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Inicial Especial RDA ESPECIAL RDA: O muro da vergonha. Fuga e morte na fronteira

ESPECIAL RDA: O muro da vergonha. Fuga e morte na fronteira PDF Imprimir E-mail
Escrito por Dennis Barbosa   
Seg, 26 de Outubro de 2009 16:15

Construção do muro - Fonte: dpa/paApós a 2ª Guerra Mundial, a Alemanha foi dividida em quatro zonas de ocupação, que posteriormente constituíram dois Estados – o ocidental, sob controle das forças vencedoras capitalistas (Estados Unidos, Reino Unido e França) deu origem à República Federal da Alemanha (RFA), e o oriental, sob tutela da União Soviética, que resultou na República Democrática Alemã (RDA). Em 1961, o governo alemão oriental reforçou a guarda de suas fronteiras, erguendo o Muro de Berlim e levantando cercas ao longo dos mais de 1300 quilômetros de fronteiras que separavam seu território da Alemanha Ocidental. Estima-se que de 1949 a 1961, quase 3 milhões de pessoas fugiram do lado oriental para os setores ocidentais de Berlim.


O pretexto para fazê-lo era evitar entradas clandestinas em seu território, suposta ameaça à segurança nacional, mas o motivo real era tentar conter a fuga de seus cidadãos, já que as diferenças entre os dois lados, tanto em termos econômicos quanto políticos, ficavam mais claras a cada ano. O então batizado „muro antifascistas“ era na verdade uma prisão gigante.

Como ainda assim muitas pessoas tentavam fugir do país, informalmente foram dadas ordens internas para disparar contra quem tentasse cruzar a zona de fronteira. Minas e sistemas de disparo automáticos, além de 30 mil soldados da Guarda de Fronteira, foram espalhados ao longo do limite dos dois Estados. Relatos posteriores dão conta de que os guardas de fronteira eram estimulados a "aniquilar elementos antissocialistas", ou seja, aqueles que queriam fugir da Alemanha Oriental.

Somente em 1982, a determinação de disparar contra fugitivos foi formalizada em lei pelo governo socialista. Ainda assim, o texto obrigava os soldados a alertarem o alvo duas vezes e a darem um tiro de aviso antes o imobilizarem com um disparo na perna. Com lei ou sem, o resultado foi que centenas de pessoas morreram tentando fugir do regime. Fala-se em pelo menos 270 vítimas fatais, mas podem ser muito mais, já que o governo alemão oriental fazia o possível para ocultar os casos. Ainda hoje há quem negue que havia ordem para matar na fronteira.

Com a reunificação vieram os processos dentro da República Federal contra o Schießbefehl, que duraram até o dia 09 de novembro de 2004, exatos 15 anos após a Queda do Muro. . Ao todo foram 11 condenados à prisão, 44 condenados a uma pena, que foi suspensa condicionalmente, 35 acusados foram absolvidos. O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos considera que a lei que ordenava atirar contra os fugitivos feria a própria constituição do país que a editou, já que ela previa o „direito inalienável à vida“ dos seus cidadãos. Em Berlim e em outras áreas próximas à antiga fronteira existem, ainda hoje, cruzes que relembram aqueles que morreram tentando sair da República Democrática Alemã.