MEMÓRIA: Campo santo recuperado
LUTERO: O começo da Reforma
FÉ ENGAJADA: Bento XVI, o Papa Verde
FESTIVAL DO PENSAMENTO: Retorno às origens
LIÇÃO DE TOLERÂNCIA: Bispo a favor de novas mesquistas
ESTRELAS CANTANTES: Crianças em ação por um mundo melhor
ADVENTO: História e o calendário
SÃO NICOLAU: Origens e lenda
HILDEGARD VON BINGEN: Em busca da virtude
ESTADO X IGREJA: A relação das instituições na terra natal do Papa
MARTINHO LUTERO: O homem que mudou a Igreja no ocidente
MUSEU DA CULTURA JUDAICA: Abertura do Museu Judaico de
Munique
é festejada por todos
BENTO XVI: Habemus Papam!
RELIGIÃO NA ALEMANHA: Fatos e estatísticas sobre a fé
24.09.08 – MEMÓRIA:
Campo santo recuperado 

O antigo cemitério judaico de Berlim-Mitte reabriu suas portas na quarta-feira (24.09). Situado na Große Hamburger Straße o cemitério surgiu em 1672 como o primeiro cemitério judaico. As obras no local, que ficou desativado por muito tempo, duraram dois anos e foram realizadas com recursos do Senado de Berlim, da Associação Volksbund Deutsche Kriegsgräberfürsorge, que mantém túmulos de vítimas de guerra, e a comunidade judaica.
Após sofrer violação e destruição durante o período nazista, o cemitério ficou praticamente no abandono. Agora, foi reconstituído respeitando, na medida do possível, respeitando as leis religiosas judaicas, informou a comunidade judaica.
Josiane Cotrim
23.09.08 – LUTERO:
O começo da Reforma 
A chegada a Wittemberg
Há 500 anos Martinho Lutero (1483-1546) chegava à cidade de Wittenberg, no estado da Saxônia-Anhalt, no leste da Alemanha. A cidade lembrou a data com uma festa no sábado (20.09) que marcou o início da „Década de Lutero“. Até 2017 serão realizados festejos em diversas cidades ligadas de alguma maneira ao reformador Martinho Lutero. Relatos históricos dão conta de que foi na porta da Igreja do castelo de Wittemberg, em 1517, que o jovem monge pregou suas 95 teses contra o comércio de indulgências praticado pela Igreja Católica Romana. O ato marcou o começo da Reforma.
Wittemberg faz parte da lista do patrimônio da Humanidade da Unesco e é atração turística por causa de seu ilustre habitante que ali chegou aos 24 anos. Atores vestidos com trajes da época participaram de uma apresentação que encenou a chegada do jovem Martinho que atravessou de barco o rio Elba e foi recebido por atores no papel de camponeses. As autoridades locais esperam que as comemorações da „Década de Lutero“ atraiam muitos turistas para a região. „Eles serão bem recebidos“ declarou o governador do estado Wolfgang Böhmer (CDU).
Josiane Cotrim
22.09.08 – FÉ ENGAJADA:
Bento XVI, o Papa Verde 
Papa Bento XVI
Incentivar estilos de vida que respeitem a criação como um meio eficaz para proteger o meio ambiente tem sido um foco constante das mensagens do papa Bento XVI ao mundo. Segundo ele, mudanças climáticas e o desenvolvimento sustentável “são problemáticas de vital importância que repercutem sobretudo nos setores mais fracos da sociedade”. Em recente carta endereçada à presidente da Academia Pontifícia de Ciências Sociais, Mary Ann Glendon, por exemplo, o papa citou o desenvolvimento sustentável como um dos principais desafios do mundo globalizado. Já em mensagem à Jornada Mundial da Paz, Bento XVI pediu às nações “maiores esforços para a intensificação do diálogo para a adequada gestão dos recursos energéticos do planeta”.
De acordo com o padre Rafael Moreno, da congregação religiosa Legionários de Cristo, de Brasília (Brasil), Bento XVI enfatiza a importância da preservação ambiental pois trata-se de um dos principais desafios que acompanharam a globalização. “Falam que o desenvolvimento sustentável é uma preocupação tradicional, mas não é. João Paulo II foi o primeiro papa globalizado. Hoje em dia a interdependência dos fatores no mundo é muito mais evidente”, opina. “O papa Bento XVI não quer apenas a preservação ambiental, mas um homem inteligente tanto na hora de destruir a natureza para garantir uma melhor qualidade de vida aos homens, como também na hora de preservá-la e em prol dessa mesma qualidade de vida”, resume. O religioso salienta, ainda, que a Santa Sé não quer ter uma postura neutra nesse debate e, sim, ser mais um interlocutor de peso e alcançar o maior número de pessoas possível.
Isabel Tarrisse da Fontoura
27.05.08 – FESTIVAL DO PENSAMENTO:
Retorno às origens 
Platão, pai da filosofia européia
A terra dos filósofos e pensadores realiza, quem diria, o Primeiro Festival Alemão de Filosofia. Para o professor de Filosofia, Julian Nida-Rümelin, os alemães se afastaram desta importante herança sem maior explicação. "A filosofia em língua alemã é tão importante em todo o mundo, que, por exemplo, italianos tomam aulas de alemão para poder ler Heidegger", diz Nilda-Rümelin.
O Festival e também um Seminário de Filosofia acontecem de hoje (30.05) até domingo (01.06), em Hannover, sob o tema "A alma: metáfora ou realidade", com entrada franca. O evento reúne mais de 30 atividades e tem como modelo o "Festival di Folosofia" da cidade italiana de Modena, que conta todos os anos com mais de 100 mil visitantes.
Mariana Antoun
10.01.08 – LIÇÃO DE TOLERÂNCIA:
Bispo a favor de novas mesquistas 
O bispo da Igreja Evangélica-Luterana da Bavária, Estado majoritariamente católico, Johannes Friedrich, pronunciou-se claramente em favor da construção de mesquitas em cidades alemãs. “Seria um absurdo se os muçulmanos tivessem que realizar seus cultos religiosos em galpões ou garagens”, disse o bispo. A opinião foi emitida no contexto do debate que ocorre atualmente em cidades como Munique, Frankfurt e Colônia onde projetos monumentais de novas mesquitas causam polêmica.
A autoridade religiosa defende ainda a criação de uma faculdade de teologia islâmica além do ensino religioso nas escolas: “Aula de religião é para todos, mas especialmente para imigrantes, uma ajuda para o conforto espiritual.” Desta maneira, os jovens podem saber de qual tradição descendem, aprendem valores fundamentais assim como seus pais e avós viveram. Segundo Friedrich a integração é uma das tarefas mais importantes no futuro da sociedade.
Josiane Cotrim
03.01.08 – ESTRELAS CANTANTES:
Crianças em ação por um mundo melhor 
Fantasia e solidariedade
Jubileu dos “Cantores da Estrela” (Sternsinger). Pelo 50º ano foi iniciada na última quarta-feira (02.01) a ação, conhecida também como “Os cantores dos Três Reis Magos”, que recolhe fundos para ajudar crianças em países da África, Ásia e América do Sul. Durante quase uma semana crianças e jovens vão de casa em casa, fantasiadas de reis magos, pedindo contribuição das famílias, e deixam uma marca após a visita “C+M+B” – Christus mansionem benedicat, ou “Cristo abençoe esta casa”.
No último ano foram arrecadados 38,8 milhões de euros em toda a Alemanha e mais da metade aplicada em projetos educacionais. A ação é coordenada pela Obra Messiânica Infantil “Die Sternsinger” e pela Federação da Juventude Católica Alemã, e já arrecadou ao longo destes 50 anos mais de 610 milhões de euros.
Mariana Antoun
LINK:
Sternsinger
11.12.07 - ADVENTO:
História e o calendário 
Calendário de chocolate
O Advento tem grande importância para os cristãos de ambas as confissões religiosas na Alemanha. Serve para a reflexão, o recolhimento interior. Com o seu primeiro dia, o domingo quatro semanas antes do 25 de dezembro, começa o novo ano litúrgico. Isto foi determinado pela Igreja já no século IV.
O símbolo do período até ao dia de Natal é a coroa do Advento. O símbolo tem a sua origem em Hamburgo. “A primeira coroa estava pendurada, em Dezembro de 1839, no oratório da 'Rauhes Haus'”, diz Uwe Mann von Velzen, o porta-voz desta instituição evangélica para crianças abandonadas e órfãs de bairros degradados da cidade portuária.
Primeiramente a coroa, feita com ramos de pinheiro, encontrava-se apenas nas casas de famílias de fé evangélica, sobretudo no norte da Alemanha. Nos anos 20 do século passado, os católicos também passaram a adotar este costume. As 24 velas originais - uma para cada dia - foram reduzidas há décadas para quatro, correspondentes aos domingos. “Hoje em dia, muitas vezes, um arranjo de ramos de pinheiro, com uma única vela grande, substitui a coroa”, diz Ute Bleicher, florista de Munique.
Cerca de duas semanas antes da véspera de Natal, vendem-se nas ruas e feiras os objetos prediletos do Natal alemão: os pinheiros. Estima-se que 25 milhões destas árvores são ricamente decoradas nas salas de estar, para a festa.
Advents-Kalendar
O calendário do Advento é uma invenção alemã. Ele é formado por 24 janelinhas, que correspondem, cada uma, a um dia do Advento, período que cobre os 24 dias do mês de dezembro até a chegada do Natal.
No primeiro dia do mês, as crianças alemãs recebem um calendário do Advento e o penduram ao lado de suas camas, abrindo uma nova janelinha a cada dia. Em suas aberturas são colocadas fotos, brinquedos ou chocolates, para enfeitá-los.
Ao abrir uma janelinha por dia, faz-se a contagem regressiva até o Natal. O calendário torna a espera pelo grande dia mais divertida para as crianças.
As origens do calendário do Advento remontam às áreas protestantes da Alemanha do século XIX. O primeiro deles, diz-se, data de 1851. Famílias protestantes desenhavam com giz uma linha que perpassava todos os 24 dias de dezembro até a noite de Natal.
Os calendários costumam ser feitos com muito esmero. Na cidade alemã de Gegenbach, no sul do país, encontra-se o maior de todos os calendários do advento: 24 janelas da Câmara Municipal da cidade são decoradas com motivos natalinos, todos os anos, para a chegada do Natal.
Redação
06.12.07 – SÃO NICOLAU:
Origens e lenda 
Evolução?
A história de São Nicolau, bispo da cidade de Myra, na Ásia Menor remonta ao século IV. Ele nasceu entre 270 e 280, de uma família rica oriunda da cidade de Lycia, na atual Turquia. Ficou órfão cedo e foi criado em um monastério, onde foi ordenado padre aos 17 anos. Ele viajou pelo Egito e Palestina antes de retornar a Lycia, para se tornar o bispo da cidade de Myra, onde faleceu em 6 de dezembro do ano de 343.
Nicolau era um homem muito generoso, conhecido por sua caridade e sabedoria, que abriu mão de sua riqueza em nome dos necessitados. Ele costumava sair disfarçado à noite para distribuir dinheiro, roupas e comida aos pobres. A mais famosa lenda em torno do santo é a referente a três irmãs pobres, que tinham pretendentes, mas, no entanto, não podiam pagar por seus dotes. Por ser muito tímido, São Nicolau subiu no telhado da casa das moças e jogou três moedas pela chaminé da casa. As três moedas caíram dentro de três meias, que secavam penduradas na lareira. Por esse motivo, estabeleceu-se a tradição alemã de deixar sapatinhos dentro de um prato, do lado de fora da casa.
Na Alemanha, durante o período natalino, a figura de São Nicolau está presente em todos os lugares, em chocolates de variadas formas . Para os alemães, São Nicolau é um bispo de barba branquinha. Para a visita do santo, as casas e os sapatinhos das crianças precisam estar cuidadosamente limpos. Na véspera da visita, as crianças colocam, em um prato, em pares de botas ou em seus sapatos, cartas para o bom santo junto com cenouras ou outras comidas para o burro ou cavalo branco que o acompanham.
Tudo isso é posto do lado de fora da casa, debaixo da cama ou ao lado do aquecedor, na esperança de que seja encontrado pelo santo na manhã seguinte. Durante a noite, São Nicolau vai de casa em casa carregando um livro, no qual estão anotados todos os pedidos de todas as crianças. Se elas se comportaram bem durante o ano, ele preenche os pratos, sapatos ou pares de botas com frutas, nozes e guloseimas. Se não, elas encontram batatas, carvão e galhos.
As crianças ensaiam poemas e canções para São Nicolau e elaboram pequenos presentes para ele. Amigos e vizinhos juntam-se para celebrar a data juntos. Velas e cenas da Natividade são acesas, contam-se histórias, cantam-se canções, tudo para aguardar a chegada do velhinho. Ele chega com seu grande livro, um cajado dourado e um grande saco. Cada uma das crianças presentes coloca-se diante do santo, que pergunta a todas elas:
“Você se comportou direitinho? Fez o seu dever de casa? Manteve seu quarto arrumado? Você ajuda os seus pais?”
Então, ele abre o grande saco e distribui presentes e doces a todos. São Nicolau não se demora, pois ainda tem muitas casas para visitar. Hoje em dia, em algumas partes da Alemanha, São Nicolau já se parece muito mais com o Papai Noel, e vem no dia de Natal, e não mais no dia 6 (dia do santo). A influência vinda de outros países, da televisão e grandes lojas torna muito mais difícil o encontro com São Nicolau de fato. Sua aparência atual sugere que as figuras centrais do Natal alemão, como São Nicolau e o Menino Jesus, estão se transformando.
Redação
22.11.07 – HILDEGARD VON BINGEN:
Em busca da virtude 
Vitral da Idade Média retrata Hildegard von Bingen
Abadessa do mosteiro de Rupertsberg (Estado de Rheinland-Pfalz), Hildegard von Bingen/ Hidelgarda de Bingen é tida até hoje como a grande mística cristã da Alemanha, graças ao dom das visões que possuía desde pequena. Filósofa, compositora e escritora, Hildegarda nasceu em 1098 e morreu em 1179, vivendo 81 anos em plena era medieval, em que a Igreja era soberana em riquezas no sentido prevalecente da época: terras – ora conquistadas por meio de guerras, contribuições de reis ou doações de homens preocupados com a espécie de vida levada na Terra e desejosos de passar para o lado de Cristo antes de morrer.
Em suas visões, Hildegarda teria sido chamada por Deus na luta contra o clero corrupto, cuja riqueza sobrepunha há tempos o espiritualismo. Sua doutrina moral transbordou Rupertsberg, alcançando outros mosteiros, cidades e países. Inúmeras epístolas, estudos sobre botânica e até medicina, canções litúrgicas e sermões públicos magnetizavam plebes, burgueses, príncipes e reis, ansiosos por algum reflexo de suas premonições e clarividência. Seu discurso tornara-se tão convicto que refletira inclusive nos eclesiásticos, alarmados pelo tom reformista. No seu derradeiro ano de vida, o último dos embates culminou em sua expulsão da Igreja, ao enterrar o corpo de um jovem excomungado e “indigno de repousar em terra santa”. Hildegarda recusou a ordem dos bispos de exumá-lo, alegando que o jovem morrera em comunhão com Deus. Seu convento foi interditado e ela e suas irmãs exiladas da Missa.
Em 17 de setembro de 1179, Hildegarda de Bingen sofreu um colapso e morreu. Seus direitos já haviam sido restituídos, mas Hildegarda não fora reconhecida como santa. Permaneceu apenas beatificada, após 4 tentativas frustradas de canonização.
Até hoje Hildegarda continua despertando o interesse de pesquisadores. “Santidade reconhecida – Hildegarda de Bingen: uma luminosa visionária medieval“ é o título do artigo da historiadora Carmen Lícia Palazzo publicado em um livro dedicado ao tema intitulado: “Religião, religiosidade e misticismos - Entre Deus e o Diabo”, organizado por Geraldo Pieroni, e também com a participação de Luiz Antonio Sabeh.
O interesse de Carmen Lícia pela personagem alemã vem de longe. Seu fascínio pela personagem se justifica não apenas pela qualidade de seu trabalho e inteligência prodigiosa “que consolidaram o sucesso alcançado não apenas como visionária mas também como compositora, conselheira e terapeuta”. A historiadora já publicou outros trabalhos sobre “a sua monja” como ela diz: “Hildegarda de Bingen: o excepcional percurso de uma visionária medieval” e “Hildegarda de Bingen” por uma editora argentina.
Carmen Lícia explica que no contexto da época, a entrada de mulheres da nobreza para uma instituição religiosa pode ter diversas interpretações: “muitas vezes as jovens eram enviadas por suas famílias para seguir definitivamente a vida religiosa mas, em outros casos, apenas para que tivessem acesso a uma educação de qualidade que não lhes seria possível em outros ambientes”. A pesquisadora considera que é “interessante lembrar, também, ao analisar o percurso desta mulher excepcional que foi Hildegarda, que o mosteiro representava, na Idade Média, a possibilidade de liberação do peso da maternidade. A submissão à regra beneditina possuía outras características, diferentes da submissão ao papel de esposa e mãe, que pouco ou mesmo nenhum espaço reservava a aspirações de ordem intelectual” escreve Carmen Lícia, que numa rica metáfora compara os escritos de Hildegarda de Bingen com os vitrais góticos das catedrais que começavam a aparecer na Europa no século XII, uma vez que clareiam o universo mental da época em que Hildegarda viveu.
João Koeler Hackbarth/ Josiane Cotrim
27.06.07 – ESTADO X IGREJA:
A relação das instituições na terra natal do Papa 
Recentemente, durante sua visita ao Brasil, o papa Bento XVI pediu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a volta do ensino religioso nas escolas do maior país católico do mundo. Reabriu, com isso, a discussão sobre as relações entre o Estado e a Igreja, uma controvérsia presente no mundo inteiro, inclusive na Alemanha, terra natal do Papa.
Nos últimos anos, as questões religiosas ficaram, muitas vezes, no centro de discussões polêmicas. Em 2005, jornais na Dinamarca, Noruega, Alemanha e França publicaram caricaturas consideradas por alguns muçulmanos como blasfemia. O fato revelou o conflito entre a liberdade de expressão e o respeito pelos sentimentos religiosos. Em Berlim, a famosa ópera Deutsche Oper decidiu, no ano passado, cancelar a apresentação de uma peça considerada ofensiva ao Islã, por temer atentados. A decisão foi criticada, inclusive, por uma grande parte da comunidade muçulmana alemã. Também na política externa dos países europeus, questões religiosas não deixam de fazer parte da agenda: será que um país laico, mas de tradição fortemente muçulmana, como a Turquia, pode entrar na União Européia, dando o direito aos seus cidadãos de trabalhar e viver livremente no continente inteiro?
No entanto, não é só o Islã que causa polêmica na UE. Recentemente, as autoridades da Irlanda, um país de maioria católica, violaram o princípio das fronteiras livres dentro da UE, tentando impedir a saída de uma mulher grávida que quis viajar para o Reino Unido a fim de fazer um aborto, ato ainda ilegal naquele país. Um dos motivos de controvérsia na aprovação da constitução européia foi justamente o desejo de alguns países membros de citar dentro da constitução a crença cristã como fonte dos valores ocidentais. A proposta foi fortemente recusada, principalmente, por países laicos.
Porém, o debate sobre a relação entre o Estado e a Igreja não se restringe apenas à alta esfera política. O principal foco de discussão é a escola. Obrigatoriamente, crianças de diferentes origens familiares passam ali uma grande parte da sua vida, justamente numa idade em que estão vulneráveis e sujeitas à influência e manipulação. Nenhum país ocidental escapa da pergunta: numa sociedade de tradição cristã as escolas estaduais podem – ou até devem - oferecer ensino de religião cristã? Mesmo num país como a Alemanha, onde um terço da população não pertence mais a nenhuma religião e onde a minoria muçulmana já se tornou maioria em certos bairros das grandes metrópoles do país? Em países laicos, como a França e a Turquia a resposta a essas perguntas é nitidamente negativa.
Já na Alemanha, com sua forte tradição federalista, a situação é ainda mais complexa. Em alguns estados do norte e do leste do país, onde só uma minoria da sociedade se alinha à uma confissão, a opção foi incluir o ensino religioso aos alunos no âmbito da ética e filosofia ensinadas por professores regulares. Porém, na maioria dos estados, professores escolhidos e controlados pelas igrejas luterana e católica ensinam nas escolas estaduais. Em função do crescimento da comunidade muçulmana, consequência da imigração turca e dos países árabes, vários estados começaram a oferecer, também, ensino islâmico nas escolas estaduais. As escolas em Berlim até oferecem, como alternativa ao ensino cristão, aulas organizadas pela comunidade budista e pela sociedade humanista. Um reflexo da realidade cada vez mais pluralista da capital alemã.
Soma-se ao debate uma outra questão: até onde o Estado deve tolerar símbolos religiosos na sala de aula? Novamente, alguns países laicos como a França dão uma resposta fácil, proibindo até o uso de qualquer símbolo religioso pelos estudantes. Na Alemanha, os estudantes estão livres de ostentar seus símbolos. Mas, há alguns anos discute-se, tanto na Mídia como na Justiça, se professores podem dar aulas ostentando tais símbolos, como por exemplo, o véu. Também a cruz cristã já tornou-se tema jurídico. Em 1995, o Tribunal Superior da Alemanha decidiu que o uso da cruz na sala de aula fere a constituição. A prática, até então, era comum no estado católico da Baviera, berço do papa Bento XVI.
A democracia alemã foi construída das ruínas da Segunda Guerra Mundial e do terror dos nazistas. Foi baseada numa idéia principal: como garantir que esses horrores não se repitam. Muitos procuram uma resposta na religião. Mesmo que a história da Igreja durante o Terceiro Reich tenha sido bastante ambivalente. Muitos cristãos resistiram corajosamente contra o regime e foram vítimas de perseguições. Mas, não faltaram representantes das igrejas que apoiaram o governo de Hitler e fecharam os olhos diante dos crimes cometidos. O cineasta alemão Volker Schlöndorff, conhecido do público pelo filme “O Tambor”, trata dessa ambivalência em “O Nono Dia”, que conta a história da perseguição nazista contra padres.
Certamente, ao longo da história, a Igreja gerou ceticismos. Porém o Estado democrático depende de condições que ele mesmo não pode garantir, como formulou o jurista alemão Böckenförde. A sobrevivência da democracia depende de uma sociedade civil que se baseie em valores, os quais ela esteja disposta a defender. Como o Estado não tem como forçar seus cidadãos a acreditarem em valores democráticos e convicções éticas, ele tem obrigação de garantir que o cidadão possa procurar – e achar – esses valores, seja na filosofia ou nas religiões. Como garantir isso sem perder a neutralidade religiosa é uma questão aberta, para qual cada país deve encontrar sua própria resposta.
Jens Wagner, Porta-Voz da Embaixada da Alemanha no Brasil
05.06.07 MARTINHO LUTERO:
O homem que mudou a Igreja no ocidente 
A Alemanha tem 26 milhões de luteranos
Martinho Lutero marcou não apenas a história da Igreja Católica Apostólica Romana, mas também a cultura ocidental, inclusive no Brasil. Seu pai queria que estudasse Direito e fosse funcionário público, entretanto, Martinho entrou para a Ordem dos Agostinianos em 1505, aos 22 anos, e iniciou sua carreira eclesiástica.
Ele questionou vários paradigmas da Igreja, principalmente o da indulgência. Em Romanos 1.17 encontrou uma simples frase, na qual se basearia para mudar radiacalmente a fé cristã: “O justo viverá por fé”. Segundo sua interpretação, dizia que o perdão e a vida eterna não são conquistados com boas obras, mas são dados gratuitamente por meio da fé em Jesus Cristo.
Isso mexeu tanto com os alicerces da Igreja que Lutero foi excomungado em janeiro de 1521 e condenado à morte em maio do mesmo ano. Graças ao apoio de nobres alemães, ele conseguiu se esconder e propagar suas idéias.
Ao longo da história brasileira sempre houve a presença de pessoas vinculadas à crença luterana. Entre os primeiros luteranos destaca-se Heliodor Hesse, filho do humanista alemão Helius Eobano Hesse, amigo de Martinho Lutero. A primeira capela foi erigida por Hans Staden, enquanto estava prisioneiro dos índios em Ubatuba no interior de São Paulo em 1554.
23.03.07 MUSEU DA CULTURA JUDAICA:
Abertura do Museu Judaico de Munique é festejada por todos 
O prefeito da cidade, Christian Ude, (SPD) disse que o museu custou por volta de 13 milhões e 500 mil Euros e representa o mais significativo projeto da capital da Bavária nos últimos dez anos. A presidente federal do Partido Verde, Claudia Roth e Reinahrd Bütikofer consideraram a abertura do museu como um evento de grande importância para a Alemanha. O museu retrata a vida cotidiana dos judeus e mostra que a cultura judaica é parte da vida diária da cidade de Munique e da Alemanha.
A convidada de honra da festa de abertura do museu foi Charlotte Knobloch, presidente da Associação do Culto Israelita de Munique e da Alta Bavária assim como do Conselho Central dos Judeus na Alemanha. Junto com a Sinagoga inaugurada em novembro passado e o Centro Comunitário Judaico o novo museu completa o conjunto de edifícios do Centro Judaico da cidade de Munique. Essa obra foi uma causa defendida por Charlotte Knobloch desde os anos 80. O museu possui cerca de 900 metros quadrados de espaço para exposições.
01.03.07 – BENTO XVI:
Habemus Papam! 
Papa alemão visitará o Brasil em maio
Em maio, o Brasil receberá a visita de Joseph Alois Ratzinger, o papa Bento XVI. Nascido numa pequena cidade da Baviera, no extremo sul da Alemanha, foi eleito em abril de 2005, aos 78 anos, logo após a morte de seu antecessor, João Paulo II. Excelente pianista e grande apreciador de Mozart, Bento XVI é tido como um papa muito intelectualizado e erudito, graças a seu grande volume de livros e textos publicados. Ao mesmo tempo, setores progressistas da Igreja o consideram um conservador. De fato, ele já demonstrou que não mudará a posição do Catolicismo com relação a temas polêmicos como o aborto, o homossexualismo e a castidade de seus sacerdotes. O fato de ter comandado, desde 1981, a Congregação para a Doutrina da Fé, o antigo Tribunal da Santa Inquisição, órgão encarregado de fiscalizar a conduta de fiéis e clérigos, contribui para esta imagem conservadora.
Dennis Barbosa
01.03.07 – RELIGIÃO NA ALEMANHA:
Fatos e estatísticas sobre a fé 
A Catedral de Colônia
A vida religiosa na Alemanha é marcada pelas duas grandes igrejas. Dois terços da população pertencem a uma confissão cristã. A metade deles pertence à Igreja Católica Romana, a outra à Igreja Evangélica. Há esperanças de que a cooperação ecumênica cresça com o novo Papa Bento 16 que, em 2005, na sua primeira visita ao exterior, visitou Colônia, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude.
Depois do genocídio cometido pelos nazistas, somente poucas pessoas de origem judaica continuaram a viver na Alemanha. Hoje, vivem na Alemanha perto de cem mil judeus organizados em comunidades judaicas. Cada vez mais outras religiões adquirem importância na Alemanha. Muitos estrangeiros que vivem na Alemanha professam o islamismo. Na República Federal, vivem cerca de 3,2 milhões de muçulmanos de 41 nações.
A liberdade de crença, bem como o livre exercício de cultos religiosos são garantidos pela Lei Fundamental. Na Alemanha não existe uma Igreja do Estado. Ele participa financeiramente em determinadas instalações mantidas por entidades religiosas, tais como jardins-de-infância e escolas. As igrejas cobram impostos de seus membros, que são recolhidos pelo Estado para financiar o trabalho social de instituições como jardins-de-infância, escolas, centros de assistência social, hospitais e asilos. As aulas de religião nas escolas têm uma característica peculiar. Elas são ministradas sob a supervisão do Estado, mas as igrejas são responsáveis por seu conteúdo.
“Perfil da Alemanha”
|