemão - Fonte: dpa Aumenta pedidos de naturalização

Pela primeira vez, desde o ano 2000, o número de pedidos de naturalização voltou a crescer. Segundo dados do Departamento de Estatísticas, 124.830 pessoas obtiveram a cidadania alemã em 2006. Isso representa um aumento de 7.590 novos cidadãos, ou seja 6,5% em relação ao ano anterior. Os cidadãos de origem turca lideram o pedido de naturalização com 26,8% do total de solicitações. Em seguida vêm os sérvios e montenegrinos, com 12.611 pedidos representando um aumento percentual de 43% em relação à 2005. Em terceiro lugar estão os poloneses com 6.937, ou seja, 0,6% a mais.

As estatísticas mostram um substancial aumento na solicitação de cidadania por parte dos israelenses. Com 4.313 pedidos, o aumento registrado em relação à 2005 foi de 50,2%. Foi considerável, também, o aumento de pedidos de cidadania por parte dos ucranianos: 35,1% a mais que em 2005, resultando em 4.545 novas naturalizações.

O ano 2000 registrou um recorde no pedido de cidadania, com a entrada em vigor da nova legislação sobre a naturalização no país, quando foram registrados quase 187 mil pedidos.

Josiane Cotrim


03.05.07 – CONFERÊNCIA ISLÂMICA:
Aberto o diálogo para a integração   ACIMA
Islâmicos em conferência - Fonte: dpa Processo começou em 2003

Representantes islâmicos participam da segunda Conferência Islâmica Alemã em Berlim. Apesar das divergências, o encontro apresenta avanços. A conferência é um processo de diálogo iniciado em 2006 pelo governo alemão a fim de promover a integração da comunidade islâmica que conta com cerca de 3 milhões e 500 mil muçulmanos. O Islã é parte da sociedade alemã, disse o ministro do Interior Wolfgang Schäuble (CDU) que recentemente causou polêmica por defender o uso de impressões digitais não só para requerentes de asilo mas também no combate à criminalidade.

Josiane Cotrim


29.03.07 - IMIGRANTES:
Reforma legal estabelece regras para estrangeiros  ACIMA

O governo alemão concluiu a reforma legal que determina os direitos dos imigrantes no país. Atualmente vivem na Alemanha cerca de 170 mil estrangeiros registrados, mas sem permissão de permanecer: os “tolerados”, como costumam ser denominados. A reforma estabelece regras para a permanência no país. Uma delas prevê que terá direito de ficar no país o imigrante que tiver família e estiver residindo na Alemanha há pelo menos seis anos ou, no caso dos solteiros, mais de oito anos. Devem, além disso, demonstrar conhecimentos no idioma alemão, não podem ter relações com organizações extremistas, nem antecedentes penais..

Josiane Cotrim


23.02.07 – ISLÃ:
Aulas de alemão para Imames   ACIMA
jens is schlau

Os Imames, líderes religiosos muçulmanos e professores do Corão da cidade de Hamburgo e arredores querem uma maior integração entre sua comunidade e a sociedade em geral. Para isso, doze desses líderes religiosos pertencentes à comunidade turca local participam de um projeto piloto de ensino de alemão. “Os Imames precisam ser mais abertos” frisou Harald Winkels, membro da comunidade turca e organizador do curso de duração de aproximadamente um ano e que representa uma experiência pioneira em todo país.

“Só quem conhece a realidade da Alemanha pode encontrar respostas para suas perguntas” afirma Winkels. Ahmet Yildirim que prega numa mesquita perto de Hamburgo desde 2004 diz que frequenta o curso “porque não gostaria de continuar cego e surdo mas manter o diálogo”.

Josiane Cotrim


14.02.07 - CALDEIRÃO CULTURAL:
Mais de 8% da população da Alemanha é de estrangeiros   ACIMA

Boa qualidade de vida, salários acima da média e educação de bom nível fizeram da Alemanha um forte pólo de atração de imigrantes. Não apenas nos grandes centros, mas também em cidades médias e até pequenas, é notável o caldeirão cultural em que se transformou o país com sua recuperação econômica após a II Guerra Mundial. A vinda maciça de estrangeiros começou por iniciativa do governo alemão na década de 50. Diante da falta da mão-de-obra, principalmente para serviços pesados, como nos ramos de construção civil e mineração, a solução foi firmar acordos internacionais a fim de atrair operários de fora para trabalharem no país.

O número de estrangeiros vivendo na Alemanha é de quase 7 milhões, o que representa 8,2% da população, segundo dados de 2005 do Departamento Federal de Migração e Refugiados da Alemanha.

O maior grupo de imigrantes é o dos turcos que são cerca de 26,1% dos estrangeiros sendo que em cidades como Frankfurt esse número chega a um terço da população. Em seguida, vêm os italianos (8,0%), seguidos dos sérvios e montenegrinos (7,3%), poloneses (4,8%) e gregos (4,6%). Como a chegada de imigrantes é um processo que já dura décadas, houve muitos pedidos de naturalização e casamentos entre estrangeiros e nativos, que geraram novas gerações de alemães com histórico de imigração. Estima-se, por exemplo, que haja mais de 415 mil cidadãos alemães que tenham alguma raiz turca em sua árvore genealógica.

O acolhimento dessa grande quantidade de estrangeiros com estilos de vida tão diferentes é um desafio permanente para a sociedade alemã, que debate constantemente como alcançar um convívio mais harmonioso. Culturalmente, no entanto, elementos vindos de fora têm produzido resultados muito interessantes. Na culinária, por exemplo, pode-se dizer que a salsicha deixou de ser o lanche rápido mais vendido nos quiosques espalhados pela Alemanha. Em seu lugar, pode-se saborear em quase qualquer esquina o “döner kebab”, um sanduíche inventado por imigrantes turcos em Berlim feito com carne fatiada e vegetais.

Além disso, dezenas de artistas de origem estrangeira se destacam na televisão, no cinema, no teatro e nas artes visuais. Um bom exemplo é o diretor turco-alemão Fatih Akin, que em 2004 faturou o Urso de Ouro do Festival de Berlim com o longa-metragem Contra a Parede. Na literatura, pode-se citar o escritor e jornalista moscovita Wladimir Kaminer, que em 1990 emigrou para a Alemanha e em 2000 estourou com o best-seller “Russendisko”, uma coleção de contos bem-humorados sobre o cotidiano de imigrantes russos no país. Apesar de ter emigrado já adulto, Kaminer não escreveu o livro em sua língua materna, mas em alemão.

Dennis Barbosa


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