AMOR & CIA |
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25.11.08 – ROMANCE NA INTERNET: A busca por um par através da internet vive um novo boom na Alemanha. A procura por sites especializados em unir casais que possuem uma afinidade religiosa aumentou muito mais do que em outros países. „Para a maioria das pessoas a internet faz parte de suas vidas tanto quanto fazer compras“, diz Friedhelm Hensen, que lançou em 2007 o seu SingleChrist.de, voltado para cristãos. O site teve mais de dois milhões de cliques em agosto. Mas também os árabes e os judeus estão na rede. Estima-se que 200 mil judeus façam uso da internet para procurar o grande amor e pelo menos dois sites atendem a esta demanda, o Jewish-singels.de e o Jewish-dating.de. Entre os muçulmanos, em 2005 foi criado o primeiro instituto especializado em matrimônios. De acordo com seu fundador, Samer Fahed, alemão descendente de palestinos, milhares de pessoas acessam o site do instituto, incluindo mulheres convertidas recentemente ao islã. „O muslimlife.eu ajuda aqueles que querem constituir uma família“, Fahed afirma. Mariana Antoun
30.06.08 – ORGULHO GAY: A chuva que caia no sábado (28.06) não impediu que milhares de homossexuais fossem para as ruas de Berlim agitando bandeiras com as cores do arco-íris na famosa „Christopher Street Day“, nome da Parada do Orgulho Gay na Alemanha. Foi a 30ª vez consecutiva que o evento ocorreu, mas foi a primeira vez que o cortejo se emaranhou pelo boulevard Unter den Linden, situado na parte leste da capital. Segundo os organizadores, cerca de 500 mil pessoas, entre participantes e espectadores, marcaram presença no evento cujo tema deste ano visou sensibilizar a opinião pública contra a violência a que são submetidos os homossexuais, quase que diariamente. Entre os participantes da parada, estava Rudolf Brazda, de 95 anos, que foi deportado de 1941 a 1945 para um campo de concentração por ser homossexual. Josiane Cotrim
27.05.08 – HOMOSSEXUAIS E NAZISMO: Uma janela separa agora o cotidiano do berlinense da lembrança de mais um dos bárbaros crimes cometidos pelo regime nazista. Por uma janela, o visitante do recém-inaugurado Memorial aos Homossexuais, que fica em frente ao Memorial do Holocausto, poderá refletir sobre a perseguição de 54 mil gays e lésbicas e a morte de cerca de sete mil deles entre 1933 e 1945. Homossexuais e ciganos foram relegados da memória dos crime nazistas no pós-guerra. A Alemanha começa a fazer uma justa correção. O monumento de concreto permite que a pessoa olhe por um buraco semelhante a uma janela e observe a projeção da imagem em preto e branco de um beijo entre duas pessoas pessoas do mesmo sexo, que a cada dois anos se alternará entre homens e mulheres. Esta opção surgiu após cerca de 15 anos de disputas entre lésbicas e gays sobre o formato da exibição, que inicialmente mostraria apenas o beijo entre dois homens. O monumento custou 600 mil euros e foi criado pelos artistas Michael Elmgreen e Ingar Dragset. Um texto informa sobre a perseguição e condenação de homossexuais durante o regime nazista ressaltando: "Com este memorial a República Federal da Alemanha quer honrar as vítimas perseguidas e assassinadas, manter viva a memória sobre a iniqüidade e mobilizar uma marca consistente contra a intolerância, a hostilidade e a exclusão". Os nazistas tornaram o parágrafo 175 do velho código penal de 1871, que proibia atos homossexuais, ainda mais rigoroso. Bastava um "olhar cobiçoso" ou um beijo público para a pessoa ser mandada para a prisão e campos de concentração, onde ganhavam uma "marca rosa", assim como as Estrelas de Davi que identificavam os judeus. Desde 1969 o homossexualismo de adultos não é mais crime na República Federal e em 1994 o parágrafo sobre o tema foi completamente retirado. Em 1990 a Organização Mundial da Saúde retirou a homossexualidade da lista de doenças psiquiátricas e em 1998 a Alemanha passou a aceitar a união civil entre duas pessoas do mesmo sexo, que garante direitos semelhantes aos do casamento tradicional. Mariana Antoun
28.04.08 - SEXO: Tudo começou com um acúmulo de várias cartas para a redação, que continham dúvidas como: “não sei beijar!” ou “não quero transar com meu namorado”. Assim nasce o Dr. Jochen Sommer, que na verdade nem existe. De 1969 a 1984 um médico, psicólogo e professor de alemão, Dr. Martin Goldstein, respondia através do pseudônimo Dr. Jochen Sommer às perguntas feitas pelos adolescentes a respeito de amor, corpo e sexualidade. A coluna “Amor, Sexo e Carinho” fez tanto sucesso que acabou virando referência no país inteiro. A revista sai semanalmente e em cada edição dois adolescentes posam nus para a página do Dr. Sommer. A foto geralmente acompanha uma reportagem onde os adolescentes dividem suas experiências e contam detalhes íntimos de sua vida sexual. Quando o adolescente é menor de idade, a autorização dos pais é pré-requisito. Atualmente a coluna está sob os cuidados de uma mulher. Eveline von Arx assumiu o posto em 2003 e aconselha os jovens até hoje. Em uma entrevista dada ao jornal Süddeutsche Zeitung, ela aponta a importância de seu trabalho: “as pessoas estão enganadas ao pensar que na sociedade de hoje os jovens estão bem informados sobre sexo. Na verdade, 63% das crianças de 12 anos não sabem como prevenir uma gravidez”, alerta a especialista. Martha Ayres Denk
14.04.08 – ARTE ERÓTICA EM HAMBURGO: Prova disso é a história de Friedrich Frahms, que aos 90 anos mantém-se firme e forte no seu propósito de celebrar e divulgar o erotismo e os tempos de ouro da região. Artista plástico, ele faz colagens com recortes de revistas e jornais, assim como de réplicas de obras como o Kama Sutra. Os temas principais são a Alemanha, a Reeperbahn, Paris, bordéis, sexo e cultura underground, tudo num tom bem- humorado e com tons de psicodelia e até de crítica política. Num exemplo de resistência e criatividade, Fiete Frahms, como gosta de ser chamado, apropriou-se do nome do Erotik Art-Museum, na Bernhard-Nocht-Straße 69. O museu, que contava com um acervo de arte erótica datada de 1520, fechou suas portas há seis meses, quando o prédio foi vendido. Sem perder tempo, Fiete colou seus recortes e criações sobre os pôsters do antigo vizinho e desde então sua galeria, no número 65, que durante três anos havia dividido a rua com o museu, passou a ser conhecida como o novo Erotik Art-Museum - aberto diariamente. Nascido em 1918, em Hamburgo, Fiete teve seu próprio negócio, fabricando portas de madeira, até fazer 60 anos. “A idéia de trabalhar com arte já existia, mas só comecei nessa idade”, conta. Em 1982 ele abriu sua primeira galeria no bairro de Altona, e nesses últimos 26 anos já produziu mais de mil colagens e instalações. Viúvo e pai de quatro filhos, ele mostra com orgulho os livros de visitantes da galeria, com assinaturas de todo o mundo, e as diversas reportagens e entrevistas concedidas a jornais e revistas da região. Questionado sobre sua produção e a decadência da Reeperbahn, ele mostra-se muito seguro e bem-humorado: “Vou continuar com meu trabalho, no mesmo lugar, até os 110 anos”. Jefferson Puff
14.02.07 – CASAIS BINACIONAIS: Márcia e Sebastian se conheceram em 2004 em Tübingen na Alemanha. Ambos estudavam na Eberhard Karls Universität e se encontraram numa festa de amigos em comum. "Nunca pensei em me apaixonar. Eu queria estudar alemão, pois estudo Letras no Brasil, fazer amigos e passear. Namorar o Sebastian foi um acaso", afirma Márcia. Na opinião do casal o maior problema é a distância, resolvido com viagens constantes entre os dois países. "Estamos terminando a faculdade e ainda não pensamos sobre o que fazer, mas meu desejo é ir viver no Brasil com a Márcia", planeja Sebastian. Katharina G. e Daniel F. fizeram o caminho inverso. Eles se conheceram no Brasil, durante o intercâmbio de Katharina na cidade de Recife. Ela estudava Jornalismo e ele, Alemão. Daniel achou que seria proveitoso ajudar a visitante e praticar o idioma. Hoje, três anos depois, eles vivem juntos na cidade de Hamburgo. "Conviver com a distância é difícil, nem sempre temos dinheiro para viajar ao Brasil. Sinto falta da família e dos amigos, mas o amor compensa tudo", desabafa Daniel. Sobre as diferenças culturais, Katharina relata que não há problemas, "nos divertimos e aprendemos coisas juntos, não é tão difícil assim conviver com as diferenças". Já na casa de Sandra e Matthias W. as diferenças começaram a aparecer quando nasceu Daniel, o primeiro filho do casal, hoje com 2 anos. "Inicialmente o problema foi o nome do Bebê. Queríamos algo que soasse bem tanto em português quanto em alemão e que nos agradasse". Além disso, o casal diverge sobre em que país Daniel deve se alfabetizar, que língua deve ser falada em casa e até sobre o time que a criança deve escolher, "por mim o Daniel torce para a seleção canarinho, mas o Matthias já comprou para nosso filho uma camisetinha da Alemanha". Porém Sandra deixa as diferenças de lado ao falar do marido e do filho, "sou muito feliz, o Daniel é uma prova do amor sem limites que eu e o Matthias sentimos, o resto todo é bobagem". Como esses casais existem milhares de outros, e certamente existirão ainda mais. Em tempos de globalização, os romances cruzam fronteiras e continentes. Márcia conta que conhece muitos casos como o dela e o de Sebastian, “a globalização tem mudado até a nossa forma de escolher parceiros. Acho que a cada dia mais pessoas de diferentes culturas, raças e nacionalidades vão se apaixonar. Cada casal deverá saber lidar com suas diferenças”, opina. Seja quais forem essas diferenças, para todos os casais há um ponto em comum: seja qual for o país onde vivem ou suas nacionalidades, o que vale mesmo é o amor. Carolina Figueiredo
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