VIDA NOTURNA


CAPITAL MUNDIAL: Berlim e o tecno após a queda do Muro
Trilha sonora da reunificação entre o público jovem, o tecno marcou o reencontro do oeste e do leste nos porões vazios da cidade...

BERGHAIN EM BERLIM: Melhor boate do mundo é alemã
A casa foi eleita a melhor do mundo, em pesquisa realizada entre DJ's pela conceituada revista britânica DJ Mag...

OSTBAHNHOF MUNIQUE: Badalação em antigas fábricas
Ostbahnhof atrai público com variedade de boates, barzinhos, exposições e muito mais...

COQUETEL: Caipirinha já é número 1
Junto com a feijoada e o o futebol a bebida entrou como titular para o time das paixões brasileiras mais populares na Alemanha...

HAMBURGO: Sexo e Rock’n’Roll em St. Pauli
"Das Tor zur Welt" ou "Portão para o Mundo". É assim que a cidade de Hamburgo é conhecida entre os alemães...

THE BARRACÃO: A praia noturna de Frankfurt
Todos os verões, o dono de uma discoteca de Frankfurt transforma o estacionamento em frente ao local num bar brasileiro improvisado...


10.08.09 – CAPITAL MUNDIAL:
Berlim e o tecno após a queda do Muro ACIMA
Festa tecno em clube de Berlim - Fonte: Colourbox É festa!

A cultura tecno berlinense nasceu com a queda do Muro de Berlim. Trilha sonora da reunificação entre o público jovem, marcou o reencontro do oeste e do leste nos porões vazios da cidade num frenesi de luzes estroboscópicas e ritmos eletrônicos. Hoje, 20 anos mais tarde, Berlim tornou-se a capital mundial da cultura club.

“O Muro caiu fazendo estrondo e esse estrondo repercutiu também na música”. Assim o pioneiro DJ berlinense Tanith descreve o papel do tecno como trilha sonora do período. Ao contrário da reunificação política, que só veio a acontecer quase um ano depois, em 1990, a reunificação popular alemã já acontecia a todo vapor nas pistas de dança das festas tecno da cidade. Jovens do Leste correram em massa aos clubes da Alemanha Ocidental e trouxeram, juntamente com os gays, a disposição para festejar que a noite berlinense assumiu e mantém até hoje.

A diferença entre os alemães ocidentais e orientais dissolveu-se numa explosão delirante de ritmos eletrônicos e luzes estroboscópicas. Ativistas do tecno oriundos de Berlim Ocidental partiram em busca de espaços no leste da cidade e inauguraram, poucos meses após a queda do Muro, os primeiros clubes de tecno em Berlim Oriental. Também o promoter Wolfram Neugebauer, conhecido como Wolle XDP, da antiga República Democrática Alemã, associou-se ao DJ Tanith, de Berlim Ocidental, numa série de festas rave chamada “Tekknozid”.

Paraíso temporário
O sucesso da cultura tecno de Berlim desde novembro de 1989 deve muito à estrutura da cidade. A ocupação de espaços ociosos e terrenos baldios possibilitou o florescimento de uma cena independente. Porões foram invadidos e transformados provisoriamente em clubes e bares. A semente da cultura de clubes de Berlim é o “UFO”, aberto em 1988, em um porão de Kreuzberg. Dele resultou o “Tresor”, em 1991. Dimitri Hegemann, operador do local, reformou a sala-cofre de aço da antiga loja de departamentos Wertheim, na Praça de Potsdam, que com seu charme industrial rústico, tornou-se o estilo padrão dos clubes de Berlim.

DJs e convivas apropriaram-se também de antigos centros culturais da República Democrática Alemã para promover festas que varavam a noite. O abandonado restaurante Ahornblatt foi reformado para dar lugar a um templo do rave com a festa Exit; “Tacheles”, o centro artístico da rua Oranienburger Straße, em Berlim Oriental, também abarcou a cena dos clubs jovens; armazéns vazios às margens do rio Spree encheram-se de noctívagos coloridos da série de eventos do Planet, famosos por sua decoração fantasiosa. Nessas áreas autônomas temporárias, a cultura tecno pode se desdobrar tranquilamente, com toda a sua ânsia de autoafirmação e excessos noturnos.

Venda esgotada e ressurreição da cena
Como toda subcultura, a cena tecno berlinense atingiu seu auge, entre 1989 e 1992, passou por fases de fragmentação, de 1992 a 1995, e por um período de comercialização, de 1995 a 2004. No início, preponderava uma postura de autoafirmação, cujo lema era “faça você mesmo”. Empreendedores e convidados se confundiam e os proprietários dos clubes mais importantes provinham da própria cena.

Pragmáticos, otimistas e autodidatas combinavam prazer, ativismo e negócio. Os clubes funcionavam como espaços de encontro informais e igualitários, abertos a todas as pessoas, sem distinção de classe social e vida pregressa. Uma vez mergulhados no público dançante, não importava se eram orientais ou ocidentais.

Por meio de megaeventos como a “Loveparade” e o “Mayday”, ocorreu, ao longo do início da década de 1990, uma mudança de paradigma, passando da produção ao consumo e da subcultura (underground) ao cenário principal (mainstream). A primeira “Loveparade” aconteceu no dia 1º de julho de 1989, com apenas 150 participantes. Dez anos mais tarde, atingiu seu ápice, com 1,5 milhões de visitantes. O tecno tornou-se cultura de massa e foi proclamado movimento jovem nacional. A venda maciça implicou uma estagnação de criatividade na cena tecno. Com a propaganda massiva em torno da “Loveparade”, o público perdeu rapidamente o interesse pela cultura techno. E a cena voltou aos porões.

A cena tecno experimentou seu maior florescimento na primeira década do novo milênio. Berlim tornou-se a capital da cultura internacional de clubs e foi ganhando a condição de Ibiza do Norte. Todos os fins de semana, milhares de turistas viajam para Berlim em busca de festas. Da cena tecno emergiu uma cultura pop internacional, primeiro fenômeno dessa natureza a surgir na Alemanha. Sua história de sucesso começou em novembro de 1989. A eufórica unificação dos jovens das Alemanhas Oriental e Ocidental nas primeiras festas tecno, após a Queda do Muro, lançou as bases da atual cultura de clubs berlinense e da fama que alcançou como evento cosmopolita e igualitário.


Uh-Young Kim
(jornalista, apresentador de rádio e DJ)

LINKS:
Berlim, Cidade do Tecno (goethe.de)
“Tresor” – Clube e selo fonográfico
“Loveparade”, histórico resumido do período de 1989 a 1999
“Lost and Sound”: um livro sobre a cena tecno berlinense (goethe.de)


22.04.09 – BERGHAIN DE BERLIM:
Melhor boate do mundo é alemã ACIMA
Entrada da boate Berghain em Berlim, no distrito de Friedrichshain - Fonte: dpa/pa E nem parece uma boate...

A boate Berghain em Berlim foi eleita a melhor do mundo, em pesquisa realizada entre DJ's pela conceituada revista britânica DJ Mag. Na categoria melhor DJ, eleita por 350.000 pessoas de 167 países, Paul van Dyk foi o melhor alemão classificado, na terceira posição. Seus compatriotas Markus Schulz, Kyau Albert Loebau e Sven Väth ficaram na 8ª, na 22ª e na 24ª posição, respectivamente.

O resultado mostrou que Berlim emergiu como a cidade com o maior número de boates no Top 100 da pesquisa. A boate Berghain acompanhada de seu Panorama Bar, localizada em uma antiga estação de energia próxima à Ostbahnhof (Estação do Leste), no bairro de Friedrichshain, é notória por sua atmosfera hedonista, sua política seletiva de entrada e amplos horários de funcionamento.

A boate Watergate, localizada às margens do rio Spree, na região de Kreuzberg da capital alemã, garantiu a oitava colocação entre os melhores clubes do mundo. Cocoon, mega boate do DJ Sven Väth em Frankfurt am Main, figura na lista no décimo primeiro lugar, enquanto o clube de Robert Johnson, em Offenbach, ocupa a 24ª colocação.

Glaucimara Silva

LINK:
www.berghain.de
www.djmag.com


16.01.08 – OSTBAHNHOF MUNIQUE:
Badalação em antigas fábricas ACIMA

Ostbahnhof atrai público com variedade de boates, barzinhos, exposições e muito mais
Kultfabrik - Fonte: Wikimedia Commons/ B. Erdödy Entrada da Kultfabrik

Munique é uma cidade cosmopolita que reúne em um só lugar diferentes estilos de vida. Um dos points mais freqüentados pelos moradores e turistas, que fica praticamente no centro da cidade, é a área do Ostbahnhof (estação ferroviária do leste de Munique). As diversas atrações culturais e a movimentada vida noturna e cultural agregam gente de todo tipo, na maior concentração de boates e bares de toda a Europa.

A grande maioria fica exatamente atrás da estação ferroviária. Com dois antigos complexos industriais interligados, Kultfabrik e Optimolwerke, o visitante pode escolher entre a música latina, eletrônica, pop, rock e muitas outras. A variedade é tão grande que pessoas de todas as faixas etárias freqüentam o mesmo lugar.

Na Kultfabrik, uma boate com o nome Kalinka, mantém suas tradições e revive a União Soviética com muita vodca, música típica e dança. Já o Babyloon atrai mais pelas festas exuberantes com dançarinas e som eletrônico. A Cohibar, um bar que depois de um certo horário vira boate, agrada aos amantes do ritmo latino e de encontrar gente bonita.

Os complexos industriais não páram e até para quem quer prolongar a noite pode passar o dia na Kultfabrik ou nos Optimolwerke, quando programas culturais como exposições, exibições de filmes e workshops tomam conta do espaço. Outro atrativo é a multiplicidade de opções de comidas, como salsichas alemãs, comida japonesa e delícias da cozinha polonesa.

Para completar, dois trens ligam o aeroporto ao Ostbahnhof a cada 10 minutos. Para quem estiver de passagem por Munique ou pretende visitar a cidade, aconselha-se a estadia em hotéis da redondeza, já que são baratos e o ponto estratégico é bastante prático.

Martha Ayres Denk

LINKS:
Optmolwerke
Kultfabrik


20.08.07 - COQUETEL:
Caipirinha já é número 1 ACIMA
Caipirinha "hot" em Munique - Fonte: Aline Zero "Caipi" em versão hot em Munique

Junto com a feijoada e o o futebol a bebida entrou como titular para o time das paixões brasileiras. De tão apreciada, marca presença também longe de casa. Seja nas estações quentes ou nas frias, lá está ela: nos cardápios dos restaurantes ou em festas comemorativas, a caipirinha tem ótima aceitação e é facilmente encontrada na Alemanha, onde o coquetel pode ser pedido nos bares pela carinhosa abreviatura: "ein Caipi, bitte!”.

"Quase todos os lugares têm a bebida no cardápio. Nas festas tradicionais e nos mercados alemães pode-se inclusive comprar o ‘kit caipirinha’", conta a brasileira Carla Silva, que morou por dois anos na Alemanha.

Mas, por mais que seja fácil encontrá-la por lá, algumas diferenças no sabor parecem inevitáveis. Brasileiros que já experimentaram juram (cá entre nós) que as nacionais são melhores. "A caipirinha na Alemanha é uma adaptação. É feita com gelo moído e açúcar mascavo e cristalizado. Esse açúcar não dissolve e altera consideravelmente o sabor da bebida", confirma Carla. A qualidade e variedade de cachaças encontradas fora do Brasil também deixa a desejar, o que também altera o sabor do coquetel.

No Brasil, a receita originalíssima tem como ingredientes básicos cachaça, limão, açúcar e gelo. Aliás, o próprio modo de fazer já deixa claro que a bebida é mesmo brasileira. As medidas são normalmente estabelecidas pelo "olhômetro" de cada um, ou seja, o improviso fala mais alto. A vantagem é que o coquetel fica ao gosto do freguês.

Para quem quiser aprender, o procedimento é cortar o limão em pedaços pequenos, colocá-lo juntamente com o açúcar em um copo ou em um pilão próprio, amassá-lo com um socador, adicionar os cubos de gelo e, por fim, a melhor cachaça que estiver ao alcance. Um dos segredos nacionais para a receita é não triturar o gelo: do contrário, vai derreter rapidamente e a caipirinha pode ficar aguada. Depois, como já se sabe, é só apreciar a delícia. Sempre com moderação, claro.

Aline Zero


03.08.07 – HAMBURGO:
Sexo e Rock’n’Roll em St. Pauli    ACIMA

"Das Tor zur Welt" ou "Portão para o Mundo". É assim que a cidade de Hamburgo é conhecida entre os alemães. A segunda maior cidade da Alemanha está localizada ao norte do país, mais precisamente onde as águas do Alster e do Bille desembocam no Elba, que por sua vez flui para o Mar do Norte. Devido a essa posição estratégica, em 1189, o imperador Friedrich I Barbaruiva concedeu o direito portuário e privilégios comerciais ao então vilarejo, que ao longo dos séculos foi se desenvolvendo e transformando-se na mais significativa cidade mercantil da Alemanha, a chamada Hansestadt Hamburg, com um dos maiores portos no mundo.

Devido a sua história e longa tradição, Hamburgo é rica em atrações turísticas e pontos cult, como o bairro portuário St. Pauli, que se tornou mundialmente famoso pela Reeperbahn, a avenida apelidada de "milha pecaminosa" por abrigar casas noturnas, algumas de luz vermelha. A (má) fama do quarteirão dos prazeres causou furor em 1954, quando foi retratado no filme Auf der Reeperbahn nachts um halb eins, com o ator e cantor Hans Albers. Até hoje a música do filme é um clássico da cultura alemã.

A Reeperbahn se estende do estádio de futebol Millerntor até a Große Freiheit, rua onde se localizam as casas noturnas mais agitadas e conhecidas do bairro. Sendo parte integrante de St. Pauli, a Reeperbahn compõe o quadro inconfundível e característico do bairro, atraindo mais de 25 milhões de turistas por ano. Mas quem acredita que ali tudo gira apenas em torno da prostituição, está plenamente enganado.

Apesar das dezenas de casas noturnas, shows de streaptease e lojas de artigos eróticos, St. Pauli vai além da Herbertstraße, rua fechada onde circulam cerca de 250 prostitutas e cujo acesso é restrito e exclusivo para homens. Nos finais de semana, os hamburguenses invadem as discotecas, clubes e bares em torno da praça Hans-Albers. Para quem curte baladas que vão até o meio-dia do dia seguinte, só vai encontrá-las ali.

Entre os clubes mais famosos está o Große Freiheit 36, de mesmo nome da rua. Dentro dele, o Kaiserkeller ganhou notoriedade em 1962, quando a carreira mundial dos Beatles deslanchou em seus palcos. Foi no Kaiserkeller e nas antigas boates Indra e Top Ten que nascia a Beatmusic dos anos 60. A mistura dos gêneros Skiffle e Rock’n’Roll, também conhecida como "Hamburg Sound", ainda revelou artistas como Little Richard, Jerry Lee Lewis, os Everly Brothers, Ray Charles, mas também bandas de Hamburgo, como os Rattles e as Rivets.

Não muito longe dali fica o posto policial mais conhecido da cidade: a Davidwache. Por diversas vezes palco de reportagens, filmes e seriados de TV, ele se localiza no centro da Reeperbahn, ao lado do Spielbudenplatz, quadra onde se concentram teatros e pequenas casas de espetáculo. Essa localização é ideal, já que o índice de criminalidade na região é enorme.

St. Pauli também é valorizado pela cultura. O Operettenhaus no teatro de St. Pauli apresenta pequenas operetas e no Schmidt Theater, o público preza as apresentações de comédia, cabarés e musicais. Para não fugir do principal assunto do bairro, ainda conta com um museu de arte erótica, o Erotic Art Museum.

Ilona Rechlin


01.03.07 – VIDA NOTURNA:
The "BARracão", a praia noturna de Frankfurt   ACIMA

Todos os verões ,o dono de uma discoteca de Frankfurt transforma o estacionamento em frente ao local num bar brasileiro improvisado

Os pés podem sentir a areia e os guardas-sol atenuam o calor da tarde de verão ou protegem da chuva. Os fregueses sentam-se em cadeiras de praia com uma caipirinha nas mãos ou talvez, levantem brindes entre as mesas de metal com as cervejas brasileiras Brahma. Fragmentos de conversação num português suave cortam o ar.Qualquer pessoa que estiver no "BARracão" ,em Frankfurt poderia achar que estava no Brasil e esquecer que além da cerca está um estacionamento alemão comum.
O BARracão só abre no verão. Quando a temperatura esquenta, Uli Schlepper coloca um metro e cúbico e meio de areia em frente a sua discoteca "o25". Formado em medicina, Schlepper assumiu o clube subterrâneo situado em uma área industrial de Frankfurt há sete anos. Durante a ultima Copa do Mundo, há quatro anos, ele e sua mulher brasileira, Clara da Silva, tiveram a idéia de fazer este bar de verão. "Frankfurt de Janeiro" é o nome que aparece nos cartazes.

"Nós não queríamos fazer o trio usual- samba, peitos e caipirinha", diz Schlepper,que viveu no Brasil por vários anos. Sua mulher Clara acrescenta que devido ao fato de que a cultura no Brasil muitas vezes, vem da pobreza , o bar, no início, era chamado de "Favelabar". Eles queriam que o bar se transformasse num ponto de encontro cultural. Assim, passaram a convidar músicos para fazer apresentações lá, realizaram eventos de capoeira e contrataram brasileiros como DJs, cozinheiros e garçons.

Os fregueses alemães gostam muito do local. A assistente social Kathrin ,de 27 anos, é uma das freqüentadoras assíduas. Sua amiga Marion, de 31, está vindo pela primeira vez. O que a atraiu foi o fato de que "tudo parece ser improvisado e as pessoas não são do tipo arrumadinhas".

Esta espontaneidade não torna a atmosfera menos atraente, pelo contrário. De noite, quando o ar se torna mais fresco,os clientes entram para a "o25" onde existem dois andares de pista de dança.Os casais dançam "forro, pagode e samba". Para se refrescar, voltam para o "BARracão" e ficam conversando, sentados na areia. "A música é otima e você conhece muitos brasileiros", diz Leonardo de 18 anos.

"Land der Ideen"


LINK:
BARracão


LINKS:  ACIMA

BARracão


PÁGINA INICIAL

ACIMA