HISTÓRIA


CAMPO DE BATALHA: Descoberta pode reescrever parte da história
Arqueologistas encontraram na Alemanha um antigo campo de batalha do Império romano...

TEMPELHOF: Definitivamente na história 
O aeroporto de Tempelhof, conhecido pelo seu papel na ponte aérea Berlim Ocidental - RFA, passou a fazer parte apenas da história...

REUNIFICAÇÃO: Nova Alemanha chega a maioridade
Há 18 anos a RDA aderia ao território da República Federal da Alemanha, reconquistando a unidade estatal da Alemanha depois de mais de quarenta anos...

RAF: Terrorismo ou guerrilha?
A estréia do longa-metragem Der Baader-Meinhof Komplex reabre a discussão sobre o que foi a RAF - Fração do Exército Vermelho...

PALÁCIO DAS LÁGRIMAS: Memorial e exposição permanente
O Tränenpalast ganhará uma exposição permanente sobre o tema "Divisão e fronteira no cotidiano dos alemães"...


22.12.08 – CAMPO DE BATALHA:
Descoberta pode reescrever parte da história  ACIMA
Artefatos romanos em exposição - Fonte: dpa/pa Artefatos que podem mudar a história!

Arqueologistas encontraram na Alemanha um antigo campo de batalha do Império romano. A recente descoberta indica que legiões romanas lutaram com tribos germânicas até o século 3 depois de Cristo. Ou seja, 200 anos mais tarde do que até então acreditava-se.

A localização do campo, a 160 quilômetros ao leste da Floresta de Teutoburgo, também é uma incógnita para os pesquisadores. "É bastante comum encontrar vestígios da cultura romana pelo continente europeu, inclusive até a Escócia, mas esta descoberta nesta parte do norte da Alemanha é espetacular", afirmou Michael Wickmann, um oficial da cidade de Northeim, onde as escavações foram realizadas.

Se as evidências forem confirmadas, é possível que a história venha a ser reescrita. Hoje ensina-se que a partir do ano 9 depois de Cristo as fronteiras do Império Romano foram limitadas ao Rio Reno. Esse fato foi estabelecido ao fim da Batalha da Floresta de Teutoburgo, quando uma aliança de tribos germânicas chefiada por Armínio (ou Herrmann) emboscou e dizimou três legiões romanas, e determinou uma importante distância entre as culturas romana e germânica, assim como o declínio da influência romana em todo o Ocidente.

Em 2009, serão comemorados os dois mil anos da Batalha de Teutoburgo, símbolo da liberdade e da força germânica.

Glaucimara Silva


30.10.08 – TEMPELHOF:
Definitivamente na história  ACIMA
O aeroporto em atividade nos anos de 1960 - Fonte: Arquivo/ dpa Nostalgia

O aeroporto de Tempelhof, em Berlim, conhecido pelo seu papel na ponte aérea que ligava o lado ocidental da cidade à República Federal Alemã, passou a fazer parte apenas da história. O último vôo operado aconteceu nesta quinta-feira (30.10). Berlim fecha o seu lendário aeroporto, que representou saudosismo, tábua de salvação, porta para o mundo, e ninguém sabe seu destino.

O aeroporto vinha dando um prejuízo entre 10 e 15 milhões de euros por ano, o que motivou seu fechamento. No entanto, com o anúncio de seu fechamento atraiu centenas de aviadores para uma última decolagem.

Inaugurado em 1923 e em 1936 começou a construção de sua estrutura atual, uma curva de 1,2 quilômetros de extensão e que é tombada pelo patrimônio histórico desde 1995. Para o arquiteto inglês Norman Foster, Tempelhof é "a mãe dos aeroportos modernos", pois com suas 9 mil salas foi o primeiro a contar com um edifício multifuncional que desse conta de cargas, serviços, administração, hotéis, restaurante e conveniência.

Mariana Antoun


02.10.08 – REUNIFICAÇÃO:
Nova Alemanha chega a maioridade  ACIMA

Na noite de 3 de outubro de 1990, diante do prédio do Reichstag em Berlim, milhares de pessoas festejaram a adesão da RDA ao território da República Federal da Alemanha, reconquistando a unidade estatal da Alemanha depois de mais de quarenta anos. A cronologia completa pode ser vista aqui
Muro em frente ao Portão de Brandemburgo, tomado pela populaação - Fonte: Revista "Deutschland" Momento histórico

Na noite de 9 de novembro de 1989 caiu o Muro de Berlim e, com ele, a fronteira que dividira a Alemanha durante 28 anos. Na mesma noite, milhares de cidadãos berlinenses correram para a fronteira com Berlim Ocidental. Não havia nenhuma ordem oficial, mas mesmo assim, os soldados da fronteira abriram a passagem para o Oeste. Pessoas do Leste e do Oeste, que nunca se tinham visto antes, abraçavam-se, choravam e festejavam espontaneamente a abertura do Muro. A Alemanha entrou numa onda de felicidade. Foi uma noite que transformaria o mundo.

Willy Brandt, então presidente honorário do Partido Social Democrata (SPD) e que, no tempo da divisão da Alemanha tinha sido o mais popular prefeito de Berlim Ocidental durante muitos anos, já estava frente ao Portão de Brandemburgo na manhã seguinte. Diante da prefeitura, Rathaus Schöneberg, ele proferiria pouco depois a sentença: "Agora se unifiquem as partes de um todo!". As manchetes dos jornais eram: "Berlinenses orientais dançaram toda a noite na Kurfürstendamm", "Berlim é novamente Berlim", "A Alemanha chora de alegria!", "Estamos unidos!". Nos dias seguintes, milhões de cidadãos partiram nos seus "Trabis" e "Wartburgs" em direção ao Oeste – muitos viajavam pela primeira vez para a Alemanha Ocidental –, visitando parentes, cidades e paisagens, levando consigo, para o "paraíso das compras", os 100 marcos das boas-vindas.

O que tinha acontecido? Em 9 de novembro, pouco antes das 19 horas, Günter Schabowski, membro do politburo do SED (Partido da Unidade Socialista da Alemanha), tinha anunciado com voz trêmula diante das câmaras, numa conferência internacional de imprensa, uma nova e liberal regulamentação da permissão de saída do país. Respondendo a uma pergunta, Schabowski declarou que essa regulamentação entraria "imediatamente" em vigor. Esta notícia não tinha sido autorizada pelo governo da RDA, mas espalhou-se como um relâmpago por toda a RDA, provocando a abertura das fronteiras em Berlim: foi a queda do Muro.

Essa data histórica já havia sido precedida por uma fuga de massas da RDA no verão europeu de 1989 (através da Hungria e da Tchecoslováquia) e por uma manifestação impressionante dos movimentos de oposição da RDA, na qual os militantes dos direitos civis expressaram pela primeira vez em público suas críticas e reivindicações (por exemplo, nas "Manifestações das Segundas-feiras" em Leipzig). Ambas fizeram as estruturas da RDA vacilar. Além disso, todos compreenderam muito rapidamente que a União Soviética não tinha nenhum interesse numa opressão violenta das ações de protesto, como tinha sido o caso da Hungria em 1956, de Praga em 1968 e da Polônia em 1980. A "revolução suave" provocou uma espécie de paralisação do governo da RDA. A renúncia de Erich Honecker, o velho secretário-geral do SED e presidente do Conselho Estatal, em 18 de outubro de 1989, deu início ao desmoronamento do regime do SED. Seu sucessor, Egon Krenz, também não consegui estabilizar a situação.

Todavia, a derrocada da RDA e a reunificação da Alemanha onze meses depois, no dia 3 de outubro de 1990, quase não teriam sido possíveis sem as mudanças ocorridas na União Soviética desde meados da década de 80. Mikhail Gorbatchov, o então chefe de Estado e do partido, apostou numa ampla reforma. Ele prescindiu do domínio soviético sobre o bloco do Leste, almejando uma cooperação mais forte com o Oeste. Desta maneira, Gorbatchov abriu o caminho para uma democratização paulatina dos Estados do bloco do Leste. Foram principalmente a Polônia e a Hungria que aproveitaram essa oportunidade: em maio de 1989, a Hungria começou demonstrativamente a abrir um buraco na "Cortina de Ferro", que terminou com a abertura completa das fronteiras húngaras para o Oeste em 11 de setembro de 1989.

A revolução pacífica na RDA foi um passo a mais em direção à reunificação dos dois Estados alemães, o que ninguém teria acreditado antes. Antes porém, foram realizadas pela primeira vez na RDA eleições livres para a Câmara do Povo, em 18 de março de 1990. Os temas da campanha eleitoral foram sobretudo o modo e a rapidez da almejada unificação com a Alemanha Ocidental. Em 18 de maio de 1990, foi assinado o contrato sobre a união econômica, monetária e social. Dado que o sistema econômico da RDA não admitia uma reforma, ela adotou o sistema econômico da República Federal da Alemanha em 1º de julho de 1990. Pouco depois, começaram em Berlim as negociações sobre o acordo de unificação. Já mesmo antes do seu término, a Câmara do Povo, em reunião extraordinária de 23 de agosto de 1990, marcou a adesão da RDA ao âmbito de validade da Lei Fundamental para o dia 3 de outubro de 1990.

De acordo com os direitos e responsabilidades das quatro potências vencedoras da II Guerra Mundial, a reunificação de Berlim e da Alemanha em seu todo não teriam sido possíveis sem o consentimento desses quatro países. Em fevereiro de 1990, eles concordaram em fazer negociações juntamente com os dois Estados alemães: no "Tratado sobre as regulamentações finais com respeito à Alemanha", de 12 de setembro de 1990, foram regulamentados os aspectos internacionais da reunificação. Através desse ato, a Alemanha recuperou sua completa soberania.

Na noite de 3 de outubro de 1990, diante do prédio do Reichstag em Berlim, milhares de pessoas festejaram a adesão da RDA ao território da República Federal da Alemanha, reconquistando a unidade estatal da Alemanha depois de mais de quarenta anos.

Na Alemanha, o Muro tinha caído e, no mundo, a Cortina de Ferro tinha ruído entre o Leste e o Oeste. Já no fim de novembro de 1990, os Estados da Otan e os Estados do Pacto de Varsóvia assinavam na cúpula da CSCE, em Paris, o primeiro tratado de desarmamento dos exércitos convencionais. A Carta de Paris para uma nova Europa declarou que a "era das confrontações e da divisão da Europa" estava terminada e que, ao contrário disso, "uma nova era de democracia, paz e unidade" tinha começado. A declaração feita na reunião de cúpula da Otan em Roma, em 7 e 8 de novembro de 1991, quase exatamente dois anos após a queda do Muro de Berlim, deu por terminado o conflito entre o Leste e o Oeste. A Guerra Fria passou a ser história.

Janet Schayan (Revista "Deutschland")


26.09.08 – RAF:
Terrorismo ou guerrilha?  ACIMA
Holger Meins (Stipe Erceg) em cena do filme - Fonte: dpa/pa Integrante preso

Este fim de semana estréia nos cinemas da Alemanha o longa-metragem Der Baader-Meinhof Komplex (O complexo Baader-Meinhof), de Uli Edel, que reconstitui a trajetória da Fração do Exército Vermelho (RAF, na sigla em alemão) no fim dos anos 1960 e década de 70. O grupo terrorista de orientação esquerdista foi responsável pela morte de 34 pessoas em suas três décadas de existência.

Nos anos 60 os estudantes pleiteavam uma reforma do velho sistema universitário. Parte da juventude alemã vivia em conflito ideológico com a geração de seus pais que, de uma ou outra forma, haviam estado envolvidos com o nazismo. Somava-se a isso um forte questionamento da democracia de mercado que florescia na Alemanha Ocidental, além da insatisfação com a influência norte-americana e a presença dos EUA no Vietnã. Foi contra este contexto que a RAF decidiu se atirar na luta armada.

Em abril de 1968, os jovens Andreas Baader, Gudrun Ensslin, Thorwald Proll e Horst Söhnlein colocaram fogo em duas lojas de departamento em Frankfurt am Main. A RAF, em seus primeiros anos de ação, ganharia da imprensa a alcunha "Baader-Meinhof", por ser liderada, entre outros, por Baader e pela jornalista Ulrike Meinhof. O grupo nunca mobilizou muita gente, apenas algumas dezenas ou poucas centenas de militantes. Por outro lado, agitou a sociedade alemã a tal ponto que ocasionou a criação de uma nova lei, em 1977, que permitia o isolamento total de terroristas condenados.

A RAF efetuou diversos atentados a instalações governamentais alemãs e militares norte-americanas, e para financiar suas atividades assaltou a bancos e atacou lojas. Seu conceito de guerrilha urbana tinha inspiração nos Tupamaros, que então lutavam no Uruguai, e nos ensinamentos de Che Guevara, entre outros. Também o manual guerrilheiro escrito pelo brasileiro Carlos Marighella serviu de base para o manuscrito O conceito da guerrilha urbana, publicado pela RAF em 1971.

Em maio de 1976, Ulrike Meinhof apareceu morta na prisão. A versão oficial é de que se tratou de suicídio. No ano seguinte, uma segunda geração de terroristas da RAF tentou libertar os líderes detidos seqüestrando e assassinando o presidente dafederação patronal e também da Federação das Indústrias. Em seguida, terroristas palestinos desviaram para a Somália um avião da Lufthansa que voava da Espanha para Frankfurt com mais de 80 passageiros, e exigiram a libertação de 11 integrantes da RAF. A ação foi frustrada pela atuação do grupo especial da polícia alemã, o GSG9.

Em outubro de 1977, Andreas Baader, Gudrun Ensslin e Jan-Carl Raspe também cometeram suicídio. A segunda geração da RAF foi desmontada nos anos 80. Parte de seus integrantes foi presa enquanto outros submergiram na clandestinidade, em parte ajudados pelo governo da Alemanha Oriental. Naquela década ainda surgiu uma terceira leva de militantes que matou alguns altos executivos de empresas e outros funcionários, como o diretor político do Ministério das Relações Exteriores. Em 1998, uma agência de notícias recebeu documento em que a RAF se declarava dissolvida. A Alemanha estava livre da maior ameaça terrorista que enfrentou no pós-guerra.

Dennis Barbosa


27.08.08 – PALÁCIO DAS LÁGRIMAS:
Memorial e exposição permanente  ACIMA
Tränenpalast - Fonte: dpa/pa Tristes despedidas

O Tränenpalast, ou Palácio das Lágrimas, onde funcionava a estação de trens Friedrichstraße, ganhará uma exposição permanente sobre o tema "Divisão e fronteira no cotidiano dos alemães". Dentro do conceito do Governo de "cidade de memórias", também será criado um local de lembranças, onde o visitante poderá refletir sobre o tempo em que a estação era a única frequentada por viajantes dos dois lados da Alemanha dividida.

Construída em 1882, a estação ganhou o nome de Palácio das Lágrimas por ter sido palco de muitas despedidas entre familiares e amigos. Localizada na parte oriental de Berlim, ela era o único ponto de conexão para trens interestaduais, suburbanos e metrôs, e também podia ser utilizada por moradores do lado oeste. Assim, era a mais importante da capital durante a Guerra Fria e virou um dos principais símbolos da nação dividida.

Até o verão de 2006 o local recebia shows de rock, apresentações de teatro, leituras e noites de estréia. Hoje, protegido por ser um monumento, o Palácio das Lágrimas está cercado por um edifício de escritórios e residências.

Mariana Antoun


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