SOCIEDADE
 


TERCEIRA IDADE: Chega de chinelo e pijama
GRÄFENRODA: Berço dos anões de jardim
UMA FRAGÂNCIA SECULAR: A matrix de todas as Eaux de Cologne
PÁSCOA ONLINE: Dicas da internet em torno da festa de Páscoa
SEGURANÇA NO TRÂNSITO: Queda histórica no número de mortes
“CAMPUS RÜTLI”: Experiência modelo
TRAGÉDIA MORTAL: Incêndio mata nove pessoas
CARNAVAL: Temperatura em baixa, alegria em alta
BÜTTENREDE: O discurso de Carnaval
CENSO: O fantasma do “big brother”
FELIZ ANO NOVO: Festejos incluem tradições e crendices
FELIZ NATAL: Músicas, tradições e receitas para a alegrar a festa
PRESENTES DE NATAL: Papai Noel ou Christkindl 
VIVER TEM PESO: Juntos contra a ilusão da magreza
TRADIÇÃO ALEMÃ: A árvore de Natal
WEIHNACHSTMARKT: Da Alemanha para o Brasil
É NATAL: Tradicionais mercados cada vez mais atuais
“TERRA DAS IDÉIAS”: Divulgando o que há de melhor
ARTE NA RUA: Projeto em debate
SECOND LIFE: Prêmio real para a arquitetura virtual
AS JURISTAS: A Justiça mostra a sua feminilidade
BICICLETA: Devagar se vai longe
MOEDAS LOCAIS: Quer pagar como?
SCHWERIN 2007: Comemoração do Dia da Unidade Alemã
EM DUAS RODAS: Pedalar é preciso
TENDÊNCIA: A geração pai
TOLERÂNCIA ZERO: Lei proíbe ingestão de álcool ao volante
CONTRA OS NEONAZISTAS: Loja pode não ter contrato renovado
MAX WEBER: O alemão que colocou a sociedade no papel
IGUALDADE: Chances iguais para todos
REUNIFICAÇÃO: Condições de vida no Leste e no Oeste
EMANCIPAÇÃO: Homens e mulheres
ESTILO DE VIDA: Sociedade que valoriza a família


21.04.08 – TERCEIRA IDADE:
Chega de chinelo e pijama ACIMA
Aposentada trabalha no computador - Fonte: Photothek Na labuta!

Os idosos já não querem mais ficar em casa sem fazer nada. Uma pesquisa do Instituto Forsa demonstra que em cada 1000 pessoas com idade entre 60 e 80 anos, cerca de um quarto gostaria de possuir um trabalho remunerado. Em 1998 apenas uma pessoa interrogada em 100 exprimia tal desejo. O especialista em História Social Jürgen Kocka considera que essa vontade não seja resultado da falta de dinheiro, mas de uma evolução da mentalidade daqueles com mais de 60 anos, que desejam mais atividade e participação. "É todo um potencial que se desperdiça" comenta Kocka. "A sociedade deveria aproveitá-lo".

Kocka é o porta-voz do entidade que encomendou a pesquisa. Ele mesmo surpreendeu-se com os resultados. "Contrariamente ao que se observava antes, 75 por cento dos idosos se consideram em boa forma física, inclusive aqueles com idade entre 70 e 80 anos". Uma boa parte dos que desejam um trabalho remunerado possue bom nível de escolarização. "Isto parece indicar que o problema não é de ordem financeira" comenta Kocka, já que esse grupo de pessoas provavelmente dispõe de uma boa aposentadoria. O cientista supõe que os idosos gostariam mesmo é de ter contato social diversificado com o mundo do trabalho e aspiram serem reconhecidos pelo próprio trabalho. Os resultados não variam de maneira nenhuma segundo o gênero das pessoas interrogadas, sendo que o desejo de trabalhar é ligeiramente mais forte nos estados do leste.

Josiane Cotrim


23.04.08 – GRÄFENRODA:
Berço dos anões de jardim ACIMA
Anão de jardim - Fonte: Colourbox Livres?

A cidade de Gräfenroda, fundada em 1290, no estado alemão da Turíngia, conta com apenas 3750 habitantes. Localizada no encantador Vale da Gera Selvagem, ao lado da maravilhosa Floresta Thüringer, serve de destino turístico para adeptos de caminhadas. Por sua vizinhança com Weimar, Erfurt e Gotha, o município está bem integrado na cultura local , que se proclamou com celebridades tais como Bach, Herder, Schiller, Goethe, Klee, Strauss, Kandinsky, Schopenhauer e Nietzsche.

No entanto, a cidade deixou sua marca na história por ser o local de nascimento dos anões de jardim. Em 1874 Philipp Griebel fundou sua pequena fábrica, onde inventou e desenvolveu os bonecos. Os modelos clássicos são feitos de argila queimada e medem entre 19 e 25 cm. A inspiração pelos anões vem dos contos de fada alemães e da mitologia, onde os gnomos eram habitantes do interior da terra e guardiães de tesouros enterrados com poderes mágicos. Existe todo tipo de modelos, começando com o típico anão barbudo amigável, anões de Natal, até modernas figuras mais atrevidas e modelos eróticos. No ranking dos souvenirs alemães mais procurados, os anões de jardim aparecem em segundo lugar, perdendo apenas para os relógios Cuco. Os pequenos anões são extremamente populares na Alemanha, na Áustria e na Suíça. Só em jardins alemães existem 25 milhões de exemplares.

Por isso mesmo, existe até o museu dos anões de jardim em argila em Gräfenroda, considerada a maior atração turística da cidade. Além disso, todo ano em agosto é promovido  o "Festival da Pátria e dos Anões de Jardim" na praça central.

Quem também está de olho nos anões é a FLAJ (Frente de Libertação dos Anões de Jardim) que opera na França, Alemanha, Espanha, Canadá, Brasil e nos Estados Unidos. Com o objetivo de "resgatar" os bonecos barbudos escravizados e libertá-los no seu habitat natural, a FLAJ é visto como responsável pelos muitos sumiços repentinos de anões de jardim.

Arnd Alexander Rose


04.04.08 – UMA FRAGÂNCIA SECULAR:
A matrix de todas as Eaux de CologneACIMA
Água de Colônia - Fonte: Reprodução www.4711.com A original!

“Minha essência é como uma manhã de primavera, na Itália, depois da chuva, laranja, toranja, limão, bergamota, cedro, folhas e ervas de minha pátria”, assim descreveu J. M. Farina sua criação: a lendária Kölnisch Wasser, ou simplesmente Água de Colônia. São séculos de história, sempre na mesma cidade, na mesma rua, na mesma casa, uma composição única, inspiração para muitas outras águas de Colônia, um elixir que relaxa, inspira e perfuma corpo e alma.

A Echt Kölnisch Wasser (Original Água de Colônia), considerada a mãe de todas as Eaux de Cologne, foi criada em meados do século XVIII pelo italiano Farina. Nomeando-a assim, em homenagem à sua nova pátria, Köln (Colônia), uma das mais antigas e belas cidades do oeste da Alemanha. E é nesta mesma cidade, na mesma rua – Glockengasse (Vila dos Sinos) - e na mesma casa, número 4711, onde há séculos vem sendo comercializada. A mais clássica e conhecida é a 4711.Esta, em frasco original - Molanusflasche, uma criação do destilador Molanus, de 1820, é sinônimo de Echt Kölnisch Wasser.

No início a essência também era tida como uma aqua mirabilis (água milagrosa), graças à sua composição de ervas, entre outras, lavanda, alecrim, essência de laranja e óleo de diferentes citrus, que proporciona uma sensação de bem-estar. Passando em 1810 a ser considerada apenas uma Duftwasser (água de cheiro). Isto devido a um decreto estabelecido por Napoleão em que todas as receitas usadas como remédio, mantidas até então em segredo, deveriam ser abertas ao público. Mas a receita original continua sendo mantida até os dias de hoje.

Dália Alvares


14.03.08 – PÁSCOA ONLINE:
Dicas da internet em torno da festa de PáscoaACIMA
Ovos pintados - Fonte: dpa Ovos pintados

Quais as cores mais adequadas para pintar ovos de Páscoa? Como se faz um ninho de Páscoa? E quais os ingredientes para o cordeiro de Páscoa ficar mais saboroso? Uma festa de Páscoa realmente criativa tem que ser bem preparada. Um grande número de sites disponíveis na internet podem ajudar bastante.

Hanni Hesse tem a fama de ser um grande perito no assunto. No site www.hanni.hase.de, ele dá à comunidade do município de Ostereistedt, no Estado da Baixa-Saxônia, na Alemanha, valiosas informações acerca de muitas questões relacionadas com a Páscoa. Além de histórias e piadas, encontram-se ali numerosas dicas. Entre elas há idéias sobre como pintar ovos, instruções sobre como fazer ninhos de Páscoa, mas também propostas para a criação de camisetas e a produção de louça de Páscoa. Os usuários poderão baixar também vários modelos para colorir ovos.

Hanni Hase informa igualmente sobre a importância das fogueiras e velas de Páscoa, bem como sobre a importância da água de Páscoa. Um série inteira de jogos de Páscoa online deverá divertir sobretudo os usuários mais jovens. Eles poderão, além disso, entrar em contato com o Coelho de Páscoa escrevendo cartas para um determinado endereço. Por outro lado, os pais deverão interessar-se mais pelas datas de todos os Domingos de Páscoa até o ano 2050.

Qual a melhor maneira de soprar, colorir e pendurar ovos de Páscoa? A resposta se encontra no site www.ostern-mit-dem-osterhasen.de, link „Ostereier“, item „Ostereier färben und andere Bastelideen“. Mas atenção: a cor que os ovos devem receber é de suma importância. No site www.ostern-im-web.de explica-se, por exemplo, que ovos amarelos simbolizam iluminação e sabedoria e ovos de cor laranja, força, persistência e ambição.

Muita coisa interessante a respeito de costumes e usos em outros países poderá ser encontrada no link „Ostern international“. E como as datas de Pentecostes, Ascenção do Senhor, Corpus Christi e Quarta-feira de Cinzas podem ser derivadas do Domingo de Páscoa, é revelado no item „Osterzeit“.

Por que é exatamente o coelho que esconde os ovos na Páscoa? A esse respeito não há  nenhuma explicação clara. Todavia algumas hipóteses encontram-se no site www.das-osterportal.de. Quem quiser saber mais sobre o pano de fundo religioso e histórico da Páscoa, poderá visitar o site  www.ostern-mit-dem-osterhasen.de. Como surgiu, por exemplo, o ovo de Páscoa? Antigamente os ovos eram cozidos até ficarem duros para torná-los duráveis pelo tempo da Quaresma antes da Páscoa. E eles eram coloridos para poder distinguir os cozidos dos crus.

Redação


26.02.08 – SEGURANÇA NO TRÂNSITO:
Queda histórica no número de mortes ACIMA
Alerta de acidente - Fonte: ColourBox Cuidado!

Os prognósticos previam pior mas, não se concretizaram: o total de 4970 mortes no trânsito no ano passado é o menor número registrado desde a implementação destas estatísticas em 1953 e menos de um quarto do número de mortes registrado em 1970. Até a metade do ano passado parecia que mais gente perderia a vida nas estradas alemãs, como vem acontecendo há décadas. Até meados de 2007 o Departamento Federal de Estatísticas já tinha registrado 2459 mortes no trânsito, ou seja, 6,9 por cento a mais que no mesmo período do ano anterior. No entanto, ao apresentar esta semana o número de vítimas fatais do ano inteiro, verificou-se uma redução de 2,4 por cento em relação aos registros de 2006.

Porém, isto não é motivo de comemoração: 14 pessoas morrem diariamente nas estradas. Além disso, verifica-se um aumento no número de acidentes. Em 2007 a polícia registrou 2,3 milhões de acidentes, 2,7 por cento a mais que em 2006, vitimando 431.500 pessoas. Em 2005 este número desceu em 8 por cento e em 2006, em 5 por cento.

Embora os números não sejam conclusivos para o ano todo, a avaliação dos primeiros nove meses indicam que motocicletas e bicicletas estão muito representadas nas tristes estatísticas: das mortes registradas até o final de outubro, 2191 foram acidentes de carro, 888 de motocicletas, 499 com pessoas à pé e 380 de bicicleta. Segundo especialistas, segurança no trânsito é sempre uma conjugação de três fatores: carros seguros, motoristas bem formados e bem informados, e estradas em boas condições de segurança. Airbags, freios melhores e a eletrônica estão tornando os carros mais seguros mas o motorista é sempre o elo mais fraco.

Josiane Cotrim


14.02.08 - “CAMPUS RÜTLI”:
Experiência modelo  ACIMA
Três alunas da décima classe na escola Rütli de Berlim - Fonte: dpa Alunas da décima classe

Por quase dois anos a escola Rütli de Berlim foi considerada por toda a Alemanha como símbolo de violência desenfreada e caos nas salas de aula e no pátio. Agora a mudança é perfeita.

Um “exemplo para integração”, denominou o prefeito distrital Heinz Buschkowsky em 30 de janeiro de 2008 quando do início do “Campus Rütli”, uma aliança de escolas do foco de ação social, que reúnem cerca de 850 alunos. A patrona Christina Rau, viúva do ex-presidente Johannes Rau, alegra-se com o “novo e intenso impulso” no agora pacífico local.

No outono e inverno de 2005 e ainda no início de 2006, a maioria dos professores só se atrevia a dar aulas com seus telefones celulares a postos, para que em uma iminente emergência pudessem chamar a polícia ou outros professores. Os alunos faziam o que queriam, a falta de disciplina se alastrava, muitos professores comunicaram estar doentes. Em uma espetacular “carta incendiária” os pedagogos anunciaram que não sabiam mais como continuar. A escola Rütli foi estampada em manchetes e colunas de opinião e foi tema de plenária do Parlamento Alemão (Bundestag).

A imagem hoje é totalmente diferente. a marca de roupas criada pelos alunos, a “Rütli-Wear”, é hoje uma verdadeira grife de jovens engajados; na escola existem diversas novas agremiações de música, esporte e cultura. Os alunos da escola Rütli salvaram de um assalto uma vítimas da violência e foram homenageados por sua coragem.

A mudança foi profunda. No caos praticamente todos lutavam contra todos. Hoje predomina a palavra mágica “conjuntamente”. Politicamente o principal aspecto do novo conceito criado pelo “Campus Rütli” é a integração dos três sistemas de ensino existentes na Alemanha, que teoricamente separam os estudantes por sua capacidade, em uma escola comunitária a partir do novo ano letivo 2008/2009. Também está incluido nisso o projeto “um quilômetro quadrado de formação”, onde lado a lado com as escolas estarão jardins de infância, oficinas sociais, clubes de jovens, a escola popular de cursos livres , assim como escritórios para a infância e a adolescência de organismos competentes. “Nós queremos mostrar a partir da rua Rütli que cada criança é importante para nós”, disse a madrinha Rau. “Eu estou entusiasmada”.

O senador para assuntos escolares Jürgen Zöllner defende um “espaço social com exigências para educação”. A variedade cultural e multiplicidade de línguas são compreendidos como uma chance. Mais de 80 por cento dos alunos da futura escola comunitária são de origem não-alemã. De acordo com Buschkowsky o modelo “Campus Rütli interrompe o aparente ciclo de renovação natural das camadas mais pobres”. Assim muda a percepção do distrito de Neukölln como uma área puramente problemática para um “distrito-modelo, heterogêneo e moderno”.

Redação


07.02.08 – TRAGÉDIA MORTAL:
Incêndio mata nove pessoas ACIMA

Um prédio residencial de quatro andares pegou fogo no domingo de carnaval (03.02.08) em Ludwigshafen, sede da empresa BASF, no sudoeste do país, deixando muitos feridos e causando a morte de pelo menos nove pessoas entre adultos e crianças. Segundo o noticiário da Deutsche Welle este foi o pior incêndio em Ludwigshafen desde o final da Segunda Guerra. As celebrações de carnaval foram canceladas na cidade e as equipes de salvamento trabalharam intensamente para combater o fogo. O prédio era habitado por cidadãos de origem turca. A polícia investiga as causas do acidente e um grupo de peritos turcos foram convidados para prestar apoio nas investigações. A mídia turca tinha especulado que o incêndio poderia ter tido causas criminosas.

A Encarregada Nacional para Assuntos de Imigração, Maria Böhmer, expressou sua profunda solidariedade para com os familiares das vítimas do incêndio e depositou uma coroa no local do incêndio em nome da Chanceler Angela Merkel. “Faremos tudo para esclarecer as causas desta catástrofe” disse Böhmer.

Josiane Cotrim


01.02.08 – CARNAVAL:
Temperatura em baixa, alegria em alta  ACIMA

Em diversas regiões da Alemanha é comemorado o Carnaval, festa muito popular em países de tradição cristã, como o Brasil. No entanto, os festejos são feitos de forma diferente em cada lugar, seguindo costumes próprios. Conheça também o carnaval dos Sorábios na categoria Multicult
Mulheres fantasiadas - Fonte: dpa Mulheres assumem o Vale do Reno!

Com os termômetros apenas ligeiramente acima de zero, milhares de pessoas deram início à fase quente do carnaval. Em algumas cidades do vale do Reno as mulheres tomaram de assalto as prefeituras. Com a transferência simbólica do poder, dentro do melhor espírito carnavalesco, foi aberto o carnaval de rua. Em Colônia e Düsseldorf milhares de pessoas fantasiadas se reuniram na praça principal para o início oficial do carnaval, ás 11 horas e 11 minutos exatamente. Como acontece tradicionalmente, mulheres cortaram as gravatas dos homens e os laços dos sapatos. Em muitas localidades do Estado de Baden-Württemberg bandas de música tocaram pelas ruas e os foliões invadiram as escolas e “liberaram” as crianças. Para tudo se acabar na quarta-feira.

Josiane Cotrim


30.01.08 – BÜTTENREDE:
O discurso de Carnaval  ACIMA

Um orador de Carnaval - Fonte: dpa O orador de Carnaval. De bobo ele não tem nada!

Ponto alto nos festejos de Carnaval na região da Renânia é o discurso de carnaval, chamado Büttenrede. Para ser bom, este discurso não pode ser lido, mas apresentado de cor, de preferência com rimas. Naturalmente, tem que conter humor, mas ao mesmo tempo ser atual, irônico e crítico com as autoridades. Um bom Büttenrede é como uma obra de arte e alguns oradores trabalham um ano inteiro na sua apresentaçao.

O costume vem da Idade Média, tendo como origem o Rügerecht – direito a réplica que os habitantes da região teriam. Então os cidadãos podiam, uma vez por ano – no Carnaval – criticar impunemente os governantes. Logo surgiram oradores profissionais, que iam de cidade em cidade e desenvolvendo a sua própria arte. Esse costume perdura até hoje. Em geral, estes dircursos estão centrados em brincadeiras e piadas, mas também deve haver uma referência na política da cidade ou região, ou minimamente no cotidiano do público.

De onde vem a palavra "Büttenrede"? Um "Bütte" é um grande recipiente, como uma tina, e pode ser um barril vazio ou uma bacia. Como o caixote usado por políticos para discursar. Hoje a pessoa que faz este tipo de discurso pode estar dentro ou cima de um tonel de vinho, mas as associações carnavalescas não conhecem limites e permitem que a cada ano seus oradores tenham uma nova idéia na hora de proferir suas ácidas e divertidas palavras.

Redação


07.01.08 – CENSO:
O fantasma do “big brother” ACIMA

Governo planeja um novo levantamento de dados para 2011. Será a primeira vez em quase três décadas
Multidão - Fonte: ColourBox Quem são os alemães? Quantos são?

Censo. O que para muitos governos significa um poderoso instrumento para a formulação de políticas, na Alemanha a palavra é quase um tabu. Não é para menos. Durante o regime nazista, as informações levantadas em 1933 e 1939 facilitaram a identificação e a posterior perseguição de famílias judaicas e de povos não-arianos. Durante a Guerra Fria, o governo da Alemanha Ocidental teve de recuar diante do mais marcante movimento de resistência ao levantamento de dados primários que uma democracia já conheceu.

Em 1983, o governo sob o chanceler cristão-democrata Helmut Kohl havia decidido que todas as pessoas deveriam fornecer informações detalhadas sobre sua condição aos agentes do Estado. Mas muitos cidadãos – entre eles intelectuais famosos como o escritor Günter Grass – enxergaram aí uma ameaça à privacidade. A oposição se organizou, convocou um boicote ao censo, questionou na justiça sua constitucionalidade e venceu. Os juízes decidiram que o censo, do modo proposto seria uma forma de o Governo se intrometer na vida dos cidadãos. O censo só foi realizado quatro anos depois, em um novo formato, que protegia melhor o anonimato. Nem por isso o censo deixou de ser criticado. Forças políticas tão distintas como os liberais e os verdes argumentaram: era o Estado, e não os cidadãos, que tinha de ser transparente.

Este episódio e a difícil situação financeira do Estado depois da reunificação explicam por que, atualmente, a Alemanha é o único país desenvolvido em que as informações mais recentes sobre sua população datam da década de 1980. Mas este quadro deve mudar. Em agosto de 2006, o governo decidiu que está chegando a hora de realizar um novo censo. Tal levantamento deve acontecer em 2011, junto com os demais países-membros da União Européia.

Quase a metade dos alemães usa a internet e, portanto, deixa seu rastro nas páginas de comércio online, confia informações financeiras aos serviços à distância oferecidos por bancos e utiliza o governo eletrônico. Diante desta realidade, ainda haveria sentido em fazer oposição a um censo? Por via das dúvidas, o próximo levantamento terá uma metodologia especial. As fontes de informações serão duas: questionários a serem respondidos pelos 17,5 milhões de proprietários de imóveis no país, e uma parcela das informações que o Estado já detém. Neste “censo light”, o governo espera gastar € 450 milhões, € 1 bilhão a menos do que o que seria gasto com um tradicional levantamento de toda a população.

Thiago Guimarães


28.12.07 – FELIZ ANO NOVO:
Festejos incluem tradições e crendices ACIMA
Porquinhos de marzipã - Fonte: Deutsche Welle Votos de prosperidade

Muita comida, bebida, fogos de artifício e sinos. O ritual alemão dos festejos de ano novo obedece a tradições que remontam a séculos. Por exemplo, ao contrário do Natal onde o ganso ou o peru fazem parte da mesa, as aves são banidas das ceias de ano novo. Segundo a crendice, para não deixar que a sorte “voe” pela janela. No lugar das aves sopa de lentilha ou ervilha e o peixe também incluído no cardápio. A carpa é tradicionalmente aclamada e preparada de diversas formas. E, o porco, este sim, que fuça para frente, faz parte do menu de fim de ano uma vez que simboliza a prosperidade. Tanto que as confeitarias preparam porquinhos cor de rosa de marzipã que são oferecidos na noite de reveillon com votos de prosperidade. Entre os povos germanos o porco era símbolo de fertilidade e sinal de riqueza.

À meia-noite os sinos de todas as igrejas e catedrais repicam ao mesmo tempo enquanto os fogos de artifício iluminam os céus de todo país. Soltar fogos de artifício é um costume praticado nas ruas e nos parques alemães no ano novo. As famílias compram com antecedência os fogos que são vendidos livremente assegurando a continuidade da tradição de receber o novo ano com muita luz.

Redação (com Deutsche Welle)


21.12.07 – FELIZ NATAL:
Músicas, tradições e receitas para a alegrar a festa ACIMA
Crianças reunidas - Fonte: ColourBox Luzes de Natal

O Natal é, para as famílias alemãs, a data mais importante do ano. Familiares e amigos reúnem-se em casa, junto à arvore de Natal, trocam presentes e confraternizam harmonicamente. Já nas semanas que antecedem o Natal, durante o chamado período do Advento, começam os preparativos para a grande "festa da família".

A véspera de Natal é o ponto alto das comemorações natalinas. Afinal, foi nessa data em que Jesus veio ao mundo. Os alemães acreditam que é Jesus criança quem traz os presentes e, como também eles não escaparam da influência norte-americana do consumismo desta época, de certa forma acreditam que associar a imagem de Jesus à distribuição de presentes é um modo de relembrar às crianças de que ele é a principal razão pela qual a festividade ocorre.

Os presentes na Alemanha são abertos na noite da véspera de Natal. A ceia tradicional é composta de presunto defumado, batatas cozidas com manteiga e chucrute. Após a refeição, algumas famílias lêem a história do nascimento de Jesus para seus filhos. Logo, ouvem-se tocar os sinos pendurados à porta da casa. É o sinal para que as crianças corram para ver a árvore de Natal em todo o seu esplendor, carregada de presentes. Todos cantam “Stille Nacht”, canção por nós conhecida como “Noite Feliz”, e começam a abrir os pacotes com grande entusiasmo.

A tradição primordial do Natal alemão é a troca de presentes e a reflexão, enquanto observa-se a noite escura e fria lá fora. Para muitas famílias, essa é a única noite em que as luzes da árvore de Natal serão acesas, tornando a ocasião muito mais especial.

Por ser uma celebração, o Natal não poderia prescindir de música. Durante o período do Advento, canções natalinas podem ser ouvidas a todo momento nas ruas da Alemanha, especialmente em lojas e nos tradicionais mercados, de forma a preparar os espíritos para a grande noite. Algumas canções natalinas alemãs são bastante conhecidas em todo o mundo.

Aqui apresentamos algumas das melodias favoritas na Alemanha.

Kling, Glöckchen [x-wav; 20.33 k]
Fröhliche Weihnacht überall [x-wav; 29.8 k]
Süßer die Glocken nie klingen [x-wav; 23.03 k]

Receitas típicas
Cozinhas tornam-se verdadeiras confeitarias na Alemanha no período natalino: o aroma de variados condimentos toma o ambiente e crianças mal podem esperar para provar as primeiras Zimstern (estrelas de canela).

A confeitaria tradicional de Natal remonta aos monastérios medievais, onde ervas e temperos orientais eram cultivados nos jardins. Pães, bolos e confeitos eram produzidos com nove ingredientes clássicos: anis, gengibre, canela, funcho, cravo-da-índia, coentro, noz-moscada e pimenta.

Entre as especialidade natalinas alemãs estão o pão de mel (Lebkuchen), croissants cobertos com baunilha (Vanillekipferln) e Spekulatius (receita segue abaixo). Os aromas associados ao preparo dessas especialidades permanecem sendo indispensáveis para uma genuína atmosfera natalina.

Na categoria Gastronomia é possível conferir um artigo sobre as comidas típicas de Natal na Alemanha. No site da Embaixada da Alemanha em Brasília há algumas boas receitas para se testar em casa.

Curiosidade Natalina: Leia em Economia sobre uma criação de renas (aquelas que puxam o trenó do Papai Noel) em Brandemburgo.

Redação


18.12.07 – PRESENTES DE NATAL:
Papai Noel ou Christkindl ACIMA

Quem traz os presentes de Natal? Christkindl ou Papai Noel? Conheça mais sobre a tradição da entrega de lembranças
Papai Noel lê as listas de presentes - Fonte: ColourBox Crianças fazem listas de desejos

Em muitos lares alemães, Jesus criança chega quando a família encontra-se reunida ao redor da árvore de Natal. Algumas vezes, um menino desempenha o papel, mas na maioria das vezes é uma menina de longos cabelos louros quem representa Jesus. Vestida de branco, com uma coroa e asas douradas, ela carrega uma pequena árvore de Natal em uma das mãos. Os presentes para as crianças ficam empacotados e são entregues pelo “Cristo do lar”.

Assim, muitos alemães acreditam que um mensageiro, um anjo feminino chamado Christkindl, traz os presentes de Jesus criança, na véspera do Natal. O nome Christkindl tornou-se um outro nome para Papai Noel na América do Norte, onde muitos o chamam de Kris Kingle.

Há séculos, não era Papai Noel quem distribuía presentes ao redor do mundo, mas sim o Christkindl. Assim, era ele quem fazia viagens ao redor do mundo nas frias – no Hemisfério Norte – noites de Natal. Em muitos países, criou-se a tradição de iluminar os caminhos pelos quais o Cristkindl passava. Por isso, criou-se o hábito, em todo o mundo cristão de colocar velas acesas em casa, para que o Christkindl soubesse que seria bem-vindo ali.

Ao longo do tempo, a figura da criança foi sendo substituída pela do velhinho, de barba e cabelos brancos, que gentilmente distribuía presentes, chamado de Santa Klaus (Papai Noel, em português). Em alguns lugares, esse velhinho acabou sendo identificado como São Nicolau (lembra-se dele? Veja em RELIGIÃO).

Uma das razões pelas quais isso ocorreu se deve à crença de que ele acompanhava o seu Mestre, Jesus, em suas voltas ao mundo durante o Natal. Na Rússia, por exemplo, São Nicolau adquiriu o status de apóstolo, por acompanhar Jesus em suas viagens ao país.
Ao longo do tempo, o nome Santa Klaus foi-se tornando uma espécie de abreviatura para São Nicolau.

Foi o teuto-americano Thomas Nast (1840-1902) quem criou a imagem moderna do Papai Noel. Nast nasceu em Landau, Alemanha, e migrou para os EUA com a família ainda garoto. Suas ilustrações natalinas para a publicação Harper´s Weekly foram publicadas mais tarde em forma de livro e ajudaram a criar uma imagem simpática de Papai Noel.

Uma tradicional história alemã conta que a véspera de Natal vem da experiência de um lenhador e sua família. Certa noite, eles estavam em casa, aquecendo-se do frio que fazia lá fora, quando alguém bateu à porta. Quando abriram, surpreendentemente, havia um menino, sozinho, no meio da floresta coberta de neve. Eles o convidaram para entrar e deram-lhe comida, roupas para se aquecer e uma cama para descansar. No dia seguinte, pela manhã, a família despertou com uma música, entoada por um coral de anjos, que preenchiam a casa de luz. Foi quando perceberam que haviam dado abrigo a Jesus criança. “Vocês cuidaram de mim”, disse ele, “isso os fará lembrar da minha visita”. Ele então tocou uma árvore que estava perto da porta de casa. “Que essa árvore brilhe para aquecer os corações de vocês, e que guarde presentes, para que vocês sejam tão gentis uns com os outros como foram comigo.”

A lista de presentes - Wunschzettel
No início do Advento, as crianças alemãs tradicionalmente fazem uma lista de presentes: um “documento” escrito para ser entregue ao Menino Jesus ou ao Papai Noel. Essa lista é colocada debaixo do travesseiro e “desaparece” durante à noite. Supostamente, o Menino Jesus recolhe a lista e volta para realizar os pedidos na véspera de Natal. As crianças se esforçam ao máximo para impressionar, elaborando as listas do modo mais criativo e colorido possível.

Redação


14.12.07 – VIVER TEM PESO:
Juntos contra a ilusão da magreza ACIMA
As três ministras - Fonte: dpa Combatendo distúrbios alimentares

O Governo Federal e diversas instituições de apoio lançaram na última quinta-feira (13.12) uma campanha para combater os distúrbios alimentares, especialmente em mulheres e adolescentes. A iniciativa “Viver tem peso: juntos contra a falsa idéia da magreza” tem como primeiro objetivo fazer com que empresas de publicidade e a indústria da moda se comprometam com o tema, uma vez que a principal ação da campanha será banir das passarelas e dos anúncios comerciais modelos extremamente magras. “Se uma imagem e modelos falsos atuam, é possível obter êxito também trabalhando uma imagem autêntica”, defende a Ministra para Pesquisa, Annette Schavan.

No primeiro estudo sobre distúrbios alimentares na Alemanha, feito com 17.600 jovens pelo Instituto Robert Koch, cerca de 22% dos jovens entre 11 e 17 anos apresentam sintomas. Entre as meninas este índice sobe para 30%. “A busca pela magreza é predominantemente feminina e jovem”, afirma a Ministra para a Família, Ursula von de Leyen (CDU). Juntamente com Annette Schavan e a Ministra da Saúde Ulla Schmidt (SPD), ela defendeu que a campanha também contribuirá para fortalecer a pesquisa sobre o assunto e informar melhor à população sobre doenças como a bulimia e a anorexia.

Mariana Antoun


12.12.07 – TRADIÇÃO ALEMÃ:
A árvore de Natal ACIMA

A árvore de Natal tem origens na Alemanha e é considerada a verdadeira alma do Natal. Há muito, acredita-se que Martinho Lutero deu início à tradição, quando, em uma noite de véspera de Natal, trouxe uma sempre-viva para o berçário de sua filha, para que ela pudesse desfrutar da natureza sem sair à rua, por causa do inverno rigoroso.

A primeira aparição de um Tannenbaum (termo em alemão para o pinheiro de Natal) foi registrada na Alemanha muito após a morte de Lutero. Em 1605, na cidade de Estrasburgo, atualmente na França, um cronista escreveu: “Em tempo de Natal, eles colocam pinheiros em suas casas”. Mas o mais provável é que o costume seja de 1550, época em que as primeiras canções referindo-se aos pinheiros de Natal já circulavam.

Um Natal alemão sem pinheiro é impensável, e as luzes e velas que o adornam são parte essencial dessa festividade na Alemanha. Todas as famílias preservam o hábito de ter um pinheiro em casa, mesmo vivendo fora de seu país. Eles também têm o hábito de decorar locais públicos, como mercados e praças, com grandes pinheiros.

As bolas que se penduram na árvore de Natal também são uma invenção alemã e hoje em dia são indispensáveis na decoração natalina. Tradicionalmente feitas de vidro, as bolas de enfeite estão presentes em árvores de Natal de todos os lugares do mundo. Sua invenção é atribuída a um vidreiro alemão da região da Turíngia, em 1847. Por não ter dinheiro para adquirir enfeites à época mais caros, como nozes, maçãs e doces, o vidreiro decidiu soprar bolinhas de vidro para enfeitar sua árvore de Natal. Outros vidreiros gostaram da invenção e passaram a produzir os mesmos enfeites, que logo se popularizaram e, hoje em dia, enfeitam árvores de Natal de todos os cantos do mundo.

Redação


07.12.07 – WEIHNACHSTMARKT:
Da Alemanha para o Brasil ACIMA

Tradição que resiste aos séculos na Alemanha, os Mercados de Natal no Sul do Brasil rimam com solidariedade
Mercado de Natal - Fonte: ColourBox Tradição secular

A tradição cristã que comemora o nascimento de Jesus é motivo de festa no mundo todo. Com a proximidade do Natal, as casas são decoradas e o comércio e as cidades preparam uma programação especial para os visitantes e para a comunidade. Na Alemanha, o sucesso desta época do ano é garantido pelos Weihnachstmärkte – Mercados de Natal. A iluminação, a música natalina e um cheiro de doce que se espalha pelo ar, somados à atmosfera que só o inverno europeu proporciona, transformam a praça central num lugar mágico. O Striezelmarkt, em Dresden, que este ano está em sua 573ª edição ou o Christkindlmarkt, em Nurembergue, são sucesso no velho continente.

O Striezelmarkt reúne 240 estandes de artesãos que atenderão os mais de 2,5 milhões de visitantes esperados nesta temporada. Sigrid Förster, que participa ativamente da organização desde 2000, conta que este ano haverá atrações novas como a 1ª Glasprinzessin - Princesa do Vidro-, escolhida para representar os artesãos que ainda hoje confeccionam bolas de natal com sopros e fogo. É a segunda vez que o Striezelmarkt  conta com a Bergparade, apresentação cultural que reunirá no centro da Feira 800 músicos homens que tocam e cantam Volksmusik numa procissão.

“Dentre as atrações tradiconais do Striezelmarkt estão ainda eventos como o Pfefferkuchenfest – Festa do bolo de hortelã – e o Glaskugelfest – Festa das bolinhas de Natal – que são tradicionais no estado de Turíngia”, enumera Sigrid. Com relação ao turismo, no ano passado o mercado de Natal de Dresden recebeu 250 ônibus e visitantes de diferentes locais do mundo, entre eles Polônia, Itália, Holanda, Japão, República Tscheca etc. E para atender a demanda internacional, a abertura do Striezelmarkt é feita em sete idiomas diferentes: inglês, russo, japonês, francês, italiano, alemão e espanhol.

No Brasil não é tão diferente. Baianos, paulistas, capixabas e os Estados do Acre e Rondônia são os mais atraídos ao sul tropical em busca de um gostinho de Natal europeu com muitos doces, atrações culturais e atmosfera de solidariedade.

Exemplos destes, encontramos no Estado de Santa Catarina, mais precisamente em Pomerode e Blumenau. Este ano, o diferencial para Pomerode está na decoração que foi feita toda de material reciclado. Garrafas pet, caixas de leite e bambu foram transformados em estrelas, flores e anjos que irão decorar a fachada de prédios públicos, praças e estabelecimentos comerciais das ruas centrais da cidade. A confecção das peças aconteceu através da parceria entre a Prefeitura e voluntários, que trabalham principalmente no Parque de Eventos. A Associação dos Deficientes Físicos de Pomerode (APODEF) e o SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) estão entre os principais parceiros da iniciativa, que transformou mais de uma tonelada de lixo em arte.

Pomerode
No município que carrega o slogan de cidade mais alemã do Brasil, o encontro dos artesãos e doceiros é na Praça Jorge Lacerda. O calor do clima tropical que reina no Brasil, nesta época do ano, não espanta a visita do Papai Noel. Trajado em roupas típicas em vermelho e branco, ele chega ao “Adventsmarkt” – Mercado de Advento, como é chamada a feira de Natal em Pomerode, e ainda dá a oportunidade às crianças de entregarem em mãos uma cartinha ao “Bom Velhinho”.

Blumenau
Em Blumenau, cidade localizada a 30 km de Pomerode, a programação de Natal começou em novembro, com a chegada do Papai Noel no Shopping Neumarkt. Até o dia seis de janeiro o Parque “Vila Germânica” – onde acontece a famosa Oktoberfest – se transforma na Vila do Papai Noel. Nesta, há feira de artesanato, Weihnachstmarkt, apresentações artístico- culturais além da Feira de Economia Solidária e opções gastronômicas.

Bettina Riffel


27.11.07 – É NATAL:
Tradicionais mercados cada vez mais atuais ACIMA
Mercado em Freiburg - Fonte: dpa Mercado de Natal em Freiburg

O cheiro dos pães de mel, do Glühwein - o vinho quente - e dos pinheiros invade as praças onde se instalam os mercados de Natal nas diversas cidades de todo país, sinalizando a chegada da estação natalina. O final de novembro inaugura a abertura dos tradicionais Weihnachtsmärkte – os mercados de Natal que normalmente duram até a Festa de São Silvestre no último dia do ano. Uma tradição centenária na Alemanha e que todo ano atrai visitantes não só do próprio país, mas também do exterior.

Cada cidade procura inovar a fim de atrair os visitantes. Em Lübeck, no norte, literatura e contos de fada são o ponto forte: ao pé da igreja Marienkirche, de 26 a 30 de dezembro, a cidade convida os visitantes para um passeio no encalço dos Irmãos Grimm, entre as mais de 20 cabaninhas com trabalhos manuais diversos. Ao mesmo tempo, tem um mercado de Natal histórico além de um outro de artesanato.

Mais para o sul, na cidade de Ulm, tradição e modernidade se encontram através de histórias contadas em uma tenda decorada com motivos também de contos de fada. Em Annaberg-Buchholz, na Saxônia, o mercado de Natal também foca especialmente o público infantil: numa salinha com tudo em miniatura os pequenos confeccionam, empacotam e postam presentes na pequenina agência dos correios. Na confeitaria miniatura, eles assam os biscoitos e na pequena oficina, brinquedos quebrados são consertados.

Josiane Cotrim


15.11.07 – “TERRA DAS IDÉIAS”:
Divulgando o que há de melhor ACIMA
Alemanha Terra das Idéias - Fonte: Divulgação

A iniciativa “Alemanha – Terra das Idéias” vai continuar em 2008. Trazendo argumentos positivos associados à Alemanha, dentro e fora do país, a idéia surgiu em 2006 no contexto da Copa do Mundo de Futebol. Desde então vem mostrando para os próprios alemães e para o mundo a nação da ciência e da cultura, terra de poetas e pensadores e de produtos inovadores.

Em 2008 também continua o projeto “Locais da Terra das Idéias”. Entre 1500 institutos, universidades, empresas e associações, foram escolhidos 366 para promoverem suas idéias, cada um em um dia do ano.

A Iniciativa “Terra das Idéias” é mantida pela Confederação das Indústrias da Alemanha e pelo Governo Alemão, tendo como patrono o presidente Horst Köhler.

Mariana Antoun


15.11.07 – ARTE NA RUA:
Projeto em debate ACIMA

Proposta de político de Hannover abre debate sobre a necessidade de um “teste de qualidade” para os músicos que tocam ao ar livre
Artistas de rua - Fonte: ColourBox Perda da diversidade?

Os inúmeros artistas que tocam nas ruas e praças deveriam passar por uma avaliação antes de serem autorizados a fazê-lo? Essa polêmica poderia não ter sentido em alguns países, mas na Alemanha é válida: o número de artistas de rua é significativo por lá. E a proposta recente de Dieter Küßner, político do partido CDU (União Democrata Cristã), de Hannover (Estado da Baixa Saxônia), em submeter as habilidades e o repertório dos músicos a uma avaliação tem dado o que falar.

Músicos e atores, amadores e profissionais, os artistas marcam presença nas ruas das cidades alemãs, para ganhar algum dinheiro com o seu talento. Normalmente, cada local decide como devem funcionar as regras a serem adotadas pelos artistas de rua.

A proposta de Küßner encontra, no entanto, oposições dentro da própria classe política. Muitos afirmam que esse tipo de avaliação poderia tornar os artistas e seus estilos musiciais alvos de preconceito. Há ainda o argumento de que já existem regras suficientes na cidade em relação ao assunto (como a que proíbe o uso de amplificadores elétricos ou a que estipula que os músicos devem tocar no máximo meia hora no mesmo lugar).

Artistas profissionais também se posicionam. Günther Noll, do Instituto Musical Público da Universidade de Colônia, declarou na mídia alemã que uma avaliação como essa seria contradicente com o espírito da música de rua, que deve dar espaço também para os artistas não-profissionais.

Polêmicas à parte, a discussão comprova a importância do papel dessa tradição que encanta os passantes e faz a trilha sonora dos passeios dos turistas.

Aline Zero


29.10.07 – SECOND LIFE:
Prêmio real para a arquitetura virtual ACIMA

Uma berlinense conquistou o prêmio do público na primeira disputa entre projetos de arquitetura virtuais, ocorrido dentro do mundo internáutico do Second Life. Tanja Meyle venceu a “Competição Anual de Arquitetura & Design” do jogo e faturou 1.000 Euros.

A iniciativa de lançar o prêmio veio do arquiteto de Munique Stephan Doesinger e teve como slogan “Goodbye Privacy” (adeus privacidade). Tanja Meyle teve seu Living Cloud escolhido, junto com outros três projetos, entre 126 candidatos, avaliados por um júri internacional no Festival de Arte Midiática “Ars Electronica”, em Linz, na Áustria. Os quatro finalistas participaram de uma votação online.

O “Second life” (segunda vida) é um jogo na internet com mais de um milhão de usuários, onde cada jogador representa um personagem, os chamados Avatar. as saudável para a carreira.

Mariana Antoun


24.10.07 – AS JURISTAS:
A Justiça mostra a sua feminilidade ACIMA
Nele Gorny - Fonte: Revista Deutschland Nele Gorny

Elas são juízas, advogadas, promotoras, ministras, presidentas de tribunal ou consultoras empresariais. Cada vez mais mulheres fazem carreiras notáveis no setor jurídico.

O caso parece tirado de um romance policial: uma preciosa máscara de ouro do Peru aparece em Munique. Seu atual possuidor quer ficar com ela, mas o Estado peruano considera a valiosa peça como sua propriedade e abre um processo. Quem está com a razão? Leslie Trüstedt tem que pronunciar sua sentença. Ela veste a beca e dirige-se à sala de julgamento. A jurista de 31 anos trabalha como juíza no Tribunal Regional Munique I, um dos maiores tribunais da Alemanha. Mas sobre a escrivaninha da juíza Trüstedt não vão parar apenas casos exóticos: a variedade abrange de pequenas querelas de herança até graves processos econômicos, envolvendo somas milionárias. “É preciso conhecer as leis, estudar minuciosamente o processo e agir com competência”, afirma.

A jovem jurista conhece as leis. E é ambiciosa: Leslie Trüstedt estudou Direito em Munique, concluindo o curso com exames excelentes e, no início, trabalhou num renomado escritório de advocacia. Agora, no serviço público, ela se vê no caminho certo: “O trabalho como magistrada me agrada”. Desde março de 2006, ela trabalha como juíza em fase de experiência. Em menos de dois anos, ela espera ter cargo vitalício – e atraentes perspectivas de carreira. “Uma carreira na Justiça bávara oferece boas possibilidades num tribunal ou na administração pública. No exterior, é possível obter chances nas Nações Unidas ou na União Européia”. Uma perspectiva interessante para a jovem jurista, que fala inglês muito bem, pois sua mãe é americana. E certamente uma qualificação extra ideal para a sua meta: a chefia de um tribunal. Como isto funciona, Leslie Trüstedt vê diariamente no seu trabalho. O Tribunal Regional Munique I é chefiado por uma presidenta.

Bem-sucedidas em instâncias superiores
Juristas bem-sucedidas: ainda que executivas de ponta continuem sendo uma exceção nas empresas alemãs, no amplo setor jurídico as mulheres lograram entretanto estabelecer-se. No serviço público, muitas juristas assumem posições-chave, nos grandes escritórios de advocacia são apreciadas como sócias. Recentemente, a revista econômica “Capital” chegou a perguntar: “A Justiça é feminina?” Alguns fatos confirmam isto. Cerca de 6300 mulheres trabalham como juízas (31,5%) e numa recente eleição dos juízes principais nos cinco tribunais federais, nove dos 27 candidatos eram do sexo feminino, segundo informação de “Capital” – um novo recorde alemão.

Dois dos cinco tribunais federais alemães são presididos por mulheres. Durante muito tempo, Ingrid Schmidt (51 anos) foi a única mulher entre os 34 juízes do Tribunal Federal do Trabalho em Erfurt. Mas conseguiu impor-se. Após cinco presidentes, ela é desde 2005 a primeira mulher à frente da última instância na justiça do trabalho. Também o Tribunal Administrativo Federal em Leipzig é presidido por uma mulher, Marion Eckertz-Höfer (58 anos), desde meados de junho deste ano – uma sensação na jurisdição administrativa, na qual os homens sempre tiveram predominância. Outra mulher também derrubou um bastião dos homens em 2006: Monika Harms (61 anos) assumiu o cargo de procuradora-geral da República no Supremo Tribunal Federal, em Karlsruhe – após mais de 50 anos de chefia “masculina”.

Carreira em Karlsruhe: para Christine Hohmann-Dennhardt, sua nomeação em 1999 para juíza do Primeiro Senado do Tribunal Constitucional Federal, a corte suprema alemã, foi a coroação da sua carreira. Na sua ascensão, ela passou por cargos jurídicos e políticos. A juíza de 57 anos trabalhou em diversos tribunais sociais do Estado de Hessen, onde foi posteriormente secretária estadual da Justiça, bem como de Ciências e Artes. “Se algo é importante para você, então mãos à obra com afinco, e você irá consegui-lo”, é como ela descreve a receita do seu êxito.

Carreira nos tribunais internacionais
As juristas alemãs também dão uma face feminina à Justiça nos tribunais internacionais. Renate Jaeger (66 anos), por exemplo: a ex-juíza do Tribunal Constitucional Federal é, desde 2004, juíza da Corte Européia dos Direitos Humanos, em Estrasburgo.

Ou Juliane Kokott, a procuradora da Europa. Aos 50 anos ela exerce um dos cargos jurídicos mais influentes dentro da UE: como uma de oito procuradores-gerais, ela trabalha na Corte Européia de Justiça, em Luxemburgo, desde 2003. O mais notável na carreira da graciosa jurista loira: ela é mãe de seis filhos. Kokott estudou Direito em Bonn, Genebra e Washington. Pesquisou em Harvard, fez seu doutorado e tornou-se professora universitária com pouco mais de 30 anos – talento e persistência são pontos marcantes de seu caráter. “Há que saber sempre onde queremos estar em cinco anos”, é como descreve o seu lema.

Mudar o mundo com o Direito? “Metas tão elevadas eu não tinha no início dos meus estudos, mas no final sim”, relembra Brigitte Zypries seus ideais jurídicos como estudante. Eles trouxeram muito êxito à jurista de 53 anos, tida como objetiva e, às vezes, como enérgica. Hoje, ela é ministra da Justiça, a guardiã suprema do Direito no gabinete da chanceler federal Angela Merkel. Ela nunca foi brilhante, afirmou certa vez a social-democrata Zypries sobre si própria, na sua maneira modesta. Sua ascensão, porém, faz supor o contrário. Ela trocou a condição de funcionária pública vitalícia pelos cargos de secretária de Estado e ministra. Uma troca de papéis em alto nível. Agora, ela é política, embora isto nunca tivesse sido seu objetivo.

Bem estabelecidas nas universidades
Outras juristas não estão em cargos públicos destacados, mas ainda assim são muito bem-sucedidas. Zümrüt Gülbay, nascida na Turquia, encontrou logo sua profissão ideal. Com 28 anos, ela se tornou a mais jovem professora universitária da Alemanha e hoje, oito anos depois, ensina Direito Econômico Internacional numa universidade de ciências aplicadas. Uma carreira em alta velocidade e contra a vontade do pai, que preferia que a filha estudasse Medicina. Mas Gülbay impôs a sua vontade e atingiu sua meta. “Eu sempre quis ensinar numa universidade”, afirma a professora, que concluiu seus estudos no tempo recorde de seis semestres.

Com uma carreira assim, a maioria só consegue sonhar. Cerca de 10000 jovens juristas, mais da metade mulheres, entram anualmente no mercado de trabalho. Mas quem é bom, tem a sua chance. Assim como Nele Gorny, de 36 anos. Durante seus estudos, ela não podia imaginar que trabalharia num dos escritórios de advocacia de grande renome, que disputam os melhores novatos. Agora, ela se senta à mesa de conferência no 31º andar de um edifício em Frankfurt, trajando um costume preto e com o celular “Blackberry” na mão. Há sete anos, ela é advogada do escritório Clifford Chance, uma das empresas de advocacia mais importantes mundialmente e com uma elevada quota feminina para o ramo, de 31%. Gorny é a responsável pelos trabalhos, quando a sua equipe assessora empresas na compra ou venda, fusão ou reestruturação de conglomerados. “Eu sou a malabarista que tem de agarrar com segurança todas as bolas”, descreve Gorny a sua tarefa. Ela chefia uma equipe de especialistas que prepara a transação, junta as informações importantes para a negociação de contratos e mantém estreito contato com o mandante. “Eu quis tomar um caminho, no qual eu pudesse desenvolver-me continuamente”, afirma Gorny. “Esta possibilidade, eu tenho na Clifford Chance e o desejo é, naturalmente, tornar-me sócia da empresa”.

Transações sensacionais, um bom faro para questões de direito econômico: os grandes escritórios de advocacia econômica são, sem dúvida, uma boa escola. Também Nathali Hartkopf (36 anos) passou por eles, usando-os como trampolim para a sua carreira. Ela trabalha hoje numa empresa que tem alto prestígio como empregadora entre os advogados: a Deutsche Lufthansa. Há quatro anos, ela é chefe da equipe jurídica da Lufthansa Cargo.

Chances nas grandes empresas
Nas transações, Nathali Hartkopf lança mão de seus conhecimentos jurídicos. “Estou muito envolvida nas negociações de contratos e tento deixar claro os problemas jurídicos”, afirma. Sendo uma empresa com mais de 90000 empregados, a Lufthansa oferece interessantes oportunidades de ascensão. Hartkopf já se alegra com sua nova tarefa. Dentro em breve, ela assumirá um cargo no trabalho de lobby da Lufthansa, dando assim mais um passo à frente na sua carreira.

 “A senhora é, às vezes, bastante impertinente”. Diana Circhetta de Marrón pode, sem problemas, avaliar esta afirmação de um cliente como um elogio – pela sua insistência e o fato de que ela não se deixa contentar simplesmente com um sim ou um não. A jurista de 34 anos seguiu, há cinco anos, o caminho de consultora empresarial na McKinsey. Como chefe de projetos, ela assessora, por exemplo, governos. Ela gosta de tarefas com as quais alcança muitas pessoas. E a internacionalidade é importante para ela – tanto profissional como pessoalmente. Já durante os estudos, ela fez estágios práticos no exterior. A jovem mãe é descendente de pais italianos-austríacos e casada com um espanhol. “Quero aprender mais e assumir mais responsabilidades”. Não é errado buscar novos desafios e ter uma meta pela frente na sua profissão, que dá muito prazer, afirma ela.

Uma opinião ambiciosa, mas saudável para a carreira. As outras juristas podem confirmar sua avaliação.

Oliver Sefrin (Revista "Deutschland")


06.09.07 – BICICLETA:
Devagar se vai longe   ACIMA
Bicicletas - Fonte: ColourBox 73 milhões de bikes circulam na Alemanha

Veículo de locomoção totalmente econômico e nada poluente, a bicicleta é cada vez mais popular entre os alemães. O país possui 73 milhões de bicicletas e os alemães percorrem 30 bilhões de quilômetros por ano nesse veículo. É o que revela o relatório realizado pelo governo federal sobre a situação atual do tráfego de bicicletas. O governo federal quer fomentar o uso das duas rodas nas ruas.“A bicicleta é o único veículo que não emite nenhum gás poluente” disse o ministro federal dos Transportes, Wolfgang Tiefensee, para quem o uso das bicicletas, principalmente nos centros das cidades, onde a poluição é maior, pode contribuir para a melhoria do meio ambiente e aumentar a qualidade de vida.

Desde 2002 o governo aumentou os investimentos para o transporte cicloviário e os resultados são visíveis. Em 2004 2 milhões e 450 mil pessoas sairam de férias de bicicleta por um período superior a um dia. Em algumas regiões, a bicicleta tornou-se um fator econômico importante. Quase 80 por cento da população do país possuí bicicleta, veículo utilizado para a realização de nove por cento dos trajetos. Existe potencial para aumentar esse número, principalmente nos centros das grandes cidades, onde os carros são usados muitas vezes para deslocamentos inferiores a cinco quilômetros.

Josiane Cotrim


01.09.2007 – MOEDAS LOCAIS:
Quer pagar como? ACIMA
Moedas - Fonte: ColourBox Conversões nada padrão

O euro é atualmente a moeda em uso na Alemanha, correto? Sim e não. Além da moeda oficial, em circulação desde 1º de janeiro de 2002, outros meios de pagamento podem ser encontrados em diversas cidades do país. São as chamadas moedas sociais ou complementares. A Alemanha é o quarto país do mundo em número de experiências com moedas complementares. De acordo com as contas do economista belga Bernard Lietaer, circulam no país 288 moedas lado a lado com o euro.

Essas moedas surgem quando moradores de uma mesma região combinam criar uma rede de trocas, em que cada um intercambia suas capacidades de trabalho com os outros. Fácil assim: alguém ajuda o vizinho na mudança e ganha créditos pelo trabalho. Esses créditos podem ser usados para comprar um pote de geléia ou pagar um corte de cabelo, quando for a hora.

É literalmente o que acontece, por exemplo, em Leipzig desde 1995. “A moeda foi criada porque queríamos incentivar a ajuda mútua e o contato entre pessoas com um ideal de vida alternativo”, lembra a cientista política Angelika Kell. Durante dez anos, a “casa da moeda” do Batzen foi a residência de Kell. Ela e o marido alimentavam um banco de dados com os créditos e os débitos de cada membro do clube de troca, além de cadastrarem a cada dois meses o que poderia ser comprado ou vendido com o Batzen. Hoje, cerca de 250 pessoas praticam uma “economia de baixo para cima” em Leipzig.

“O dinheiro é uma convenção social: as pessoas devem decidir o que ele é e como ele funciona”, defende Stefan Brunnhuber, doutor em economia pela Universidade de Konstanz. Para ele, o surgimento de moedas alternativas não põe em risco o euro. “Por causa de sua legitimidade na base social, as moedas alternativas não representam uma perturbação, mas uma estabilização do sistema monetário internacional”.

Brunnhuber não foi o primeiro a afirmar isso. Em 1916, o argentino Silvio Gesell escreveu que a criação de moedas locais poderia ser uma saída para grandes crises. A idéia foi posta em prática em diversas cidades européias que enfrentavam a recessão dos anos 1930. No final da década de 1980, as moedas alternativas reapareceram para apoiar projetos ambientais e sociais. “Elas já provaram sua capacidade de resolver problemas sociais reais sem penalizar os contribuintes ou o orçamento público”, afirma Lietaer, autor de diversos livros sobre o tema. Angelika Kell discorda. Acredita que as moedas complementares são pouco úteis contra grandes problemas, como o desemprego na Alemanha. “Sua maior virtude é tirar as pessoas do isolamento e resgatar o sentimento de comunidade entre pessoas com talentos a compartilhar.”

Seja como for, os sistemas monetários alternativos têm como principal fundamento a confiança. “Se as pessoas não acreditarem que o uso desta moeda gera um benefício para sua comunidade, elas usarão apenas a moeda nacional”, afirma a economista Melissa Menezes, autora de tese sobre o assunto na Universidade Federal de Minas Gerais. A diferença é que esse dinheiro especial não é aceito em qualquer lugar do país e não rende juros.

No Brasil, experiências com moedas sociais são mais jovens e mais raras: nove delas são usadas em comunidades no Ceará, na Bahia e no Espírito Santo. Em três bairros de Vila Velha (ES), cédulas de terra (T$) financiam pequenos empreendimentos e são aceitas inclusive por vendedores ambulantes, desde maio de 2006.

Thiago Guimarães


01.09.07 – SCHWERIN 2007:
Comemoração do Dia da Unidade Alemã  ACIMA

Milhares de visitantes estão sendo esperados para festejar o 17º aniversário da unidade alemã na capital do Estado com a maior hidrografia na Alemanha
Schwerin - Fonte: Bildarchiv DZT/ Revista "Deutschland" Schwerin receberá visitantes ilustres

Um farol com listas vermelho-brancas, a água azul do Mar Báltico, verdejantes prados e o citado “Prazer em recebê-lo” nos cartões postais que estão invadindo as caixas de correio em toda a Alemanha. Eles foram pintados por crianças do Estado de Meclemburgo-Pomerânia Ocidental, para convidar o maior número possível de visitantes a Schwerin, para comemorar o Dia da Unidade Alemã, nos dias 2 e 3 de outubro. Milhares de visitantes estão sendo esperados para festejar o 17º aniversário da unidade alemã na capital do Estado com a maior hidrografia na Alemanha, com 1.700 quilômetros costeiros e mais de 2.000 lagos. Em uma cerimônia oficial no Teatro Estadual de Meclemburgo, estarão presentes o presidente alemão Horst Köhler e a chanceler alemã Angela Merkel. Essa festa animada no nordeste da Alemanha seria uma boa oportunidade para “ter uma idéia daquilo que aconteceu nos anos depois da virada”, explicou o governador estadual Harald Ringstorff. Seu Estado está organizando as festividades centrais do Dia da Unidade Alemã, dado que no momento ocupa a presidência do Bundesrat, a representação dos Estados alemães.

Um programa muito diversificado espera os visitantes: na chamada Ländermeile apresentam-se os 16 Estados alemães, oferecendo suas especialidades culinárias, eventos culturais e destinos turísticos. Representando os extremos norte, sul, oeste e leste, apresentam-se as cidades de List, Oberstdorf, Selfkant e Görlitz. No lago Pfaffenteich, no centro de Schwerin, os governadores estaduais competirão numa corrida de barcos-dragão. Um dos pontos altos será o desfile de música no dia 3 de outubro: conjuntos e orquestras desfilarão juntos em um grande espetáculo musical pelo centro de Schwerin. A fim de levar a política federal para mais perto do povo, oferecem as representações do Bundestag (Parlamento Alemão), do Bundesrat e do governo federal. O anfitrião, o Estado de Meclemburgo-Pomerânia Ocidental, também estará amplamente representado. Sob o lema “MV faz bem à Alemanha”, este Estado, o número um dos destinos turísticos na Alemanha, informa sobre novas idéias e ofertas de fitness, esporte, férias e saúde.

Rainer Stumpf (Revista “Deutschland”)


20.08.07 – EM DUAS RODAS:
Pedalar é preciso   ACIMA

Na pátria mãe das gigantes Porsche e Mercedes-Benz, a bicicleta arrebanhou fãs e se tornou um dos veículos mais usados pela população
Bicicletas na floresta - Fonte: Colourbox Veículo para trabalhar ou passear

Na pátria mãe das gigantes Porsche e Mercedes-Benz, a bicicleta arrebanhou fãs e se tornou um dos veículos mais usados pela população

Que a Alemanha talvez seja o país com mais Mercedes-Benz por metro quadrado pouca gente duvida. Mas, se o moderno e arrojado faz sucesso em terras germânicas, isso não quer dizer que os alemães se rendam somente aos veículos com motores potentes. Prova disso está no grande uso da bicicleta como forma de locomoção para o trabalho, exercício físico ou mesmo turismo. Na verdade, em poucos lugares do mundo a magrela (como é conhecida no Brasil) é tão amada como lá.

E não é por menos. Os alemães são um dos povos mais conscientes da necessidade de redução da poluição ambiental e sabem que deixar o carro na garagem pode contribuir muito para esse objetivo. O governo investe na construção da infraestrutura necessária: são cerca de 40 mil quilômetros de ciclovias em todo o país e muitos estacionamentos próprios para o veículo.

Peter Zimmer, que vive em Schwerin, capital do estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, conta que é raro passar um dia sem usar sua bike: “Ela é para mim um meio de transporte e também de emoção, de vivência. Ando com ela entre meus locais de trabalho e a minha casa, às vezes também para ir ao supermercado”.

As pistas exclusivas para bicicletas estão espalhadas tanto pelas cidades quanto ao longo de rodovias e no interior das florestas. Assim como os pedestres, os ciclistas são respeitados pelos veículos motorizados e devem seguir praticamente as mesmas regras válidas para os carros. O uso de lanterna é obrigatório, a sinalização com os braços funciona e os semáforos indicam quando a passagem está livre. O uso do capacete também é praticamente unânime e isso ajuda a fazer da bicicleta um veículo seguro.

Sua importância econônica também se destaca. “O turismo com a bicicleta ganha significado continuamente e representa o principal fator econômico em algumas regiões do país”, informa o portal do Plano Nacional de Trânsito de Bicleta (www.nationaler-radverkehrsplan.de), do Ministério para o Desenvolvimento das Cidades, Trânsito e Construção. As ligações entre a rede ferroviária com as ciclovias facilita muito o uso do veículo para viagens. Nos trechos onde fica difícil usar a bicicleta, é só colocá-la dentro do trem e seguir viagem.

Informações sobre rotas, mapas e acomodações estão disponíveis em sites como o do Centro de Turismo Alemão (www.visitealemanha.com) e da Federação Alemã de Ciclismo (www.adfc.de).

Aline Zero


20.08.07 – TENDÊNCIA:
A geração pai   ACIMA
Pai e filha - Fonte: dpa Novas chances para pais

Jörg Sattler tem uma nova chefe. Agora ela quer que ele a atenda – e já. Ela quer a mamadeira. E também fraldas limpas. Sua chefe grita e enche a fralda. Zoe não tem nem meio metro de comprimento. E ele, 37 anos, não pode imaginar coisa mais linda no mundo que passar o tempo com a filhinha recém-nascida, acariciá-la em vez de ir ao meeting, mesmo que sejam 4 horas da madrugada. Sattler trocou seus postos de diretor da Central de Achados e Perdidos e vice-diretor do Setor de Serviço aos Passageiros da Fraport, operadora do aeroporto de Frankfurt, pela mesinha de trocar fraldas. Meses preciosos que lhe são permitidos pelo novo salário-maternidade.

A primeira imagem ultra-som da sua filha no útero da mamãe foi “a coisa mais linda”, diz Sattler. “O parto foi inacreditável! Para mim já estava claro desde o começo que eu tomaria parte nos cuidados da minha filha. Daí veio essa oferta e no momento certo”. Tranqüila, Zoe está nos seus braços, sugando a mamadeira, feliz de que o papai está em casa. O funcionário da Fraport é um dos primeiros pais a desfrutar dos novos regulamentos do salário-maternidade, que estão em vigor desde 1º de janeiro. Estes pais são pioneiros de uma nova imagem da família na Alemanha. “Quase 70% de todos eles compreendem-se, em primeiro lugar, como educadores de seus filhos; apenas 33% vêem-se preponderantemente como arrimo de família”, explica Robert Richter, pesquisador do Gender. Também Jörg Sattler está convencido: “Hoje é natural que os homens assumam os trabalhos caseiros. Em breve será normal que eles tomem parte igual na educação dos filhos. O salário-maternidade é o primeiro passo”.

Novas chances para pais
A entrada em vigência do salário-maternidade foi em 1º de janeiro de 2007: durante 12 meses, o Estado paga para toda criança nascida a partir desse dia um salário-maternidade de 67% da média do salário líquido dos últimos 12 meses, como substituição ao salário profissional, mas com um limite máximo de 1800 euros. Se ambos os pais se engajam consecutivamente nos cuidados à criança, então há ao todo dois meses mais de salário-maternidade, ou seja, 14 meses. É um período que pode ser repartido flexivelmente entre o pai e a mãe. Assim, há mais horas conjuntas para os cuidados da criança. Mas o salário-maternidade oferece, sobretudo, novas chances para o pai, pois os 300 euros pagos até agora para o salário-educação não eram suficientes para substituir o salário do pai, freqüentemente mais alto do que o da mãe. Agora, homens que ocupam até mesmo posição de chefia, como Jürgen Sattler, podem dedicar-se a seus filhos sem grande risco financeiro. A oferta é bem aceita: se no último ano só 3,5% de todos os requerimentos de licença tinham sido feitos por homens, só no primeiro trimestre de 2007 já havia o dobro de requerimentos. Ulrich Schmidt também já fez o seu. “Após o nascimento da minha primeira filha, infelizmente não pude tirar licença-educação. Quando, em novembro, nosso segundo filho nascer, vou tirar dois meses de licença no trabalho“. O redator de 35 anos não hesitou muito: desta vez, ele quer e pode estar sempre ao lado da sua mulher após o parto. É o que Stefan Schmidt já fez: “Quando minha filha Anna Dora nasceu, a diretora do meu departamento perguntou imediatamente quando eu queria tirar licença-paternidade, pois para ela, isso era coisa natural”. Os colegas, a família e os amigos apoiaram sua decisão. Alguns dos seus amigos, também pais, querem seguir seu exemplo e aproveitar o regulamento do salário-maternidade. Oito semanas de Babypause (licença-bebê) já foram planejadas para o começo de 2008. Dois meses que ele espera com ansiedade. E não só ele. Após um ano de licença-educação, sua esposa, 38 anos, bióloga humana, quer se tornar profissional autônoma no próximo ano. Por isso, a ajuda do marido vem bem a tempo.“Não queremos desistir de tudo por causa da filha. Temos que encontrar um meio-termo entre a família e a profissão”, diz ela. E fala por homens e mulheres.

Este é também o objetivo da ministra alemã da Família, Ursula von der Leyen. “Novos tempos estão despontando, tempos a favor da família”, esclarece a política, ela própria mãe de sete filhos. Em pouco tempo, ela fez da política de família o tema central da política interna na Alemanha. Com o salário-maternidade, o Estado facilita à mãe e ao pai altamente qualificados se decidirem por ter filhos. Agora, com a criação de mais lugares em creches, o retorno ao emprego não lhes será problemático. Até 2013 estão planejados 500 mil lugares, a maioria para crianças abaixo de três anos. Isto significa uma oferta de assistência para cerca de um terço dessas crianças. Além disso, o Ministério vem promovendo o projeto Casas de Várias Gerações e planeja uma licença para familiares, a Pflegezeit, que deverá possibilitar aos filhos e filhas a assistência aos pais na velhice, sem que prescindam do emprego. São decisões com proveito para toda a sociedade, diz von der Leyen: “Obviamente, a política de família é um motor do crescimento”, o que é confirmado por um estudo do Instituto da Economia Alemã, de Colônia: devido à baixa taxa de natalidade, a economia dos países europeus cairá atrás dos EUA, se eles não agirem contra essa tendência. Uma boa política de família gera uma taxa crescente de natalidade, garantindo o bem-estar.

Trabalho favorável à família
Ela também é sempre importante para as firmas. A transformação demográfica na Alemanha, com crescente percentagem de pessoas idosas na população, já está provocando a falta de pessoal em alguns ramos. A concorrência das empresas pelas melhores cabeças está aumentando. Para Patrik Speier, 46 anos, que acaba de tornar-se pai e é diretor de grupo na R+V-Versicherung, uma coisa é óbvia: só poderão manter seus empregados as empresas que permitem aos funcionários um equilíbrio entre trabalho e família. O próprio Speier sabe a importância disto: graças ao apoio de seus chefes e colegas, ele pôde tirar cinco semanas de férias após o nascimento da sua filha Kira, protelando a licença-paternidade para 2008, quando sua esposa voltar a trabalhar: “Um empregado satisfeito é um empregado melhor”, diz ele. Ele preferiria modelos de trabalho mais flexíveis, se bem que ele, chefe de um grupo de dez pessoas, teria assim mais trabalho de planejamento: “As empresas deveriam oferecer mais empregos de tempo parcial, o que seria do gosto dos pais e uniria mais os empregados à empresa”.

Segundo uma sondagem da Sociedade Alemã de Gestão de Pessoal, as chances são boas. 85% dos administradores de pessoal alemães esperam que uma política de família se torne cada vez mais importante. O que o trabalho favorável à família significa, mostra a Fraport. Há pouco, a operadora do aeroporto foi distinguida pela iniciativa alemã “berufundfamilie” (profissão e família), como uma das 500 empresas mais favoráveis à família na Alemanha. Ela oferece um jardim de infância próprio com atendimento de emergência, iniciou uma rede de pais, anima os pais a aproveitar os regulamentos do salário-maternidade e os empregados masculinos a formarem uma mesa redonda de pais. Lá, Jörg Sattler, diretor da Seção de Achados e Perdidos, terá muito que contar. Sobre a licença-paternidade de um ano, sobre a nova chefe que ele adoraria ter no colo 24 horas por dia e sobre o seu futuro profissional: o tempo com a filha Zoe lhe agrada tanto que, depois da sua licença, ele só trabalhará em tempo parcial.

P.S.: O autor deste artigo teve experiência própria de como é linda a licença-paternidade. Ele não lamenta um só segundo dos dois meses da Babypause

Rainer Stumpf (Revista "Deutschland")


02.08.07 – TOLERÂNCIA ZERO:
Lei proíbe ingestão de álcool ao volante   ACIMA

A máxima “se dirigir não beba, se beber não dirija” ganhou o congresso alemão em sua essência e ocasionou a sanção da lei que radicaliza contra a ingestão de álcool ao volante. Os alvos dessa nova lei, em vigor desde o dia 1º de agosto, são o público jovem (até os 21 anos) e os motoristas iniciantes (aqueles com dois anos de carteira de habilitação). É a eles que dirigir depois de um simples copo de cerveja com amigos fica proibido.

“Não acho fácil a tolerância alcoólica ser reduzida a zero. Estamos falando de Alemanha!”, ataca o estudante Markus A., de 27 anos. Conhecida mundialmente como a terra da cerveja, a Alemanha registrou, no ano de 2005, um aumento no índice de acidentes de automóvel por conta do consumo de álcool, do qual 15% envolveram jovens entre 18 e 21 anos. De acordo com a Confederação das Seguradoras Alemãs (GDV) em Berlim, o número de acidentes provocados por jovens entre 21 e 25 anos é ainda maior, correspondendo a um acréscimo de 18%. É por causa desses números que a GDV quer lutar pela maioridade de 25 anos para o consumo de bebidas alcoólicas “na direção”.

Quem não respeitar a lei e for pego em flagrante perde dois pontos na carteira, terá que arcar com uma multa entre 125 e 1.000 euros, além de muito possivelmente ter que desembolsar 200 euros para um seminário sobre “Educação no Trânsito”. Em caso de acidente, o delito também poderá prolongar seu tempo na categoria “motorista iniciante” e ocasionar a perda do seguro do carro. Em alguns casos, o segurado poderá ser obrigado a pagar uma multa de até 5.000 euros à seguradora: “esperamos com isso uma regressão no número de acidentes graves ou com mortes”, diz Siegfried Brockmann, chefe do setor de investigações da Confederação das Seguradoras Alemãs, em entrevista à revista Stern.

Em 2002 essa lei que proíbe os jovens motoristas de consumir álcool não atingiu a maioria na Câmara e foi colocada em vigor apenas no estado da Saxônia, no leste da Alemanha. Somente hoje é reconhecida a necessidade de uma vigência nacional, num país onde o número de cervejarias ultrapassa 1.200.

Aline Mara Afonso


02.08.07 – CONTRA OS NEONAZISTAS:
Loja pode não ter contrato renovado  ACIMA

“Não fazíamos idéia sobre quem exatamente seria o inquilino quando fechamos o contrato em 2005”, argumenta Steffi Pianka, porta-voz da “Sociedade das Construtoras de Berlim no bairro Mitte” (WBM), em entrevista ao diário “Der Tagesspiegel”. O fato é que a loja „Tønsberg“, locatária do imóvel, que vende roupas da marca “Thor Steinar”, a favorita entre os neonazistas, está causando alvoroço nas imediações da turística Alexanderplatz. Tom Schreiber, expert em defesa da Constituição pelo Partido Social Democrata (SPD), exige da WBM que o contrato com a “Tønsberg” não seja renovado.

A alegação da WBM, no entanto, não satisfaz Bianca Klose, da Organização não governamental MBR que luta contra o extremismo de direita. Segundo Bianca, eles são procurados constantemente por produtores de shows e outros eventos para a consulta da procedência política dos clientes em potencial: “no caso Tønsberg uma breve consulta teria bastado”, diz.

“Thor Steinar” existe desde 2003, quando começou a ser usada durante passeatas da extrema-direita. Há alguns anos tribunais reconheceram semelhança da etiqueta com o símbolo da SS do regime de Hitler e após vários processos a marca foi obrigada a sofrer alterações em sua etiqueta. Em 2006, entretanto, o Tribunal de Berlim desconsiderou qualquer semelhança da logomarca com os símbolos do governo nazista e deferiu sua legalidade.

A polêmica em torno da Mediatex, proprietária da “Thor Steinar”, não se restringiu à sua logomarca. Em 2005, em Königs-Wusterhausen, no estado de Brandenburgo, um grupo de esquerda protestou contra a loja de um dos seus sócios. No fim de julho, na cidade de Magdeburgo, na Saxônia-Anhalt, 150 pessoas realizaram uma manifestação contra uma loja recém-inaugurada que oferecia modelos da marca “Thor Steinar”. Para o endereço da Alexanderplatz, em Berlim, que legalmente poderá funcionar até 2008, os rumores já sugerem um rompimento de contrato de locação.

Aline Mara Afonso


09.07.07 – MAX WEBER:
O alemão que colocou a sociedade no papel   ACIMA
Retrato de Max Weber em 1894 - Fonte: http://commons.wikimedia.org/ Imagem de domínio público Conceito de patrimonialismo teve influência no Brasil

Pensador, cientista político, economista, sociólogo, jurista. Max Weber foi tudo isto. Nascido em Erfurt, no centro da Alemanha, em 1864, ele colocou a pedra fundamental de muitos conceitos políticos e sociológicos amplamente estudados até hoje. Questionador e extremamente erudito, seus trabalhos, mesmo já no começo do século XX, utilizavam referências culturais de lugares muito diversos do mundo.

Foi assim que ele compôs, por exemplo, sua obra mais conhecida, A ética protestante e o espírito do capitalismo, em que apontava que o sistema capitalista se desenvolvera primeiro nos países protestantes por causa da postura moral e religiosa de sua população. Ele mostrou que, através do protestantismo, as sociedades estabeleceram um comportamento econômico racional, que permitiu às pessoas passarem a aceitar o ganho material como algo positivo. Merece também destaque sua análise da burocracia e seu efeito sobre as pessoas, bem como sua definição de Estado como a entidade que detém o monopólio do uso legítimo da força.

No Brasil, Weber também teve muita influência. O conceito de patrimonialismo, em referência a Estados em que o poder público é exercido como uma extensão do patrimônio pessoal dos governantes, por exemplo, cai como uma luva a grande parte da história brasileira. Sérgio Buarque de Holanda, que estudou na Alemanha, usou o patrimonialismo em sua clássica obra Raízes do Brasil, de 1936, para caracterizar o "homem cordial" brasileiro, que, na vida pública, não distinguia o interesse privado do interesse coletivo. O conceito reaparece na obra de Raymundo Faoro, no livro Os Donos do Poder, em que o historiador gaúcho o usa para explicar as dificuldades de desenvolvimento enfrentadas pelo país.


Dennis Barbosa


16.05.2007 - IGUALDADE:
Chances iguais para todos   ACIMA

A União Européia tomou providências para proteger as pessoas em seus Estados-Membros. Quatro diretrizes estabelecem regras claras para evitar discriminações

A cor da gravata é decente, o terno está na moda, embora não tão requintado, e até o cabelo ficou perfeito na foto. Com um sorriso vitorioso, o candidato de 30 anos olha orgulhoso sua carta de apresentação. O fotógrafo era um profissional, sem dúvida. Apesar disso, as fotos cheias de estilo não vão melhorar as chances do candidato ao emprego. Ao menos não na Süwag, uma distribuidora de energia no sudoeste da Alemanha. Pois fotos e dados como idade, nacionalidade e estado civil são encobertos pelo departamento jurídico antes de encaminhar os documentos da candidatura ao respectivo departamento. Por sua vez, a Fraport, operadora do Aeroporto Internacional de Frankfurt, renuncia totalmente à identificação do sexo nas candidaturas online. Os anúncios de emprego de muitas empresas passaram a enfocar aspectos mais profissionais. Se antes os candidatos deveriam estar aptos a integrar uma equipe “jovem e dinâmica” e ser flexíveis e qualificados, hoje as empresas exigem “cartas de candidaturas com informações objetivas”. Novos tempos para quem procura um trabalho, novas chances para todos. Tanto faz de onde se vem ou quanto custaram as fotos para o currículo – o que importa são as qualificações. Com as diretrizes contra a discriminação, a União Européia criou a base legal que os países da UE estão implementando nas legislações nacionais. No verão de 2006, o parlamento alemão, Bundestag, aprovou, conforme prescrição da UE, a “Lei Geral de Igualdade de Tratamento (AGG)”, segundo a qual ninguém pode ser prejudicado por sua raça, origem étnica, sexo, religião, ideologia, deficiência, idade ou identidade sexual. As empresas já reagiram com nova prática nos processos de seleção. “O Estado não pode decretar tolerância com o próximo, mas pode, através de sua legislação, deixar claro o que é reprovado pela sociedade”, diz a ministra alemã da Justiça, Brigitte Zypries.

Os críticos consideram excesso de burocracia estas regras, válidas para toda a UE. Mas o cotidiano na UE mostra como são necessárias. Na Europa vivem pessoas de muitas nações, etnias e religiões. Com suas características culturais, idiomas e diferentes costumes religiosos. E mais de 15% dos europeus vivem com problemas permanentes de saúde ou com deficiência. Regras claras contra a discriminação fomentam suas chances profissionais e sua integração na sociedade. Empresas alemãs já reagiram à AGG. Segundo estudo atual da Sociedade Alemã de Gestão de Pessoas (Deutsche Gesellschaft für Personal-führung), 90% das empresas estão revisando suas políticas de pessoal; 40% das companhias já incentivam, há anos, a igualdade em seus ambientes e práticas empresariais.

A Lei Geral de Igualdade de Tratamento (AGG): Aprovada em 29 de junho de 2006 pelo Bundestag, esta lei implementa no Direito nacional da Alemanha quatro diretrizes da União Européia para a proteção contra a discriminação. A “Lei Geral de Igualdade de Tratamento”, sigla alemã AGG (Allgemeines Gleichbehandlungsgesetz), proíbe que se prejudique e discrimine alguém em função de raça, origem étnica, sexo, religião, ideologia, deficiência, idade e vida sexual. As regras valem, em grande parte, para empregadores, mestres de ofícios e serviço público, mas também influem na legislação dos aluguéis e nos contratos particulares de compra e venda. No futuro, o Ministério Federal da Família, Idosos, Mulheres e Juventude terá um setor de informações, aconselhamento e reclamações.

Revista “Deutschland”


02.03.2007 - REUNIFICAÇÃO:
Condições de vida no Leste e no Oeste   ACIMA

A Reunificação, em 1990, colocou a Alemanha diante de imensos desafios políticos, econômicos e financeiros. O estabelecimento da unidade social da Alemanha continua sendo uma tarefa política central. O desemprego nos novos Estados federados é em média maior que o dobro do desemprego nos antigos Estados. Mesmo assim houve grandes progressos na reconstrução do Leste alemão. Muitas cidades ameaçadas de degradação já foram saneadas, a infra-estrutura viária e na área das telecomunicações é hoje uma das mais modernas do mundo. Mais de meio milhão de empresas novas se desenvolveram nos novos Estados. A equiparação das condições de vida no Leste e no Oeste está em fase avançada. As rendas disponíveis no Leste já equivalem a 83 por cento da média de todo o país. Os hábitos de consumo, a situação de moradia ou a assistência médica e hospitalar são praticamente idênticas no Leste e no Oeste. Ao mesmo tempo, está acontecendo uma diferenciação regional nos novos Estados, não somente entre a cidade e o campo, e alguns centros de crescimento estão se cristalizando, por exemplo, Dresden, Jena e Potsdam, contribuindo para criar novos aglomerados populacionais. O novo Pacto de Solidariedade II garante financeiramente, com 156 bilhões de euros, a continuação do desenvolvimento e um melhor fomento dos novos Estados até 2019.

“Perfil da Alemanha”


01.03.07 – EMANCIPAÇÃO:
Homens e mulheres  ACIMA

A Igualdade de direitos exigida na Lei Fundamental teve na Alemanha – como em outras sociedades modernas – um grande avanço. No setor da educação, as meninas não só acompanharam o passo dos meninos, como até mesmo os ultrapassaram. Nos ginásios – as escolas secundárias com o nível mais alto de educação – 57 por cento dos alunos são meninas. A porcentagem de mulheres entre os calouros nas universidades é de quase 54 por cento. Entre os absolventes de um curso profissionalizante que concluíram o curso em 2004, 44 por centro foram mulheres.

Cada vez mais as mulheres abraçam uma profissão. No Oeste, 65 por centro das mulheres trabalham, no Leste 73 por cento. Enquanto os homens trabalham em tempo integral, muitas mulheres, especialmente as que têm filhos pequenos, trabalham apenas um turno.

Também nos salários existem ainda diferenças entre os sexos: as operárias recebem apenas 74 por cento do salário dos colegas do sexo masculino e as funcionárias apenas 71 por cento. Isso acontece porque as mulheres muitas vezes trabalham em postos inferiores e, conseqüentemente, com remuneração mais baixa. Mesmo alcançando cada vez mais as Posições de destaque no meio profissional, as mulheres continuam encontrando imensos obstáculos na carreira. Embora sejam quase a metade dos estudantes, correspondem apenas a um terço dos colaboradores científicos e apenas a 14 por cento dos professores universitários.

Um dos principais obstáculos à ascensão profissional é que a distribuição das tarefas domésticas entre os homens e as mulheres mudou relativamente pouco. O trabalho tradicional – lavar, limpar e cozinhar – continua sendo feito em 75 a 90 por centro das famílias pelas mulheres. E apesar de 80 por cento dos pais desejarem passar mais tempo com os filhos, as mulheres, mesmo as que trabalham, dedicam ao cuidado dos filhos o dobro do tempo que seus maridos. Enquanto 56 por cento dos homens afirmam que estariam dispostos, em determinadas circunstâncias, a tomar “licença para pais” depois do nascimento de um filho, na realidade menos de cinco por cento deles o fazem. Na Suécia, 36 por cento dos pais fazem uso desse direito.

Na política, as mulheres se impuseram. Nos dois grandes partidos SPD e CDU quase cada terceiro ou quarto filiado é uma mulher. O número de deputadas no Parlamento cresceu consideravelmente. Em 1980, a porcentagem era de apenas oito por cento, em 2005 é de quase 32 por cento dos parlamentares. Nesse mesmo ano, Angela Merkel se tornou a primeira Chanceler da Alemanha.

“Perfil da Alemanha”


01.03.07 – ESTILO DE VIDA:
Sociedade que valoriza a família   ACIMA
Família de quadrigêmeos

O fomento às familias está ganhando importância e recebendo o apoio do Estado. Para que os casais se decidam por ter filhos, planeja-se a partir de 2007 a substituição do salário-educação por um subsídio para os pais, baseado no salário e financiado através dos impostos. Durante um ano, quem fizer uma pausa no trabalho para cuidar do filho receberá o equivalente a 67% de seu último salário líquido, no máximo 1.800 euros. Um incentivo especial para os pais altamente qualificados que, segundo as mais recentes estatísticas, têm atualmente menos filhos. O auxílio só será concedido durante o prazo máximo, se o pai ficar pelo menos dois meses em casa. Paralelamente, a assistência às crianças deve ser ampliada. Toda criança entre três anos e o início da escola já tem hoje o direito por lei a uma vaga no jardim-de-infância. Mas a assistência a tempo integral deve ser melhorada. Está planejada até 2010 a criação de 230 mil vagas em creches para crianças menores de três anos, para que os pais possam conciliar melhor trabalho e família. Cada filho recebe 154 euros mensais (179 euros a partir do quarto) até os 18 anos de idade. Outro apoio importante é a chamada “licença para os pais“, o direito garantido por lei de se ausentar do trabalho por um a três anos. Além disso, existe o direito a uma jornada parcial de trabalho, caso isso não prejudique a empresa.

“Perfil da Alemanha”

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